Capítulo 122 – Núcleo
Forçado a enfrentar aquela realidade, Marcos passou a reavaliar Alexander, como se tentasse ver através dele. Mas não conseguiu nada. — E onde está o seu familiar?
— Disse a ela para me esperar do lado de fora da cidade, por isso vou precisar de um tempo para ir buscá-la — explicou Alexander. — Mas é melhor fazer isso logo, pois acho que você não vai querer ela rondando próximo a cidade.
— Nisso você tem razão — concordou Marcos. — Vou mandar alguém avisar no portão para liberar a entrada dela… Quanto à avaliação, eu mesmo vou fazê-la.
— Me espere aqui — pediu Alexander para Diana. — Não devo demorar.
Após informá-la, ele já estava saindo quando ouviu o mestre da guilda dos aventureiros chamá-lo: — Espere um pouco. Enviarei alguém com você para avisar o portão.
Quando Marcos terminou de falar, Alexander já estava do lado de fora da Guilda flexionando as pernas. — Não precisa. Só os notifique sobre uma loba especial.
Sem esperar resposta, ele saltou o mais alto possível sem quebrar as coisas ao seu redor, abriu as asas, que já haviam se recuperado bastante, e voou para fora da cidade deixando apenas uma frase: — Acredite, ela é inconfundível.
Após confirmar que não estava sendo seguido, Alexander voou até a localização de Ocean. Mas no caminho ele aproveitou o fato de não haver ninguém por perto para pegar e identificar o orbe/cristal que obteve no subsolo da masmorra.
O seu palpite sobre o que era o item era óbvio e não muito longe da verdade, mas a descrição ainda o surpreendeu.
[Núcleo de Masmorra (Avançado): Um cristal formado naturalmente por um ponto de convergência das energias naturais devido ao acúmulo e aglutinação delas em um nível tão alto que se solidificou em algo especial.]
• Absorve as energias da sua área e do ambiente ao redor dela para se fortalecer.
• Pode ser usado como o núcleo de matrizes, sejam elas energéticas ou mágicas.
• Libera e usa ativamente uma parte das energias que absorve para se fortalecer tanto por dentro quanto por fora.
(Por ter sido retirado do ponto de convergência de energias, a capacidade do núcleo de absorver matéria foi selada, tanto para gerar criaturas e itens, quanto para se fortalecer.)
— Porra. Essa coisa é quase senciente — pensou Alexander, um pouco assustado e intrigado. — Mas isso explica porque as criaturas nas masmorras quase não têm consciência. Elas são basicamente cascas vazias feitas por algo sem consciência, usando parte da matéria e das energias que absorveu para se proteger e atrair seres energéticos.
Ao refletir um pouco mais sobre essa questão, ele notou outra coisa: pela primeira vez a habilidade |Identificar| fez uma avaliação com tantas lacunas, pois claramente faltavam partes importantes sobre esse tipo de núcleo, ou ele só seria uma super fusão entre pedras de energia e pedras de mana.
— Isso é muito complicado para eu perder o meu tempo pensando nisso agora — concluiu Alexander. — Mas uma coisa e certa, o número de livros que preciso/vou ler acabou de aumentar… de novo.
Após chegar no local previamente combinado e pegar Ocean, ele não retornou de imediato à cidade. Ainda havia algumas coisas que queria fazer antes de voltar. Coisas que só poderiam ser feitas na masmorra de onde tirou o núcleo.
Ao voltar até ela e percorrer todo o caminho até o final dela, analisando-a, Alexander descobriu que o local havia virado uma caverna comum. Boa parte da resistência das paredes foi perdida devido à ausência do núcleo.
Com a ausência de qualquer criatura viva, por um motivo óbvio, eles rapidamente chegaram ao espaço onde ficava a sala do BOSS da masmorra. Tudo estava como quando ele saiu, exceto pela falta de energia no local.
Mesmo quando se aproximou e olhou bem de perto o buraco que havia feito no chão, ele não conseguiu ver nenhuma diferença significativa.
— Como eu esperava. A formação de um núcleo deve levar muito tempo — suspirou Alexander, meio decepcionado. — É bem provável que demore vários anos para se formar um, e ainda mais tempo para ele evoluir… Por isso deve ser tão difícil entender e documentar o padrão, ou padrões, no plural, de evolução das masmorras.
