Capítulo 35: Quem... é você?
CAPÍTULO ANTERIOR:
Ao finalmente rever seus filhos, sussurrou, mais para si mesma do que para eles:
— Boa noite… meus amores.
Os olhos dos três se encheram de lágrimas.
Nenhuma palavra foi dita naquele momento.
Até que o silêncio foi finalmente quebrado. Não por palavras, mas por ações.
Louie e Nina dispararam como relâmpagos em direção à mãe, envolvendo-a em um abraço apertado, carregado de amor, saudades e preocupação.
E assim, a noite continuou, entre risos e lágrimas, abraços demorados e a felicidade de ter a família reunida novamente.
Duas horas depois — Na casa de Kael...
Louie estava sentado no extenso sofá branco, olhando fixamente para a televisão de última geração à sua frente, como se buscasse alguma resposta no reflexo da grande tela.
Ao seu lado, deitadas como anjinhas adormecidas, estavam Emi e Nina, dormindo juntas em um abraço apertado.
A respiração das duas era calma, embora escapasse com um leve pesar.
Abafando esse som, passos apressados descendo a escadaria central ecoaram pela casa.
Louie se virou imediatamente, lançando o olhar na direção do homem que descia.
— Louie… não é bom ficar acordado até tarde pra alguém que ainda está na fase de crescimento. Tem algum motivo pra não ter conseguido dormir? — perguntou Kael, com um leve sorriso, equilibrando duas xícaras nas mãos. — Tá com sede?
— Meio hipócrita falar isso estando acordado também. — respondeu Louie, soltando uma risada baixa.
— Mas eu posso. Não tô na fase de crescimento há muito tempo. — Kael riu de volta.
— Vou relevar dessa vez, já que tu se deu ao trabalho de trazer algo pra eu beber. — continuou Louie, olhando para Kael enquanto ele se aproximava. — Mas não é nada muito sério… eu só estava pensando em algumas coisas…
— Posso saber no quê? — perguntou Kael, aproximando-se e estendendo uma das xícaras para ele.
— Claro, não é nada demais… é só que tem tantas coisas que eu não sei. Não só sobre mim, mas sobre a Emi, a Nina… e sobre você também. — disse Louie, levando a xícara aos lábios e tomando um gole. — Hmmm… o que é isso?!
— Café. — respondeu Kael, sorrindo enquanto levava a própria xícara à boca. — É bom, né?
— Muito…
— O antigo Louie, mesmo pequenininho, também era apaixonado por café. Chegava a tomar de madrugada, exatamente como tu tá fazendo agora. — disse Kael, com uma risada leve, abaixando a xícara.
— Kael… parece que você conhecia bem o Louie de antes. Então… posso te perguntar uma coisa? Como eu era?
— Nem tanto quanto você imagina… — respondeu Kael, com o tom um pouco mais sério. — A última vez que te vi antes do incidente… e da tua perda de memória… tu tinha míseros seis anos. Foi antes de você e a Emi, que ainda estava grávida da Nina na época, saírem de Áurea.
— Entendi… — murmurou Louie, mantendo o olhar fixo no café dentro da xícara. — E você sabe por que a minha mãe decidiu sair de Áurea?
Kael sustentou o olhar de Louie por alguns segundos e, com calma, posicionou a xícara que tinha em mãos sobre a pequena mesa à frente do sofá.
— Espera só um segundinho aqui. — disse, levantando-se e caminhando até um armário antigo posicionado ao lado da escadaria.
Ele abriu as gavetas, passando os dedos por diversos retratos guardados ali, cada um carregado de nostalgia.
Depois de alguns instantes, escolheu uma das fotos e voltou em direção ao sofá.
Ao se aproximar, sentou-se novamente e colocou a fotografia sobre o assento, entre os dois.
Louie, curioso com o que Kael havia trazido, inclinou-se levemente e observou a imagem com atenção.
Nela, estava Emi, com o rosto ainda mais jovial, cabelos tom de um amarelo queimado e olhos castanhos. Ao seu lado, havia um menino que não parecia ter mais de cinco anos, de cabelos negros e olhos azuis.
Não havia dúvidas, aquele menino era ele mesmo.
Mas, junto dele e de Emi, havia também um homem de cabelos pretos e olhos tão azuis quanto o próprio céu. Ele sustentava Louie sobre os ombros enquanto exibia um sorriso largo, de orelha a orelha.
— Esse sou eu e minha mãe… — disse Louie, encarando a foto por mais alguns segundos. — Mas… quem é essa outra pessoa aí?
