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    No fim da longa noite, Diana havia crescido como um todo — até sua cauda ficou maior.

    Sua estatura aumentou cerca de cinco centímetros, suas curvas ficaram mais tonificadas e sua figura, mais voluptuosa.

    Felizmente, a mudança foi harmoniosa, possivelmente graças ao aprimoramento (Harmonia Corporal Avançada). A única diferença perceptível era que sua pele ainda mantinha um leve tom avermelhado devido à alta vascularização, mas bem menos intenso que na noite anterior.

    Verdade seja dita, Alexander pensou muito em lhe conceder o aprimoramento (Corpo Dracônico) em vez de um dos outros. Contudo, após refletir, desistiu da ideia.

    Mesmo sendo o aprimoramento que proporcionaria maior defesa natural a ela, o dragonoid não queria transformá-la naquele nível. Ele só desejava que ela ficasse mais segura.

    Depois que se acalmaram com um bom banho frio, a vergonha de Diana começou a retornar lentamente, sobrepujando a luxúria. Seu rosto ficou extremamente vermelho enquanto parecia um pouco perdida, remoendo as coisas que fizeram desde a noite anterior até o sol nascer.

    Ao vê-la assim, instintivamente se afastando da porta, Alexander a abraçou e confortou: — Não se preocupe tanto. Os quartos são à prova de som. É muito difícil o som sair daqui, quanto mais chegar ao quarto dos seus pais, que também tem isolamento.

    — Além disso, seu corpo está todo vermelho por causa da mudança — disse ele, tocando a pele dela. — Mesmo que sinta muita vergonha ao falar com eles, você tem uma boa desculpa. Seu rosto não vai te denunciar.

    Ao ouvi-lo, Diana olhou para o próprio corpo e se acalmou. — Ainda bem. Assim posso tentar agir naturalmente.

    Após dissipar e remover a maior parte do odor que infestava o quarto com uma |Barreira D’água| — para captar as impurezas — e o feitiço |Revigorar| — para limpar as áreas que a água tocara —, Alexander aproveitou que Diana ainda estava molhada e a abraçou para secá-la com mana de luz, num último e satisfatório agrado.

    No início, ela se preocupou com a possibilidade de os pais ouvirem algo, mas assim que seu sangue ferveu, pareceu quase estar testando o isolamento acústico por conta própria.

    Quando chegaram a uma conclusão agradável e satisfatória para uma noite tão intensa, fizeram uma rápida arrumação antes de se vestirem e saírem para encontrar os pais dela.

    No momento em que deixaram o quarto, os pais de Diana já estavam acordados e pareciam esperá-los para o café da manhã. Suas expressões eram inversas quando viram o casal saindo juntos.

    O pai de Diana não aparentava estar lá muito feliz; a mãe, por outro lado, sorria bastante.

    Embora tivessem suas próprias ideias sobre a situação, a princípio nada disseram. Mas logo a calmaria terminou.

    — O que aconteceu com ela? — perguntou o pai de Diana.

    — Ela está bem? — interveio a mãe, tentando fazer a mesma pergunta, mas deixando clara sua prioridade.

    Alexander sabia que, dado o quanto amavam a filha, os pais de Diana notariam rapidamente as mudanças nela. Só não esperava que fosse tão imediato.

    — Vamos todos sentar para que eu explique tudo com calma — disse ele, gesticulando em direção à mesa.

    Os pais de Diana concordaram, e todos se acomodaram ao redor da mesa farta. Ninguém começou a comer antes da conversa.

    — O corpo dela está assim por causa de uma transformação que ocorreu ontem à noite — explicou Alexander. — Depois que eu “mudei”, minha força aumentou significativamente. Agora posso enfrentar algumas criaturas de 3ª evolução e reivindicar certos tesouros.

    — Com meu novo poder e a ajuda da filha de vocês, consegui obter algumas Frutas de Mana — prosseguiu, após breve pausa para que absorvessem a informação. — As frutas de Mana são basicamente frutos carregados de energia que proporcionam benefícios a quem os consome. O tipo que consegui — do qual Diana comeu uma — tem propriedades que aprimoram o corpo.

    — Então foi isso — suspirou o pai de Diana. — Já ouvi falar dessas frutas, mas não esperava que algo tão mágico fosse real, muito menos que chegaria à nossa família.

    — Você está mesmo bem, Diana? — insistiu a mãe, ainda cautelosa.

    — Sim, não se preocupem — garantiu ela. — Sinto-me até melhor agora.

    — Já que é assim, vamos comer — disse a mãe, visivelmente aliviada.

    — Esperem — interrompeu Alexander, dirigindo-se aos pais de Diana. — Vocês não devem comer isto.

    — Por quê? — indagou o pai.

    — Prometi a Diana que compartilharíamos nossos recursos. E como disse antes, isso inclui o cuidado que ela tem com vocês — explicou o dragonoid, colocando sobre a mesa um pequeno item de armazenamento que já preparara.

    — Neste item há Frutas de Mana para vocês — continuou com calma. — Antes que tentem recusar, deixem-me esclarecer algumas coisas.

