Índice de Capítulo

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    CAPÍTULO ANTERIOR:

    — Certo… mas isso é algo perigoso até mesmo para você, Kael…

    Ela sustentou o olhar.

    — Por isso, tenho alguém de confiança para te acompanhar. Alguém que você conhece bem também. Ele será o suporte ideal nessa missão.

    Kael estreitou os olhos.

    — Quem?

    Aura não hesitou.

    — Elian. Elian Moreau.


    Os olhos de Kael fixaram-se em Aura, como se estudasse suas palavras.

    — Certo… o poder dele seria muito útil considerando o clima, a quantidade de inimigos e o ambiente da missão. Mas tu acha que ele vai querer voltar à ativa?

    Aura suspirou, abaixando seu olhar.

    — Sendo sincera… talvez, se for um pedido seu… sim.

    — Certo. E tu sabe por onde ele anda?

    Aura desviou seu olhar brevemente.

    — B-bem… você já deve imaginar onde ele está…

    Kael passou a mão pelo pescoço, visivelmente desapontado.

    — É sério que ele não parou com aquele vício ainda?

    — É… na verdade, ele parou sim…

    — Mas, se ele parou de apostar, o que ele tá fazendo lá… — Kael hesitou, interrompendo a própria frase. — …espera, a menos que…

    — Sim…

    Aya, ainda calada frente a conversa dos comandantes, novamente deixa escapar uma pergunta:

    — K-Kael… do que exatamente vocês estão falando?

    O comandante virou de costas, caminhando lentamente.

    — Logo você verá.

    Aya correu para seu lado.

    — Para onde vamos?

    — Para o lugar mais traiçoeiro e inóspito de Áurea… — Kael fechou os olhos por um instante, medindo cada palavra. — No extremo da Zona Norte, na arena onde não existem regras… Hexacúpula.


    Uma hora e meia depois — Extremo Norte de Áurea.

    Kael e Aya estavam sentados no banco da frente de um carro flutuante.

    O comandante dirigia, concentrado na estrada à frente, enquanto Aya apoiava o rosto na mão, perdida no horizonte além da janela.

    Seus dedos dançavam batendo contra o vidro.

    Seu coração batia mais rápido a cada quarteirão silencioso que passavam.

    A cidade, que normalmente vibrava com vida da Zona Central, agora parecia um desolado deserto metálico.

    Velhos prédios altos lançavam sombras compridas sobre a grande avenida quase vazia.

    A cada poucos minutos, um carro passava lentamente, quase fantasma, atravessando as ruas solitárias da Zona Norte.

    O som deles parecia distante e mecânico, como se chorasse pela constante solidão do lugar.

    — Kael… lembro que, quando tu nos ensinou sobre as Zonas de Áurea, falou bem pouco sobre a Zona Norte e a Zona Leste… — disse Aya.

    Ela não tirava os olhos da avenida.

    Sua voz falhava. O abandono ao redor a deixava inquieta.

    Kael manteve ambas as mãos no volante.

    Não desviou os olhos da estrada nem por um segundo.

    — É que… essas duas Zonas são casos “especiais”. É inegável que Áurea é uma cidade admirável. Mas nem mesmo ela escapa de ter seus podres.

    Os olhos de Aya se voltaram rapidamente para Kael.

    O medo e a curiosidade cresciam dentro dela ao ouvir Kael.

    Cada sombra parecia se estender ainda mais.

    Como se a própria Zona Norte os contemplasse com um olhar vazio.

    — E por que são consideradas assim?

    — Bem… a Zona Leste sofre com uma pobreza crônica que já vem sendo passada de geração em geração. Consequência da má administração dos antigos membros da Trion. E do esgoto de Porto Alegre, que causa doenças nos moradores e danos à terra. Já a Zona Norte… é um verdadeiro polo de problemas.

    — Polo… de problemas? — questionou Aya.

    A voz dela saiu mais baixa.

    Kael suspirou brevemente.

    Relaxou o corpo em frente ao volante.

    Mas seus olhos nunca deixaram a estrada.

    — A Zona Norte teve algumas “situações” ao longo das últimas décadas. Isso fez o povo chamá-la de “Terra Amaldiçoada”. Muitos buscavam refúgio, com medo de novas catástrofes. Mas isso é conversa pra outra hora.

    À frente deles, um gigantesco coliseu se erguia.

