Capítulo 25: A Tempestade do Julgamento
‼️AVISO: Boa noite a todos os leitores de [O que eu deixei para trás?].Venho explicar o motivo de este capítulo estar sendo lançado no sábado, dia 03/01/26, e não na segunda-feira, dia 05/01/26, como de costume.
Infelizmente, estou enfrentando problemas com a minha internet em casa e, por esse motivo, ela será cortada por alguns dias. Acredito que ainda estarei sem conexão na segunda-feira e, por isso, decidi adiantar o capítulo 24.
Tenham um bom dia e um ótimo final de semana! Fiquem com o capítulo abaixo, boa leitura!
Kael se levantou, empurrando pedaços de pedra e terra para longe do corpo. Nenhum machucado aparente. Apenas sua camisa social, que estava rasgada e coberta de sujeira.
Ele levou a mão ao pescoço, estalando-o para o lado.
— Certo… — disse com um sorriso confiante no rosto. — Acho que estou começando a entender como funciona.
De seus olhos, faíscas azuis saíam, como se já estivessem contidas ali há muito tempo.
— Agora sim… vamos começar a brincadeira, Seprus.
De trás de Kael, emergindo das sombras que habitavam o chão, uma silhueta humanoide tomava forma.
Envolta por uma segunda pele de sombras líquidas, a figura foi se revelando lentamente à medida que a escuridão escorria como água da superfície de sua pele.
— Lila… Faça um relatório rápido sobre o resgate de Emi e a situação em que Zara e Arin estão. — ordenou Kael, ainda atento à frente, como se esperasse outro ataque de Sethros a qualquer momento.
— Certo. — respondeu Lila, seus olhos varrendo os destroços ao redor. — A missão de resgate foi um sucesso.
— Entendo. Que bom que Emi realmente estava ali. — disse Kael, suspirando de alívio. — Continue.
— Ao chegarmos no décimo segundo andar do Esqueletão, encontramos Emi logo na primeira sala. Estava desacordada, acorrentada com uma liga metálica idêntica à usada na cela de Louie, no antigo prédio abandonado. — Lila falava com calma. — Mira cuidou dos ferimentos dela. Mesmo estando inconsciente, ela está estável, então Jax e Mira a levaram para a base dos Vigilantes em Áurea.
— Perfeito. — murmurou Kael, agora se virando levemente para Lila.
Mas, antes que ela pudesse sequer perceber o movimento de Kael, uma lâmina dourada surgiu atrás dela.
E então, o mundo congelou para Lila.
Seu corpo se recusou a mover. Nem um músculo seu queria reagir naquele momento.
Lila, uma das pessoas mais fortes de Áurea, ficou completamente paralisada frente ao movimento da lâmina que vinha de suas costas.
Era como se não fosse dona do próprio corpo…
Tudo que sentia era seu coração acelerando, com medo de algo que nem mesmo sabia o que era.
O ataque de Sethros havia surgido muito abruptamente, porém, mais que isso, seus sentidos congelaram por completo antes mesmo do movimento.
Completamente indefesa.
Naquele instante, Lila era como uma presa diante de um gigantesco predador.
Mas Kael reagiu antes que até sua própria sombra notasse ser abandonada.
Antes que o clarão dourado da lâmina de Sethros pudesse sequer projetar sua luz, Kael já estava lá.
Seu corpo atravessou aquela curta distância de forma tão rápida que o próprio tempo se sentiu atrasado naquele momento, atravessando o ar antes mesmo de perceber ser atravessado.
Foi uma velocidade além do raio.
Além do som.
Além da própria luz…
A espada de Sethros, que descia veloz rumo a Lila, foi interrompida por uma luva psíquica condensada na palma de Kael, faíscas roxas saltitavam ao redor.
A energia roxa vibrava contra o dourado incandescente da lâmina de Sethros.
Lila girou os olhos rapidamente, porém, atrasada por causa daquele sentimento estranho.
Mas, ao se virar, viu Kael, agora de frente para Sethros, sua mão envolta em defesa mental segurando firmemente a espada.
Atrasado? Sim… mas, naquele instante, o choque finalmente chegou na cena.
O impacto foi brutal, o vento à volta explodiu em uma onda violenta, que jogou os estilhaços e ruínas para longe.
O coração de Lila batia ainda mais rápido, ela mal conseguia se mover, seu corpo inteiro sentia uma espécie de medo sem tamanho frente ao encontro daqueles dois monstros à sua frente.
