Capítulo 235 – “Macho aceitável”
Saindo bem exasperado da oficina alquímica em que estava, deixando para trás um grupo de artesãos comemorando a partida dele e regozijando-se nos materiais que ele já havia retirado, Alexander voou até a guilda dos aventureiros e percebeu que a situação era séria assim que chegou, pois Robert assumiu o custo de manter sua conexão até ele chegar só para ganhar alguns segundos ou minutos.
— O que o senhor quer? Já que não me lembro de ter feito nada muito excessivo por agora, e duvido muito que tenha me contatado assim para me parabenizar pelo meu noivado — disse Alexander, suavizando sua exasperação e ficando mais sério.
— Eu preciso que me ajude a rastrear um grupo de goblins que está indo em sua direção pela Floresta Estelar — respondeu Robert, sério. — Mas tem que ser feito o mais rápido possível, ou pode ser tarde demais.
— Com todo respeito, diretor, eu estou um pouco longe. Por que não manda Lucas cuidar disso? — argumentou Alexander sem entender.
— Eu já o despachei, mas ele e sua afinidade não são ideais para uma situação de reféns. Ainda mais quando há ao menos 2 goblins de 3ª evolução — explicou Robert um tanto impaciente. — E pelas informações que tenho, você já tem experiência com isso; até conseguiu libertar os reféns ainda vivos.
Incapaz de deixar de notar que havia sido vendido, provavelmente até pela Guilda, Alexander pensou um pouco, mas ainda decidiu rejeitar: — Sinto muito, diretor, mas se a situação é como o senhor diz, isso provavelmente foi obra de um grande ninho de goblins liderados por um de 4ª evolução, pois essa é a única maneira de manter os outros sob controle sem estar presente. E isso, lutar contra uma horda dessas, é demais até para mim… Meus serviços aos protetores do Império devem ter um limite. Não vou correr esse risco só por isso.
— Não estou pedindo isso em nome do Império, é um favor pessoal — suspirou Robert enquanto explicava o seu ponto. — Foi a parente de uma velha amiga minha que foi atacada, no meu território, enquanto ela estava a caminho de assumir um negócio na Cidade da Fênix.
Franzindo a testa instintivamente, uma imagem surgiu na mente de Alexander e seus pensamentos correram. — Já que é um favor pessoal para o senhor, tudo o que me resta é ir. Mas antes que eu vá fazer meus preparativos, poderia esclarecer a minha dúvida sobre se essa sua amiga é da companhia da Lua Negra ou não?
— Como você sabe? — assentiu Robert surpreso, meio que perguntando.
— … — Alexander. — Foi só um palpite. Mas se a situação for mesmo como o senhor diz, posso não chegar a tempo pelos meios normais.
— Eu sei — disse Robert sombriamente. — Espere, o que você quer dizer com “por meios normais”?
— Talvez eu possa ganhar algum tempo precioso nessa situação, mas isso colocaria toda a área externa da Floresta Estelar no meu caminho até lá sob compulsão, sem nenhuma garantia de nada — explicou Alexander enquanto mil e um pensamentos passavam por sua cabeça. — No entanto, se quiser que eu use isso, alguém tem que se comprometer de verdade a custear a remediação dessa situação para que muitas pessoas inocentes não morram.
Ficando em silêncio por um momento após ouvir aquela opção martelada em sua mesa, Robert pareceu se decidir. — Você pode usar o que estiver à sua disposição. Eu assumirei toda a responsabilidade e todos os custos.
* Ding! *
[Você tem uma nova missão]
Ao obter carta branca para agir, Alexander não disse mais nada, encerrou a conexão e foi falar com sua família. — Sei que não é a melhor coisa para uma mulher grávida se movimentar desse jeito, principalmente com o fim da gravidez se aproximando, mas eu acho melhor irmos todos juntos para a Cidade Gêmea… Este pode não ser o lugar mais seguro se eu precisar dos meus familiares para rastreá-la.
— Entendo a situação e suas preocupações, mas não o atrasaremos se fôssemos juntos? — perguntou Ánara, parecendo saudável e de bom humor, o que tornava mais fácil para todos escolherem ir junto.
— Não precisa se preocupar com isso. Independentemente da sua escolha, eu vou na frente voando — esclareceu Alexander. — Minha preocupação é deixá-los aqui com os olhares cobiçosos que se levantaram com meu cortejo de noivado… Eu não tinha noção de que acabaria tendo que me afastar antes da situação se estabilizar.