    Seis cúpulas maciças dominavam o horizonte, cada uma refletindo a luz da cidade com tons metálicos e azulados.

    Elas formavam um formato hexagonal perfeito, dando ao local uma aparência imponente e tecnológica.

    Suas paredes eram altas, feitas de aço e pedra negra, crivadas de fissuras que pareciam contar histórias de batalhas antigas.

    O chão ao redor era amplo e vazio.

    Portões enormes, reforçados com metais brilhantes, fechavam o acesso à arena principal.

    Entre cada cúpula, passarelas suspensas ligavam os pontos mais altos, permitindo observação completa de qualquer combate.

    O clamor da torcida se misturava aos gritos de dor e agonia dos competidores que ecoavam pela arena, escapando do coliseu e quebrando o silêncio dominante no restante da Zona.

    — Agora… nós chegamos em nosso destino.

    Com essas poucas palavras, Kael estacionou o carro em uma das vagas na frente do coliseu.

    Assim, os dois desceram do veículo e seguiram em direção ao grande portão.

    Na entrada, dois guardas, de ternos elegantes e músculos firmes, estavam a postos.

    Quando enfim chegaram à frente dos dois homens, trocaram breves olhares.

    Com uma voz simples, quase como se já tivesse previsto as próximas etapas, Kael perguntou:

    — Quanto?

    Ambos se mantiveram sérios, sem esboçar sequer uma reação.

    — A arquibancada popular é cem por pessoa, a intermediária é quinhentos. Já a VIP, posicionada no topo do domo de sua preferência, é dois mil.

    — Certo… gostaria de duas VIPs.

    — Infelizmente, as apostas já foram encerradas. Só poderão entrar após a finalização desta rodada. — disse o guarda, com a voz tão firme quanto aço.

    Kael suspirou brevemente, levando a mão ao bolso no peito de sua camisa social e retirando de lá um maço de dinheiro.

    — Eu já esperava por isso… vou perguntar de novo. Quanto?

    Os dois homens se entreolharam brevemente, com um sorriso irônico no rosto.

    — Seis mil por pessoa, e eu acho que consigo abrir uma pequena exceção…

    Os olhos de Aya tremeram, percebendo a injustiça nos valores.

    — M-mas isso… o valor normal já é absurdo, e ainda vão triplicar!?

    Kael, em um gesto simples, colocou a mão sobre o ombro de Aya, apenas balançando a cabeça em negação.

    — Aqui tem quinze mil. — disse ele, levando um maço volumoso de dinheiro à frente de um dos homens.

    — Q-que…? Q-quinze mil!? — o sujeito se assustou com a quantidade de dinheiro, levando a mão para agarrá-lo.

    Porém, Kael puxou o bolo de notas de volta antes que o guarda pudesse tocá-lo.

    — Quer ficar com o troco? — perguntou o comandante, com um sorriso firme no rosto.

    O guarda engoliu seco, trocando um olhar rápido com o homem ao seu lado.

    — S-sim…

    — Certo… então você sabe me dizer em que parte da Hexacúpula está Elian Moreau, não sabe?

    O sorriso de ambos desapareceu no mesmo instante.

    O nome ecoou solitário no ar.

    Por um segundo, o som distante da multidão dentro da Hexacúpula pareceu ainda mais alto.

    O homem levou novamente a mão à frente, desta vez segurando o dinheiro.

    — Elian Moreau vai entrar agora — disse, enquanto folheava as notas.

    Aya sentiu seu coração acelerar.

    — Agora…? — murmurou.

    — É a penúltima luta da rodada em duplas atual. — disse o outro guarda, puxando parte do maço e separando algumas notas com o polegar. — A antiga dupla dele teve certos… problemas.

    Ele inclinou levemente a cabeça, contando o dinheiro com calma, antes de guardar uma parte no bolso interno do paletó.

    — Então ele vai lutar sozinho agora, na semifinal.

    O homem fez uma breve pausa, destacando mais algumas notas e dobrando-as com cuidado, claramente distinguindo o valor do ingresso e o do “bônus”.

    — Se sobreviver… — o guarda ajeitou o colarinho do paletó, guardando o restante das notas no bolso interno. — talvez depois vá para algum domo procurar uma nova parceria.

    Ele ergueu o olhar, agora sem qualquer traço de ironia.

    — Para enfrentar os Abutres Carniceiros na final.

