Índice de Capítulo

    Após finalmente escapar daquele lugar, Fernando andou a passos largos dentro do bordel, quando desesperadamente enviou uma mensagem a Raul e Lorena.

    “Me encontrem na saída, agora!”

    Atravessando o mar de pessoas, o jovem Tenente viu a mulher ruiva esperando próximo à saída. Era como se ela já estivesse lá desde o início e nem sequer tivesse tentado interagir com as pessoas do local. Na verdade, a mulher olhava de um lado ao outro, como um coelho assustado.

    Vendo isso, Fernando suspirou, mas sentiu que não tinha tempo para se preocupar com ela.

    “F-Fernando, o que aconteceu?” Lerona perguntou, assim que viu o rapaz.

    “Eu encontrei o Eterno Viajante e quase fui morto, mas depois explico, precisamos sair desse lugar primeiro.” respondeu, com uma voz calma, mas com uma certa tensão indisfarçável por ainda estar sob o efeito da Poção da Verdade.

    “O-o quê?!” Apesar de perplexa com a explicação apressada do rapaz, ela o seguiu.

    Descendo do segundo andar, onde ficavam os VIPs, Raul apareceu, vestindo a camisa apressadamente e logo aproximou-se.

    “Porra, moleque, é melhor algo grande ter acontecido, eu tava no meio de uma coisa importante!” O Capitão moreno falou, parecendo irritado.

    Vendo aquilo, o rapaz pálido franziu a testa.

    Eu estava com minha vida por um fio e esse cara estava se divertindo com mulheres? Na verdade, nem tenho certeza se são mulheres… 

    Balançando a cabeça para os pensamentos intrusivos, o rapaz logo guiou o trio para fora do lugar. Antes de sair, os seguranças checaram os itens consumidos dentro do estabelecimento por meio das pulseiras, com apenas Raul tendo consumido ‘serviços’ do local.

    Pouco tempo depois, após estarem longe o bastante, o Capitão moreno perdeu a paciência com o silêncio do rapaz.

    “O que exatamente aconteceu lá dentro? Se você só tiver fugindo de uma mulher, eu vou te encher de porrada!” falou, segurando-o pelo ombro, ao lembrar-se de quão certinho Fernando era quanto sua esposa.

    Sendo abordado por Raul com tanta insistência, o jovem Tenente suspirou, mesmo que ele quisesse, não conseguia evitar responder.

    “Eu encontrei o Eterno Viajante e essa pessoa me obrigou a beber algo estranho.” falou, com uma expressão calma.

    “Como é?” O sujeito exclamou, com uma expressão chocada, tanto pela fato do rapaz ter se encontrado com a pessoa que procurava quanto pela segunda parte extremamente estranha, então olhou para Lerona. “Você sabe do que ele está falando?”

    A Capitã ruiva levantou as mãos, de forma inocente.

    “Não me pergunte…”

    “Esse não é o melhor lugar para falar a respeito…” Fernando disse, com um rosto frio, ao ver um sujeito com capuz os observando a partir de uma esquina longínqua. Ele sabia que não era Deran ou a Eterna Viajante, já que parecia um amador, muito provavelmente se tratando de algum bandido aleatório analisando uma oportunidade potencial de saque, mas de qualquer forma era melhor prevenir a remediar.

    “Tsc! Você não está falando nada com nada…” Apesar de estar confuso e cheio de dúvidas com a resposta ambígua do rapaz, Raul concordou em retornar. Ele conhecia bem Yandou e sabia que ficar parado na rua era pedir por problemas.

    Em pouco tempo o trio retornou a pousada do Recanto Esquecido. Diferente de antes, que o local parecia completamente morto, eles viram um grupo de pessoas terminando de se instalar no lugar.

    “Merda, aquele desgraçado alugou a pousada para tantas pessoas?!” Raul falou, irritado.

    Ao aproximarem-se, Fernando percebeu algo.

    “Esse não é o grupo que vimos fora de Yandou?”

    Ao olharem com cuidado, rapidamente reconheceram alguns dos guardas.

    “Parece ser o caso.” Lerona disse, concordando.

    “Tanto faz. Enquanto estivermos aqui, evitem contato com eles. Devem ser comerciantes e essa gente só traz problemas, ainda mais ao virem para uma cidade como essa.” Raul advertiu.

    Apesar de não entender o que ele queria dizer com isso, Fernando concordou, fazendo suas próprias suposições.

