Capítulo 150 – O “amor” supera até as barreiras da timidez
Embora não tivesse o hábito de fazer isso desnecessariamente, Alexander não se importava particularmente em furar a fila. E como o temperamento de Pequeno Preto só podia ser descrito como temperamental e explosivo longe de Diana, ele foi direto ao balcão da atendente que conhecia quando ela ficou livre.
— Sinto muito por cortar a fila e vir direto ao seu balcão, mas você poderia, por favor, chamar o mestre desta filial da Guilda? — pediu Alexander.
— Senhor, nós temos uma fila e o mestre da guilda deve estar ocupado — disse a recepcionista, sem muita paciência por ele ter cortado a fila. — Então, se não for um caso realmente urgente, você e seu grupo podem voltar para o fim da fila? As pessoas já estão reclamando.
— Então você não me reconheceu mesmo — disse Alexander à recepcionista, sem se importar com a fila. — Infelizmente, não poderei atender ao seu pedido e terei que insistir, principalmente porque acredito que ninguém aqui além dele tem autoridade para atender o meu pedido… Mas isso aqui deve facilitar as coisas.
Assim que olharam a identificação dele, a multidão e a recepcionista diminuíram as suas reclamações. A multidão pela identificação ser dourada, e a recepcionista pelas informações nela.
Ainda um pouco cética sobre àquela possibilidade, a recepcionista a confirmou com a identificação de Ocean antes de se voltar para ele: — Você? Não pode ser você. A última vez que ouvi falar de você foi quando você ganhou o Torneio Imperial, e você não era assim.
— Parece que uma loba rara é realmente marcante — brincou Alexander. — Você realmente se lembra dela depois de todo esse tempo.
— Eu não me lembrei de você só porque olhei a identificação de Ocean. Eu olhei a identificação dela para confirmar que era você mesmo — explicou a recepcionista ao revirar os olhos. — Mas pode me culpar por isso? Você está tão… diferente.
— Verdade — concordou Alexander. — Mas eu te disse desde o começo que não era tão humano quanto parecia.
— E também não é como se eu estivesse usando nossa familiaridade apenas para cortar a fila — acrescentou ele. — Eu realmente preciso falar com o mestre desta Guilda o mais rápido possível.
Ao notar que Alexander estava falando sério sobre falar com o Mestre da Guilda, a recepcionista abaixou a cabeça para escrever e acabou dizendo algo sobre ter perdido uma boa chance, mas que ela ainda poderia tentar.
— … — Diana.
Assim que preencheu a maior parte do formulário, a recepcionista se virou para ele e disse: — Vou pedir para alguém notificar o mestre da guilda, mas é preciso que ele saiba por que está sendo chamado.
— Tudo bem, já esperava por isso — disse Alexander. — Eu estou aqui por alguns motivos, mas o motivo pelo qual preciso dele é para registrar um familiar, pois, se não estou enganado, ninguém aqui além dele deve ter autoridade para liberar o registro de um familiar de 3ª evolução.
— É verdade que você precisa da aprovação dele para registrar qualquer familiar de 3ª evolução, mas Ocean já está no rank ouro — apontou a recepcionista. — Não me diga que você tem outro familiar agora.
— Preciso sim registrar o outro familiar que consegui — sorriu Alexander. — Mas não é o meu que precisa do mestre da guilda, é o de Diana.
— E por falar nela, deixe-me ter o prazer de apresentá-las — disse ele, já se virando para Diana. — Esta aqui é D-.
No momento em que Alexander se virou para ela, Diana abraçou o pescoço dele com força, forçando-o a abaixar a cabeça, e deu-lhe um beijo cheio de paixão, desejo e, obviamente, ciúme, estabelecendo assim seu primeiro “mata-dragão”.
No começo, até o próprio Alexander ficou surpreso. Mas assim que a surpresa dele passou, ele a abraçou e a correspondeu com entusiasmo.
Toda a Guilda ficou mortalmente silenciosa com o beijo deles. Verdade seja dita, a maioria não queria ficar vendo essa cena, mas como nenhum deles se atreveu a interrompê-los, especialmente porque o brilho dourado da identificação de Diana também ficou visível durante o beijo, a Guilda só pode esperar eles se separem com um mix de sentimentos contraditórios.
— Prazer em conhecê-la, eu sou Diana — apresentou-se Diana à recepcionista de forma extremamente assertiva, como se deixasse algo bem claro. — É o meu familiar que vai precisar do mestre desta Guilda para ser registrado, logo, EU conto com o seu apoio, bem como agradeço por ele.