    Seus olhos agora sérios observavam Kael de cima a baixo.

    — Antes dessa semifinal que ele lutará agora, não poderão vê-lo.

    Kael manteve o olhar firme.

    Não houve surpresa em seu rosto.

    — Entendo, mas… e o resto? — perguntou Kael.

    — Resto?

    Kael inclinou levemente a cabeça.

    — Quero saber para qual domo exatamente ele vai após a luta.

    Os dois se entreolharam outra vez.

    Agora não havia ironia.

    Havia interesse.

    — Essa informação não estava inclusa no dinheiro bônus que acompanhou o ingresso… — disse o mais alto, ajeitando o terno.

    Kael suspirou, como quem já esperava por aquilo.

    Levou a mão novamente ao bolso interno da camisa social.

    Retirou outro maço.

    — Aqui tem quatro mil.

    Os olhos dos dois homens brilharam.

    Aya arregalou os próprios.

    — K-Kael…

    Ele não a olhou de volta.

    — Quatro mil — repetiu, segurando o dinheiro entre dois dedos. — E vocês me dizem para qual domo ele irá após a batalha.

    O silêncio durou apenas um segundo.

    O suficiente.

    O segurança estendeu a mão, agarrando firme o dinheiro.

    Trazendo para ele e fazendo-as desaparecer sob seu paletó elegante.

    O homem se aproximou meio passo, baixando o tom da voz.

    — Após a luta, ele provavelmente irá ao Domo Três.

    Uma pausa.

    — Área de descanso de combatentes e camarotes restritos. Se ele deseja uma nova dupla para a final, lá é o único lugar que ele pode conseguir uma.

    Os olhos de Kael estreitaram-se levemente.

    Domo Três.

    Uma das cúpulas laterais, conectada por passarelas suspensas diretamente à ala superior da Hexacúpula.

    — Agradeço.

    Kael colocou a mão novamente sobre o ombro de Aya.

    — Vamos assistir à luta.

    Os portões metálicos começaram a se abrir lentamente.

    O guarda lançou duas pulseiras de tom ciano, com a inscrição VIP gravada em suas superfícies metálicas.

    E, quando os portões se abriram, o rugido da multidão avançou como uma onda, devorando o silêncio da Zona Norte.

    Ao seguirem pela grande entrada, passaram por diversas passarelas e entradas, todas vigiadas por guardas e atendentes.

    Assim foi o caminho até a zona VIP do Domo Três.

    Ao chegarem, Aya se espantou com o lugar.

    Era uma área luxuosa, com estofados amplos de couro escuro, mesas de vidro polido, esculturas metálicas que refletiam a luz fria do teto e um bar repleto de bebidas raras dispostas como troféus.

    O chão reluzia sob os passos, abafando qualquer som.

    Mas o luxo terminava ali.

    Porque quem ocupava o ambiente não tinha nada de delicado.

    A maioria eram homens e mulheres de corpos largos e musculosos, braços marcados por cicatrizes antigas, cortes mal curados, queimaduras e ferimentos que contavam histórias só por existir.

    Alguns tinham próteses mecânicas, outros, olhares vazios demais para alguém vivo.

    Porém, todos carregavam algo em comum.

    A mesma expressão mortal.

    Como se já tivessem encarado a morte tantas vezes que aprenderam a cumprimentá-la pelo nome.

    Aya engoliu em seco.

    — Eles não parecem… um público comum.

    Kael manteve os olhos à frente, analisando o ambiente com calma.

    — Porque não são. — respondeu, em tom baixo. — A maioria aí já lutou nessa arena. Ou ainda luta.

    Aya voltou a observar, agora entendendo o peso que preenchia o ar.

    — Ex-campeões. Veteranos. Sobreviventes. — Kael continuou. — Apostadores comuns não entram na zona VIP do Domo Três. E não é por falta de dinheiro ou por ser proibido… mas pelo medo de estar no mesmo ambiente que eles.

    Sem esperar resposta, ele começou a andar

    — Entendi… — ecoou atrasada a voz de Aya, enquanto seu corpo corria brevemente pra chegar ao lado do comandante.

    Eles atravessaram o salão sob olhares avaliativos e seguiram até a ponta da arquibancada envidraçada.

    Dali, a arena de luta se revelava por completo.

    O coliseu vibrava abaixo deles.

