‼️AVISO‼️

    Finalmente entrei de férias! Com isso, vou conseguir acelerar o ritmo por cerca de um mês. Durante esse período, teremos dois capítulos por semana, sempre às segundas e quintas.

    CAPÍTULO ANTERIOR:

    — Q-quê…? — murmurou Arin, um sussurro trêmulo escapando fracamente de seus lábios. — Não, não, não…

    Ela deu um passo em direção à irmã, o coração acelerado, os olhos tremendo.

    — Zara?! Ei, ZARA! Fala comigo!

    Mas o corpo da irmã permanecia imóvel no chão.

    Foi então que Arin sentiu, de novo, uma pressão intensa.

    Virou-se e viu a pequena esfera roxa na mão da menina.

    Girando novamente.

    Maior.

    Mais brilhante.

    E mais perigosa…

    — Não…

    O vórtex surgiu como uma peça revirada do avesso no tabuleiro.

    E, com ele, tudo ao redor voltou a ser puxado com ainda mais força.

    Destroços. A terra. O ar.

    E o corpo de Zara.

    — Não… P-por favor… Não… — repetiu Arin, como um disco quebrado.

    — NÃO! — soltou um grito tão forte que a voz saiu rasgando sua garganta. — Z-ZARA!!!


    Arin congelou.

    O vórtex, o sangue, o silêncio, tudo esmagava sua mente.

    Naquele instante, ela deixou de ser uma das guerreiras mais fortes de Áurea.

    Ela deixou de ser aquele sorriso resplandecente, que ilumina a escuridão de qualquer um.

    Naquele momento… ela voltou para o passado em que mais se condenava.

    Ela voltava a ser a menina frágil e fraca de dez anos atrás.

    Magricela.

    Pálida.

    Impotente.

    Mais uma vez, via aqueles que amava indo embora e não conseguia fazer nada para impedir.

    Assim como foi quando seus pais a abandonaram sem olhar para trás.

    Como quando o homem que a salvara do frio e da tempestade sumiu sem deixar vestígios.

    E então, como um soluço vindo do choro de uma pequena e indefesa criança, as palavras escaparam antes mesmo que ela percebesse.

    — Não… não me deixa… — Suplicou, trêmula, com as lembranças fincando seu peito. — IRMÃ! NÃO ME ABANDONA TAMBÉM!…Por… favor… não me deixa sozinha…

    Seus cabelos ruivos, vivos como chamas, dançavam no vento puxado pelo vórtex.

    Seus olhos, verdes como esmeralda, marejados, buscavam em vão a irmã.

    Suas mãos trêmulas tentavam alcançá-la, mas só agarravam o vazio à sua frente.

    Porém, antes que o colapso engolisse tudo, algo rompeu o caos.

    Das ruínas do chão, um braço feito de sombras emergiu. Rápido e preciso, agarrando o corpo de Zara pelo braço e puxando-a para dentro da escuridão.

    Logo em seguida, outra sombra se abriu sob os pés de Arin e a engoliu por completo.

    Por um instante, o silêncio voltou a dominar o ambiente, com até mesmo a menina de olhos roxos desativando seu poder, após rapidamente perceber a ausência de suas oponentes.

    Ela ficou ali, imóvel, como um programa sem função.

    Nenhum comando vinha. Nenhuma reação era executada.

    Porém, Isso mudou quando um raio roxo atravessou a noite escura, finalizando seu percurso no céu, quilômetros acima da menina de manto lilás.

    Da foz desse raio, uma barreira colossal, brilhando em roxo vívido, começou a se erguer sobre a área evacuada da cidade.

    Como uma cúpula, expandia-se em silêncio por mais de dez quilômetros.

    A menina continuava sem expressão.

    Mas, por um breve instante, seus olhos brilharam com vida.

    A lua, tingida de violeta pela nova barreira, refletia-se em seus olhos, como se ainda existisse um fragmento de humanidade dentro dela.

    Podia ser apenas um único fragmento…

    Uma única prova de que não era um ser sem vontade própria.

    E que, no fundo, talvez ainda não tivesse desistido de lutar.


    A algumas quadras das ruínas do velho Esqueletão, três silhuetas emergiram das sombras silenciosas de um prédio evacuado.

