Índice de Capítulo

    Não querendo perder tempo, Alexander levantou voo e disparou para a mansão do lorde da cidade, acordando o novo funcionário que gerenciava o funcionamento do dispositivo de comunicação, que Robert e Pauline lhe conseguiram o licenciamento, e disse-lhe para contactar o Duque.

    Assustado, mesmo sendo um funcionário da Guilda e não subordinado direto dele, o homem agiu rapidamente, contatando a academia. A resposta, porém, deixou Alexander irradiando fúria: o Duque Robert estava na Capital.

    Incapaz de esconder seu descontentamento e começando a emanar uma aura que causava desconforto até mesmo a quem estava do outro lado da conexão, ele se posicionou com uma voz cortante: — Contacte-o. Não me importa que horas sejam. Preciso falar com ele imediatamente.

    Surpresa e consternada por ele ousar falar assim com ela, a assistente de um dos Duques mais respeitados do Império, a mulher pensou em encerrar a conexão sem olhar para trás. Mas, ao se lembrar de que o próprio Duque parecia ter a outra parte em alta conta, além de que poderia ser algo realmente sério, ela engoliu a seco tal “ofensa” e foi tentar a sorte contatando o palácio.

    Algum tempo depois, Alexander, que em momento algum saiu da sala desde sua “ligação” anterior, ouviu a voz de Robert soar na sala pelo cristal de comunicação em tom claramente descontente, não se sabendo se era pelo horário, pela atitude dele, pelo que havia causado, a soma de tudo isso ou quem sabe alguma outra interrupção inoportuna: — O que você quer a essa hora, garoto?

    — O irmão de Diana nasceu — disse Alexander em um tom forçadamente contido.

    — Parabéns? — felicitou Robert, meio incerto. — Qual a urgência de você me dizer isso? O que exatamente você quer?

    — Para o bem ou para o mal, serei direto com o senhor: ele tem potencial demais… Eu sei como as coisas funcionam por aqui e, fisicamente falando, ele pode muito bem ser o humano com o maior potencial de toda a história, não só do Império, mas de todo o continente — compartilhou Alexander em um tom indecifrável. — Dito isso, estou aqui para informá-lo que não haverá negociações, não haverá concessões… Ele é família, e eu já lhe disse antes: se qualquer coisa acontecer a ela, eu juro por todos os deuses que o senhor acredita, e os que não, que eu farei os culpados e/ou o Império pagar 10.000 vezes mais por cada lágrima derramada por Diana, nem que para isso eu morra ou tenha que arder o próprio mundo em chamas.

    Expulsando qualquer traço de sono ou distração, ajustando-se em seu assento e, principalmente, confirmando que estava tudo bem vedado, Robert passou algum tempo ponderando antes de responder. Ele era bem neutro em assuntos políticos do Império, mas um estadista de coração quanto à sua nação. E tudo aquilo ali era algo que ele não podia desconsiderar por nenhum lado.

    — Tem certeza que ele é isso tudo para estar fazendo esse alarde todo? — indagou o Duque, por fim, após digerir ao menos um pouco aquilo tudo.

    — Me diga o senhor — rebateu Alexander, mandando a bola de volta. — Ele tem um físico excepcional, uma linhagem dracônica quase tão pura quanto a de Mark na última vez que o senhor o viu, conseguiu absorver mais de 10 essências de mana tendo menos de 1 hora de vida e possui 3 afinidades mágicas inatas.

    — Quantos tesouros ultrajantes você derramou sobre a mãe para criar esse pequeno monstrinho? — perguntou instintivamente Robert ao ouvir sobre um humano com um corpo e potencial tão perverso.

    — E isso importa? — apontou Alexander. — Desde quando eu fui sequer mesquinho com os meus?… E mesmo que repetíssemos isso 100 vezes, quais seriam as chances de nascer outro humano com um potencial desses?

    Não tendo como contestar aquilo, o Duque caiu novamente em contemplação. Ele entendia o ponto da outra parte, tal potencial era muito tentador, e ameaçador. No entanto, o risco de um Alexander totalmente fora de controle era ainda pior que o ataque de uma criatura de 4ª evolução, quanto mais se o apoio por trás dele se solidarizar com sua situação familiar e vier em seu auxílio.

