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    Frente à ameaça de morte, Ilgner apenas sorriu. No entanto, não teceu nenhuma palavra de zombaria ou provocação. Deve-se saber que o Máscara Branca estava completamente cercado por ele e suas tropas e mesmo assim ousava declarar que o mataria.

    Isso não era apenas arrogância ou confiança infundada de sua parte, mas algo que ele realmente acreditava que cumpriria.

    Quando o Subtenente chegou, ele pôde ter um vislumbre da sua força e magia e, se não tivesse lançado aquele machado de última hora, Alastor seria apenas um cadáver no chão nesse momento. Sendo assim, o bárbaro loiro não se atreveu a menosprezar essa pessoa, pois muito provavelmente ainda não havia mostrado tudo o que tinha.

    Logo Ilgner fez alguns sinais com a mão livre e assim que o fez, Lance, Magnus e Noah entenderam as ordens, quando ordenaram que os arqueiros e magos ficassem para trás. No lugar de mirar diretamente no inimigo, ergueram seus arcos para o alto do céu. Seu objetivo não era visar seu oponente imediatamente, mas impedir que ele fugisse por meio de Magia de Levitação, caso tentasse levantar voo; seria prontamente recebido por uma saraivada de ataques.

    Essa era uma das inúmeras táticas de batalha desenvolvidas pelos membros do alto escalão do Batalhão Zero nas últimas semanas e reforçadas após o conflito com o Batalhão Barreira e Rosa Negra. Naquele dia eles viram a importância de se precaver em caso de conflito não só com tropas Orcs, mas também com as humanas.

    Se eles precisassem enfrentar um Tenente ou Capitão inimigo que poderia voar, como deveriam proceder?

    Após muito refletirem e debaterem, membros centrais, como Gabriel, Noah e muitos outros, logo desenvolveram a tática de supressão por fogo. Mesmo se o inimigo pudesse voar, tudo que precisavam fazer era obrigá-lo a lutar em terra, ou arriscar sua vida enfrentando ataques de todos os lados em pleno ar.

    Era um método relativamente ousado, pois perderiam grande parte do potencial ofensivo dos arqueiros e magos, mas era a única forma de garantir a vitória contra quem detinha a superioridade aérea.

    Maron, obviamente, notou a intenção por trás das forças inimigas, ficando extremamente surpreso com suas formações e posicionamento.

    Essas pessoas… eles realmente são um Batalhão recém-formado?! perguntou-se, chocado. 

    Se estivesse enfrentando tropas de um General, um Major ou mesmo de um Capitão Nomeado, seria normal terem contramedidas para oponentes como ele próprio, mas esse era meramente um Batalhão que sequer tinha dois meses de existência. Sendo assim, como eles poderiam ser tão bem treinados?

    Apesar das dúvidas em sua mente, o assassino não se acovardou, aproveitando-se do fato do Batalhão Zero não estar totalmente organizado, ativou sua Magia de Luz, com seu corpo começando lentamente a desaparecer em meio a noite escura.

    “Não deixem que ele se camufle!” Alastor gritou, ao perceber o que o sujeito pretendia, quando partiu para cima do mascarado. Mesmo com o risco de ser morto devido à diferença absurda de força, ele era o mais próximo.

    Swish!

    O sujeito de Máscara Branca olhou levemente atordoado pelo ataque inesperado do gigante, quando se jogou para trás, conforme seu corpo ficava translucido. Mesmo que sua Magia de Luz fosse extremamente útil para se tornar quase invisível, ela rapidamente se desfaria uma vez que algo o atingisse, por isso não poderia deixar o sujeito o tocar.

    Ilgner, Noah e os demais também perceberam que algo estava errado.

    “Ataquem!” O Oficial loiro ordenou, com um olhar cheio de violência, quando os Soldados avançaram em uníssono, junto aos Cabos.

    No entanto, antes que qualquer um deles, incluindo Alastor, pudessem alcançá-lo, Maron já havia desaparecido bem na frente de seus olhos. Perdendo a localização do inimigo, então muitos pararam em seus passos, tentando encontrar sua posição.

    No entanto, após apenas alguns segundos, algo interrompeu seus pensamentos.

    “Ah!”

    Um grito estridente soou, quando um Soldado teve seu peito perfurado. O colega, que estava ao seu lado, olhou, completamente chocado pela visão aterradora. Uma rapieira estava o atravessando de um lado ao outro.

    “E-ele está aqui!” O homem gritou, quando varreu com sua espada em direção ao inimigo, mas novamente desapareceu em um instante.

    “Ah!”

    “A-ajuda!”

    Logo uma série de gritos incessantes soaram, um após o outro, quando os Soldados estavam sendo mortos em rápida sucessão.

