Índice de Capítulo

    Nota do autor: Salve, gente.
    Como mencionei antes, as coisas têm estado um pouco apertadas por aqui ultimamente—em todos os sentidos, e até pensei em colocar a história em hiato—por isso espero poder contar com a compreensão de vocês.

    Quero avisar que é muito provável que haja capítulos hoje e sábado normalmente esta semana, mas a partir da próxima semana, é bem provável que os lançamentos diminuam. Tentarei manter ao menos um capítulo aos sábados.

    Desde já, agradeço a companhia e o tempo de todos vocês. Boa noite.

    Bom capítulo a todos.

    Ao cair da densa noite, trajado em uma mescla de vestimentas da nobreza local com a aristocracia formal do leste europeu, Alexander posicionou-se pessoalmente na entrada do solar que dava para o salão de festas.

    Esse gesto tornava tudo mais pessoal para os verdadeiramente próximos e, ao mesmo tempo, muito mais intimidador para quem porventura pretendesse entrar sem ter relação com a família.

    Era notório que vários membros de famílias relacionadas poderiam tentar se infiltrar.
    Eles poderiam tentar valer-se de seu pretenso status como membros ou de ramos colaterais de diversos duques (que haviam se instalado no território deles, especialmente na Cidade das Luzes).

    No entanto, aquela não era a Cidade das Luzes e era igualmente sabido que o dragonoid não dava a mínima para eles, nem para as suas pretensas famílias e apoiadores, a menos que os próprios duques que os enviaram aparecessem pessoalmente (algo difícil de acontecer, dada a proximidade e a proteção aberta de Robert e Marvin sobre a família).

    Mal encarado e imponente, a simples presença dele na porta deve ter desmotivado vários de tentar a sorte, como poderiam vir a fazer se fosse outro no lugar.

    Além dos lugares obviamente limitados em um solar que não fora idealizado para festas estrondosas e volumosas, havia a vergonha e a desgraça intrínsecas de tentar entrar em uma festa apenas para ser barrado e recusado em público.

    Embora a festa partisse da visão de Alexander e fosse regida por sua vontade de ser algo mais familiar (ou para quem quer que tivesse comprado sua passagem para dentro na tangente, como acompanhante de alguém da família), claramente havia exceções. Exceções como a montanha humana que, ao adentrar a área do solar, roubou a cena por completo.

    Adiantando-se com um grande sorriso, o dragonoid prontamente estendeu a mão e cumprimentou o Grande Ancião dos IronShield; que, completamente ereto em sua postura fora de combate, parecia ainda maior, atingindo facilmente uns 2m.

    Sobrepujante em todas as dimensões, com uma presença avassaladora mesmo diante do físico draconiano de seu anfitrião, o velho elefante aceitou o cumprimento e apresentou a sua comitiva. O ancião não trouxera nenhuma companheira, mas introduziu Mark junto de Gwyneth, e o especialista responsável por ensinar o estilo de combate IronShield à família LittleLight, que acabara por se tornar um bom amigo de Dimitri, pai de Diana, durante seus treinos.

    Feliz ao ver rostos amigáveis entre os presentes com a chegada dos IronShield, o jovem anfitrião logo viu os seus capitães também chegarem com suas respectivas comitivas, ou núcleos familiares. O número de pessoas que trouxeram era limitado devido à singularidade do evento, mas todos os altos oficiais de cada divisão de sua facção apareceram para saudar sua vice-líder em seu aniversário.

    Mesmo sem a presença de muitas crianças (com exceção de Adam, Solas e outras exceções pontuais), à medida que mais e mais pessoas chegavam, o número de convidados rapidamente ultrapassou a quantidade do último aniversário. Uma situação que Alexander não visava, muito menos desejava, em sua perspectiva mais intimista.

    Sem muitas formas de entretenimento estruturado e sendo uma família relativamente próspera (apesar de tudo), Diana tinha muitos parentes colaterais diretos, como tios e primos, especialmente pelo lado dos LittleLight.

    Para zero surpresa do jovem noivo à porta, não demorou para o tio-avô de Diana aparecer com seu filho mais velho (o atual chefe dos LittleLight) e sua família.

    Isso não era um problema em si, pois o jovem casal até se dava bem com o homem. O problema era que seria mais uma mesa de destaque a ser posta para mais uma leva de pessoas.

    Se dependesse apenas dele, o dragonoid chutaria no mínimo metade dos presentes para fora sem precisar pensar. Porém, aquele era o aniversário de sua noiva, e ela era alguém muito apegada à família para recusar tios e primos diretos.

    Irrompendo da área interna superior do solar, Diana surgiu arrumada ao lado das outras damas da alta nobreza. Todas estavam bem vestidas e adornadas, mas devia ser quase incômodo para as outras como a demi se destacava sobre elas.

    Sem tirar nem pôr em sua entrada (como se a própria lua cheia sentisse sua presença e expulsasse qualquer penumbra, incidindo com força sobre ela pela janela), mesmo com poucos preparos e maquiagem, Diana parecia irradiar uma beleza etérea, como uma deusa jovial descendo entre os mortais.

    Simplesmente uma combinação perfeita com o vestido e adornos de inspiração grega, únicos naquele mundo, que o seu noivo desenhara e encomendara especificamente para ela.