    — Você está complicando demais isso tudo — comentou Robert, como se a solução fosse óbvia e a outra parte fizesse questão de não ver. — Case-o com alguém da minha família e veremos juntos se alguém ousa fazer algo contra a sua.

    — … — Alexander. — Eu sou eu, e ele é ele. Pessoas não são objetos inanimados para terem seus destinos decididos assim.

    — Não é que não entenda seu ponto, ou o privilégio que seria para qualquer família de status baixo se casar na sua família. É que eu me oponho, e sempre irei me opor, a qualquer casamento arranjado que tentarem para ele. Seja quem, ou com quem, for — acrescentou ele, fazendo uma média, mas sério. — Não vejo problema em ele se casar com uma estrangeira com o status mais baixo dos baixos, ou abaixar sua cabeça em busca da mão de alguém da família Imperial, eu até o apoiarei; como eu disse: Eu sou eu, e ele é ele. Mas não reconhecerei nada nem ninguém tentando acorrentá-lo a um compromisso que ele não quer, mesmo que as correntes sejam de diamante negro e pedras preciosas.

    — Você é uma grande dor de cabeça, garoto — comentou Robert. — Você não se ajuda.

    — O senhor é testemunha de que, desta vez, não fui eu quem começou. Só estou lhe adiantando o que vai acontecer se vierem atrás da minha família — posicionou-se assertivamente Alexander. — Em todo o tempo que me deixaram em paz, eu não provoquei ninguém de fora e fiquei quieto no meu canto. Foram vocês aí de cima que começaram a alardear fogo aqui embaixo para ver como eu me virava.

    Aquela resposta categórica e os argumentos concisos dele eram um dos principais motivos pelos quais Robert não gostava de conversar com Alexander: visto de fora, os argumentos eram coerentes, quase o obrigando a reagir; era assim que um Duque lidava com outro. Mas ambos sabiam que ele não era daquele nível, assim como também sabiam que, independentemente disso, ele iria reagir com virulência; e quem quisesse, que tentasse a sorte com o “se” do apoio dele aparecer ou não.

    — Eu vou ver o que posso fazer por aqui, porém dessa vez eu realmente não posso prometer nada — disse Robert, suspirando, já prevendo a dor de cabeça que aquilo poderia lhe causar. — Você já deve saber que depois de um certo nível as pessoas começam a esquecer o significado do “não” e apenas começam a tentar pegar o que querem baseadas no custo x risco x benefício…

    — Obrigado… O senhor tentar já é mais do que o suficiente para mim — agradeceu Alexander, verdadeiramente grato. — Mas se a situação ficar muito pesada até para o senhor, só me avise e irei sumir daqui junto com esses problemas. Porque talvez eu ainda tenha que fazer um último “grande” movimento antes de voltar a sair dos olhares públicos, uma vez que a situação chegou a isso.

    — … — Robert.


    PDV Robert ||Céu Trovejante||

    Ao ponderar sobre o que queria dizer, e articular bem as suas palavras sobre o olhar do mesmo conselho que havia se reunido no dia anterior, que ele havia feito força com seu capital político para reunir, Robert suspirou, olhou para cada um deles e passou a apresentar seu ponto: — O que tenho a dizer pode ser considerado sem sentido ou de grande interesse por todos aqui presentes, mas eu peço que pensem com lógica, sem politicagens, antes de se posicionarem… Como alguns de vocês devem saber, ontem à noite, eu recebi uma comunicação urgente, e as informações são bem surreais.

    Não podendo deixar de se interessar por uma introdução como aquela, vinda de um dos maiores duques do Império, todos: Duques, Grão-duques e até o Imperador, aguçaram seus olhos e ouvidos, e inclinaram-se para a frente não só para ouvir melhor, mas também para analisar o que Robert ainda tinha a expor.

    — Ontem à noite, banhado pela sorte e bons presságios do último dia da criação, o irmão da mulher de Alexander nasceu. E, segundo o último, sem querer ofendê-los, o mesmo detém o maior potencial FÍSICO de todo o Império — suavizou bem Robert, enquanto estudava a expressão de todos que conseguia. — Ele leva isso tão a sério que veio me avisar de antemão que não haverá negociação, não haverá concessão. Se alguém fizer algo contra a família dele, só haverá uma retaliação que ninguém em sã consciência desejaria arcar… E francamente, como alguns aqui também já sabem, a menos que ele esteja morto, não duvidem que ele tem recursos para criar tal criança, assim como causar uma dor de cabeça sem fim para quem atacar a família dele.