    Ilgner, Noah e os demais correram em meio às tropas, mas tudo que puderam ver eram os resquícios do sujeito, que parecia um fantasma, piscando por entre os Soldados.

    Merda, esse fodido! Ilgner reclamou internamente, ao ver seus homens morrendo sem poder fazer nada.

    Maron correu por entre as tropas, confiante em sua camuflagem de Magia de Luz. Vendo Ilgner e outros Oficiais se misturando na multidão, enquanto o perseguiam, ele apenas bufou, achando suas tentativas pífias. Enquanto passava pelas tropas sem impedimento, ocasionalmente criando falsas imagens dele mesmo feitas de luz, que rapidamente eram atacadas pelos Soldados.

    Eu deveria primeiro acabar com ele? perguntou-se, enquanto olhava em um primeiro momento para Ilgner, o aparente Comandante, porém logo mudou seu foco, quando finalmente seu olhar repousou sobre Alastor. Não, esse é prioridade.

    Ele não sabia por que ou como, mas o sujeito gigante parecia conseguir senti-lo levemente, mesmo que não soubesse sua exata posição, continuava insistentemente vindo em sua direção-geral, guiando os mais fortes do Batalhão para segui-lo. Era quase como se pudesse rastreá-lo de alguma forma.

    Além disso, o homem alto, de cabelos negros, também havia se defendido de vários de seus ataques surpresa. Não importa o que, ele precisava tirá-lo primeiro de jogada para conseguir causar ainda mais danos ao Batalhão Zero sem correr riscos adicionais.

    Logo Maron moveu o pulso, quando quatro imagens semelhantes a ele surgiram, correndo em direções diferentes.

    “Por aqui!”

    “Não, por aqui!”

    “Do que vocês estão falando? Ele está aqui!”

    Gritos soaram um após o outro, quando os Soldados corriam de um lado ao outro, desesperados. Enquanto os Arqueiros na retaguarda apenas observavam aquela cena com confusão, sem saber o que estava acontecendo.

    Ilgner, que havia se emaranhado em meio aos Soldados seguindo a uma certa distância de Alastor, franziu a testa.

    Esse desgraçado, ele está brincando conosco?! pensou, ao ver o quão escorregadio o assassino era. No entanto, mesmo com esse sendo o caso, o bárbaro loiro manteve a calma, parecendo confiante em virar o jogo.

    Lentamente, Maron atravessou por entre as formações dos Soldados. Seus passos, apesar de não tão rápidos, continham extrema agilidade, desviando com facilidade de cada um, salteando de um ponto ao outro. Mesmo passando bem ao lado deles, nenhum dos membros do Batalhão Zero parecia senti-lo ou sequer ouvi-lo, era quase como se ele fosse um verdadeiro fantasma.

    No entanto, mesmo que essa camuflagem de Luz fosse extremamente efetiva, não era totalmente perfeita, mesmo que ele pudesse se esconder dos olhos, o mesmo não poderia ser dito de seu mana.

    Um único par de olhos prateados o observava friamente a partir da escuridão, seu mana emitido era como um farol em meio à noite escura.

    Enquanto o sujeito ia de um lado ao outro, passando pelos Soldados com facilidade, como se estivesse em meio a uma dança, uma sombra o seguia sorrateiramente, aproximando-se lentamente.

    Em poucos instantes o Máscara Branca estava próximo a Alastor, que parecia ter desistido de persegui-lo, então parou seus passos, olhando de um lado ao outro, com desconfiança, sem imaginar que o assassino estava logo atrás dele.

    Logo os olhos sob a máscara de Maron ficaram frios, quando apertou sua rapieira com firmeza, empurrando-a para frente, visando o pescoço do sujeito gigante, num ataque fatal.

    Swish! Perfura!

    Uma lâmina afiada atravessou algo, quando sangue respingou.

    O-o que é isso? Maron perguntou-se, completamente espantado, quando olhou para seu próprio peito, onde uma lâmina havia o atravessado, enquanto a sua própria havia parado a meio caminho, a menos de meio metro de Alastor.

    O sangue escorreu pela ponta da espada desconhecida. Antes que Maron pudesse processar corretamente a dor, uma voz feminina sussurrou em seu ouvido, tão gelada quanto o aço frio em seu peito.

    “Você parece estar perdido, senhor mascarado. Talvez eu possa ajudá-lo a encontrar a saída.” A voz era levemente sedutora, mas tingida de um misto de zombaria. No entanto, logo a mesma mudou de entonação, tornando-se muito mais gelada. “Realmente acreditou que viria buscar a vida de meu senhor e sairia com vida? Você está no território do Batalhão Zero!”

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