— Esse… é Daltro Kaede. — Kael levou calmamente a mão até o ombro de Louie. — Seu pai, Louie.
— Entendi… mas o que isso tem a ver com minha mãe ter saído de Áurea? E, principalmente, onde ele está agora? — questionou Louie, olhando profundamente nos olhos de Kael.
Kael não respondeu de imediato.
O olhar dele se desviou por um breve instante, recaindo sobre a fotografia ainda deitada sobre o sofá.
Seus dedos se fecharam levemente, quase por reflexo, antes de relaxarem outra vez.
O silêncio se prolongou por um tempo…
…mais tempo do que gostaria.
Louie percebeu.
Havia algo no rosto de Kael que ele não soube identificar o que era.
Não parecia raiva.
Muito menos uma simples tristeza.
Era um amargo que ardia em culpa na língua do Pináculo da Força de Áurea.
Mesmo com dificuldade, Kael inspirou fundo, e então começou:
— Sabe, Louie… tem coisas… — começou Kael, mas a frase morreu no meio do caminho. Ele hesitou por um instante antes de continuar.
Endireitou a postura, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Existem coisas que acontecem com a gente, que não se encaixam como escolhas por vontade.
Fez uma breve pausa.
— Tu ainda tá aprendendo sobre o mundo. Explorando emoções e sensações que, pra ti, foram apagadas.
Kael respirou fundo.
— Por isso, o que eu vou dizer agora pode soar confuso neste momento… mas, com o tempo, tu vai compreender.
Houve um curto silêncio.
— Nós, humanos, vivemos e avançamos pelo caminho que nossos sentimentos abrem. E uma dessas pontes… é o amar.
O olhar dele se tornou mais sério.
— O próprio medo, que tantos fingem não sentir, e o ódio, capaz de te afundar em um abismo sem luz, são frutos sinceros nascidos do amor.
Kael manteve seu olhar fixo em algum ponto vazio à frente, como se aquelas palavras não fossem ditas apenas para Louie.
— Porque amar de verdade é criar um vínculo. E todo vínculo deixa uma parte de nós vulnerável à perda.
Louie apertou levemente os dedos sobre a xícara, sentindo o calor se expandir contra as mãos.
— Às vezes, é dessa ferida que nasce o ódio… a lâmina que te apunhala pelas costas quando menos espera.
Ele então ergueu o olhar, encontrando o de Louie.
— A saída da tua mãe de Áurea não foi por vontade própria.
Uma pausa curta.
— Foi pelos mais sinceros frutos do amor.
Kael ficou em silêncio.
O olhar dele se perdeu por um instante, e a mandíbula se contraiu, como se tivesse ido longe demais.
— E teu pai… — começou, mas a voz falhou no meio da frase.
Ele desviou o olhar, respirando fundo antes de continuar.
— Ele aflorou esses frutos em todos nós. Então, quando o—
Mas, antes que Kael pudesse terminar a frase, uma sombra se materializou ao lado dos dois.
— Kael! — exclamou Lila, ajoelhada em posição de respeito diante dele. — Eu… atrapalhei algo importante, né?
— Não está óbvio? — respondeu Kael, soltando um suspiro.
— Certo. Me desculpe por isso, mas é algo importante.
— Do que se trata? — perguntou Kael, encarando Lila com seriedade.
— É sobre a garota de olhos roxos… — respondeu ela, lançando um olhar sério para Kael e Louie.
O comandante assentiu levemente.
— Entendido. Nos leve até ela.
...Já no Hospital central de Áurea...
— Explique a situação. — disse Kael, caminhando por um corredor branco de hospital, lado a lado com Louie e Lila.
— Eu tinha acabado de sair da reunião com a Aura quando o comunicador tocou. Era a Mira, falando sobre a garota. — respondeu Lila, fazendo uma breve pausa antes de continuar. — Ela disse que a menina finalmente acordou. Está bem, fisicamente falando. Nenhum dano sério, e os ferimentos menores já tinham sido curados por ela.
— Certo, mas então, o que tem de tão especial nisso? — perguntou Kael, olhando para Lila.
— A gente suspeitava que ela estivesse sob o controle do Sethros, e, pelo diagnóstico do médico, realmente havia sinais evidentes de controle mental. Dá pra supor que seja o mesmo tipo de poder que ele usou em você e no Louie. — explicou Lila.
— Então… ela não está do lado deles? — perguntou Louie, curioso.
— Bem, digamos que não dá pra afirmar com toda certeza. — respondeu Lila.
