Capítulo 669 - Você primeiro
Maron não respondeu à afirmação estranha do sujeito e apesar da leve surpresa inicial, também se moveu imediatamente antes que o ‘Soldado’ virasse completamente seu corpo e torso em direção a ele.
Swish!
Como um relâmpago branco cortando a noite escura, o sujeito mascarado cortou para frente com sua rapieira, porém o homem alto não foi mais lento, quando moveu seu pulso, tirando uma glaive comprida de sua Pulseira de Armazenamento, com uma ponta metálica levemente curvada.
Não é tão boa quanto a que eu costumava usar, mas vai servir! O homem gigante pensou, levemente descontente com o comprimento curto da arma que havia pegado emprestada do tesouro do Batalhão Zero. Essa pessoa não era outra senão Alastor, o Combatente em Treinamento.
A fina rapieira do sujeito mascarado e a glaive do homem alto, que não havia conseguido se virar totalmente, desferiu um golpe desajeitado e as lâminas avançaram uma em direção a outra. Porém, Maron não parecia interessado em um confronto direto, pois como um assassino, ele lutava com inteligência e astúcia, não força bruta. Logo com seus passos leves, pisou firmemente no chão, girando seu calcanhar, reajustando sua posição e mudou abruptamente de direção, rotacionando seu corpo e acompanhando o movimento circular do sujeito gigante, ficando quase em seu ponto cego.
Vendo isso, Alastor franziu o cenho com a perspicácia e técnica do seu oponente, se não fizesse algo, seu inimigo o mataria antes que pudesse reagir, então largou a glaive por um breve instante e a agarrou novamente no ar, segurando-a num aperto inverso, permitindo que ela varresse lateralmente de forma muito mais ampla a partir de sua posição atual, indo de encontro à cintura do mascarado.
Maron sabia que se não desviasse disso, seria atingido em cheio, mas não recuou imediatamente, quando cortou para frente esticando o máximo possível seu braço direito.
Perfura! Swish!
A glaive varreu com extrema brutalidade e poder, lançando uma enorme rajada de ar, mas o Máscara Branca afastou-se no último instante, desviando por um fio do ataque. No entanto, quando puxou seu braço de volta, sua rapieira veio com um fio vermelho de sangue.
Antes de recuar, ele havia conseguido perfurar as costas de Alastor, em seu lado superior esquerdo.
Quando o sujeito gigante virou-se completamente, ficando de frente para o mascarado, que havia calmamente se afastado, sua expressão mudou, trocando a haste de mão para a esquerda, usou a direita para checar suas costas por cima do ombro, então viu a mancha de sangue em seus dedos, assim como a dor aguda, que indicava perfeitamente o grau de seu ferimento.
“Você é tão complicado quanto ouvi falar… Mais um centímetro e você teria alcançado meu coração.” Alastor comentou, de forma casual, ao falar sobre o fato de quase ter sido morto nessa curta troca.
Maron manteve-se em silêncio, mas ficou levemente surpreso com a calma de seu oponente diante de um ataque quase fatal como esse.
Nesse momento, ambos haviam medido a provável força média um do outro. Alastor estava extremamente surpreso, pois o inimigo certamente era um Capitão e com certeza não era um comum, mas sim algum tipo de gênio monstruoso que certamente se tornaria um Major!
Isso era algo que estava completamente fora de suas expectativas. Mesmo que já tivesse ouvido o nome ‘Máscara Branca’ antes, tendo ouvido muitos boatos ao seu respeito, não costumava acreditar, pois quase sempre eram exagerados ou desvirtuados, mas em relação a essa pessoa, eles não só não pareciam infundados, como insuficientes!
Ele próprio já havia enfrentado muitos Capitães antes, seja em lutas de treinamento ou no campo de batalha e mesmo que saísse derrotado em quase todas às vezes e algumas quase tendo sido morto, nenhuma única vez experimentou a sensação de medo que estava sentindo agora. A mão que segurava a glaive não parava de tremer, como se seu instinto estivesse gritando para que fugisse dali imediatamente.
Enquanto isso, Maron analisou calmamente o gigante à sua frente.
Um Tenente no ápice? Mas quem é esse? perguntou-se, confuso, essa pessoa simplesmente não era seu alvo.
Ele supôs que o homem estava próximo ao nível de um Capitão, apesar de ainda não ter atingido esse nível, ainda, sim, sua destreza física, reflexos e senso de batalha pareciam ser extremamente incomuns. Qualquer Tenente de pico comum e mesmo alguns Capitães fracos deveriam ter sido mortos por seu último ataque.
