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    O jovem Tenente havia recentemente ouvido falar, por meio de informações reunidas por Argos e alguns outros, a respeito de alguns tipos de métodos obscuros de obter informações, incluindo certos tipos de Poções raras que deixavam as pessoas sensíveis para falar coisas contra sua vontade, mas ele próprio nunca imaginou que seria vítima de algo assim!

    “Vocês me deram… Uma Poção da Verdade?” Fernando perguntou, com uma expressão fria em seu rosto.

    Deran deu uma leve risada ao ouvir isso.

    “Algo do tipo.” respondeu, sem dar mais detalhes. “Mas isso não importa realmente, importa? Aliás, estou surpreso de que tenha usado seu verdadeiro nome.”

    “E por que eu não usaria?” O rapaz pálido, preso ao chão, perguntou, de forma retórica.

    “Você realmente pergunta isso? Bem, para começar, me fale sobre aqueles seus amigos. Eu vi quando vocês entraram juntos. Quem são eles, mais precisamente o homem moreno, por que ele anda perguntando as pessoas sobre mim?”

    Quando Fernando ouviu isso, sua expressão mudou.

    Espera, esse cara, ele é… o Eterno Viajante?!

    Antes que pudesse pensar mais a respeito, sua boca começou a se mover sozinha, quando uma vontade irresistível de contar sobre tudo o inundou.

    “Raul Garcia, conhecido como Urso Tirânico. Assim como eu, ele também pertence aos Leões Dourados, ocupando o cargo de Capitão. Ele está procurando o Eterno Viajante porque…” Fernando rangeu os dentes, fazendo seu melhor para fechar sua boca, que continuava abrindo, até tentou morder sua língua, mas tudo parecia inútil. “O senhor Raul só disse que você tem algo que ele precisa. Eu acredito que queira comprar algo.”

    “Hoh…” Deran olhou para a dançarina, que apenas observava tudo com um olhar calmo. “Então é isso… Além disso, vocês são meramente dos Leões Dourados. Parece que me preocupei demais.”

    O rapaz pálido, que acabou falando tudo que lhe foi perguntado, estava suando frio. Felizmente, essa pessoa parecia interessada apenas em perguntar sobre Raul, mas se por acaso lhe fizesse perguntas de alguma forma relacionadas a algum de seus segredos, talvez acabasse falando demais e os revelando.

    Eu deveria fazer o Brakas lidar com esse cara? pensou, preocupado.

    Se o fizesse, poderia sair dessa situação. O problema é que o rapaz pálido não tinha certeza se o Beholder seria capaz de vencer essas pessoas. A força e domínio que Deran demonstrou sobre a Magia de Terra pareciam muito altos.

    Se Brakas fosse derrotado, ou mesmo se as pessoas de fora o vissem, eles acabariam mortos sem dúvidas. Sendo assim, parecia muito mais sensato esperar e observar. Felizmente, o sujeito baixinho parecia não ver nele ou Raul uma ameaça.

    “Nós só pretendíamos fazer uma transação, é assim que trata seus clientes?” O rapaz pálido perguntou, referindo-se a estar preso ao chão, que parecia tão duro quanto o aço.

    “E quem disse que eu tenho interesse em clientes como você ou esse tal ‘Capitão Raul’?” Deran indagou de volta, com alguma altivez. “Pequenos peixes como você sequer são suficientes para abrir meu apetite. Na verdade, Fernando, você ao menos acha que vai sair daqui vivo? Seria incômodo mais pessoas aqui saberem sobre minha identidade.”

    O rapaz pálido não se deixou abalar com as palavras do sujeito, quando sua mente começou a trabalhar rapidamente sob os efeitos do Disparo Neural.

    “Nós temos dinheiro suficiente, seja lá o que esteja vendendo, podemos pagar!” afirmou, com um rosto sério.

    Pela primeira vez, Deran ficou surpreso. O rapaz estava sob o efeito de sua Poção, logo não havia como ele estar mentindo. Ou seja, o grupo dele realmente deveria ter os meios para comprar suas mercadorias. Ele então olhou em dúvida para a mulher de vestido verde.

    Foi apenas um olhar singelo, mas sob os efeitos de Disparo Neural, Fernando achou essa reação do homem estranha.

    Após um instante, Deran suspirou, quando ergueu seu martelo, mirando na cabeça dele.

    “Durou pouco, mas você foi uma ótima companhia, Fernando.” O sujeito baixinho afirmou, com um olhar frio, pronto para executá-lo.

    Os batimentos cardíacos do jovem Tenente aceleraram quando forçou o máximo que pôde seu corpo, mas o concreto ao redor dele não se movia minimamente e nem dava indicações de ceder.

    “Eu quero negociar! Você é um contrabandista, certo?” declarou.

    “Não estou interessado.” Deran respondeu, vendo os últimos momentos de desespero do rapaz, achando-o patético, então seu martelo logo começou a descer com grande impulso, pronto para esmagar sua cabeça.

    Vendo o martelo vindo em sua direção, as iris de Fernando se encolheram, quando ele moveu seu pulso e focou parte de sua mente no Anel de Aprisionamento, pronto para abrir o portal. Se ele fosse morrer de qualquer forma, preferia fazer isso lutando!

    Brakas, fique de prontidão para agir! 

    Mestre? O Beholder, que até então estava isolado no Anel, desde que Fernando havia o punido, cortando sua ligação com o mundo externo, ficou surpreso ao ouvir a voz repentina do rapaz. Mas seu enorme olho não vacilou minimamente, quando se colocou em guarda, pronto para mover seus tentáculos.

