Capítulo 250 – ||Água Carmesim|| x ||Água Sangrenta||
Com eles chocando-se por volta do meio do dia do terceiro dia, quando Alexander voltou por um momento à cidade para deixar prisioneiros e declarar a morte do líder dos criminosos combatentes, o ||Água Carmesim|| avançou imponente. — Você já fez o suficiente. Eu estarei assumindo daqui para frente.
— Faça o que quiser — respondeu Alexander, passando por ele sem se importar em mostrar qualquer respeito. — Mas esses prisioneiros ainda são meus e eu não vou parar até me dar por satisfeito.
— Você ousa desrespeitar a autoridade do meu pai? — rugiu o homem.
— Você não é seu pai. É no máximo um cavaleiro sob ele — retrucou Alexander, sem querer ceder. — Apresente o documento que o torna interventor em nome dele, ou faça o seu trabalho enquanto eu faço o meu. Porque eu tenho o meu documento.
Não acreditando em tal embate à céu aberto, as pessoas começaram a murmurar, e seus murmúrios, em grande parte, eram a favor de Alexander, já que ele era o único que estava fazendo algo realmente incisivo pelas pessoas comuns, que só podiam sofrer diante da opressão. E isso deixou o ||Água Carmesim|| com cada vez mais raiva.
Ao sentir o temperamento da outra parte oscilar e sua mão parecer coçar para ir à sua arma, Alexander parou e desdenhou. — Vá em frente. Eu já estou lutando há 3 dias. Uma luta a mais não vai fazer diferença… Mas deixe-me avisá-lo: ao contrário dos seus professores de treino, eu não tenho problema nenhum em feri-lo.
Se afastando deles e provocando ainda mais murmúrios enquanto a tensão no ar só aumentava, a multidão ficou olhando de um lado para o outro, esperando pelo resultado. Até que o filho do Duque falou: — Com documento ou não, você sabe que venho aqui a pedido e em nome do meu pai.
— Isso é o que você diz. Ninguém aqui tem como atestar isso com certeza sem um documento oficial — rebateu Alexander, dando de ombros como se veladamente dissesse “e daí?”. — O único jeito de você me fazer parar sem um documento do seu pai ou do Imperador é pela força ou se importando de verdade.
Colocado em uma posição ruim e instigado a agir, o cavaleiro, em sua armadura azul com detalhes vermelhos, representando seu título, forçou-se a respirar fundo, pois não havia méritos em lutar com um jovem que já estava lutando há 3 dias, e então se posicionou: — Me importar?… É claro que eu me importo… Toda minha família se importa com o que acontece no nosso protetorado.
Reluzindo os seus olhos com malícia e desdém, Alexander, do auge dos seus 1,9m, marchou até o orgulhoso cavaleiro, que tinha aproximadamente a mesma estatura, emparelhou os seus elmos enquanto apontava para algumas das pessoas que havia salvo, e jogou a dura realidade na cara dele: — Ótimo. Então jure, na frente de todos aqui, que você, ou alguém da sua família, vai levar cada uma dessas pessoas, e as outras, para suas casas e pedir desculpas à elas e suas famílias por terem falhado em protegê-las de tal barbaridade atroz e ignóbil cometida pelos mais baixos dos baixos. Isto é, para aquelas que ainda têm algo para onde voltar. Afinal, estou aqui há 3 dias e já fiz mais do que sua família em anos e anos a fio.
Aturdido com aquele golpe pesadíssimo que recebeu, o ||Água Carmesim|| quase cambaleou para trás, só se mantendo firme porque não podia demonstrar ainda mais fraqueza naquele momento. Mas, para sua sorte, naquele instante, uma das poucas pessoas que poderia salvá-lo do vexame total surgiu.
Contrastando entre o branco e o vermelho, a benevolência e a sanguinolência, Diana abriu caminho em seu grande familiar, desmontou dele e, sem medo algum ou dizer uma palavra, puxou a cabeça de Alexander contra o seu peito, fazendo-o cair de joelhos diante de sua vontade. Parecia que ela estava apaziguando e purificando um demônio, pois assim que se aproximou dele, toda a sujeira, o sangue seco e os resíduos nele começaram a desaparecer em vapor d’água, sem que nada tocasse sua pele ou sequer seu manto branco.
Subjulgado, ele sentiu a raiva fervilhante em seu sangue começar a esfriar e, com um simples aceno, indicou para que os guardas seguissem os desígnios do filho do Duque, não voltando a se mover por um bom tempo.
Não tendo mais o que fazer ali, assim que se levantou, Alexander assentiu para Sansy a contragosto, sabendo que deveria ter sido ela quem chamara Diana para contê-lo e evitar mais mortes de civis inocentes, tendo em vista que os líderes já haviam sido capturados ou mortos, e os bandidos e criminosos não se importavam com a vida de quem prejudicavam. Porém, ponderando sobre o que havia acontecido e o ponto em que as coisas haviam chegado, ele também lhe disse para ficar ali e começar uma compra agressiva e ostensiva de tudo o que estivesse à venda naquela baronia antes de voltar com Diana para casa, deixando uma grande marca para trás.