De repente, várias das luzes dos Lampiões Vaga-lumes começaram a se apressar em direção a eles, vindas de todos os lados. Nesse ponto, o Máscara Branca sabia que precisava partir. Ele não pôde deixar de olhar para o sujeito gigante, mesmo sob a máscara seu descontentamento era evidente. Ele queria causar o máximo de caos nessa noite, mas essa pessoa havia interrompido seus planos.
Então, cheio de graça, o sujeito de roupas brancas e esguio apontou sua rapieira para o sujeito alto. Ele não sabia quem era esse homem, obviamente não era o Tenente que esperava matar essa noite, apesar disso, não deixaria sua intervenção passar sem uma punição, tendo se decidido a matá-lo antes de sair.
A expressão de Alastor diminuiu ao ver isso, imediatamente entendendo as intenções do inimigo. Se fosse no passado, ele simplesmente iria se virar e fugir, recusando-se a enfrentar um monstro desses, mas agora ele era um membro do Batalhão Zero e tinha uma dívida com Fernando, sendo assim, deveria fazer seu melhor para proteger esse lugar. Se ele fugisse, as tropas sofreriam nas mãos dessa pessoa.
Além disso, para alguém que uma vez havia desistido de viver, abandonando todas suas esperanças e apodrecendo na prisão, enquanto sujava as mãos pela segurança de sua irmã, esse tipo de morte parecia muito mais atrativa e emocionante.
Sendo assim, enchendo-se de coragem e animação, o sujeito gigante devolveu o gesto desafiador, apontando sua glaive diretamente para seu inimigo, estando cheio de bravura.
Maron não parecia contente ou descontente com essa ação do homem, de seu ponto de vista, ele não passava de um morto que ainda não sabia que morreu, fadado a cair sob sua lâmina no momento em que cruzou seu caminho.
Na verdade, ele estava mais preocupado em estar atento aos arredores. Se o sujeito gigante tinha propositalmente o atraído, fingindo ser um Soldado, significava que mais oponentes capazes poderiam estar por perto, sendo assim, deveria se apressar e acabar com isso o mais rápido possível!
De repente, o Máscara Branca saltou para trás, seu corpo pareceu ficar translúcido por um momento, quando lentamente desapareceu em meio à escuridão.
Alastor franziu o cenho ao ver isso, era claramente Magia de Luz, que camuflava o Mago ao ambiente. Não era como se ele realmente estivesse invisível, mas durante a noite seria difícil enxergá-lo. Usando seus sentidos afiados, o sujeito gigante podia sentir o assassino por perto, o que significava que ele não havia saído, mas realmente pretendia matá-lo ali.
Uma figura branca repentinamente apareceu atrás dele, o que fez Alastor reagir rapidamente, varrendo com sua glaive em direção a ele.
Swish!
A glaive atravessou completamente o inimigo, num ataque certeiro, mas nada aconteceu, não havia sangue ou qualquer sensação, era como se fosse apenas ar vazio.
É uma ilusão?! pensou, levemente alarmado ao perceber o que havia acontecido, era algum tipo de imagem feita de Magia de Luz! O fio da arma de haste atravessou a figura branca, que parecia idêntica ao Máscara Branca, mas que logo se desfez ao contato com seu ataque. Nas minhas costas?
Alastor estava prestes a se virar, focando totalmente sua atenção em seu ponto cego, mas, ao contrário de suas expectativas, um par de olhos brancos brilhantes, escondidos sobre aquela máscara, surgiu bem na sua frente.
De todos os lugares, aquele era o que o sujeito gigante menos esperava que fosse ser atacado, então, antes que pudesse fazer algo, um brilho branco extremamente violento correu em direção de seu peito, numa velocidade assustadora.
Num movimento de autopreservação, o gigante usou a base da haste da glaive para interceptar o ataque entrante.
Tim! Crack! Crack!
O som de metal contra metal soou, o sibilar estridente cortando a noite silenciosa.
A ponta da rapieira havia sido parada pela haste, enquanto Alastor foi empurrado levemente para trás, seus pés afundaram no chão de pedra devido ao poder avassalador do oponente. Não só isso, o choque do impacto da sua própria arma havia atingido seu tórax e ele sentia que algo havia definitivamente quebrado, muito provavelmente algumas de suas costelas.
Se ele fosse qualquer pessoa comum, certamente esse ataque teria destruído seu peito e esmagado toda sua caixa torácica.
Com alguma dificuldade para respirar, Alastor viu o par de olhos sob a máscara o encarando com desdém, quando puxou de volta sua rapieira, que logo se encheu de um brilho branco intenso, reunindo uma grande quantidade de mana na lâmina, preparando-se para matá-lo no próximo ataque.