    No momento de desespero, o jovem Tenente inundou seu sistema nervoso com mana da Pedra, forçando seu Disparo Neural ao máximo. Imediatamente sentiu uma dor aguda em todo seu corpo. Cada mínima sensação tátil de fricção da sua pele com o concreto e até com sua própria armadura chegavam até seu cérebro como uma martelada em sua mente. Era algo que ele jamais se atreveria a fazer em uma batalha, já que a consequente amplificação máxima de seus sentidos ao fazer isso o impediria de se mover, mas estando nessa situação, sentiu que não tinha escolha. Logo tudo ao seu redor pareceu parar, quando até mesmo um único ciclo de sua respiração parecia levar uma eternidade.

    Merda, eu não tenho outra escolha? pensou, alarmado, ao ver o martelo descendo lentamente, em direção a ele. Assim que ele tirasse Brakas, mesmo que sobrevivesse a Deran, toda Yandou o perseguiria até a morte.

    Uma inundação de pensamentos e ideias surgiram uma após a outra, mas uma a uma, as descartou.

    Enquanto agonizava de dor sob os efeitos colaterais do Disparo Neural, de repente, um pensamento surgiu em sua cabeça, ao lembrar-se da reação anterior de Deran.

    “Não estou falando com você! Eu quero negociar com o verdadeiro Eterno Viajante!” O jovem Tenente gritou, em plenos pulmões.

    O pequeno martelo, que estava no meio do caminho, subitamente parou.

    “O que você disse?!” O sujeito perguntou, nervosamente. Seu olhar parecia levemente assustado e toda sua compostura havia caído.

    Vendo que o homem havia realmente parado, Fernando suspirou internamente, enquanto uma gota de suor escorria lentamente por seu rosto. Ao mesmo tempo, não pôde deixar de avaliar sua expressão.

    Parece que eu estava certo… concluiu.

    “Não tenho interesse em falar com um cão que só segue ordens.” Fernando esbravejou, de forma fria, então seu olhar logo mudou de direção. “Que tal parar de fingir de uma vez, Eterno Viajante.”

    O rapaz não pôde evitar pensar sobre ela ter o enganado completamente duas vezes, acreditando que a dançarina não passava de uma mera ajudante do Eterno Viajante, mas, na verdade, ela era o próprio, sendo o verdadeiro cérebro por trás de Deran.

    A dançarina de roupas e olhos verdes e véu na parte inferior do rosto, apenas observou tudo em silêncio, com um olhar calmo.

    Deran reagiu fortemente ao ver isso.

    “S-seu… Quem você pensa que é para falar tanta porcaria!”

    O sujeito ergueu seu pequeno martelo e estava prestes a terminar o que havia começado, mas uma voz serena o interrompeu.

    “Pare Deran. Deixe-o falar, quero ouvir o que ele tem a dizer.” A mulher disse, olhando para o rapaz preso ao chão de forma fixa, parecendo curiosa. “Como descobriu?”

    Vendo que havia ganhado sua atenção, Fernando continuou.

    “Não foi muito difícil, a cada vez que precisa decidir algo, ele olha para você, como uma criancinha pedindo permissão.” falou, de forma zombadora.

    “V-você…!” Deran parecia insatisfeito, mas como a mulher ordenou, ele não fez nada.

    Ouvindo isso, ela assentiu.

    “Vou tomar nota disso. E então, o que planeja negociar comigo? Não sei o que aquele seu amigo deseja dentre os meus bens, mas apenas dinheiro não é suficiente para comprar a maioria do que possuo.”

    O que eu posso oferecer para ela? O Cristal Condutor? Talvez os itens da Pulseira de Armazenamento do Kepler, os Pergaminhos do Ferman, o Livro dos Dragões, a Habilidade que o Zado me deu, Carne de Delgnor, Sopa Revitalizante ou até a receita da Sopa Revitalizante…? Fernando pensou, de forma desesperada. Ele tinha muitas coisas valiosas que poderia usar como moeda de troca, mas a maioria delas simplesmente não poderia ser dita. Além disso, ele estava sobre o controle dessas pessoas, então independente do que dissesse, precisava fazê-los acreditar que não estava em posse desses bens, caso contrário sua morte seria certa.

    Anteriormente, ele notou algo. Quando afirmou que “eles” possuíam dinheiro, referindo-se ao seu grupo, na verdade, estava falando de si próprio. Como ele estava incorporado dentro do grupo, isso não era realmente uma mentira, apenas uma omissão de fatos.

    Ou seja, a Poção agia de forma que respondesse aquilo que acreditasse ser a verdade, então não poderia evitar falar, mas ele próprio poderia manipular a maneira como era dita. Sendo assim, contanto que fosse cuidadoso, poderia enganá-los com meias verdades.

    Após um instante pensando, seu olhar se firmou, quando decidiu o que fazer.

    “Podemos oferecer 1kg de Cristal de Sangue de Delgnor.” Fernando ofertou, com um rosto sério.

    Após pensar cuidadosamente, mesmo que estivesse desesperado, não poderia ofertar algo de valor muito alto, caso contrário essas pessoas poderiam pensar em silenciar ele, Raul e Lerona. Sendo assim, deveria ser algo suficientemente atraente, mas que não atiçasse demasiadamente sua cobiça.

    Quando o rapaz pálido fez sua oferta, a expressão da mulher, bem como do sujeito baixinho, mudaram completamente.

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