Capítulo 124 – “Desastre”
Com a avaliação de Ocean concluída, todos eles foram até a sala de Marcos, onde o mesmo avaliou o grupo de Alexander até que resolveu falar: — A sua avaliação e a do seu familiar parecem consistentes, mas não tenho certeza se esse é o caso da sua suporte/companheira.
— Você não pode estar falando sério nos comparando — apontou Alexander.
— Eu, obviamente, sei que não faz sentido avaliar um suporte por padrões de força e poder destrutivo — respondeu Marcos. — Mas ela nem está sob avaliação…
— Não relataram à Guilda que ela salvou um grupo de aventureiros de um ninho de goblins? — indagou Alexander. — Não foi o suficiente para colocá-la em análise?
— Pelo que ouvi, alguém, provavelmente você, e seu familiar destruíram o ninho praticamente sozinhos — respondeu o mestre daquele ramo da Guilda.
— E por que acha que os ajudamos em primeiro lugar? — rebateu Alexander.
Essas palavras deixaram Marcos numa posição difícil. Por um lado, confirmaram que Diana tinha a personalidade buscada pela Guilda em seus aventureiros de alto nível, mas, por outro lado, também deixaram claro que seu desempenho era um tanto incerto em relação às suas capacidades e conquistas.
Ao ver que Marcos parecia inclinado, mas indeciso, Alexander disse: — Parece que este ramo não está interessado no lucro em potencial de uma {Masmorra Avançada}, que gerou 2 monstros baú ao mesmo tempo, e na compra de alguns dos itens que obtive nas masmorras e no ninho de goblins.
Ouvindo essa “suposição”, Marcos, como mestre de um dos ramos da guilda dos aventureiros, passou pelos estágios da raiva até chegar na aceitação e chamar alguém para promover todos os ligados a Alexander.
Após todos do grupo receberem uma identificação dourada para comprovar seu novo rank, Marcos disse: — Todo seu grupo já foi promovido e você também foi colocado em avaliação, devido a limpeza do ninho de uma criatura de 3ª evolução, agora forneça informações sobre esta nova masmorra, bem como relate tudo o que descobriu sobre ela.
Alexander não se importou em vender alguns dos itens para a Guilda e relatar as informações sobre a {Masmorra das Trapaças}, pois precisava mesmo fazer isso por causa da missão que recebeu, Marcos simplesmente não sabia disso. Mas ele não relatou nada sobre a outra masmorra que destruiu, já que a missão relacionada a ela desapareceu depois que ele arrancou o núcleo dela.
* Ding! *
[Missão concluída.]
Depois de terminar todo o seu relatório, Alexander enviou uma mensagem a John confirmando o pedido de Diana e solicitando mais algumas coisas.
A primeira delas era estar pronto para fazer alguns ajustes em seu capacete, e a segunda era comprar alguns livros sobre como forjar; encantar itens; e a alquimia da criação e fortalecimento de ligas metálicas para ele. Obviamente as despesas seriam compensadas ao receber esses itens.
Assim que Alexander terminou de enviar sua mensagem e estava prestes a sair, Marcos veio falar com ele: — Acabei esquecendo de voltar nisso antes, mas como você machucou os seus olhos?
— Eu tinha acabado de pegar Ocean e estávamos voltando quando nos deparamos com um desastre — inventou Alexander. — A área ao redor tremeu e uma grande explosão de água emergiu do chão sob nós.
— … — Marcos.
— Eu, felizmente, consegui nos proteger parcialmente, mas estar perto daquilo cobrou seu preço — disse Alexander.
— Pode me dizer a região onde isso aconteceu? — perguntou Marcos.
— Não, pois não conheço a área. Mas foi nessa direção — disse Alexander ao indicar a direção. — Se você for enviar alguém para investigar, é muito provável que ainda encontre parte da destruição causada. Mas mande alguém que esteja pelo menos no nível ouro, pois qualquer pessoa abaixo desse nível que seja pega por algo assim não tem muita esperança.
— Obrigado pelas informações — disse Marcos. — Vou tomar nota delas.
Como já haviam feito todo o necessário na Guilda, Alexander pediu a Diana que o levasse à loja da Lua Negra. E enquanto se dirigiam para a loja, ele notou algo que não havia notado antes, embora já tivesse passado naquela cidade. — Diana, é impressão minha ou você sempre evita uma parte dessa cidade?
— … — Diana. — Eu… eu não gosto de passar por lá.
Ao ouvi-la, o sangue de Alexander ferveu imediatamente. O “efeito dracônico” sobre ele não foi só na luxúria, sua raiva também passou a ter uma intensidade muito, muito maior, principalmente em assuntos relacionados a ela. — Por que? Alguém lá já te fez mal?
— Não — assegurou Diana. — Só não gosto do tipo de “mercado” que tem lá.
— Então é isso — sorriu Alexander ao se acalmar. — Considerando o quão reservada você é, era de se esperar que não gostasse desse tipo de mercado.
— O que? — indagou ela, confusa… Quando finalmente entendeu o que ele quis dizer, Diana enrubesceu da cabeça aos pés, mas o seu rosto logo mudou para um de puro desgosto. — Esse também está por lá, mas não seria problema, já que a maior parte fica fechado durante o dia. O que eu realmente não gosto de chegar perto é o mercado de escravos.
— O que? — surpreendeu-se Alexander. — Existem mercados de escravos?
— Você não sabia? — estranhou Diana.
— Não — respondeu ele.