Mesmo que as luzes dos Lampiões dos Soldados estivessem próximas, Alastor sabia que seria morto antes que o reforço chegasse!
Apesar da morte iminente, o sujeito gigante não se desesperou ou tentou fugir, mas sorriu. Ele não tinha arrependimentos, tudo de bom ou mal que ele havia feito ao longo de sua vida, foram decisões tomadas por ele próprio e mais ninguém. Só havia uma única coisa que ele sentiu que era uma pena.
Parece que não vou poder pagar devidamente minha dívida com você, Tenente. pensou, ao lembrar-se do rosto do rapaz pálido que havia o tirado da cadeia e dado abrigo a ele e sua irmã.
Apertando a glaive com as duas mãos, Alastor se preparou, seus enormes braços encheram-se de força, quando seu olhar fixou-se no inimigo. Seu objetivo não era sobreviver ou matar o oponente, pois sabia que não era capaz de fazer nenhuma das duas coisas. Sua intenção era uma só, causar algum ferimento nessa pessoa!
Logo, usou as únicas magias que era verdadeiramente bom, Magia de Incremento Corporal, aumentando seus atributos de Físico e Agilidade em 2 pontos, ao mesmo tempo, reuniu mana em seus olhos, ouvidos e nariz, sendo Magia Sensorial, ampliando grandemente seus sentidos, para caso o inimigo tentasse mais algum truque estranho.
Mesmo que ele morresse, se pudesse ferir esse monstro, isso daria alguma chance aos seus aliados.
Maron olhou de forma fria para seu inimigo, sentindo o mana ao seu redor mudar bruscamente, sabia que não aceitaria ser morto sem tentar ferroá-lo uma última vez.
Ele tinha que admitir que o gigante à sua frente era um indivíduo especial, pois não se recordava de alguém que havia o enfrentado a noite e sobrevivido a tantos de seus ataques surpresa, mas isso terminaria agora. O fio da lâmina de sua rapieira se encheu de um mana branco e denso, quando ele avançou para frente, com o objetivo de acabar com a luta.
O mascarado avançou, numa velocidade sobre-humana. Do outro lado, o sujeito gigante e magro também atacou, com sua glaive reunindo toda sua força e ímpeto nesse último ataque, assim como condensando todo mana que conseguia utilizar no fio dela.
Quando ambos os ataques estavam prestes a se chocar, as expressões de ambos os homens mudaram, quando sentiram algo, abruptamente parando seus passos.
BOOOM!
Uma enorme explosão ocorreu, com estilhaços de pedra e poeira sendo atirados para todos os lados, obrigando tanto Alastor, quanto Maron, a recuarem.
Quando a cortina de poeira abaixou, os dois puderam ver um gigantesco machado cravado no chão entre eles e logo uma voz soou ao longe.
“Você fez um bom trabalho ganhando tempo, grandão.” Um homem com longos cabelos loiros, não tão alto e com um nariz comprido, disse, enquanto andava de forma confiante, balançando seu machado restante de um lado ao outro, como um pêndulo.
Vendo aquela pessoa, Maron franziu o cenho por dentro da máscara. Conforme as informações que recebeu, esse homem era Ilgner, um dos Subtenentes do Batalhão Zero.
Ao mesmo tempo que ele surgiu, os diversos Soldados chegaram, cercando todo o local. Entre as tropas, alguns dos Cabos e Oficiais responsáveis pela área também estavam presentes, como Noah, Lance e Magnus.
Vendo todos aqueles inimigos ao seu redor, o Máscara Branca não entrou em pânico, mas olhou de um lado ao outro, como se procurasse algo.
“Ele não está aqui.” Ilgner falou, de forma despreocupada, adivinhando a intenção do inimigo. “Se está procurando pelo Tenente, lamento informar, alguém como você não é digno de enfrentá-lo. Se quiser lutar com ele, primeiro tem que passar por cima de mim!”
Os membros do Batalhão Zero ao redor, incluindo Lance e Magnus, que não sabiam qual era o objetivo do atacante, ficaram surpresos e suas expressões mudaram ao entender isso. O objetivo dessa pessoa era matar Fernando! Isso imediatamente fez a raiva que sentiam dele, pelos ataques recentes, aumentar ainda mais.
Ouvindo aquilo, Maron parou de procurar, quando se focou no bárbaro loiro, com a cabeça erguida, cheia de orgulho.
“Então matarei você primeiro.” disse, apontando sua rapieira para seu novo alvo.

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