— Seguindo essa lógica, as masmorras avançadas chamadas de variantes devem ser simplesmente masmorras avançadas cujos núcleos entraram no processo de evolução — ponderou analiticamente.
Em meio aos seus pensamentos, ele teve uma ideia que fez um sorriso florescer em seu rosto. — É melhor aproveitar esse desvio e testar isso.
Curioso sobre os possíveis resultados, Alexander pulou no buraco e aproximou o [Núcleo de Masmorra] do local de onde o tirou, o que causou uma reação, como se o mesmo estivesse tentando sincronizar com algo, como a própria masmorra.
Esperando/Torcendo por algo assim, ele rapidamente puxou o núcleo para trás. Mas assim como na primeira vez que tentou tirá-lo da masmorra, uma força tentou puxá-lo e mantê-lo ali, só que desta vez estava muito fraca para detê-lo.
— Isso está ficando cada vez mais interessante — pensou Alexander com um sorriso ainda maior no rosto.
Ao pensar um pouco mais, ele percebeu que ainda não tinha todos os componentes necessários para testar todas as possibilidades que desejava. Mas isso não o afetou, pois ainda havia algumas possibilidades disponíveis para testar naquele momento.
Após respirar fundo e se acalmar, Alexander usou |Natureza Selvagem| para poder continuar testando as possibilidades disponíveis naquele momento.
Sob o efeito da sua habilidade frenética, ele começou a crescer e mudar. Mas mesmo à medida que seu corpo crescia, as peças de roupa feitas com seus fios não davam sinais de ceder, pelo contrário, elas cresciam junto. Não era como se estivessem sendo esticadas, era mais como se fossem reconhecidas como parte do seu corpo e também estivessem sob o efeito da sua habilidade frenética.
— Parece que a habilidade |Natureza Selvagem| reconhece até os meus fios como uma parte do meu corpo — analisou Alexander. — O que não está totalmente errado, já que eles são produzidos dentro dele.
— Mas isso também levanta outra questão: qual a extensão desse efeito? — refletiu ele. — Se eu, como essa habilidade ativa, tocar o robe de Diana, ele também ficará mais forte?… Vou ter que testar isso quando tiver chance.
Feliz com o resultado desse teste, Alexander se voltou para o anel no seu dedo.
— Esse caso é ainda mais intrigante — pondeu ele. — O [Anel do Deus Ladrão] claramente não faz parte do meu corpo e não foi afetado como as minhas roupas, mas ainda se adapta espontaneamente às minhas mudanças, mesmo não tendo nenhuma habilidade ou característica visível a |Identificar| para justificar isso…
Como não tinha informações suficientes para conjecturar sobre isso, Alexander passou para seu próximo teste e começou a canalizar energia em seus chifres, que liberaram um brilho translúcido em resposta à modulação da energia espacial.
— Felizmente, eu consigo mesmo usar energia espacial enquanto estiver no modo |Natureza Selvagem| — alegrou-se ele, bem aliviado. — Essa vai ser uma das minhas maiores e melhores cartas na manga.
Após confirmar que a modulação de energia espacial era de fato uma das vantagens de |Natureza Selvagem|, Alexander parou de produzi-la, expeliu o restante dela e infundiu mana em seus chifres em vez de energia.
Para sua surpresa e “leve” decepção, ocorreu sim uma reação, o que provou que sua teoria não estava completamente errada, mas nenhuma “mana espacial” foi modulada. Tudo o que ele conseguiu foi fazer seus chifres ganharem um brilho translúcido e produzir/sentir uma vaga sensação que nem sabia para o que servia.
Não deixando isso abalá-lo e abrindo um sorriso típico de quem quer ver até onde consegue chegar, Alexander foi até o centro da sala e começou a modular energia espacial. E ao sentir que teve algum sucesso em torná-la perfurante, ele a usou para perfurar o chão e fazer um pequeno buraco cada vez mais profundo.
Após perfurar por algum tempo, Alexander encontrou o que procurava em uma camada mais abaixo no subsolo. E com essa etapa concluída, ele começou a fazer outro pequeno buraco, mas para cima e atravessando toda a masmorra.
Com seus objetos concluídos, ele estava prestes a desativar |Natureza Selvagem| e sair da masmorra quando outra ideia lhe veio à mente.