    Mesmo que Deran tivesse tentado matá-lo, provavelmente não havia mentido sobre muitas das informações que contou a ele relacionadas a cidade, incluindo o tráfico de pessoas e venda de itens perigosos.

    Quando se aproximaram do hall da pousada, os guardas da caravana anterior rapidamente entraram em seu caminho, liderados por um sujeito alto, de meia-idade, com longos cabelos cinzentos amarrados.

    “Voltem.” O homem disse de forma seca, com uma voz grave e opressiva, assim como uma expressão solene.

    “Voltar? Por quê? Somos hóspedes.” Raul falou, assumindo a frente do trio.

    Um dos guardas, que estava atrás, zombou.

    “Hahaha, hospede? Se quer mentir, é melhor inventar algo melhor, seu merda! Nós alugamos o lugar todo! Dê o fora, se não quiser provar um pouco disso.” ameaçou, sacando sua espada.

    “Heh… então é assim?” O Capitão moreno perguntou, com um sorriso ameaçador.

    Raul, que estava irritado por ter deixado ‘coisas inacabadas’ no bordel, estalou o pescoço e logo em seguida as mãos, então sem hesitar, avançou, partindo para cima do homem de mãos nuas.

    Bam!

    O guarda que o havia ameaçado foi enviado voando por um soco.

    “V-você… Acabem com eles!” O sujeito de cabelos cinzentos gritou.

    Fernando e Lerona ficaram sem palavras ao verem isso.

    Achei que não deveríamos chamar atenção… O rapaz pensou suspirando, quando avançou também, seguido por Lerona.

    “Não matem ninguém, apenas vamos ensinar algo a esses caras.” Raul gritou, com um sorriso no rosto.

    Bam! Swish! Bang!

    Em pouco tempo, o hall havia caído em uma briga generalizada, era uma verdadeira briga de bar, ou melhor, de pousada.

    Fernando rapidamente nocauteou um dos homens com um soco no rosto antes que pudesse reagir, mas logo os que estavam perto sacaram suas armas, o cercando.

    Swish!

    Um deles cortou com sua espada, mas o rapaz pálido habilmente desviou para o lado, sem esforço, quando o sujeito estava prestes a atacar novamente, a perna de Fernando ergueu-se como um chicote, atingindo-o no rosto antes que ele pudesse perceber, fazendo-o cair para trás.

    Do outro lado, Raul e Lerona eram ainda mais brutais, cada um havia derrubado cinco ou seis homens em um piscar de olhos.

    “M-merda, quem são essas pessoas?!” Um dos guardas exclamou, ao ver seus companheiros caindo como moscas um após o outro.

    O sujeito de cabelos cinzentos era o único calmo, observando com atenção Raul e Lerona.

    Um Usuário de Habilidades e uma Maga? Pela sua aptidão física, ambos devem ser de nível Capitão! O que essas pessoas querem? Eles sabem quem somos?! Se for esse o caso, então…

    Logo o sujeito de longos cabelos cinzentos moveu o punho, quando um espada embainhada apareceu em sua cintura. Seus olhos ficaram frios enquanto observava atentamente Raul, que parecia ser o mais forte dos três, então tocou o punho da lâmina, pronto para sacá-la.

    Sentindo uma sensação ameaçadora, o Urso Tirânico logo olhou na direção do sujeito, assustado.

    Zoom!

    Assim que a espada foi desembainhada, uma linha transversal cruzou o hall em instantes, era tão fina quanto um fio de cabelo e quase impossível de se ver.

    No entanto, como se soubesse o que estava vindo, Raul cerrou o punho com força, quando todo seu corpo começou a emanar uma neblina vermelha.

    Vendo essa atitude do sujeito, o homem de cabelos cinzentos sorriu, com desdém.

    Ele quer enfrentar meu ataque com os punhos? Que idiota, ele vai ser partido ao meio pela minha linha de Vento laminado!

    BOOM!

    O punho do sujeito moreno encontrou-se com a fina linha de Vento imbuído em mana. O soco empurrou para um lado, enquanto a linha para o outro, apertando-se contra sua carne. Parecia que todo seu braço seria atravessado, mas, contra as expectativas do sujeito, o punho continuou em frente.

    Clack!

    “O quê?!”

    A fina linha de Vento foi rompida, quando o punho do homem continuou em frente, enviando uma enorme rajada de ar em sua direção.

