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Capítulo 45: Antes da tempestade
CAPÍTULO ANTERIOR:
— Certo… mas isso é algo perigoso até mesmo para você, Kael…
Ela sustentou o olhar.
— Por isso, tenho alguém de confiança para te acompanhar. Alguém que você conhece bem também. Ele será o suporte ideal nessa missão.
Kael estreitou os olhos.
— Quem?
Aura não hesitou.
— Elian. Elian Moreau.
Os olhos de Kael fixaram-se em Aura, como se estudasse suas palavras.
— Certo… o poder dele seria muito útil considerando o clima, a quantidade de inimigos e o ambiente da missão. Mas tu acha que ele vai querer voltar à ativa?
Aura suspirou, abaixando seu olhar.
— Sendo sincera… talvez, se for um pedido seu… sim.
— Certo. E tu sabe por onde ele anda?
Aura desviou seu olhar brevemente.
— B-bem… você já deve imaginar onde ele está…
Kael passou a mão pelo pescoço, visivelmente desapontado.
— É sério que ele não parou com aquele vício ainda?
— É… na verdade, ele parou sim…
— Mas, se ele parou de apostar, o que ele tá fazendo lá… — Kael hesitou, interrompendo a própria frase. — …espera, a menos que…
— Sim…
Aya, ainda calada frente a conversa dos comandantes, novamente deixa escapar uma pergunta:
— K-Kael… do que exatamente vocês estão falando?
O comandante virou de costas, caminhando lentamente.
— Logo você verá.
Aya correu para seu lado.
— Para onde vamos?
— Para o lugar mais traiçoeiro e inóspito de Áurea… — Kael fechou os olhos por um instante, medindo cada palavra. — No extremo da Zona Norte, na arena onde não existem regras… Hexacúpula.
Uma hora e meia depois — Extremo Norte de Áurea.
Kael e Aya estavam sentados no banco da frente de um carro flutuante.
O comandante dirigia, concentrado na estrada à frente, enquanto Aya apoiava o rosto na mão, perdida no horizonte além da janela.
Seus dedos dançavam batendo contra o vidro.
Seu coração batia mais rápido a cada quarteirão silencioso que passavam.
A cidade, que normalmente vibrava com vida da Zona Central, agora parecia um desolado deserto metálico.
Velhos prédios altos lançavam sombras compridas sobre a grande avenida quase vazia.
A cada poucos minutos, um carro passava lentamente, quase fantasma, atravessando as ruas solitárias da Zona Norte.
O som deles parecia distante e mecânico, como se chorasse pela constante solidão do lugar.
— Kael… lembro que, quando tu nos ensinou sobre as Zonas de Áurea, falou bem pouco sobre a Zona Norte e a Zona Leste… — disse Aya.
Ela não tirava os olhos da avenida.
Sua voz falhava. O abandono ao redor a deixava inquieta.
Kael manteve ambas as mãos no volante.
Não desviou os olhos da estrada nem por um segundo.
— É que… essas duas Zonas são casos “especiais”. É inegável que Áurea é uma cidade admirável. Mas nem mesmo ela escapa de ter seus podres.
Os olhos de Aya se voltaram rapidamente para Kael.
O medo e a curiosidade cresciam dentro dela ao ouvir Kael.
Cada sombra parecia se estender ainda mais.
Como se a própria Zona Norte os contemplasse com um olhar vazio.
— E por que são consideradas assim?
— Bem… a Zona Leste sofre com uma pobreza crônica que já vem sendo passada de geração em geração. Consequência da má administração dos antigos membros da Trion. E do esgoto de Porto Alegre, que causa doenças nos moradores e danos à terra. Já a Zona Norte… é um verdadeiro polo de problemas.
— Polo… de problemas? — questionou Aya.
A voz dela saiu mais baixa.
Kael suspirou brevemente.
Relaxou o corpo em frente ao volante.
Mas seus olhos nunca deixaram a estrada.
— A Zona Norte teve algumas “situações” ao longo das últimas décadas. Isso fez o povo chamá-la de “Terra Amaldiçoada”. Muitos buscavam refúgio, com medo de novas catástrofes. Mas isso é conversa pra outra hora.
À frente deles, um gigantesco coliseu se erguia.
Seis cúpulas maciças dominavam o horizonte, cada uma refletindo a luz da cidade com tons metálicos e azulados.
Elas formavam um formato hexagonal perfeito, dando ao local uma aparência imponente e tecnológica.
Suas paredes eram altas, feitas de aço e pedra negra, crivadas de fissuras que pareciam contar histórias de batalhas antigas.
O chão ao redor era amplo e vazio.
Portões enormes, reforçados com metais brilhantes, fechavam o acesso à arena principal.