    Eram como fantasmas surgindo do próprio concreto.

    Arin tropeçou, com os sentidos embaralhados ao sair das sombras. A surpresa mal teve tempo de nascer quando seus olhos encontraram Lila ajoelhada, depositando com cuidado o corpo de Zara no chão.

    — I-irmã…! — soluçou Arin, ajoelhando-se em frente ao corpo. — A-a Zara… C-como ela está?!

    Lila encostou o ouvido no peito da irmã, tentando detectar ao menos um pequeno traço de vida.

    Passaram-se segundos, mas, para Arin, pareceram horas.

    Ela então ergueu os olhos.

    — Está viva. — disse, com a voz tensa, mas levemente aliviada. — Pode parar de chorar, Arin.

    Aproximou-se e abraçou a irmã com força.

    Arin chorava como uma criança. Tentava limpar as lágrimas, mas elas vinham sem parar.

    — E-eu… eu achei que ela tinha morrido… — disse, afundando a cabeça ainda mais no abraço. — Eu senti tanto medo…

    — Eu sei, maninha… eu sei. — afirmou Lila, apertando ainda mais o abraço.

    E assim ficaram, por bons e longos segundos.

    O silêncio, quebrado unicamente pelo choro de Arin.

    Até Lila sobrepor aquele som.

    — Escuta, Arin… — Lila afastou-se o bastante para encarar a irmã nos olhos e apoiar a mão em seus ombros. — A Zara precisa chegar até a Mira o quanto antes.

    — M-mas ela estava… sangrando… — choramingou Arin, enquanto esfregava os pulsos nos olhos.

    — Eu sei. E, por isso mesmo, não posso esperar. — Lila respirou fundo. — Mas tem outro problema. Kael ainda está lutando contra Seprus. E acabou de ativar a Neurotempestade.

    — A Neuro…?! — Arin arregalou os olhos.

    — Sim. E, mesmo limitado, ele está segurando os próprios golpes para não destruir nada além da barreira. Mas, se aquela garota aparecer lá para ajudar Seprus… ele não vai aguentar.

    — Então… tu quer que eu…? — a voz de Arin saiu fraca.

    — Sim. — Lila apertou os ombros da irmã com firmeza. — Eu levo Zara. Mas preciso que tu fique e cuide daquela garota.

    Por alguns segundos, Arin travou… mas então seus olhos brilharam novamente.

    — L-Lila… — Arin respondeu, enxugando as lágrimas enquanto falava, os olhos fixos nos belos olhos negros da irmã. — S-Sim! Eu… consigo lidar com ela.

    — Certo… eu sei o quão forte tu é, e tu vai conseguir. — Lila retirou as mãos dos ombros de Arin e soltou um suspiro leve, carregado de orgulho. — Não podemos perder tempo, então… conto contigo para isso, maninha.

    Ela segurou a mão de Arin com firmeza.

    O chão sob os pés de Lila se transformou em sombra líquida, e ela foi engolida por ela.

    Emergindo novamente das sombras, diante da menina de olhos roxos que permanecia imóvel, encarando o céu.

    — Não precisa se conter tanto, maninha! — disse Lila, mergulhando de volta nas sombras, seus cabelos negros amarrados balançando levemente.

    — Pode deixar, irmã! — Arin respondeu, com os olhos brilhando em verde intenso, faíscas saltitando neles como uma pequena tempestade. — Garanta que a Zara fique bem.

    Algo nela mudou.

    Ela não era mais a garotinha indefesa.

    Ela era uma Vigilante.

    E, agora, iria mostrar por que é digna desse posto.

    Lila, por fim, mergulhou nas sombras por completo, levando consigo um leve sorriso nos lábios.

    Desaparecendo totalmente.

    Em menos de um instante, Lila surgiu novamente das sombras, no prédio evacuado a algumas quadras das ruínas do velho Esqueletão.

    Sem hesitar, correu até Zara, ergueu-a com cuidado nos braços e voltou a mergulhar nas sombras.

    Enquanto afundava na escuridão, pensamentos passavam rápidos por sua mente.

