Chegamos ao quinto e último andar. Era uma sala como qualquer outra, não… era diferente. Parecia ser um salão comunal, repleto de mesas, armários cheios de louça, e esse tipo de coisa. Havia um parapeito no fundo, mas nenhuma escada. Então Sagi pulou por cima, e caiu no que parecia um coliseu. Havia um jarro no centro, um de barro bem adornado.

    — Quer apostar que é um Djinn Guardião? — Perguntou Sagi.

    “Não entendi…” Pensei.

    — Você vai ver… 

    Sagi encostou no jarro. Um brilho intenso cobriu todo aquele lugar. E quando passou havia um ser enorme e azul em nossa frente. Ele parecia um homem, mas tinha chifres e dentes afiados. Ele surgia como uma fumaça a partir daquele jarro, e nos olhava fixamente.

    — Eu sou Belial do egoísmo e destruição. Aceite meu acordo e ganharás um poder inimaginável. Recuse, e enfrentará minha ira! — Disse o ser com voz sinistra.

    — Diz aí qual o sacrifício? — Perguntou Sagi.

    Então atrás de nós, naquele mesmo salão comunal, todas as mesas vazias foram preenchidas por aqueles que estavam explorando a masmorra. Nenhum podia se mexer, todos estavam em choque e assustados. Seus gritos pedindo por misericórdia ecoavam a sala e o coliseu. E mesmo o coliseu mudou, o céu escureceu, e as estrelas se moviam com velocidade anormal. Era uma visão magnífica e ao mesmo tempo demonstrava o poder daquele Djinn, ou pelo menos, até que ponto ia a ilusão da masmorra.

    — Sacrifique a vida desses homens! Então nosso pacto será selado! 

    — Não pode ser uma coisa mais pessoal? Tipo um filho primogênito, a vida de um parente próximo ou o amor da minha vida? — Respondeu Sagi com ironia.

    — Tolo! Meu poder exige que você ponha sua vida acima das outras!

    — Então vou ter que recusar…

    O Djinn absorveu o jarro, e se transformou, ele podia não ser tão grande quanto os inimigos anteriores, mas ainda era bem alto. Sagi, se preparou da melhor forma que podia. Imbuiu a espada com magia, e assumiu uma postura de combate.

    Belial atacou primeiro lançando uma rajada de raios. Sagi não recuou, pelo contrário, avançou e pulou entre as lacunas. Se aproximou perto do Djinn, mas não foi capaz de acertar um ataque. Quando tentou fazê-lo, Belial se defendeu com uma espada de raios. 

    — Sim! Um guerreiro ideal para meu poder! Aceite-o!

    — Jamais! Eu não acredito trocar vidas por poder!

    Sagi o chutou, mas não foi uma boa ideia. A armadura acabou absorvendo o raio. Sagi entendeu isso, e imbuiu a armadura com magia também.  

    — Garoto, vou usar mais uma lança! Mas não agora! — Bradou Sagi.

    Com isso ele voltou ao ataque. Belial pisava no chão e emitia uma onda de choque, assim como lançava raios diretamente, e criava paredes de raios. Sagi tentava desviar ou defender, porém o choque sempre atravessava, mesmo com o reforço mágico da armadura. O Djinn começou a usar o vento para atacar, fez tornados e os espalhou pelo coliseu. O público que nos assistia gritava a favor de Sagi, mesmo sem saber o meu ou o nome dele. 

    — Sucumba ao meu poder! — Disse o Djinn, ao colocar raios dentro dos tornados, e os tornar ainda mais perigosos.

    Sagi se manteve firme, usando o mesmo poder que usou contra o Dragão Rei. Expeliu magia pela espada como um tiro, e desmanchou todos os tornados. Com a abertura, invocou uma Lança do Espírito. Mas falhou.

    — Você está tão fraco assim Piscis?! — Gritou Sagi.

    Belial avançou diretamente e perfurou o raio em nosso abdômen. O choque foi o suficiente para fazer meu corpo cair. Sagi poderia estar intacto em espírito, mas meu corpo ainda sofreu com esse dano. De joelhos, Sagi largou a espada, e cedeu ao Djinn.

    — Nenhum daqueles candidatos é digno de meu poder! Mas você é diferente… sim… sinto um enorme poder oculto, você ainda não está completo não é mesmo? Dividindo esse corpo possuído, você não consegue usar toda a extensão de seu verdadeiro poder! — Disse Belial — Eu posso ajudá-lo a absorver essa alma, posso ser o poder para cumprir seus objetivos. Iremos destruir nossos inimigos, e nossa ambição tomará a terra. Vamos reger o mundo e construí-lo a nossa imagem!

    — Não! Há cinquenta anos que eu jurei defender esse mundo de alguém como você… Eu não permitirei… 

    Não sei se essa era a determinação de Sagi. Se era o seu poder “oculto”, mas ele conseguiu empunhar a espada e se levantar. O Djinn começou a rir, começou a ridicularizar. Dizia que Sagi já não poderia lutar, e que caso ele não quisesse seu poder, o mataria e esperaria outro candidato aparecer. 

    — Ainda que minha lâmina se parta… ainda que meu fôlego seja tirado de mim… ainda que meu inimigo mate todos os meus aliados… ainda que a luz se extingua… ainda que só reste eu no campo de batalha. Nunca irei me render e nem falhar em minha missão! — Disse Sagi — Esse é o juramento que fiz à Stella! E não o quebrarei!

    Sagi conjurou palavras de poder, a espada de Taerdus brilhou em dourado. O Djinn em sua soberba, esperou acreditando que aquele ataque final não representaria risco. Porém Sagi apenas se aproximou, e perfurou o abdômen de Belial. O jarro se partiu, e caiu no chão.

    — O que…?! Você fez…?! — Disse Belial assustado.

    — Acha que é o primeiro Djinn que enfrentei? Nenhum ataque funciona em você… a não ser que eu acerte o seu núcleo-objeto… — Disse Sagi, ofegante.

    O Djinn Belial do egoísmo e destruição se dissolveu. Os que estavam presos à mesa desapareceram. O coliseu se transformou em um quarto luxuoso, com uma decoração rosa, e grande cama no centro. E Sagi, de joelhos, aguardava a revelação da Deusa.

    “Piscis… está aí…?” Perguntou Sagi em pensamento.

    “Sim…” Respondi em pensamento.

    “Eu… estou exausto… vou deixar contigo… boa sorte…!” Disse Sagi.

    Voltei ao controle, mas que hora ruim para voltar! Não podia respirar direito, tinha um buraco no estômago, provavelmente iria morrer caso a Deusa não aparecesse logo. Mas tinha que admitir, talvez eu tenha julgado mal Sagi…

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