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    Alexander mal tinha terminado de tratar e enfaixar as feridas dele e de Ocean na ala de tratamento quando um dos enviados da academia apareceu para informá-lo de que Lucas solicitava sua presença imediata.

    Guiado pelo enviado, Alexander chegou a uma das salas internas da grande biblioteca da academia. E assim que ele entrou, um homem alto e de feições fortes, que ele não conhecia, mas que tinha uma boa ideia de quem era, apontou para ele e começou a acusá-lo.

    Ao ver que Alexander não parecia se importar com suas acusações, o homem gritou: — Você se atreve a zombar de mim?!

    — Por que, e como, eu iria zombar de você quando nem tenho certeza de quem você é? — respondeu Alexander inexpressivamente. — Não estou falando nada porque não respondo a você, mas sim a esta academia.

    Suprimido pelas palavras de Alexander, o homem apenas pôde tremer de raiva enquanto Lucas assumia a palavra: — Este é o atual líder da família Bunder, Alexander. E ele está acusando você de matar membros da família dele, incluindo um de nossos alunos.

    — Duvido muito que ele estivesse disposto a falar tanto, ou que apenas pagasse algumas pessoas para “me impedirem de entrar na academia”, se tivesse alguma prova — apontou Alexander. — Então qual é o sentido de tudo isso?

    O líder da família Bunder ficou surpreso por um jovem permanecer analítico durante a situação. Ele realmente não podia provar sua acusação sem admitir que o membro da sua família saiu para matar Alexander, mas não voltou.

    — Mesmo que ele realmente não tenha nenhuma grande prova, a academia não pode deixar a morte de um dos nossos acabar assim — interveio Lucas, que estava mortalmente sério. — Então, EU, pergunto: você matou essas pessoas?

    — Eu não — começou a dizer Alexander.

    No entanto, assim que pensou em distorcer os fatos, um enorme arrepio percorreu sua espinha e ele imediatamente reajustou sua frase para algo que lhe permitisse navegar pelo “incerto”: — Eu não tenho como ter certeza.

    — Você não tem como ter certeza? — questionou Lucas. — O que exatamente você quer dizer com isso?

    — Quando saí da cidade em busca de um fluxo d’água para tentar aprender a minha técnica de movimentação (que, por sinal, me deu muito trabalho para aprender, pois a sua transcrição está essencialmente errada), eu acabei encontrando e matando um grupo de pessoas vestidas como bandidos que tentaram me emboscar — explicou Alexander cuidadosamente.

    O olhar dele então se voltou para a quarta e última pessoa na sala, uma bela mulher vestindo um traje branco, levemente dourado, quase clerical, que permaneceu em silêncio. — Então eu acho que cabe a vocês esclarecerem se essas pessoas, vestidas como bandidos, eram ou não associadas a vocês.

    Ao ouvir a resposta de Alexander, Lucas olhou para a mulher, que permaneceu completamente em silêncio, e pareceu obter a sua resposta: — A Academia dos Combates Gêmeos protege os seus alunos tanto quanto possível. Mas nós não temos alunos que sejam bandidos covardes.

    A resposta de Lucas foi para Alexander, mas qualquer um na sala poderia dizer, pelo tom da reprovação, que ele não estava se referindo apenas a Alexander.

    — Ele está mentindo — alegou o líder da família Bunder. — Independentemente deles estarem ou não com roupas supostamente suspeitas, não há como eles morrerem sem se identificarem para resolver o mal-entendido.

    — Eles não tiveram essa chance — explicou Alexander. — Eu os envenenei sem que eles percebessem a princípio, e depois que o veneno começou a fazer efeito e eles caíram, eu, que os observava de longe, lancei meu feitiço mais destrutivo, completamente carregado, e explodi eles em pedaços.

    Embora todos naquela sala tivessem uma certa experiência de vida, a atmosfera ficou bem estranha quando Alexander terminou de falar. A maneira dele de lidar com as coisas era muito brutal. Além de usar veneno, ele não se preocupou em fazer perguntas ou mostrar misericórdia, apenas matou todos os inimigos de uma forma completamente decisiva.

    — Estou começando a entender como tudo deve ter acontecido — disse Lucas, que parecia extremamente sombrio. — Você pode ir, Alexander. Falarei melhor com você quando terminar com nosso “convidado”.

    Se tivesse pelo menos uma fração das suas emoções Terra, Alexander estaria se regozijando no infortúnio do líder da família Bunder, que tremia de raiva. Mas como não tinha, ele simplesmente foi para sua residência.

    Ao chegar em sua residência, Alexander confirmou que havia ficado um pouco difícil para Ocean passar pelas portas. O que significava que ela subiu de nível, o que por sua vez, devido à sua raça, aumentou seu tamanho.

    Passando pela cozinha, Alexander descobriu que havia comida o suficiente para ele, como se Diana soubesse que ele estava voltando. E ao andar pela sua casa, percebeu que ela estava mais arrumada e limpa do que quando ele estava lá. 

    Ao entrar em seu quarto, Alexander encontrou Diana dormindo na cama sem cobertores e com as suas roupas bagunçadas, o que mostrava que ela devia ter limpado e arrumado a casa naquele dia.

    — Até meu quarto está limpo e arrumado — pensou Alexander ao olhar a sua volta. — Ela deve estar bem cansada.

    Não querendo incomodá-la, Alexander a cobriu com um cobertor e foi para outro cômodo com Ocean. Mas sua paz não durou muito, pois pouco depois dele comer e se deitar, Lucas mandou chamá-lo novamente.