Mais tranquilos, sabendo que não o atrasariam, e aproveitando o fato de que Mark e seu especialista familiar teriam que retornar para relatar o progresso, um grupo muito compacto foi formado e eles partiram naquela mesma noite com a maioria da família e amigos, deixando só os avós de Diana para administrar suas famílias e as construções que Alexander havia pedido que seus artesãos providenciassem.
Após eles viajarem um pequeno trecho e ele confirmar que não havia ninguém por perto ou os seguindo, Alexander se desgarrou do grupo, se cobriu de névoa, ativou |Natureza Selvagem|, se posicionou no chão com muita força e pressão, se envolveu com energia espacial e então se atirou em uma diagonal para frente tão rápido quanto um raio ao combinar a força de todos os músculos do seu corpo, a sua energia e a energia espacial para ajudá-lo a consumir e ignorar a resistência do ar.
Como ele obviamente não tinha proficiência naquele tipo de ação, várias coisas não saíram como ele queria, e ele ainda não estava no seu máximo. Mesmo assim, ainda conseguiu cobrir uma grande distância em segundos, antes de finalmente começar a perder velocidade e abrir as suas asas para planar e voar por conta própria. Mas Alexander não parou por aí: ele começou a acumular uma gigantesca quantidade de energia espacial na garganta, tanto que ela quase começou a corroê-lo, e então a mesclou com sua aura, usando-a no |Rugido de Guerra|, o mais forte que pôde.
Basicamente emitindo um estrondo sônico que avançou como um cavalo selvagem galopando em desafio aos céus, Alexander tossiu sangue e o sentiu escorrer também pelos seus olhos, ouvidos e nariz. No entanto, mantendo sua determinação firme, ele se manteve em frente enquanto se curava para poder desativar a transformação.
Longe dali, na Cidade Gêmea, e por todo o caminho até lá, além de uma grande área ao redor, cerca de três horas depois1, um som inaudível para ouvidos destreinados chegou aos ouvidos de Robert, carregando consigo um remanescente de aura. — Ele já está chegando? Não, isso deve ser quase impossível… Mas como aquele garoto conseguiu impulsionar a sua “voz” e aura até aqui em tão pouco tempo?… Parece que vou ter que entrar em contato com algumas pessoas e dar algumas explicações.
Já de volta à sua forma base e bem desgastado pela combinação de esforços que havia feito, mas não se importando muito com o problema que seria tarefa de outra pessoa resolver, Alexander viu e sentiu uma grande parte da floresta se preparar para lutar ou se esconder, diante de sua forte aura potencializada ao máximo por seu aprimoramento (Existência Superior).
Movendo-se livre e rapidamente pelo ar, mesmo rugindo esporadicamente, em pouco mais de ¾ de um dia ele alcançou o local estimado pelo grupo de Lucas. Mas havia pouco sinal de movimento conforme ele se aproximava.
Sem outra opção, e sabendo que a energia de nenhum goblin de 3ª evolução passou por ele, Alexander começou a estrangular a área e os possíveis caminhos que podiam ser tomados quando uma ideia que ele às vezes refletia lhe voltou à cabeça. — Pelo que me lembro, eu deveria ter sido designado a uma cidade quando cheguei a este mundo, mas acabei no meio daquele bosque perdido… Provavelmente porque meu {Talento} me fez “meio a meio”. Logo, se a Cidade Fênix está de um lado, então um ninho de goblins deve estar do outro, certo?
Ao considerar que aquela hipótese era pelo menos um pouco crível, e não tendo outros meios além de procurar às cegas, ele seguiu na direção que se lembrava do bosque perdido enquanto procurava pelos rastros dos goblins. E para sua surpresa, ele não encontrou nem a sombra do bosque perdido, mas encontrou alguns rastros de goblins se movendo em bando.
Achando o sumiço de uma área daquele tamanho, no mínimo, estranho, ele ficou com uma dúvida no mínimo… curiosa. Mas, tendo outra prioridade no momento, focou-se em seguir os rastros e o forte cheiro característico dos goblins.
Não podendo explodir tudo para ver se ele estava certo, Alexander escondeu sua aura e presença e ficou pulando o mais baixo possível, porque era da natureza dos goblins o sistema de guardas e batedores.