— Não é apenas aqui. A maioria das grandes cidades têm — explicou ela. — Você provavelmente ainda não viu porque nunca passou muito tempo em uma cidade grande. Mesmo na Cidade Gêmea, você vivia na academia e, normalmente, só saía de lá para ir para as masmorras ou para a Guilda.
Alexander vinha mesmo mantendo uma grande e voraz política de “não ver e não se envolver”, pois não era forte o suficiente para ter problemas além dos seus. Mas não percebeu, ou não quis perceber, que estava deixando passar tantas coisas relevantes. — Entendo…
— Mesmo em um mundo abençoado com magia eu tenho que me deparar com tal abominação — pensou Alexander, frustrado. — Esta loucura simplesmente não faz sentido tático para uma nação. Isto é pura perda de potencial em favor de uma mão de obra bruta e forçada.
— É bem provável que isso seja feito principalmente para obter mão de obra barata e/ou forjar escravos de combate para os nobres — ponderou Alexander, que ficou perdido em pensamentos até Diana o informar que já haviam chegado.
— Obrigado Diana — disse Alexander — Mas quando terminarmos aqui, você deveria ir e voltar na frente… Passarei pelo mercado de escravos antes de voltar.
Ao ouvi-lo, ela imediatamente lançou-lhe um olhar estranho e questionador.
— Não se preocupe. Não pretendo comprar escravos — garantiu Alexander com um sorriso. — Meu interesse lá é outro.
Aliviada com a resposta dele, Diana facilmente concordou.
— Ela não gosta mesmo da ideia de passar por lá — ponderou Alexander ao planejar e organizar o que ia fazer. — Ou ela pediria para vir comigo.
Como Diana já havia comprado as coisas de que precisariam durante a viagem, ele não precisou se preocupar muito com isso. E assim suas compras se limitaram a algumas peças de reposição, mimos para ela e livros.
Por mais que tentasse agir como se não tivesse comprado muito, Alexander saiu da loja acompanhado por um vendedor que tinha um sorriso que parecia ir de orelha a orelha. Ele simplesmente comprou uma cópia de cada livro ligeiramente relacionado à: Alquimia, Herbalismo, Conceitos Mágicos, Matrizes e similares, bem como os itens, ingredientes e reagentes necessários nessas áreas.
Esta compra custou a Alexander uma pequena fortuna, pois alguns livros foram adquiridos pelo mesmo valor dos núcleos de dragão que ele havia comprado, e algumas fórmulas/receitas, necessárias para que entendesse melhor as reações dessas áreas, custam desde moedas de platina até moedas de diamante negro.
Com as compras resolvidas e o casal com destinos diferentes, Diana levou Ocean para casa enquanto Alexander foi ao mercado de escravos. E assim que resolveu suas questões por lá, depois de alguma confusão, ele usou |Esgueirar-se| para fugir e foi para a casa dos pais de Diana, surpreendendo-os ao “materializar-se” no pátio interior. — Me desculpe por chegar assim e lhes assustar, mas acredito que precisávamos conversar agora que Diana vem comigo.
Os pais de Diana olharam Alexander de cima a baixo, mas não pareceram muito surpresos. Era mais como se estivessem apenas tentando se familiarizar com sua nova forma e entender as mudanças.
— Precisamos muito conversar — disse a mãe de Diana. — Mas é melhor nós fazermos isso lá dentro, depois de comermos.
Apesar de todos reunidos, Alexander tirou um momento para tomar um banho, o que não demorou muito para alguém com suas características e magias.
Quando ele terminou e se arrumou, todos comeram e finalmente sentaram para conversar, o que deixou a sala silenciosa e pesada até que Alexander quebrou o silêncio. — Não vou mentir, a princípio não queria levá-la, pois meu caminho pode ser perigoso. Mas eu simplesmente não consigo mais deixá-la para trás agora.
— Nós os entendemos um pouco — disse a mãe de Diana. — Mas não conseguimos deixar de nos preocupar… Em primeiro lugar, por que você tem que ir embora?
— Não estou necessariamente fugindo — disse Alexander. — Já estava planejando fazer isso depois do torneio, desde o momento em que decidi participar dele.
— Por que? — perguntou a mãe, preocupada com o futuro da filha.
— Porque sabia que iria me destacar muito, principalmente se ganhasse — explicou Alexander. — Vocês podem não saber, mas o diretor da academia é reconhecido como um dos pilares do Império. E isso deve levá-lo a tentar me “recrutar” para as fileiras do Império se eu permanecer aqui.
Ao notar que os pais de Diana não entenderam o grande problema dessa situação, Alexander foi mais fundo: — Essa “indicação” pode parecer uma coisa boa com a qual muitos jovens sonham, já que realmente tenho a capacidade para me sair muito bem… Mas o ponto é que eu não tenho nenhum apoio, e isso me deixaria só duas opções: tornar-me vassalo de alguma família nobre em busca de apoio, ou ser fortemente reprimido por eles.
Vendo que os pais de Diana entenderam algumas partes, mas estavam confusos em outras, ele mudou a explicação para algo mais próximo deles. — Vocês podem querer apenas ter uma vida tranquila, mas o que acham que aconteceria se Diana recusasse o pedido de casamento de um nobre inútil?… Agora imagine essa situação no pior cenário possível.
Ao pensar naquilo, as expressões dos pais de Diana escureceram e ficaram cada vez mais feias à medida em que entendiam a situação.
— Foi por isso que fiz Diana sair da academia mesmo não querendo levá-la comigo no início — disse Alexander. — A filha de vocês tem uma aptidão incrível e se continuasse lá, invariavelmente, acabaria num dilema semelhante ao meu.
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Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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