A marca que deixou foi tão grande que disseminou um medo tão forte que quebrou o “caminho do vento” que antes levava toda a pior sujeira e escória do Império para aquela terra quase desolada e mal vigiada, fazendo com que todo o “esgoto” do Império explodisse e passasse a feder por todos os lados. Afinal, o destino que antes os recebia estava sob novo comando: o de um ser territorialista, vicioso e cruel.
As mudanças foram tantas que Alexander e Diana até receberam títulos e apelidos combinados da população. Para Alexander, surgiram tais títulos como ||A Besta|| e ||Água Sangrenta||; e para Diana ||Apaziguadora de Bestas|| e ||Santa Branca||.
PDV Robert ||Céu Trovejante||
Avançando alguns dias no tempo, no dia 07 do primeiro mês do novo ano, Robert se encontrava exasperado, sentado em uma sala com vários outros Duques, grão Duques e o próprio Imperador. Só pessoas que realmente tinham peso no Império em suas falas, para evitar politicagem. Motivo: Alexander, é claro.
Desgostoso por ter sido “convidado” a sair do conforto de sua casa e família para ir até a Cidade Imperial logo após seu aniversário, mas não podendo reclamar muito, pois, se não fosse o aniversário dele, aquela reunião teria acontecido antes, ele se sentou em um canto e ficou escutando os outros debaterem coisas sem sentido.
— Justamente você não está muito calado sobre esse assunto, Duque Robert? — pronunciou-se o Imperador, que observava atentamente o salão, assim que todos que queriam colocar algum ponto já haviam falado.
— Com todo meu respeito ao senhor, Imperador, e aos meus distintos colegas aqui presentes, EU não vim para reclamar ou lamuriar sobre o que passou e não posso mudar, mas para que possamos discutir o que fazer no presente, visando o nosso futuro e o do Império — respondeu Robert com um tom de voz cansado. Seu capital político, com certeza, tinha sido afetado pelo rompante que Alexander causou em sua fúria. — Ele foi excessivo? Com certeza… Ele poderia ter lidado melhor com toda aquela situação? Sim… Ele poderia ter limpado o território enquanto ainda dava cara aos outros, sem ter que deixar pedra sobre pedra em seu caminho? Talvez… Agora, se ele é responsável pela criminalidade de outras áreas aumentando? Nisso eu vou ter que discordar. Pois, para começar, todos aqui sabem que toda região do Império tem áreas assim, e que o lixo do lixo acabava indo para lá por conta de suas múltiplas rotas de fuga devido ao mar, causando uma enorme dor de cabeça ao Duque Marvin.
Não tendo como negar o que todos sabiam que eram fatos, ou negar a meia culpa que ele estava fazendo ao apontar seus pontos de forma tão lógica, ainda mais ao verem o próprio Imperador assentindo-lhe, muitos ali decidiram recuar um pouco e esperar para ver. Mas um outro Duque da facção nobre decidiu não recuar: — Esta reunião não deve ser apenas sobre o que ele fez, é também sobre como ele fez… Ele claramente não mostrou cara a nenhum de nós ao agir daquela forma.
— Como eu acabei de dizer, ele obviamente poderia ter lidado melhor com toda a situação — reiterou Robert, ao ver que muitos ali presentes concordaram com os argumentos do último Duque. — Mas ele ao menos dizimou bem mais da metade dos ratos que infestavam nossas terras, ali presentes, esperando a poeira baixar por empreenderem fuga quando qualquer um de nós fazia o menor movimento contra eles, às vezes até tentando usar as leis do Império para nos restringir. Vocês sabem que eu falo a verdade.
Outra vez refreando seus companheiros que não podiam negar aquela frustrante situação, Robert deu-se por satisfeito em lembrá-los de que, se fossem objetivos, a ação dele tinha sido mais positiva do que negativa para o Império em si, e voltou a se sentar, esperando que alguém voltasse a colocar algo crível ou importante.
— Você nos iluminou com alguns bons pontos, caro Duque. Infelizmente, acredito que muitos aqui possam vê-lo como parcial, ainda mais depois que o seu protegido declarou abertamente que a sua família abdicará dos seus títulos e terras caso ele tenha feito algo contra alguém que não pudesse ser amplamente provado como culpado — apontou o Imperador, com um meio sorriso, sem deixar que a expressão de ninguém escapasse dele. — E é por isso que acho que deveríamos ouvir o Duque Marvin. Objetivamente, de muitas maneiras, ele é quem poderia ser considerado o mais ofendido na situação.
