Índice de Capítulo

    Sentado em seu escritório, Fernando tinha uma expressão curiosa, enquanto olhava para uma Pulseira de Armazenamento na mesa à sua frente. Ela pertencia ao antigo Líder da Guilda Fúria, Kifon.

    Depois de descobrir sua Disposição Elemental Perfeita em Magia de Eletricidade, o jovem Tenente ficou em dúvida sobre o que fazer em relação a isso, imaginando se deveria começar a treinar em um novo tipo de Magia, o que já havia se provado ser algo trabalhoso no caso da Gravidade.

    Além disso, conseguir material sobre esse elemento seria algo igualmente problemático, mas logo se lembrou de uma Pulseira que estava juntando poeira em seus pertences.

    Após a luta contra a guilda Fúria, Fernando tinha sido preso e pouco tempo após ser solto, foi presenteado com a Pulseira prateada de Ferman, que continha centenas de moedas de Ouro, um Delgnor praticamente inteiro e vários outros itens raros de se conseguir. Com tantas coisas valiosas em mãos e vários problemas surgindo um após o outro, a única coisa que ele havia se dado ao trabalho de pegar do item de armazenamento de Kifon foram as moedas de prata e equipamentos, praticamente não prestando atenção em qualquer outra coisa ali.

    No entanto, agora a situação havia mudado, com uma Disposição Perfeita em Magia de Eletricidade ele não poderia apenas ignorar isso. Lembrando-se que o líder da Guilda Fúria era um Mago Elétrico poderoso, começou a vasculhar a Pulseira do sujeito em busca de algo que o ajudasse e logo encontrou um item que lhe chamou a atenção. Um livro de capa dura de cor azul, com o título: Conceitos Básicos sobre a Magia de Eletricidade.

    Esse era exatamente o tipo de conhecimento que estava buscando, mas o que mais o surpreendeu não era o título ou pelo conteúdo se tratar de Magia de Eletricidade, algo que ele precisava nesse momento, mas sim a autoria do livro, Lincon Coralle.

    Aquele desgraçado, ele realmente escreveu isso? pensou, perplexo, ao lembrar-se do sujeito baixinho que tentou assassiná-lo e agora era seu prisioneiro. Ele tinha ouvido o baixinho falar que havia ensinado Kifon, mas não imaginou que seu conhecimento em relação à Magia de Eletricidade fosse tão bom a ponto de escrever um livro, já que sua força não era tão alta.

    Fernando até pensou em tirar o homem do Anel de Aprisionamento naquele instante e questioná-lo a respeito, mas rapidamente desistiu da ideia. Atualmente ele estava no escritório do Batalhão, não era um local adequado para isso, já que alguém poderia acabar o flagrando com o prisioneiro ou o Baiholder. Ademais, estava preocupado sobre o que veria se focasse sua mente dentro do Anel de forma repentina, sem avisar o Beholder, não interessado em adquirir novos traumas.

    Além do livro, dentro da Pulseira de Kifon também havia algumas coisas, como estranhos cristais luminosos azuis.

    O que é isso? pensou, ao tirar aquelas coisas. Eram cristais que brilhavam fracamente e possuíam uma coloração levemente azul. Usando seu Mana, ele brevemente analisou o objeto e percebeu que parecia haver algum tipo de Mana dentro, mas sentiu que não poderia usá-lo. Parecia algo diferente da Pedra de Mana, mas levemente similar.

    Sem pensar muito, o rapaz jogou o item dentro de sua própria Pulseira de Armazenamento.

    Cada Pulseira estava conectada a mente do usuário, então se ele nomeasse itens desconhecidos, esses seriam alterados de acordo. No entanto, elas também vinham com certas informações previamente armazenadas e se fosse algo que constava em sua base de dados, poderia usar a Pulseira de Armazenamento como uma espécie de identificador.

    Era um truque que Lenny havia o ensinado recentemente, sendo simples, mas conveniente e que ajudava pessoas como ele, que não estavam tão habituadas a Avalon ainda.

    Após inserir os cristais em sua própria Pulseira, rapidamente os removeu, então focou novamente seu Mana neles.

    Status: Cristal Condutor

    Carregamento: ???

    Não havia descrição de sua função ou qualquer outra coisa, apenas essas duas informações simples.

    Como esperado… O rapaz pensou, suspirando. Apesar de poder identificar o nome do item, o objeto de armazenamento dificilmente dava informações além. Olhando para sua própria Pulseira, começou a se questionar o porquê disso. Se elas podiam dizer do que se tratava, o que custaria ter algum tipo de glossário interno? Talvez seja minha autoridade que é insuficiente? questionou-se, intrigado.