Pega de surpresa por aquela situação, no mínimo, embaraçosa, a recepcionista não soube muito bem como lidar com a situação. O melhor que ela conseguiu fazer foi abrir um sorriso forçado e responder da maneira que pôde: — Prazer em conhecê-la. O meu nome é Zilda… Agora, se me der licença, tenho que notificar o mestre da Guilda.
— Obrigado — disse Diana, sem recuar um único ponto.
Assim que a recepcionista Zilda foi para os fundos da Guilda notificar o mestre daquela Guilda, Ariel se aproximou de Alexander para dizer algo que apenas os dois ouviriam, mas, “acidentalmente”, permitiu que todo o grupo ouvisse: — Está mesmo tudo bem deixá-la fazer isso?
— Não é como se eu não entendesse por que ela fez isso — respondeu Alexander calmamente. — Então, contanto que ela não trate a vida de outras pessoas como se elas não tivessem valor, eu não tenho intenção de impedi-la.
— … — Ariel.
— … — Diana.
— … — Helena.
— Mas até eu sei que é melhor irmos para outra fila — apontou ele.
Como se não bastasse toda a situação que já havia acontecido, assim que o grupo saiu do guichê de Zilda para a fila mais curta, todos na frente deles mudaram de fila por algum motivo.
Ao olhar em volta e notar que aquilo possivelmente aconteceria novamente mesmo se eles fossem para o final de outra fila, Alexander decidiu usar aquele guichê para que eles pudessem sair logo da Guilda e aliviar o clima do local. Mas enquanto um recepcionista de meia-idade ajudava nos registros de Ariel, Helena e Storm, Zilda, aparentemente já recomposta, voltou com o mestre da guilda e ficou confusa ao não encontrá-los no seu guichê.
— O que estão fazendo aí? — perguntou Zilda, confusa por encontrá-los em um outro guichê.
— Como já havia feito o pedido para falar com o mestre da guilda, eu resolvi entrar na fila como todo mundo para resolver os meus outros problemas — “explicou” Alexander. — Mas os meus companheiros aventureiros que estavam nessa fila, por algum motivo, foram muito gentis e me deixaram passar sem eu sequer pedir.
— Então é você que quer registrar o familiar? — perguntou o mestre da guilda.
— Não é ele, mestre — disse Zilda. — É aquela dama Demi que o acompanha.
— Então é você — disse o mestre da guilda ao avaliar Diana. — Você poderia me mostrar a sua identificação? Eu não posso aceitar o registro de um familiar dessa magnitude se o seu mestre não tiver as qualificações para controlá-lo.
Ao ouvir o razoável pedido do mestre da guilda, Diana tirou e entregou-lhe sua identificação de maneira assertiva.
— Não parece haver nenhum problema com sua identificação — disse o mestre da guilda. — Então vamos ver o familiar que você quer registrar. Onde ele está?
— Ele está lá na porta, mas deixe-me dizer uma coisa antes de você vê-lo — disse Alexander, tomando a palavra. — Diana o controla e ele é bem inteligente, mas ele responderá a agressões e provocações, exatamente como nós faríamos.
— … — Mestre da guilda.
— Aquele cara é arrogante demais para atacar criaturas fracas como as pessoas comuns — ironizou Alexander. — Mas você não é comum, e ele vai sentir isso.
— … — Mestre da guilda. — Eu vou me lembrar de manter isso em mente.
Com o mestre daquela filial devidamente informado sobre Pequeno Preto, todos os envolvidos se juntaram em um grupo temporário, dispersaram os curiosos e foram a uma área reservada da Guilda. E, aproveitando que ambos já estavam lá, Alexander pediu ao mestre da guilda para também avaliar Storm, o que o mestre da guilda aceitou com indiferença.
A avaliação de Pequeno Preto correu bem. Embora ela tenha passado por um momento tenso na última parte, onde ele começou a rosnar para o mestre da guilda, quando o mesmo usou energia para sondá-lo, não foi nada fora de controle.
Alexander podia sentir que o mestre da guilda não estava dificultando as coisas de propósito para eles. Ele só estava verificando se Pequeno Preto já era estável o suficiente para não explodir se algum idiota, que não se importasse com sua própria vida, tentasse sondá-lo.
— Ele é um exemplar muito bom e a jovem tem muita sorte de tê-lo obtido… Ele está aprovado — anunciou o mestre da guilda. — Mas vocês devem manter ele longe de potenciais idiotas se não quiserem se meter em problemas.