Sua mente esvaziava completamente, como se sofresse um apagão por completo…
— Li… — uma estranha, mas familiar voz abafada ecoava ao fundo de sua mente.
Sua cabeça girava, como se sua energia tivesse sido completamente esgotada.
— Lila… — a estranha voz insistia em tentar ser ouvida, porém ainda baixa demais para sobrepor o medo que sentia naquele momento.
Seu corpo tremia sem parar, seu pulmão estava pesado, como se o próprio ar pesasse toneladas, sua visão era como uma tela preta, consumindo qualquer mínimo resquício de luz.
Mas, fazendo Lila ir contra o próprio instinto, e quebrando tudo que ela sentia naquele instante, um grito quase desesperado traz ela de volta para si.
— LILA! ACORDA! — disse Kael com firmeza, os olhos ainda fixos em Sethros, enquanto segurava sua espada. — Não temos tempo pra perder! Vá ajudar Arin e Zara logo!
Seu corpo ainda hesitava por um segundo, não apenas pelo medo, mas pela estranha situação em que se encontrava momentos antes.
— “Que… merda foi essa? Não é como se eu não tivesse capacidade pra reagir a aquele ataque desse homem… eu só… eu só não conseguia controlar meu corpo.” — A mente de Lila estava a milhão, diversas possibilidades, porém nenhuma resposta clara. — “Bom, não adianta pensar nisso, e o Kael com certeza percebeu algo estranho também… agora, eu tenho que focar em ir de encontro com Arin e Zara rapidamente!”
Assim, ela assentiu em silêncio à ordem de Kael, desaparecendo novamente entre as sombras sem dizer uma única palavra.
— Pensei que tinha chamado reforços pra te ajudar! — zombou Sethros, o rosto mostrando um sorriso macabro enquanto ainda forçava a lâmina contra a mão de Kael.
— Como se eu precisasse… pra lidar com um inseto como você. — rebateu Kael com um sorriso irônico. — Cala a boca e cai pra dentro logo… Seprus!
— Pera aí, como assim Sepr-
Então, cortando a fala de Sethros, Kael executa um giro perfeito, torcendo seu corpo para o lado oposto ao de Sethros, ainda segurando a lâmina dele em seu escudo mental.
O movimento se transformou em um furacão ambulante, com Kael, em um único e rápido gesto, lançando Sethros para longe com uma força brutal.
O corpo do inimigo foi disparado como um meteoro, tão rápido que o ar ao redor explodiu com um estrondo alto. Uma onda de choque varreu as ruas, fazendo o chão tremer e os prédios próximos cederem com o impacto.
Sethros girava no ar como um bumerangue, deixando para trás um rastro flamejante, como se o próprio ar estivesse queimando em volta dele. Era como ver um cometa cortando o céu noturno.
O impacto foi violento.
Arremessado por Kael a quase dois quilômetros dali, o corpo de Sethros atingiu um quarteirão inteiro, que desapareceu do mapa no exato momento da colisão.
E ali, Porto Alegre ganhava mais uma cicatriz: uma enorme cratera com mais de cem metros de diâmetro se abria ao redor do local onde ocorreu o choque.
Por um instante, tudo ficou em silêncio. Um silêncio sufocante, causado pela poeira suspensa no ar, que se erguia ao longo do rastro de destruição, estendido por mais de um quilômetro até a cratera.
E mesmo com tudo isso, Kael permaneceu firme no início do caminho de ruínas.
— “Merda! Eu devia ter pegado mais leve na força… isso vai ser um saco de cuidar depois…” — pensou, olhando para o rastro à sua frente. — “Melhor ativar agora… preciso conter o máximo de danos aqui, caso contrário vidas inocentes vão estar em jogo…”
Kael então ergueu o braço direito, estendendo a palma aberta para frente.
Faíscas roxas saltitaram entre seus dedos, formando assim uma pequena esfera reluzente.
Vários prédios atrás dele estavam desmoronados e cortados, na sua frente, um gigantesco caminho de destruição deixado por Sethros se estendia ao longe…
— “Evacuaram tudo em um raio de dez quilômetros ao redor do Esqueletão… vou formar a Neurotempestade a partir da localização do Esqueletão.” — um sorriso levemente preocupado surge em sua boca — “Eu queria minimizar o máximo de dano tanto dentro quanto fora do perímetro, mas duvido que eu consiga evitar muitos estragos… vou focar em proteger tudo fora da área segura então.”