    Assim que Alexander voltou, Lucas, que já estava sozinho na sala, foi direto ao ponto: — O que você fez, garoto?

    — Sobre o que exatamente? — perguntou Alexander inexpressivo.

    — Não se faça de bobo comigo — disse Lucas. — Eu estou perguntando sobre o que você fez com quem tentou te impedir de chegar aqui.

    — Veneno — explicou Alexander. — Todos que entraram em combate corpo a corpo comigo foram envenenados por uma mistura de venenos que criei usando os venenos de duas criaturas de 2ª evolução.

    — Imaginei que fosse veneno… Eu só não esperava que você usasse algo tão sinistro como um composto — suspirou Lucas ao mudar sua avaliação sobre Alexander de brutal para sinistramente brutal. — Os mais fracos até estão tendo convulsões por falta de ar enquanto são atacados por calafrios.

    — Com todo o respeito ao senhor, por que eu deveria me importar com eles? — perguntou Alexander. — Eles se importaram com o que iria acontecer comigo quando aceitaram o pedido para me capturar?

    Vendo que aquela lógica fazia muito sentido, Lucas não teve como refutá-la. Mas ele também não pôde deixar de reavaliar Alexander, de novo. 

    — Ele é talentoso, mas também é sinistramente brutal — ponderou Lucas ao reavaliar Alexander. — Ele não parece procurar ativamente por problemas, mas uma vez ultrapassados os seus limites, ele não mostra qualquer tipo de misericórdia para com a outra parte.

    Percebendo que Alexander possivelmente seria uma enorme e constante dor de cabeça, Lucas decidiu não pensar no assunto e mandou alguém avisar a guarda da cidade que os envolvidos estavam envenenados.

    Depois de pensar um pouco para reorganizar seus pensamentos, Lucas pareceu se lembrar de algo e acabou mudando o assunto deles: — Antes você disse que conseguiu aprender a sua técnica de movimentação. Conte-me mais sobre isso.

    — Foi complicado… — disse Alexander, como se isso respondesse a tudo.

    Ao ver Lucas lhe olhando estranho, ele reiterou: — Estou falando sério. Foi realmente muito complicado… Principalmente porque as técnicas que me passou estavam transcritas incorretamente.

    — Está brincando comigo? — perguntou Lucas, extremamente sério. — Técnicas do nosso acervo estão erradas?

    — Eu não estou dizendo que todas as suas técnicas estão erradas — respondeu Alexander. — Estou dizendo que as que recebi contêm erros semânticos.

    — Deixe-me lhe dar um exemplo — disse Alexander ao entregar o seu livro [Mantra do Asura] para Lucas. — A certa altura, o primeiro nível deste livro diz que um asura tem 3 mentes. Mas, na minha interpretação, o correto seria dizer que ele controla 3 faces de forma independente.

    — Esse parece um erro bobo, porque no final ambos estão virtualmente certos, mas são os pequenos erros bobos como esse que dificultam o aprendizado das técnicas, ou até causam efeitos adversos nas pessoas — explicou Alexander, que obviamente não saberia tudo aquilo se ele não tivesse recebido o conhecimento sobre essas técnicas do sistema.

    — De onde tirou esse entendimento? — perguntou Lucas após ler o trecho que Alexander havia mencionado. — Você não me parece um daqueles estudantes que faz pesquisa. Pelo menos eu nunca vi você fazer isso em nossa biblioteca.

    — É como eu lhe disse antes — respondeu Alexander. — Essas são apenas as impressões que tive quando finalmente entendi as técnicas.

    — Entendo — disse Lucas revirando os olhos. — Então talvez você possa anotar essas suas “impressões” para ajudar nossos outros estudantes.

    — Não posso correr o risco de prejudicar outros alunos com as minhas “impressões” de consciência limpa — respondeu Alexander. — Mas se eu tivesse algumas técnicas de alto nível para aprender, talvez não tivesse tempo para me preocupar com coisas triviais como uma consciência limpa.

    Lucas quase amaldiçoou Alexander quando o ouviu: — Ele ainda se atreve a pleitear mais benefícios depois de todos os problemas que nos causou? — Mas, como das outras vezes, algo pareceu impedi-lo de bater em Alexander.

    — Acho que posso te dar outra técnica — disse Lucas.

    — 2 técnicas avançadas — pediu Alexander antes de começar a deslizar pela sala em alta velocidade com sua técnica de movimentação. — 1 para cada técnica errada que consegui aprender… Prometo que não vai se arrepender.

    Lucas ficou surpreso e um pouco irritado ao vê-lo gerar e se impulsionar em uma camada de água para se mostrar e pedir ainda mais benefícios.

    Alexander não apenas ousou pedir ainda mais, como também deixou um pequeno rastro de água por onde deslizava.

    — Tudo bem. Vou lhe dar 2 técnicas avançadas — cedeu Lucas, como se estivesse muito contrariado com algo. — Mas só depois de você transcrever as técnicas que eu te passei antes de acordo com suas “impressões”.

    — Por mim tudo bem — concordou Alexander.

    — Agora que já resolvemos essa questão, tenho algo para lhe contar sobre o mês em que esteve ausente — disse Lucas.

    — Algo importante? — estranhou Alexander.

    — Sim. Importante — reafirmou Lucas. — A academia terá um torneio entre os alunos dos estilos ofensivos de seus respectivos anos.

    — Não estou interessado — disse Alexander, virando-se para sair.

    Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).

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    Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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