— Como assim? — questionou Kael, apertando os olhos.
— Assim como o Louie, ela não se lembra de nada antes do incidente de três meses atrás. E também não tem nenhuma memória do período em que estava sob o controle de Sethros. — Lila parou em frente à porta de uma das salas do hospital.
— Ela disse que a última coisa de que se lembra é de estar sozinha em uma rua, perdida, e depois acordar aqui. — Ela fez uma pausa e olhou para os dois. — Além disso, o Corpo Kaelum dela também está estranho. O médico supõe que seja algo envolvendo o Reino Mental.
— Reino Mental? — perguntou Louie, curioso.
— Em resumo, o Reino Mental seria como o espaço onde os poderes Kaelum de uma pessoa existem. — explicou Kael, lançando um olhar para Louie enquanto se aproximava da porta. — Mas não é um lugar físico, é mais como um espaço abstrato.
Ele deu um leve suspiro antes de continuar.
— Na verdade, nem a gente entende direito como ele funciona. O conhecimento sobre isso ainda é bem limitado. Afinal, a única pessoa que já acessou esse local foi Daltro Kaede…
Kael soltou um suspiro, passando a mão pelo rosto.
Louie arregalou os olhos, sentindo o coração acelerar e as mãos ficarem trêmulas.
— Esse nome… — murmurou Louie, a voz trêmula — foi o nome que tu chamou daquele cara da foto…
— Sim. — Kael assentiu com calma, mantendo o olhar sério.
Louie apertou os punhos, com a mente confusa.
— Meu pai foi a única pessoa a adentrar esse tal de Reino Mental?!
— Bom… até ontem, sim. — completou Lila, cruzando os braços e lançando um olhar firme para Louie.
— Como assim, “até ontem”? — perguntou, ainda mais confuso.
— O Kael aqui, a princípio, também entrou em contato com o Reino Mental durante sua batalha ontem. — disse Lila, cheia de admiração.
— Isso nem foi registrado oficialmente ainda. — explicou Kael, com o olhar fixo à frente. — Então deixa essa conversa pra mais tarde. Vamos voltar para a explicação.
Louie ficou em silêncio, prestando atenção.
— Esse Reino está ligado diretamente aos poderes Kaelum. Sempre que alguém desperta um poder, o Reino surge junto, funcionando como uma extensão da mente.
Kael fez uma breve pausa, escolhendo bem as palavras.
— É também por isso que ninguém consegue ter mais de três poderes, especialistas acreditam que esse seria o limite que o Reino consegue suportar antes de colapsar.
Louie arregalou os olhos, tentando assimilar a informação.
Kael então continuou, em tom mais calmo:
— Além disso, o Reino Mental não se forma somente com base nos poderes da pessoa, mas também em quem ela é, na mente dela, nos sentimentos, nas experiências que viveu. Isso torna cada Reino único e ainda mais complexo.
— Acessar o Reino Mental traz consigo uma força sem precedentes. Porém, era um feito que até então só tinha um exemplar alcançado. Justamente por isso se sabe tão pouco sobre ele.
Ele terminou, cruzando os braços.
— Deu pra entender?
— Isso é muita coisa pra assimilar… entendi nadinha. — respondeu Louie, completamente confuso.
— Aaah, deixar pra lá… explicar isso pra um cachorro seria mais fácil. — resmungou Kael, já sem paciência.
— Ei! Se vai falar mal de mim, que seja pelas costas, pelo menos! — retrucou Louie. — O que os olhos não veem, o coração não sente!
— Mas eu falei… então você não viu, e sim ouviu. — rebateu Kael.
— Eeee… dá na mesma! — resmungou Louie, irritado.
Lila caiu na gargalhada, completamente desarmada pela cena.
— Hahaha! Tu lembra muito teu pai mesmo… Mas vamos deixar isso de lado por agora e focar? Viemos ver a garota, lembram?
— Você está certa. — Disse Kael, levando a mão à maçaneta. — Me distraí com a burrice do Louie.
— Eu ainda tô aqui, sabia? — murmurou Louie, visivelmente ofendido. — Pior professor do mundo…
— Hein? Não ouvi direito. — Kael arqueou uma sobrancelha. — Quer repetir… ou prefere pagar algumas flexões?
— Nada, não… só abre essa porta logo. — respondeu Louie, revirando os olhos.
Kael girou a maçaneta devagar e empurrou a porta, que se abriu com um leve rangido.