— … — Tempestivo e com cara de poucos amigos, pois seu filho não perdeu prestígio apenas por conta de Alexander, mas também por causa dele, que não enviou uma bendita documentação adequada, o Duque Marvin se manteve em silêncio desde o começo daquela reunião até o Imperador passar a bola para ele, fazendo-o respirar profundamente para colocar seus pontos: — Eu sou a favor de mantê-lo com seus títulos e terras. Afinal, ele realmente não matou ninguém inocente, com as baixas sendo causadas pelos criminosos.
Surpresos, vários ali se ajustaram em seus assentos e começaram a se perguntar se o apoio e a amizade entre aqueles Duques eram tão grandes, afinal, quem mais sofreu o revés foi o filho e orgulho do Duque Marvin, o ||Água Carmesim||.
Ao ver a dúvida e o murmurinho das pessoas, o Duque Marvin novamente suspirou e mostrou uma expressão meio estranha para explicar: — Acredito que boa parte de vocês ainda não interagiu pessoalmente com ele, então deixem-me explicar: Aquele garoto não liga para os títulos ou para o próprio território, por isso apostou assim. Até onde eu sei, por diversas vezes ele os descreveu como perda de tempo… Então, por que não fazê-lo continuar a “desperdiçar” mais e mais do seu tempo?
— Pelas informações que obtive, e que acredito que vários aqui também obtiveram, a ação dele foi sim planejada, talvez até para nos provocar por colocar um território daquele para ele cuidar. Mas alguma coisa o fez perder o controle e sair naquele rompante de sangue — acrescentou o Duque, ao apontar seus pontos com base na informação que tinha. — Em certa medida, perder parcialmente ou totalmente seus territórios era um preço de risco calculado que ele já estava disposto a pagar desde o começo. No entanto, mesmo que tiremos os territórios e títulos dele, ele já detém de forma privada por volta de uns 80% do primeiro, e está comprando vorazmente, mesmo neste exato momento em que estamos aqui conversando, tudo o que pode do segundo, que por ser remoto, tem um custo extremamente baixo para ele.
— Então talvez devamos confiscar parte dos bens… Quem sabe até todos — sugeriu outro Duque.
— Confisque os bens dele de forma significativa e ele pegará a parte da família que importa para ele e irá embora do Império — garantiu categoricamente, e com todas as letras, Robert. — Caso não saibam, a família é da mulher dele, pois ele em si não parece ter mais qualquer outra raiz no Império, ao menos não uma que se importe ou saiba dele para tentar se aproximar depois que ele se tornou o campeão Imperial de maior destaque dos últimos anos. Para falar bem a verdade, desde o começo o plano dele era não ficar no Império, justamente alegando algo assim.
— Se ele quiser ir embora, então que seja. Não é como se ele fosse tão indispensável assim — rebateu o outro Duque. — Nós podemos até tomar outras medidas se ele pensar em tentar algo.
Não querendo mais debater com alguém que já falava puramente pelo ego de estar certo, Robert devolveu a bola para o Imperador e não falou mais. A outra parte alegar desconhecimento sobre a importância estratégica de manter Alexander do lado deles, por mais neutro que fosse, tendo em vista o quanto de conhecimento, potencial e possível apoio ele tinha, era algo que já não era mais a razão falando.
— Que tal mandarmos alguns dos nossos para o território dele? — apontou um dos Grão-Duques, sem parecer muito interessado, finalmente colocando-os no debate.
— Fazer o quê? Viajar? Porque duvido muito que conseguiremos algo mais do que já temos com isso — exasperou-se o Grão-Duque Azure. — Além dele já ter tomado conta do território, comprando-o, alguém aqui acha mesmo que apenas títulos irão pará-lo, especialmente quando ele até parece ser versado em furtividade?
Com outra onda de silêncio taciturno lançada sobre a sala, os presentes passaram a pensar e a se entreolhar, até que o Grão-Duque Yellower colocou seu ponto: — Eu também sou a favor de dar tempo ao tempo e esperar para ver… Pelo que parece, o garoto é genioso, mas nada que fuja muito do normal, a menos que algo aconteça. Afinal, mesmo em meio à sua fúria, ele reconheceu que a vida daqueles com título não era dele para tirar “sem motivo”.
Ponderando e contabilizando tudo, desde os apoios manifestos até quem ganhou aquele debate de ideias, com os prós e contras que o próprio Alexander apresentava, o Imperador decidiu dar “ganho de causa” para ele. E, em conjunto com os demais ali presentes, elaborou uma nota significativa, repreendendo-o pelos seus excessos, mas dizendo que o entendia, tendo em vista tamanha barbárie que ele presenciou ao chegar, quase como se dizendo que aquilo nunca tivesse existido até aquele dia, e que logo trataram de expurgar tal mal do Império… Em suma, política.
Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).
Obs 2: Chave PIX para quem quiser, e puder, apoiar a novel: 0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b. Caso não consiga copiar a chave pix, é só clicar nela que vai ser gerada uma aba/guia que tem como URL/Link a própria chave pix com algumas barras nas pontas: https://0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b/, e é só retirar a parte excedente.
Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguirão normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.