    — “Tu consegue, maninha… Sempre foi a mais doce entre nós. Boa demais. Sensível demais. Até nas lutas, tu se segura, com medo de ferir alguém… mesmo quando estamos em risco.” — Lila suspirou, a escuridão subindo até sua cintura. — “Tu entra em pânico ao ver qualquer arranhão em uma de nós. Mas… por trás dessa delicadeza, está o maior poder destrutivo dentre todos os Vigilantes.”

    A escuridão já lhe cobria os ombros.

    — “Tu teme tua força… e, mesmo assim, está no topo. Moldando o campo, ajudando os outros, sempre pensando no todo. Mas agora… agora eu preciso que tu vá além disso.”

    Os olhos de Lila se cerraram, firmes.

    — Mostra do que tu é capaz, Arin.


    Nas ruínas do Esqueletão, travava-se uma batalha silenciosa entre forças opostas: a gravidade e a atmosfera, o peso do afeto contra a beleza da indiferença.

    De um lado, a ânsia de proteger sentimentos tão frágeis quanto vidro; do outro, a frieza implacável de alguém que já não se lembrava dos seus.

    Era a luta entre o que ama e o que não sente, entre quem tenta segurar o mundo e quem lutava para vê-lo ruir.

    E ali, sobre os escombros do antigo Esqueletão, selava-se enfim… o desfecho dessa colisão entre proteção e destruição, passado e presente, memória e vazio.


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    CURIOSIDADE 11:

    Diferente de Kael, que no momento atual já sabe que o nome verdadeiro do apóstolo não é “Seprus”, mas “Sethros”, Arin e Lila ainda acreditam que essa seja sua identidade. Por isso, no diálogo entre as duas, elas continuam se referindo a ele como Seprus.

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    FRAGMENTO HISTÓRICO 11:

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    ⟬ ARQUIVO DE ESTÁGIO 1 — Nº 008

    Diário pessoal — Observações

    Autor: Marek Aurellum — Ano XL após a morte de Cristo.

    (Documento confidencial. Extraído dos registros centrais da OPKM.)

    Originalmente compilado por Marek Aurellum no quadragésimo ano após a morte de Cristo, como parte da obra “Crônica de Um Poder que Não Compreendo”.

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    𐌌 Este foi, sem dúvida, o pior desfecho que poderíamos ter encontrado…

    Assim que identificamos a caverna onde o suposto “Homem Ciclone” possivelmente se encontrava, seguimos imediatamente em sua direção, sem qualquer desvio ou demora.

    A distância era curta, não mais que duas milhas romanas, o que nos permitiu alcançá-la em pouco tempo, mesmo avançando a pé.

    Ao nos posicionarmos diante da entrada, percebemos algo inquietante. As rochas ao redor estavam marcadas por inúmeros cortes e manchas de sangue seco, como cicatrizes não tão antigas, talhadas nas pedras.

    Aquele local não parecia apenas um abrigo, mas sim o palco de um confronto brutal, uma verdadeira zona de guerra travada por forças muito além da nossa compreensão.

    Apesar disso, decidimos adentrar a caverna.

    Sua profundidade impressionava. O interior se estendia para além do alcance de nossos olhos, engolido pela escuridão, como se a própria montanha ocultasse algo em seu ventre.

    A estrutura rochosa aparentava fragilidade, possivelmente consequência do combate que ali ocorrera, mas nossa curiosidade falou mais alto, e seguimos em frente, mesmo cientes do risco.

    Contudo, pouco depois de nos afastarmos da entrada, ouvimos o som seco e abrupto de rochas cedendo.

    A passagem atrás de nós desmoronou.

    Estamos presos no interior da caverna, envoltos por uma escuridão quase absoluta, sem uma rota clara de saída.

    No momento, não sabemos qual decisão tomar.

    Atualizarei este registro assim que definirmos nossos próximos passos.

    Assinado: Marek Aurellum

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    FIM DO FRAGMENTO

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    DECIFRANDO PALAVRAS OU CONCEITOS:

    A milha romana era uma antiga unidade de distância, equivalente a aproximadamente mil e quinhentos metros, usada para medir trajetos percorridos a pé ou em marcha, sobretudo em estradas e expedições.

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