    Diana 01

    Abismado com tamanho encanto, o dragonoid deixou a recepção junto à porta e foi até ela.

    Caindo sobre um dos joelhos, ele lhe estendeu a mão enquanto declarava: — Certa vez ouvi histórias que diziam que seu nome, Diana, é o mesmo da deusa da lua, da beleza natural e da vida selvagem. Essas histórias nunca fizeram tanto sentido para mim quanto hoje à noite, ao vê-la divinamente bela assim.

    Atencioso com ela como sempre, Alexander preparara o aniversário dela inspirado na primeira grande festa a que foram juntos: a celebração de conclusão do Torneio Imperial que ele vencera.

    No entanto, se naquela época ela ainda era uma beleza mais fofa e imatura, não havia mais ninguém que pudesse argumentar contra o que seus olhos viam: a cada dia que passava, ela florescia ainda mais, suas curvas e seu belo rosto ganhando uma graça madura e feminina que lhe conferia um encanto inevitável.

    Emocionada com seu noivo colocando todos os outros homens em situação difícil com um elogio quase imbatível, a demi-canidea entregou-lhe a mão com delicadeza, dando início, de verdade, à festa. A aniversariante homenageada da noite havia feito a sua entrada.

    Sob a presença centralizadora dela, vários “convidados” se adiantaram para lhe prestar votos de saúde e prosperidade, bem como lhe entregar alguns presentes de cortesia. Alguns até pareciam querer se alongar, mas a fila e o acompanhante ao lado dela eram fortes dissuasores desses pensamentos.

    Assim que todos a haviam cumprimentado e retornado a seus lugares, foi a vez de seu noivo apresentar os demais presentes que preparara para ela. — Nesta noite você recebeu vários presentes singulares e carregados de significado. Não posso ficar para trás, limitando-me a vestimentas que, no fim, são também um presente para meus próprios olhos.

    — Se meus primeiros presentes foram feitos para meu próprio deleite, esta armadura interna, feita com as escamas de um {Dragão Azul} no auge da 3ª evolução, é um reforço sob seu manto — disse o dragonoid, ao revelar uma peça belíssima de ouro branco, revestida nas áreas não articulares com escamas de dragão laminares, perfeitamente ajustadas para oferecer máxima proteção e canalização mágica sem comprometer a mobilidade. — Com ela, desejo prezar pela sua segurança.

    — E se os meus presentes até agora só falam de nós, eu sei que não posso deixá-la totalmente feliz sem agradar sua família — completou o jovem com um largo sorriso… Ternura, sim. Astúcia? Também. — Por isso, eu outorgo à sua família, por meio de você, esta runa de {Ostra Fogo Celeste}

    Se, por um lado, por mais bela e útil que fosse, a armadura interna feita com escamas de {Dragão Azul} não passasse de uma obra de arte nas mãos de grandes potências, a runa de uma {Ostra Fogo Celeste} era uma história completamente diferente.
    Era a chance de obter a capacidade de transformar seu fogo em algo superior e anatural: o fogo celeste, que arde mesmo no fundo do mar; um fogo que não teme a água.

    Colocando todos os fatos à mesa, o próprio Alexander podia gerar chamas mágicas elementais da água (que também ardiam em meio à água), mas essa capacidade era muito restrita, especialmente entre as pessoas. Já o conceito de transformar as magias de fogo, bem mais difundidas, em uma versão que eliminava sua maior antítese era algo de outra liga.

    A demanda por algo assim era ridícula, já que tais criaturas eram extremamente raras de serem encontradas, quanto mais de produzirem uma runa. Simplesmente havia muitos usuários de fogo poderosos e ricos que desejavam tal poder, e poucas runas desse tipo das quais se soubesse a disponibilidade.

    O presente de Alexander não era apenas a runa: era uma dupla declaração. Ele não apenas estava anunciando ao mundo que possuía tal item e estava predisposto a negociá-lo, como também deixava claro que não tinha medo de exibi-lo para gerar um leilão de ofertas; especialmente porque não havia usuários de fogo em seu núcleo familiar, tornando improvável que ele a estivesse exibindo sem intenção de vender.

    Literalmente consternados a ponto de ficarem assustados com uma manobra tão ousada, todos os presentes se entreolharam sem entender bem o clima, enquanto as potências e os mais versados já se analisavam como quem calcula quem faria o primeiro movimento.

    Justamente quando a situação parecia não poder ficar mais tensa, o funcionário que tomara o lugar de Alexander na recepção anunciou a chegada de Stella Azurre.
    Um dos membros diretos da família real do Grão-Duque Azurre, o ||Fogo Azul do Império||, havia chegado.

    Desavisada, a jovem (que viera apenas para o aniversário) ficou perdida quando todos se voltaram para ela de forma estranha, até que um dos associados do Grão-Duque presentes na festa foi até ela, cochichou-lhe ao ouvido e, em seguida, retirou-se do local. Logo atrás dele, uma procissão pareceu se formar, com diversas pessoas saindo; muito possivelmente para informar seus patronos sobre o aparecimento da runa.

    Ao ouvir sobre a runa, a expressão de Stella mudou instantaneamente; ela mesma ficou tentada, quem diria os velhos monstros de sua família.

    Aquilo era um grande terremoto se formando no Império em tempo real, diante de seus olhos, e poderia se espalhar por todo o continente caso não fosse controlado.

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