Enfim, com seus olhos brilhando em dourado e seu braço revestido por faíscas roxas, a pequena esfera em sua mão brilhou intensamente.
E então, a partir da palma de Kael, um enorme raio roxo foi em direção ao céu, na posição exata das atuais ruínas do Esqueletão.
A partir da ponta desse raio, uma gigantesca cúpula eletromagnética expandiu-se rapidamente, cobrindo toda a área evacuada da zona norte de Porto Alegre.
♦ Neurotempestade
[Raio (EF) + Escudo Mental (Psí)]
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› Permite que Kael manifeste um campo eletromagnético roxo de resistência absurda, capaz de suportar explosões de energia Kaelum colossal, detonações termonucleares de rendimento massivo e distúrbios dimensionais desde sua ativação. A barreira pode cobrir grandes áreas ou ser concentrada em pontos específicos. Quanto mais tempo permanece ativa, mais forte e densa se torna, entrando em ressonância progressiva. Porém, quanto maior sua extensão, menor sua resistência, enquanto a concentração extrema torna o escudo quase impenetrável, capaz de absorver, dissipar ou refletir energia. ‹
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Kael observou com um olhar calmo o campo se solidificar ao redor de todo o perímetro, sua camisa social antes branca e inteira, agora em trapos cheios de rasgos e sujeira.
— Bom, agora com a Neurotempestade ativa, posso lutar um pouco mais tranquilo pelo menos. — murmurou, caminhando em direção ao local onde arremessou Sethros. — “Não a ativei antes só pra garantir que Jax, Mira e Emi não fossem impedidos por ela.”
Logo após a ativação da Neurotempestade, uma figura emergiu do longo rastro de destruição, andando com desleixo, como se estivesse em um passeio no parque.
Era Sethros. Estava completamente ileso, sem um único arranhão no corpo. No entanto, em seu rosto não havia aquele irritante sorriso debochado, a expressão que demonstrava era outra… parecia até mesmo… irritação.
Kael caminhava na direção dele, passos firmes, olhos atentos.
— Não acha covardia atacar uma dama pelas costas, não? Seprus…
— Meu nome… — murmurou Sethros, tão baixo que Kael mal conseguiu ouvir seu sussurro.
— O quê? — retrucou Kael, rapidamente.
— O meu nome… — repetiu Sethros, um pouco mais alto, porém, ainda assim baixo demais para ser entendido.
— Seprus, vamos combinar uma coisa? Que tal tu falar alto, caso queira mesmo ser ouvido, hein?
— A PORRA DO MEU NOME NÃO É SEPRUS! — Então, como a explosão de uma bomba após o prelúdio, o grito de Sethros ecoou por diversos quarteirões.
— Que? Que merda tu tá falando? — respondeu Kael, com uma voz debochada.
— O. Meu. Nome. É. SETHROS! — berrou, seus olhos fervendo de raiva. — Entendeu ou quer que eu desenhe pra porra do teu cérebro fudido processar?!
— Acho que vou aceitar o desenho. — devolveu Kael, se fazendo de burro.
— Certo, certo, certo… como não tenho tinta… espero que não veja problema em eu usar o teu sangue pra desenhar! — respondeu Sethros, sacando sua espada imediatamente.
— Olha que corajoso… vem e tenta a sorte… Seprus! — gritou Kael, seu punho já imbuído em raios.
Então, em um instante, Sethros desaparece por completo da visão de Kael, deixando apenas o ar trêmulo para trás.
No mesmo momento, ele surge brandindo a espada acima da cabeça de Kael, que rapidamente contra-ataca o golpe com um soco imbuído em raios.
No instante em que os ataques colidem, a posição de ambos muda. Agora Sethros estava abaixado à frente de Kael, lançando um corte de baixo para cima contra o comandante, que, por poucos milímetros, consegue desviar, recuando o tronco para trás.
E assim se iniciou uma sequência de movimentos tão rápidos que nem mesmo a luz conseguia acompanhar. Sethros teletransportava Kael e a si mesmo a cada movimento, e o comandante apenas conseguia se defender diante de tantos golpes vindos de diferentes ângulos.
Foi então que, no momento em que Sethros se teletransportou para sua frente tentando perfurá-lo com uma estocada rápida, o ataque foi impedido por uma bolha dourada de tempo, envolta por correntes que abrigavam ampulhetas penduradas.
— Que?! — falou Sethros rapidamente, olhando surpreso para a bolha.
Mas, antes que entendesse a situação, um gancho de Kael imbuído em raios acertava em cheio seu queixo, arremessando-o para trás de forma violenta.