    Então, sem pensar duas vezes, moveu o Pulso, quando uma Pulseira prateada, extremamente requintada e cheia de símbolos, apareceu em sua mão. Essa era a que Ferman havia lhe presenteado antes. Se a falta de informações fosse uma questão de autoridade insuficiente, certamente a Pulseira de um Cavaleiro teria toda a autoridade que ele precisava.

    Sem hesitar, Fernando jogou os Cristais dentro da Pulseira de Ferman.

    Status: Cristal Condutor

    Carregamento: 40%

    Informações: Minério formado em regiões ricas em Mana, onde há abundância de Magia Elétrica, principalmente altas montanhas ou cumes, que são frequentemente atingidos por raios ou tempestades. Cristais Condutores absorvem naturalmente as descargas elétricas, acumulando Mana Elemental Elétrica. Frequentemente utilizado por Magos de Magia Elétrica para treinamento, bem como refinamento de técnicas. Se bem utilizado, também pode ser forjado em equipamentos. O índice de carregamento está atrelado a pureza do Cristal, quanto mais alto, maior será a qualidade do Mana Elemental dentro, podendo ser refinado manualmente por Magos Elétricos habilidosos. Principais locais onde pode ser minerado: Montanhas MortHar, Cordilheira do Dragão, Vatheron Karad e em Montanhas de Gash Karn.

    Fernando ficou impressionado ao receber tantas informações.

    Agora não só ele sabia sobre o que se tratava o item, como até tinha o nível de Carregamento e até falava sobre onde poderia ser minerado!

    Que conveniente! O rapaz pensou, ao olhar para a Pulseira de Ferman, não imaginando que ela era tão incrível. Além de ter um espaço interno de centenas de metros quadrados, também poderia ser usada dessa forma!

    Olhando para a sua própria, de aparência simples, em seu pulso, que continha seu nome gravado nela, teve uma mudança de expressão.

    Por ser um item tão comum e que sempre o acompanhou desde seu primeiro dia em Avalon, ele nunca havia pensado muito a respeito e mesmo conseguindo Pulseiras com mais espaço posteriormente, nunca a deixou de usar.

    Talvez eu esteja sendo muito sentimental… É claro que uma Pulseira que recebi quando era Recruta não pode ser comparada a de patentes mais altas. Acho que é hora de me atualizar! pensou, decidido a ir ao Salão da Recepção encomendar uma nova.

    Por mais que ele tivesse centenas e centenas guardadas, a maioria era de inimigos e que estavam atreladas aos seus donos originais. Mesmo a que ele recebeu de Ferman não era diferente.

    Originalmente, cada Pulseira de Armazenamento era como uma folha em branco, possuindo uma espécie de frequência limpa, uma vez que fossem pareadas com um indivíduo, seria difícil sobrescrever essa frequência. Então mesmo que ele pudesse acessar os itens dentro, o objeto jamais estaria alinhado a assinatura do seu Mana, o que fazia com que fosse muito mais difícil guardar ou remover itens de dentro, consumindo mais Mana que o normal e principalmente demandando mais concentração, tornando-se inconveniente de usá-las em batalha, já que cada milésimo de segundo para invocar um item poderia ser a diferença entre a vida e a morte.

    Depois de decidir isso, Fernando vasculhou por mais um tempo a Pulseira de Kifon, mas ficou decepcionado ao ver que nada mais chamava sua atenção. Haviam apenas roupas, Poções de Mana, Cura e coisas inúteis como bebidas caras e tônicos de virilidade. Ele também notou algumas roupas de mulheres, como vestidos e peças intimas e também havia estranhas mechas de cabelos, de várias cores e tipos.

    Ao ver isso, o jovem Tenente franziu a testa, não querendo pensar sobre o que era aquilo.

    Na época que vasculhou a Pulseira, sua cabeça estava cheia de outros assuntos e ele simplesmente pegou tudo que achou útil, como moedas de prata, armas e equipamentos e deixou para verificar o restante do conteúdo posteriormente.

    Aquele cara era realmente um inútil… Esse lixo realmente era um Líder de Guilda? pensou, decepcionado e um pouco enojado, não querendo pensar que aquelas mechas de cabelo poderiam ter vindo de outras vítimas de Kifon. O simples pensamento de que Emily poderia ter acabado se tornando parte de sua coleção bizarra o encheu de raiva. Bem, pelo menos esse psicopata teve alguma utilidade depois da morte. falou consigo mesmo, friamente. Sentindo que se pudesse, mataria o sujeito uma segunda vez.

    Apesar de um pouco irritado com o que havia visto, o rapaz pálido pegou o Livro, pronto para começar uma boa leitura e desviar sua mente disso, mas seus pensamentos foram subitamente interrompidos quando ouviu algo.