    “Hoh, isso me assustou por um momento.” Raul falou, com um sorriso. “Até que você é forte. Se o Capitão Viktor não tivesse me surrado tantas vezes com ataques parecidos com esse, talvez eu não tivesse visto isso chegando.”

    Ao lado, Fernando também ficou surpreso, principalmente ao ver rastros de um fino corte esticando-se por quase todo o hall. Ele não havia visto ou sentido nada!

    Apesar de ouvir isso e ver seu ataque sendo anulado, o sujeito de cabelos cinzentos não se intimidou.

    “Humph! Eu apenas não queria destruir o lugar, mas se você quer tanto isso…” Ao dizer isso, embainhou sua espada novamente e estava prestes a saca-lá, mas uma mão logo surgiu em suas costas, segurando a parte de trás de seu braço, o impedindo.

    Q-quem?! O sujeito perguntou-se, assustado.

    “C-caro cliente, houve um mal-entendido aqui, peço que guarde suas armas e não destrua ainda mais meu estabelecimento.” Era um velho de tiara e óculos escuros, levemente acima do peso. Este era Aldebaran, o dono da pousada Recanto Esquecido.

    O quê? Quem exatamente é esse velho? O sujeito perguntou-se, sem saber como ele havia chegado tão perto sem que notasse.

    “Eduardo, o que está acontecendo aqui?” Uma voz feminina severa soou, pouco atrás de Aldebaran. Era uma mulher de idade avançada, usando um manto branco.

    Não muito atrás, uma garota de cabelos azuis-escuros tinha olhos calmos, enquanto observava toda a bagunça no local.

    “S-senhora Magnólia, essas pessoas nos atacaram, eu estava apenas…”

    “O quê? Eu sou um hóspede! Quem nos impediu de acessar nossos quartos foram vocês!” Raul falou, enquanto coçava a orelha, de forma despreocupada com uma mão e mostrava suas chaves com a outra, balançando-as na ponta de um dos dedos.

    Ouvindo isso, a velha franziu a testa, quando olhou para o dono da pousada.

    “Senhor Aldebaran, acredito que meus enviados anteriores tenham sido claros quanto a locação de todo o prédio.” A mulher exclamou, com uma voz severa.

    A expressão do sujeito de óculos escuros redondos diminuiu, quando ele começou a suar frio sob o escrutínio dela.

    “M-mil perdões. Houve um pequeno conflito de reservas. Esses são velhos amigos que vieram passar alguns dias na cidade, mas logo irão partir. Eles irão ocupar apenas dois quartos vagos e não irão incomodá-los, eu garanto!”

    A velha mulher parecia descontente ao ouvir sobre isso, mas não parecia com vontade de levar o assunto adiante.

    “Muito bem, que assim seja. Mas reduziremos o pagamento acordado em 20%.”

    Aldebaran colocou a mão no peito, como se estivesse prestes a ter um infarto, mas não se atreveu a contrariá-la.

    “S-sim senhora, é mais que justo.” disse, apressadamente, então olhou para o trio ainda parado no hall. “Vocês! Vão para suas acomodações de uma vez e não incomodem nossos outros convidados!”

    Lerona e Fernando se entreolharam, com expressões estranhas pelo sujeito estar sendo tão atrevido com eles, mas Raul não parecia incomodado, quando apenas começou a caminhar pelo hall. Vendo isso, os dois também seguiram.

    Logo Raul e Lerona passaram pelo grupo, bem como Aldebaran. 

    Enquanto estava passando, Fernando os observou calmamente, em especial, a garota de cabelos e olhos azuis profundos, que chamou sua atenção de forma instintiva.

    Mesmo que fosse casado, o rapaz pálido não pôde deixar de se surpreender com a beleza estonteante da menina, bem como seu corpo esbelto e atrativo. A única coisa que parecia desapontante eram seus pequenos seios, tão lisos quanto uma tabua de madeira, sendo praticamente inexistentes. Isso fez seu olhar parar naquele local por um momento, balançando a cabeça, como se estivesse decepcionado com o que viu.

    Bem quando ele havia acabado de passar por ela, alguém o chamou de repente.

    “Espere, você deixou cair algo.”

    Ouvindo uma voz feminina, calma e gentil, Fernando parou seus passos e olhou para trás, se perguntando o que havia derrubado, mas assim que o fez, se surpreendeu.

    “Você deixou sua decência ali atrás!”

    Um par de dedos finos e delicados estava vindo diretamente até seus olhos, com uma clara intenção de perfurá-los.

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