Sethros cravou a espada no chão a poucos metros de Kael, impedindo que fosse lançado ainda mais longe.
— HAHAHAHAHA, é verdade… como tu não tinha usado isso até agora, eu até tinha esquecido que tu era conhecido principalmente pelo controle do tempo! — disse Sethros, enquanto passava o punho pelos lábios, limpando um fio de sangue que escorria de sua boca. — Que truquezinho mais divertido!
— Já eu não posso dizer o mesmo de ti, não é mesmo, Sethros? — disse Kael, com um sorriso confiante no rosto e o corpo aparentemente intocado. — Os teus truques meia-boca já acabaram?
— Do que tu tá falando? — um pequeno sorriso surgia no rosto de Sethros, ainda manchado de vermelho pelo sangue. — Por que tu não olha pra si mesmo antes de falar merda?
Então, diversos pequenos cortes surgiam por todo o corpo de Kael, tão atrasados que era como se o próprio tempo tivesse se esquecido deles…
— “O-que…? Eu tenho certeza de que desviei de todos os golpes dele. Então como?” — a expressão de Kael agora demonstrava uma surpresa imensa. — “Todos os cortes são superficiais, não vão me prejudicar em nada por hora… mas, se eu não entender como isso aconteceu, vou entrar em sérios problemas ao decorrer da luta…”
— ISSO! Essa expressão é bem mais divertida! — o rosto de Sethros demonstrava um prazer tenebroso. — Então… vamos voltar pra brincadeira?
— Entendi… — murmurou Kael, baixo. — Mas, antes disso, eu gostaria de falar de algo.
— Quê? — a expressão de Sethros pareceu desapontada. — O que é tão importante assim pra interromper a nossa diversão?
— Eu… já entendi teus poderes.
Sethros rapidamente mudou sua expressão, agora curioso com o que Kael tinha a dizer.
— É mesmo? Eu duvido muito disso… — disse Sethros, soltando uma risada baixa.
Kael parou completamente, ignorando o comentário.
— Primeiro: o que se teletransporta não é você, mas a sua espada. Ela desconstrói a matéria que toca e a reconstrói em outro ponto, desde que você consiga ver o destino para onde quer ir, ou utilize algum tipo de sistema de carregamento para mover alvos a distâncias maiores e fora do seu campo de visão.
— Olha que interessante… não é que você entendeu mesmo…
— Isso explica o porquê de você não ter fugido de Porto Alegre, mas ainda assim ter conseguido me trazer do Esqueletão pra cá, mesmo sem estar no seu campo de visão…
— É…
— Ou isso, ou você é burro o suficiente pra achar que Áurea, a maior cidade Kaelum independente do mundo, não rastrearia sua localização.
— “De certa forma, um pouco dos dois…” — pensou Sethros, ligeiramente ofendido. — “Mas principalmente porque eu queria me divertir mesmo.”
— Esse teu poder é um truque bem perigoso. Ele depende da sua visão para ser instantâneo, caso não esteja no alcance dela, exige tempo de carregamento e é influenciado pela massa do que será movido.
Acho que, se eu fosse classificar esse poder, seria um Elemento Atômico. Estou certo? — Kael levou a mão ao queixo, como se analisasse um enigma. — Porém… eu ainda não consegui entender esses pequenos cortes que tu conseguiu me causar.
Sethros sorriu. Mas, dessa vez, havia algo diferente em seus olhos, algo completamente oposto a tudo que havia demonstrado até então. O que se via no rosto de Sethros naquele momento… era respeito.
— Realmente… você é tão inteligente quanto ele disse.
Kael arregalou os olhos.
— Ele quem?
Sethros o encarou fixamente com seus olhos rosa brilhantes. Os cabelos roxos, com a fina camada branca sobre eles, permaneciam estranhamente arrumados.
— Mas… você errou uma pequena coisa, Kael.
— O quê?
— Esse poder… pertence a outro. — disse Sethros. — Eu só uso uma versão copiada. Um reflexo imperfeito de um poder muito além da irrelevante existência humana.
— Espera… como assim uma cópia? — questionou Kael, novamente surpreso.
— Porém, fiquei realmente impressionado com a tua dedução. Então, como um pequeno presente pra ti, vou explicar como te cortei… — disse Sethros, ignorando a pergunta de Kael.
— “É sério que ele vai fazer isso mesmo? Ou ele é excessivamente confiante… ou burro.” — pensou Kael, sem entender por que Sethros expunha uma carta na manga daquela forma.