    O concreto reforçado estava marcado por sangue seco. Fendas profundas rasgavam o piso, e crateras ainda denunciavam a violência do combate anterior.

    Funcionários limpavam tudo com pressa.

    No centro, um homem ergueu as mãos.

    O chão tremeu.

    Fragmentos de concreto se moveram sozinhos, deslizando de volta às crateras. As fendas se fecharam como cicatrizes se recompondo. Em poucos instantes, o piso voltou a ficar liso, quase impecável.

    — Mas, Kael… eu ainda não sei quem é esse Elian. A ajuda dele é tão importante assim?

    Aya mantinha os olhos na arena, observando algumas pessoas limparem o sangue grudado no concreto e um outro cara usar um poder Kaelum para reconstruir as crateras e danos por toda arena, moldando o concreto.

    — Eu… eu tenho medo de a gente demorar demais e o Louie—

    — Não precisa se preocupar. — Kael não ergueu a voz. Também não desviou os olhos da arena. — Essa organização, por algum motivo que ainda não entendemos, está atrás do Louie. Mas não demonstraram intenção de feri-lo. Muito menos de matar.

    Por um instante, a imagem de Sethros atravessou sua mente. Ele estreitou levemente os olhos.

    Aya respirou fundo antes de continuar.

    — Antes do Louie ser levado… eu tive uma conversa com ele.

    Kael inclinou um pouco a cabeça, atento.

    — Conversa?

    — A gente estava falando sobre a primeira missão que tu ia passar para nós. Eu mencionei aquela cela estranha… que talvez fosse algo envolvendo ela. — ela hesitou. — Mas a reação dele… foi diferente do que eu esperava.

    O barulho distante da torcida ecoava abaixo deles.

    — Diferente como?

    — Ele disse que estava com medo.

    Kael finalmente virou o rosto para ela, surpreso.

    — Medo? O Louie?

    Aya assentiu devagar.

    — Não exatamente medo de lutar contra a Sacrificium Sanguínis. — O nome saiu quase como um sussurro. — Mas sim de se envolver de novo com essa organização… e colocar em risco todos os vínculos que ele criou até agora.

    Kael soltou um suspiro discreto pela boca.

    — Vínculos, é? — Um sorriso nostálgico surgiu em seu rosto, carregado de uma lembrança antiga. — Interessante ouvir isso vindo dele…

    Aya franziu a testa.

    — Como assim?

    — Deixa pra lá. — Ele voltou os olhos para a arena. — Fico feliz que ele pense assim. Isso mostra o quanto amadureceu nesses dois meses.

    Um breve silêncio se instalou entre eles, até ser quebrado por Kael:

    — E é por isso que nós vamos resgatar ele. — O tom ficou mais firme. — Depois disso, eu vou colocar a merda de um rastreador nele. Ele parece um ímã pra sequestro.

    Aya não conseguiu segurar um riso curto.

    — Verdade… — murmurou, aliviando por um segundo a tensão que sentia apertar seu peito.

    O silêncio voltou a dominar.

    Quebrado apenas pela arena que vibrava abaixo deles.

    — Mas pode ter certeza — continuou Kael, a voz mais baixa — o Elian vai ser muito útil no resgate dele. Ele pode estar em um lugar complicado. Com alguns vícios difíceis. Mas, ainda assim, é uma boa pessoa. Só acabou sendo muito afetado por traumas do passado…

    Aya virou o corpo de vez para ele.

    — Passado? O que aconteceu?

    Kael demorou um segundo para responder.

    Como se buscasse no fundo das memórias a mais sombria história.

    — Elian era um militar promissor. Mesmo com apenas vinte anos, já era segundo-tenente de seu batalhão. Por terem se destacado bastante, foram convocados para a Missão de Paz no Haiti, em 2010.

    Os olhos de Aya se arregalaram.

    — Tão novo assim? Ele devia ser muito bom.

    — Ele era.

    A resposta veio rápido.

    Aya apoiou o queixo na palma da mão, curiosa para ouvir o resto da história.

    — Então… como ele veio parar em Áurea?

    Kael apoiou os cotovelos no joelho, entrelaçando os dedos.

    — Em uma dessas missões no Haiti… o batalhão dele foi enviado para conter um experimento estranho de um grupo criminoso. — Ele manteve os olhos fixos na arena. — Mas, infelizmente… a missão foi um fracasso.

    Aya sentiu sua garganta apertar.