Com essa nova ideia em mente, Alexander voltou para o buraco de onde tirou o [Núcleo de Masmorra], produziu mais energia espacial e começou a modelá-la com |Controle Refinado da Energia| e |Grande Modulação de Energia|.
Após torná-la o mais suave e estável possível, o que foi bem difícil, pois ela era muito mais densa e volátil que sua energia comum, ele a direcionou para os seus olhos com muito cuidado.
Com a energia espacial canalizada nos seus olhos, a visão de Alexander mudou ligeiramente. O ponto de convergência de energias que gerou o núcleo da masmorra, bem como as “veias de energias” que a interligavam, tornaram-se visíveis.
Fazer tais descobertas abriu várias linhas de raciocínio e oportunidades para ele, mas sua alegria não durou muito. Assim que teve uma pequena visão geral do que estava ao seu redor, os seus olhos começaram a doer de uma forma que ele nem conseguia descrever. — AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Alexander tentou desesperadamente tirar a energia espacial do seus olhos, mas o poder destrutivo dela era muito persistente. Seu corpo não conseguia resistir ou controlá-lo adequadamente, pois esse era um poder que nem deveria ter, afinal ele não era uma criatura espacial.
Sem pensar duas vezes ou postergar mais a situação, Alexander usou todos seus feitiços e técnicas de combate de cura e regeneração para estabilizar seus olhos. E ao notar a gravidade da situação, Ocean foi até ele, que usou 2 dos seus pontos crescimento para lhe passar |Cura| e |Santuário| com a habilidade |Gift|.
Assim que sentiu suas novas habilidades se consolidarem, a loba uivou alto, liberou uma densa massa de mana e criou o seu próprio |Santuário|, o que intensificou ainda mais a capacidade de recuperação dele.
Com muito esforço deles, Alexander conseguiu estabilizar seus olhos, mas só porque o uso da energia espacial não foi prolongado. Pois não era como se a energia espacial só machucasse seus olhos, era mais como se tentasse consumi-los.
Mesmo sabendo que isso iria aumentar a sua dor, Alexander desativou |Natureza Selvagem|, pois quanto mais tempo ela passasse ativada, maior seria o período de fraqueza ao desativá-la, e ele não podia/queria entrar na cidade transformado.
— (Ocean, pode me levar para fora e me colocar na frente do buraco que fiz até o lado de fora dela?) — pediu Alexander, ainda mantendo as curas.
— (Sim, líder) — respondeu ela, solicita.
— (Obrigado) — agradeceu ele ao montá-la.
Graças à velocidade de Ocean, eles chegaram rapidamente na frente do buraco do lado de fora da masmorra e Alexander materializou sua lança.
— Muito obrigado, Ocean — disse ele. — Agora prepare-se para fugir o mais rápido que puder em direção à cidade.
Mesmo estando bem enfraquecido, Alexander usou |Asura|; fez um encadeamento mágico com |Campo da Água|, |Domínio Aquático| e |Benção de Mana|; e começou a recitar: — Que os céus respondam ao meu chamado… Que as nuvens tragam abundância sobre a terra… E por mais efêmero que seja este momento, nele eu nego a perene tirania do sol sobre a terra… |Chuva Elemental|.
Através da evocação mágica, a grande quantidade de mana dele que subiu ao céu enquanto o seu feitiço era recitado transformou o que era um dia claro e sem nuvens em um dia completamente nublado por nuvens escuras e pesadas.
Assim que o feitiço foi concluído, a chuva começou a cair sobre a área. Mas essa chuva obviamente não era comum, era uma chuva cheia de mana elemental da água, que logo começou a infestar o ambiente e a terra.
Acrescentando a água da chuva junto com sua técnica |Combate Aquático| como catalisadores para alcançar as profundezas da terra, Alexander repetiu o mesmo encadeamento mágico e evocou um novo feitiço: — Tu és a origem de toda a vida e também aquela que consumirá toda a vida. Então por que permaneces presa à terra?… Levante-se e reivindique toda a sua glória… |Gêiser D’água|.
Derramando mana irrestritamente na água que localizou abaixo da masmorra a cada palavra do seu feitiço, ele sentiu a agitação dela aumentar a cada segundo.
Assim que o feitiço foi concluído e toda a água e mana da superfície circundante fluíram para baixo até atingir um ponto crítico, Ocean imediatamente correu em direção à cidade o mais rápido que pôde, pois sentiu o perigo de permanecer ali.
Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 10,00 R$).
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Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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