Ao sentir a presença de um goblin e localizar a sua posição, ele sorriu e o assustou, fazendo-o fugir. Mas antes que a pequena criatura pudesse se mover muito ou fazer muito barulho, uma [Agulha de Combate] explodiu a cabeça dela.
Obtendo uma direção, porque um goblin assustado não era inteligente para tentar enganá-lo em meio ao seu medo, Alexander ativou |Esgueirar-se| e foi em busca do ninho ou abrigo temporário contra sua hostilidade de longa distância. E com uma direção mais certa para seguir, não demorou muito para encontrar e se infiltrar na caverna que o grupo estava usando.
Com uma prioridade óbvia nessa situação, ele passou a avaliar os inimigos enquanto procurava cativos e ainda estava tentando traçar as melhores maneiras de sair de lá. O problema era que, se houvesse muitas pessoas, talvez não fosse capaz de tirar todo mundo com segurança.
Após se esgueirar com cuidado por um tempo, Alexander encontrou, de fato, cativos. Mas a cena não era nem um pouco bonita.
Aparentemente, os homens haviam sido mortos e servido como fonte de comida, enquanto algumas mulheres foram abusadas para procriação. Porém, uma dentre elas, mais forte, de alguma forma conseguiu se libertar e acabou matando as outras, para livrá-las daquela situação, assim como alguns goblins. No entanto, ela também acabou violada e morta, sem que se saiba ao certo a ordem dos eventos.
Para a completa surpresa dele, uma das mulheres ainda estava surpreendentemente viva e bem, só com o vestido rasgado e alguns arranhões. Obviamente, isso apenas se referiu a ela fisicamente.
Ao confirmar que ela estava realmente viva, Alexander começou a tateá-la em todos os lugares sem nenhuma reserva. Não era que ele quisesse se aproveitar da situação, ele só queria encontrar algo que identificasse a mulher.
Sentindo-se ser apalpada, a mulher se encolheu um pouco, mas escolheu nem tentar resistir. Porém, assim que sentiu as mãos por um tempo no corpo, ela notou que algo era diferente, abriu os olhos e quase gritou de surpresa.
Apertando fortemente o pescoço dela e tapando a boca para conter qualquer som, ele gesticulou com a cabeça, sinalizando para o local onde estavam as criaturas. Em seguida, começou a liberar lentamente o aperto e a sinalizar, com gestos, que ela mantivesse silêncio.
Ao segurar forçadamente os engasgos por ter sido sufocada, para não emitir sons altos, a mulher se recuperou lentamente. Mas assim que ela ficou relativamente bem, sua primeira ação foi puxar seus trapos e se esmerar para ele expondo sua genitália.
Sem sequer piscar, Alexander rapidamente notou que ela havia sido colocada sob o efeito de algum tipo de afrodisíaco por ser a última fêmea viva, e por isso vinha se contendo até vê-lo, um “macho aceitável”.
Pensando na melhor linha de ação a seguir, ele analisou o que estava ao seu redor com cuidado e depois foi até ela. Mas quando ela pensou que ele estava indo dar o que ela queria, ele a desmaiou com um mata-leão e a colocou de lado. Para além de estarem em uma situação inapropriada, ele ainda tinha que esperar mais um pouco para reativar |Natureza Selvagem| e escapar de lá…
Quando seu corpo se estabilizou e estava pronto para usar |Natureza Selvagem| novamente, Alexander se levantou, armazenou o corpo da guerreira feroz, o único reconhecível, ativou a habilidade e começou a perfurar o teto para fugir enquanto carregava a mulher consigo, pois a sua missão era salvar pessoas e não eliminar os goblins. Mas, assim que conseguiu abrir caminho para fora, em meio aos guinchos dos goblins que perceberam a sua tentativa de levar a fêmea deles, ele viu um soco quase do tamanho dele vindo em alta velocidade em sua direção, emanando poder.
Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).
Obs 2: Chave PIX para quem quiser, e puder, apoiar a novel: 0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b. Caso não consiga copiar a chave pix, é só clicar nela que vai ser gerada uma aba/guia que tem como URL/Link a própria chave pix com algumas barras nas pontas: https://0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b/, e é só retirar a parte excedente.
Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguirão normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.
- Sim. Eu calculei a distância estimada até a Cidade Gêmea pela velocidade de propagação do som.[↩]

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