    — F-fracasso? Por que?

    — Todo o batalhão morreu. — A voz de Kael não falhou, embora carregasse um peso evidente. — Junto com dezenas de civis.

    O ar pareceu ficar mais pesado.

    — Apenas o Elian sobreviveu…

    — Q-que horrível… mas… o que levou tantas pessoas a morrerem?

    Kael permaneceu em silêncio por um segundo.

    Quando falou, não havia emoção alguma em seu olhar.

    — Quem matou eles… foi o próprio Elian Moreau.

    O coração de Aya disparou.

    — O-o q-que?! Mas por que ele mataria os próprios companheiros—

    Antes que pudesse terminar, o som grave do microfone do apresentador explodiu por toda a Hexacúpula.

    OOOOOOLA HEXACÚPULA! COMO VOCÊS ESTÃO?!

    A multidão rugiu.

    E a arena voltou a exigir atenção.

    E É CLARO… QUE VOCÊS NÃO VIERAM AQUI PARA OUVIR MINHA LINDA VOZ!

    A multidão respondeu com vaias e risadas.

    VOCÊS VIERAM POR SANGUE!

    O rugido foi ensurdecedor.

    As luzes da Hexacúpula diminuíram, convergindo para um dos portões laterais da arena.

    SABENDO DISSO, ELES VIERAM DIRETAMENTE DA ZONA OESTE… OS IRMÃOS QUE TRANSFORMARAM O SUBMUNDO EM UM MATADOURO PARTICULAR…

    Os portões se ergueram com um estrondo metálico.

    A DUPLA QUE É VICE CAMPEÃ A SEGUIDA A MAIS DE QUATRO ANOS...

    Duas silhuetas avançaram juntas.

    Uma alta e larga como um muro.

    A outra ágil, girando duas lâminas curtas nas mãos.

    KRAUSS, O CACHORRO LOUCO!

    Krauss era um amontoado de músculos e cicatrizes.

    A cabeça raspada e o rosto marcado por cortes antigos.

    No peito, uma cicatriz grossa cruzava na diagonal.

    Os braços pareciam couro remendado de tantas batalhas.

    Ele ergueu os braços, absorvendo os gritos da torcida.

    E LYSANDRA, A SERPENTE RUBRA!

    Lysandra tinha o corpo bem definido, porém magro.

    Seus cabelos vermelhos, presos, balançavam como fogo, e seus olhos frios pareciam matar só com o olhar.

    Girava duas lâminas curvas entre os dedos, como extensões naturais das mãos.

    Fez uma breve reverência enquanto sorria.

    O público gritava os nomes em uníssono.

    O apresentador deixou o barulho crescer… e então riu.

    ELES SÃO OS CAÇADORES DA SELVA!!!

    A arena inteira tremeu perante só grito descontrolado da plateia.

    MAAAAS…

    A palavra ecoou alta.

    HOJE… TEMOS UMA PEQUENA MUDANÇA NOS PLANOS!

    Murmúrios se espalharam.

    A voz do narrador surgiu, mais sóbria, cortando a euforia.

    Seu parceiro teve problemas que tornaram impossível sua participação esta noite.

    As telas gigantes exibiram rapidamente uma maca sendo retirada horas antes.

    Entretanto, mesmo sem tempo suficiente para encontrar um substituto para sua dupla… escolheu manter o combate.

    O apresentador voltou, saboreando cada sílaba.

    É ISSO MESMO, HEXACÚPULA…

    As luzes se apagaram quase por completo.

    Restou apenas o foco no portão oposto.

    ELE LUTARÁ SOZINHO!!!

    A multidão explodiu, metade em delírio, a outra em descrença.

    O narrador continuou:

    Ele tem um total de dezenove combates oficiais...

    Uma batida seca ecoou pelo sistema de som.

    DEZENOVE VITÓRIAS...

    Outra batida.

    ZERO DERROTAS...

    O portão começou a se erguer lentamente.

    A luz por trás projetou apenas uma forma escura contra o brilho.

    Imóvel.

    O INVICTO...

    A silhueta deu o primeiro passo.

    Sozinha.

    Contra dois.

    O apresentador então berrou, quase perdendo a própria voz:

    O TEMPESTADE BRANCA...

    A sombra avançou mais um passo, firme.

    O rugido da multidão cresceu, quase histérico.

    E, por fim:

    ELIAN MOREAU!!!

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