A garota estava sentada na beira da cama. Seus cabelos escuros caíam de forma desalinhada sobre os ombros, e os olhos violetas fixavam o chão, distantes, apagados, perdidos… mergulhados em um lugar onde ninguém mais podia alcançar.
Quando notou a presença deles, ela levantou o olhar com lentidão, como se o simples ato exigisse um esforço imenso.
Louie parou no mesmo instante, congelado. Um arrepio subiu por sua espinha, deixando corpo e mente em alerta.
Os olhos da garota encontraram os dele, e, por um instante breve, mas intenso, o mundo pareceu cessar seu giro.
Então ela sussurrou, baixo, mais para si mesma do que para qualquer outro:
— …Você…
O clima pareceu pesar. Todos na sala ficaram em completo silêncio.
Os olhos de Louie tremiam, tomados por uma estranha confusão. Não era medo. Não era surpresa. Era algo mais profundo, como se uma lembrança que não existisse tentasse se manifestar.
Era a mesma sensação da primeira vez que a viu. Não… era ainda maior do que aquela vez em que avistou a figura misteriosa de manto roxo correndo entre os prédios de Áurea.
A garota piscou, sem desviar o olhar.
— Eu… conheço você…
As palavras saíram travadas, mas havia algo a mais nelas. Não eram só uma dúvida, mas um eco de algo que ficou para trás. Um laço, um vínculo, uma história que talvez nem Louie nem a menina tenham vivenciado, mas que, de alguma forma, existiu.
A garganta de Louie se trancou. Seu coração martelava forte no peito.
Ele também sentia aquilo, aquela conexão sem explicação, como se percebesse a existência de algo que não existe.
De algo que ele perdeu…
…ou talvez nem tenha vivido.
Mesmo com a mente girando e as emoções embaralhadas, escapou de seus lábios uma simples, quase infantil, mas carregada de sinceridade pergunta.
— Quem… é você?
⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟EXTRA⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟
↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓
CURIOSIDADE 14:
A fala de Kael neste capítulo:
“O próprio medo, que tantos fingem não sentir, e o ódio, capaz de te afundar em um abismo sem luz, são frutos sinceros nascidos do amor.”
dialoga com a Teoria do Apego, de John Bowlby, que aponta que quanto mais forte é o vínculo afetivo, maior se torna o medo da perda e, quando essa perda acontece, esse medo pode se transformar em raiva ou ódio direcionado a quem é visto como responsável.
↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓
FRAGMENTO HISTÓRICO 13:
❖━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━❖
⟬ ARQUIVO DE ESTÁGIO 1 — Nº 010 ⟭
Diário pessoal — Observações
Autor: Marek Aurellum — Ano XL após a morte de Cristo.
(Documento confidencial. Extraído dos registros centrais da OPKM.)
Originalmente compilado por Marek Aurellum no quadragésimo ano após a morte de Cristo, como parte da obra “Crônica de Um Poder que Não Compreendo”.
❖━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━❖
Avançamos para o fundo da caverna por um período que já não consigo estimar com clareza. A ausência completa de sinais externos tornou impossível qualquer noção precisa do tempo. A escuridão constante e o eco de nossos próprios passos transformaram a caminhada em algo quase hipnótico.
Em meio a esse silêncio pesado, fomos subitamente tomados por um som perturbador.
Gritos.
O som irrompeu pela caverna com violência, reverberando pelas paredes de pedra como um choro contínuo.
Por um breve instante, temi que fossem vozes humanas aprisionadas nas profundezas, clamando por socorro.
Porém, o engano revelou-se logo em seguida.
De fendas no teto, uma multidão de morcegos lançou-se ao ar, agitados pela luz da tocha.
As criaturas passaram por nós em completa desordem, enchendo o espaço com o bater frenético de asas e guinchos agudos.
Instintivamente nos protegemos, enquanto a nuvem escura desaparecia mais adiante na caverna.
Após isso, seguimos em completo silêncio.
Caminhamos por horas. O corpo já não responde como antes. A fome se faz constante, o sono pesa sobre os olhos e o cansaço consome a cada passo.
Lucanus mantém-se de pé por pura obstinação, mas sua respiração está pesada. Quanto a mim, escrever tornou-se um esforço quase insuportável.
A chama da tocha enfraquece a cada instante.
O túnel não demonstra qualquer sinal de término.
Se existe uma saída, temo que ela esteja além de nossas forças.
Eu acho que esse é o fim…
Assinado: Marek Aurellum
❖━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━❖
⟬ FIM DO FRAGMENTO ⟭
❖━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━❖

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.