— É bem simples, na verdade… eu manipulo a minha espada da justiça em nível molecular — disse Sethros, com um enorme sorriso no rosto.
— “Em nível molecular?! Espera… isso faz sentido agora!”
★ Espada da Justiça
(Místico, legado de Samael: A Justiça Caída)
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»Variação I: Espada de energia dourada sólida capaz de desconstruir e reconstruir alvos em nível atômico dentro do campo de visão, sem limitação de massa. Retorno automático e ativação à distância.«
»Variação II: Reconstruções fora do campo de visão exigem visualização mental e tempo de carregamento proporcional à massa e à distância que será atravessada. A ativação ocorre no toque.«
»Variação III: Controle molecular da espada, permitindo alteração de forma e separá-la livremente. Fragmentação excessiva reduz o controle individual.«
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— “Então o poder dele é do tipo Místico…” — pensou Kael, estreitando os olhos. — “E os cortes que eu recebi vieram de pequenos fragmentos da espada, controlados individualmente.”
— Certo. — Kael respirou fundo, faíscas azuis saltitavam ao redor de seu corpo. — Agora eu vou com tudo… Seprus.
— Tu vai continuar com essa merda de piada? — retrucou o apóstolo, com uma pitada de irritação. — Vamos ver por quanto tempo tu vai conseguir continuar com essas brincadeiras.
A espada dourada reapareceu na mão de Sethros, brilhando intensamente.
Ambos se encararam por um instante.
E então, como em uma largada de corrida, dispararam.
Tão velozes que até suas sombras ficaram para trás, incapazes de entender o que havia acabado de acontecer.
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CURIOSIDADE 9:
Sethros, por algum motivo ainda desconhecido até mesmo por ele, possui um apego profundo ao próprio nome. Não se trata apenas de orgulho ou vaidade, mas de algo mais íntimo, possivelmente ligado a fragmentos de seu passado triste e distorcido, que ainda não vieram à tona.
Por essa razão, quando Kael o chama de Seprus e insiste no erro, ainda que para nós isso pareça irrelevante, para Sethros não é apenas isso. O nome errado funciona como um gatilho, rompendo o vínculo que ele mantém com sua identidade e com o próprio passado, o que explica o surto de raiva intenso e desproporcional à situação.
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FRAGMENTO HISTÓRICO 8:
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⟬ ARQUIVO DE ESTÁGIO 1 — Nº 006 ⟭
Diário pessoal — Observações
Autor: Marek Aurellum — Ano XL após a morte de Cristo.
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(Documento confidencial. Extraído dos registros centrais da OPKM.)
Originalmente compilado por Marek Aurellum no quadragésimo ano após a morte de Cristo, como parte da obra “Crônica de Um Poder que Não Compreendo”.
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Ok. Há, de fato, algo estranho acontecendo.
Como eu havia relatado anteriormente, acompanhei Lucanus até a suposta cachoeira onde ele afirmava ter visto, com os próprios olhos, o chamado “Homem Ciclone”. Confesso que não depositava grande confiança nessa informação. É difícil conceber que um ser humano possua tais capacidades e, mais ainda, que alguém assim consiga permanecer oculto por tanto tempo sem jamais despertar atenção pública.
Contudo, ao nos aproximarmos da cascata mencionada, fomos conduzidos por uma trilha incomum: árvores derrubadas com cortes perfeitamente limpos. Conheço diversos lenhadores e carpinteiros ao longo de minhas viagens, homens experientes e habilidosos, porém nenhum deles seria capaz de produzir tal resultado com tamanha precisão e uniformidade.
Tomado pela dúvida, segui adiante por essa trilha estranha até, enfim, alcançar a tão falada cachoeira. O local correspondia exatamente à descrição de Lucanus: a queda d’água ocultava uma caverna em sua base, e ao redor, numerosas árvores jaziam cortadas, como se tivessem sido separadas por uma lâmina invisível.
Na tentativa de obter respostas mais concretas, seguirei agora em direção à suposta rota de fuga do homem, conforme relatada por Lucanus, que se ofereceu para me guiar até o ponto exato.
Seja o que for isso, já deixou de ser apenas um boato irrelevante. Pretendo seguir até o fim, custe o que custar, e compreender o segredo por trás do chamado “Homem Ciclone”.
Continuarei registrando tudo ao longo do caminho.
Assinado: Marek Aurellum
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⟬ FIM DO FRAGMENTO ⟭
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