    — Primeiro: Frutas de Mana do mesmo tipo perdem praticamente todo o efeito quando consumidas pela mesma pessoa, a menos que ela esteja grávida. E mesmo assim, só permite o consumo de mais uma fruta para auxiliar na formação da criança. Ou seja, não adianta quererem que apenas um de vocês coma as frutas por qualquer motivo, muito menos guardá-las para nós.

    — Segundo: não precisam se preocupar com o valor delas. O que não me falta é dinheiro. Diana contou quanto ganhou no torneio; imaginem quanto ganhei, já que apostei muito mais que ela.

    — Terceiro e último: realmente não me importa o que decidirem. Não vou pegá-las de volta. Agora são suas, e podem fazer o que quiserem — mesmo que seja deixá-las aqui para estragar. Não sentirei falta. Ainda tenho outras e posso conseguir mais no futuro.

    Alexander então colocou sobre a mesa, uma a uma, todas as outras Frutas de Mana que possuía, para que vissem, antes de guardá-las novamente.

    — … — O pai de Diana permaneceu em silêncio.

    — … — A mãe também.

    Sabendo que ele fazia tudo aquilo por ela, Diana lutou contra a timidez e deu-lhe um beijo na bochecha antes de baixar o rosto.

    — Suspiro audível — O pai de Diana.

    — Risos levemente contidos — A mãe de Diana.

    O pai soltou um último suspiro, como quem tenta se conformar; a mãe, por sua vez, parecia extremamente satisfeita com a situação.

    — Já que é assim, aceitaremos — declarou a mãe de Diana.

    Satisfeito com o que aparentava ser uma aceitação definitiva de seu relacionamento com Diana, Alexander assentiu e retomou o assunto principal. — Voltando ao que importa: sugeri que não comessem ainda porque o processo de transformação consome energia. Quanto mais energia vocês tiverem em seus corpos, melhores devem ser os resultados.

    Alexander então puxou outro item de armazenamento, este contendo a maior parte da carne do crocodilo preto — a criatura mais poderosa e energética que tinha à disposição. — Hoje vocês devem consumir o máximo possível dessa carne de 3ª evolução para acumular energia.

    — Não se preocupem com a quantidade. Estou deixando bastante neste item para vocês — garantiu o dragonoid, sorrindo. — Apenas lembrem-se de descansar um pouco após a última refeição antes de comer as frutas.

    — Tudo bem — concordaram os pais de Diana.

    Com tudo preparado, os casais passaram a comer de forma inversa. Os pais de Diana consumiram toda a carne disponível, enquanto Alexander e Diana se dedicaram ao que não era carne, para que a comida não estragasse.

    Um ponto digno de nota foi que, durante a refeição, o grupo percebeu que Diana agora tinha um apetite muito maior. Obviamente, ainda não se comparava ao da {Quimera Dracônica} chamada Alexander.

    Após terminarem, Alexander disse a Diana que conversasse com os pais, pois partiriam naquele dia.

    Para aproveitar o tempo livre e dar-lhes mais privacidade, ele foi até a Guilda contratar um serviço de |Desmantelar| para as criaturas que guardava.

    Quando voltou, Alexander encontrou mãe e filha em um canto reservado, mas a forma como olhavam para ele já era completamente diferente.

    Diana exalava uma aura de “negatividade” quase tangível — o que era perfeitamente possível dado seu {Talento} — como se fosse uma apostadora que perdeu até o que nunca deveria ter apostado. Quanto à mãe, seu olhar só podia ser descrito como estranho, quase temeroso, como se tivesse começado a enxergar Alexander sob uma luz completamente nova.

    Imaginando, com razão, que seria melhor não se envolver naquela conversa, Alexander foi sentar-se no mirante do pátio interno da casa e começou a refletir sobre como proceder.

    Depois de algum tempo, com a mente mais clara e uma decisão tomada, voltou para a casa e imediatamente encontrou Diana, que acabara de se despedir dos pais.

    Ao vê-la com os olhos úmidos, sem saber exatamente o que dizer, Alexander simplesmente a abraçou e sentou-se com ela num canto, para que se sentisse mais confortável.

    Após algum tempo em seus braços, Diana começou a se recuperar. Por fim, ergueu delicadamente a mão até o rosto dele e o beijou de leve. — Estou melhor agora.

    Então se aninhou ainda mais em seus braços e lhe deu outro beijo — este, porém, muito mais longo.

    Aproveitando aquele momento de paz em que as palavras não precisavam ser ditas nem ouvidas, Alexander decidiu usar suas (Recompensas Aleatórias) e testar a sorte. Era improvável, mas talvez pudesse tirar outra sorte grande e proporcionar ainda mais coisas a Diana.

    Ding!

    [Você usou 2x (Cartão de Recompensa Aleatória)]

    Ding!

    [Você recebeu: (3 Pontos de Crescimento)]

    [Você recebeu: (50 Pontos de XP)]

    Pensando ser melhor ignorar qualquer reflexão sobre a segunda recompensa para não arriscar estragar aquele momento tão especial, Alexander concentrou-se na primeira.

    Enquanto divagava sobre o que fazer com o ponto de crescimento que restaria — já decidira gastar dois deles para conceder um aprimoramento específico a Diana —, ela o chamou e fez uma pergunta inesperada: — O que são os Pontos de Crescimento?

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