    — Mas se alguém aqui ainda for fazer um movimento contra ele e sua família, que levante sua bandeira bem alto, pois acreditem em mim: ao contrário do que alguns aqui podem pensar, ele é bem frio e sabe que não tem chance contra qualquer um de nós. Porém, eu mesmo já não daria tanta certeza que ele não ousaria fazer nada ao resto das nossas famílias — completou ele com seriedade na voz. — Não quero ver algo acontecer a pessoas inocentes porque alguém aqui não sabe se controlar.

    Rompendo o pequeno silêncio taciturno que se estabeleceu na reunião, e a fazendo implodir em discussão acalorada, um dos Duques se levantou apontando o dedo para Robert. — Seu cão raivoso ousa nos ameaçar? Logo a nós?

    — Pare com essa merda! Eu disse sem politicagem — exasperou-se Robert, fazendo a outra parte calar a boca. Ele realmente tinha aura, presença e poder quando queria se impor. — Qualquer um que use seu cérebro de verdade pode perceber que eu não o controlo, ou não estaríamos tendo essa conversa e ambos já estariam, ao menos, de casamento marcado com alguém da minha família… Se atenham ao assunto.

    Surpresos ao verem que aquele geralmente calmo Duque estava falando tão sério a ponto de se exasperar e levantar a voz, um pequeno período de silêncio voltou antes que o Grão-Duque Yellowin, principal elemento da facção neutra, viesse em favor dele: — Então continue, Robert. O que você está sugerindo.

    — Eu não estou sugerindo nada, até porque sei que não posso decidir por ninguém aqui, mal podendo fazer isso por mim — respondeu Robert em um tom muito mais brando, voltando a se conter. — Apenas estou dizendo para levarmos isso um pouco mais a sério do que só brigas particulares… Primeiro: ele não ameaçou ninguém, só avisou que iria retaliar, tal qual qualquer um de nós faria se alguém atacasse alguém importante da nossa família sem razão; Segundo: não dissemos nada como que ele pretendia “monopolizar” o garoto. Nem eu, nem ele… Com ele mesmo dizendo que qualquer garota que pudesse conquistá-lo poderia levá-lo para qualquer lado do vento, independente do status, pois ele até os apoiaria como pudesse… Então não me digam que tudo isso é porque lhes faltam jovens bonitas ou a possibilidade de gerá-las na família de qualquer um aqui.

    Pegos pelo orgulho ali, qualquer Duque perdeu a possibilidade de falar, sob pena de sugerir que não havia como conquistar a criança com as jovens de suas famílias, mas o Grão-Duque Greenin se pronunciou: — Você só está tentando puxá-lo para o seu lado usando o tempo. Afinal, as suas famílias têm mais proximidade.

    — Já que o estimado Grão-Duque alega proximidade, eu mesmo posso falar com ele para que venda alguns terrenos para as famílias dos aqui presentes — disse Robert de forma bem sugestiva, quase rindo. — Só receio que ele não os ceda de graça.

    Para a surpresa de Robert, enquanto deliberações mais profundas eram feitas, com o próprio Imperador colocando alguns dos seus pontos sobre como deveriam lidar com toda aquela situação, e com Alexander, mais e mais Duques mostraram que, assim como ele, também tinham as suas peles grossas e começaram a requerer vagas para suas famílias na Cidade das Luzes… Eles tinham dinheiro, tempo e muitas pessoas mesmo. Que mal haveria em mandar algum ramo colateral testar as águas e ficar de olho em tudo e todos por ali para informá-los?

    Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).

    Obs 2: Chave PIX para quem quiser, e puder, apoiar a novel: 0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b. Caso não consiga copiar a chave pix, é só clicar nela que vai ser gerada uma aba/guia que tem como URL/Link a própria chave pix com algumas barras nas pontas: https://0353fd55-f0ac-45b5-a366-040ecefa7f7b/, e é só retirar a parte excedente.

    Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguirão normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (9 votos)

    Nota