    “Que merda! Você é surda?! Eu disse que quero seu Tenente, aqui e agora! Então saia daqui agora mesmo, não quero ver sua cara enquanto não fizer o que ordenei!”

    O que está acontecendo? Fernando franziu o cenho, ao ouvir algum barulho vindo de fora e sem hesitar, levantou-se, saindo da sala. Assim que saiu e viu a cena, de Lina e o Soldado petrificados, enquanto a mulher a sua frente agia de forma pomposa, ele mais ou menos entendeu o que estava acontecendo.

    “Huh! Finalmente!” Amélia falou, quando viu a insígnia de Tenente em seu peito e logo se endireitou, caminhando em direção ao rapaz. “Você deve ser o Tenente Fernando. Sou Amélia Albrechete, Administradora Júnior. Estou aqui para tratar um assunto importante com o senhor.” disse, dessa vez de forma muito mais educada, estendendo a mão para cumprimentá-lo.

    Entretanto, o jovem Tenente sequer lhe deu um único olhar, passando diretamente por ela e a ignorando. Na verdade, ele foi em direção a Lina, que ainda parecia atordoada com tudo aquilo.

    “Tesoureira Lina.” Fernando disse, com uma voz amena e um rosto inexpressivo.

    E-ele tá com aquela cara de peixe morto! Isso vai dar problema!

    “S-senhor!” A garota respondeu prontamente. Assim que viu o rosto do rapaz, ela imediatamente soube que seu humor estava péssimo.

    Mesmo que para a maioria das pessoas parecesse que Fernando sempre mantinha a mesma expressão o tempo todo, isso não era necessariamente verdade. Após observá-lo dia após dia, Lina aprendeu a identificar as ‘diferentes expressões não expressivas’ do Tenente.

    Quando ele estava com seu rosto inexpressivo habitual, ela sabia que estava tudo bem. Entretanto, quando seu olhar parecia algo como um ‘peixe morto’, com seus olhos contendo um vazio gelado e assustador, ela sabia que ele estava, na verdade, completamente furioso!

    “Eu te indiquei pessoalmente ao cargo. Então quando alguém lhe desrespeitar ou ao Batalhão Zero, você não pede desculpas a essa pessoa!” O rapaz pálido falou, de forma rígida, com um pouco de raiva em sua voz.

    “M-me desculpe, senhor!” A garota se apressou em pedir desculpas. Temendo que o Tenente a repreendesse ainda mais, rapidamente tentou se explicar. “Mas essa pessoa, ela é…”

    “Não interessa quem ela é, mesmo se um General vier pessoalmente, isso se aplica a eles também!” Fernando falou, com um leve mau-humor em sua voz.

    Em resposta a isso, Lina apenas abaixou a cabeça, sem se atrever a dizer mais qualquer coisa.

    Vendo-a em tal situação, Fernando não insistiu e apenas suspirou internamente. Percebendo que havia exagerado um pouco. Entendendo que seu próprio humor havia azedado após ver os resquícios da crueldade de Kifon.

    Além disso, sua leitura havia sido interrompida, algo que ele queria usar para acalmar sua mente naquele momento, mas claramente isso não era culpa dela e ele não queria descontar na pobre garota. Na verdade, logo seu olhar recaiu sobre a real causadora disso, uma mulher de óculos e roupas chiques, que o olhava de forma avaliadora.

    “Quanta grosseria, não está me vendo aqui?! Você realmente é um Tenente?” A mesma falou, com aparente desgosto em sua voz.

    Sem respondê-la, o jovem Tenente caminhou até próximo a ela.

    “Tenente Fernando, do Batalhão Zero. Que assuntos tem comigo?” perguntou diretamente, sem perder tempo.

    Em resposta à forma ousada de agir e falar do rapaz, a mulher ficou indignada.

    “Você sabe quem eu sou? Como ousa falar comigo dessa forma? Eu sou…” A mulher de óculos retrucou, mas antes que pudesse terminar de falar, foi interrompida.

    “Administradora Júnior, Amélia Albrechete. Eu ouvi da primeira vez.” O jovem pálido respondeu, de forma calma, olhando-a diretamente nos olhos, o que fez a mulher dar um passo para trás.

    “E-eu…” Vendo que sua atitude ou posição não causavam qualquer medo, ou reação do rapaz, deixou a Administradora desconfortável, mas ela rapidamente se recompôs. “Fui enviada aqui a pedido do Salão da Recepção, mais precisamente, pelo Setor de Corregedoria, para analisar a abertura de uma investigação, após algumas denúncias a respeito do Batalhão Zero.”

    Quando essas palavras foram ditas, Lina e o Soldado ficaram pasmos, sem entender por que alguém denunciaria o Batalhão.

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