Surpreendentemente, Pequeno Preto pareceu começar a gostar daquele mestre da guilda. Mas aquilo provavelmente foi apenas temporário e muito por conta dos elogios, já que aquele cão negro em questão é extremamente egóico.
— Nem preciso falar muito sobre esse pequeno amiguinho aqui. Ele obviamente está aprovado — disse o mestre da guilda ao acariciar Storm, que estava em seu braço para a avaliação. — Parece que a sorte realmente sorriu para vocês. Uma obteve um familiar com poder, e o outro obteve um familiar com potencial.
— Que tipo de familiar é esse para ser aprovado tão fácil? — perguntou Zilda.
— Ele é um {Pássaro Elemental}, uma espécie que é conhecida por ser uma das mais procuradas, até pela alta nobreza, para se ter como familiar. — explicou o mestre da guilda. — Ela é capaz de obter várias afinidades mágicas dependendo da forma como for treinada, e a sua natureza é fiel e gentil.
— Que incrível — maravilhou-se Zilda. — Onde você o encontrou, Alexander?
— Na Floresta Estelar, durante o nosso caminho da cidade Lester até aqui — não escondeu Alexander. — Mas eu não o encontrei exatamente. Nosso encontro foi mais uma coincidência do destino e ele acabou decidindo me seguir.
— Isso me lembra uma coisa — disse ele ao mestre da guilda. — Mas não acho que podemos falar sobre isso aqui. Você teria algum lugar mais indicado?
— Venham a minha sala — instruiu o Mestre da guilda após ponderar um pouco.
Ao chegar na sala do mestre da guilda, Alexander contou-lhe de forma resumida e censurada como e onde eles conseguiram os seus familiares, bem como sobre os traficantes de criaturas que pegavam filhotes proeminentes sem se importar com as ondas desastrosas que isso poderia causar, inclusive uma que poderia até ter destruído toda aquela parte do Império se ele não tivesse a resolvido.
— E o que aconteceu com esses aventureiros? — perguntou o mestre da guilda.
— Eu sei que provavelmente não foi a melhor escolha do ponto de vista de uma investigação, mas o que você acha que aconteceu com eles depois que tentaram me matar? — rebateu Alexander.
— … — Mestre da guilda. — Entendo. Mas por que você está me contando isso?
— A família de Diana mora perto da Floresta Estelar — disse Alexander. — Numa situação em que o pior acontece, você realmente acha que a fúria de uma criatura descontrolada perdoará os inocentes?
— Estou lhe contando isso para que você possa relatar isso aos seus superiores e ao Império — explicou ele. — Eu mesmo faria isso se tivesse tempo, mas já estou envolvido com outras coisas no momento.
— O que vai fazer sobre o que eu disse é escolha sua, mas também contarei isso ao mestre da filial da Cidade Martelo de Ferro — continuou Alexander. — E, assim como estou lhe dizendo que vou contar a ele, também direi a ele que você já sabe… Duas testemunhas são melhores do que uma, não acha?
— … — Mestre da Guilda.
— Agora, se nos dá licença, estamos indo — finalizou ele, já levantando-se para sair.
Após saírem da sala do mestre da guilda, o grupo foi até a recepção para receber suas identificações e Alexander aproveitou para pagar uma rodada da melhor bebida do bar da Guilda para todos que estavam lá e uma rodada dupla para todos que lhe concederam o lugar na fila anteriormente.
Quando o grupo finalmente deixou a Guilda em meio aos brindes da bebedeira que se instalou enquanto Alexander pagava a conta, Diana perdeu a sua máscara e toda sua vergonha retornou, deixando seu rosto extremamente vermelho.
Tentando não deixá-la ainda mais envergonhada, e um pouco curiosa, Ariel virou-se para Alexander e perguntou: — Era tudo verdade? Realmente salvou o filhote de uma criatura capaz de devastar esta parte do Império Vermillion?
— Era tudo verdade. Mas eu só vou te contar mais um detalhe — disse Alexander ao abrir um largo sorriso. — Essa situação toda poderia não ter acontecido se eu não tivesse beijado Diana naquele dia, acreditem vocês ou não…
— … — Ariel.
— … — Helena.
Obviamente sabendo em detalhes como aquela situação se desenvolveu, Diana imediatamente ficou ainda mais vermelha. Parece que só o amor/ciúme poderia superar as barreiras da sua timidez.
Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).
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Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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