Entre cada cúpula, passarelas suspensas ligavam os pontos mais altos, permitindo observação completa de qualquer combate.

O clamor da torcida se misturava aos gritos de dor e agonia dos competidores que ecoavam pela arena, escapando do coliseu e quebrando o silêncio dominante no restante da Zona.
— Agora… nós chegamos em nosso destino.
Com essas poucas palavras, Kael estacionou o carro em uma das vagas na frente do coliseu.
Assim, os dois desceram do veículo e seguiram em direção ao grande portão.
Na entrada, dois guardas, de ternos elegantes e músculos firmes, estavam a postos.
Quando enfim chegaram à frente dos dois homens, trocaram breves olhares.
Com uma voz simples, quase como se já tivesse previsto as próximas etapas, Kael perguntou:
— Quanto?
Ambos se mantiveram sérios, sem esboçar sequer uma reação.
— A arquibancada popular é cem por pessoa, a intermediária é quinhentos. Já a VIP, posicionada no topo do domo de sua preferência, é dois mil.
— Certo… gostaria de duas VIPs.
— Infelizmente, as apostas já foram encerradas. Só poderão entrar após a finalização desta rodada. — disse o guarda, com a voz tão firme quanto aço.
Kael suspirou brevemente, levando a mão ao bolso no peito de sua camisa social e retirando de lá um maço de dinheiro.
— Eu já esperava por isso… vou perguntar de novo. Quanto?
Os dois homens se entreolharam brevemente, com um sorriso irônico no rosto.
— Seis mil por pessoa, e eu acho que consigo abrir uma pequena exceção…
Os olhos de Aya tremeram, percebendo a injustiça nos valores.
— M-mas isso… o valor normal já é absurdo, e ainda vão triplicar!?
Kael, em um gesto simples, colocou a mão sobre o ombro de Aya, apenas balançando a cabeça em negação.
— Aqui tem quinze mil. — disse ele, levando um maço volumoso de dinheiro à frente de um dos homens.
— Q-que…? Q-quinze mil!? — o sujeito se assustou com a quantidade de dinheiro, levando a mão para agarrá-lo.
Porém, Kael puxou o bolo de notas de volta antes que o guarda pudesse tocá-lo.
— Quer ficar com o troco? — perguntou o comandante, com um sorriso firme no rosto.
O guarda engoliu seco, trocando um olhar rápido com o homem ao seu lado.
— S-sim…
— Certo… então você sabe me dizer em que parte da Hexacúpula está Elian Moreau, não sabe?
O sorriso de ambos desapareceu no mesmo instante.
O nome ecoou solitário no ar.
Por um segundo, o som distante da multidão dentro da Hexacúpula pareceu ainda mais alto.
O homem levou novamente a mão à frente, desta vez segurando o dinheiro.
— Elian Moreau vai entrar agora — disse, enquanto folheava as notas.
Aya sentiu seu coração acelerar.
— Agora…? — murmurou.
— É a penúltima luta da rodada em duplas atual. — disse o outro guarda, puxando parte do maço e separando algumas notas com o polegar. — A antiga dupla dele teve certos… problemas.
Ele inclinou levemente a cabeça, contando o dinheiro com calma, antes de guardar uma parte no bolso interno do paletó.
— Então ele vai lutar sozinho agora, na semifinal.
O homem fez uma breve pausa, destacando mais algumas notas e dobrando-as com cuidado, claramente distinguindo o valor do ingresso e o do “bônus”.
— Se sobreviver… — o guarda ajeitou o colarinho do paletó, guardando o restante das notas no bolso interno. — talvez depois vá para algum domo procurar uma nova parceria.
Ele ergueu o olhar, agora sem qualquer traço de ironia.
— Para enfrentar os Abutres Carniceiros na final.
Seus olhos agora sérios observavam Kael de cima a baixo.
— Antes dessa semifinal que ele lutará agora, não poderão vê-lo.
Kael manteve o olhar firme.
Não houve surpresa em seu rosto.
— Entendo, mas… e o resto? — perguntou Kael.
— Resto?
Kael inclinou levemente a cabeça.
— Quero saber para qual domo exatamente ele vai após a luta.
Os dois se entreolharam outra vez.
Agora não havia ironia.
Havia interesse.
— Essa informação não estava inclusa no dinheiro bônus que acompanhou o ingresso… — disse o mais alto, ajeitando o terno.
Kael suspirou, como quem já esperava por aquilo.
Levou a mão novamente ao bolso interno da camisa social.
Retirou outro maço.
— Aqui tem quatro mil.
Os olhos dos dois homens brilharam.
Aya arregalou os próprios.
— K-Kael…
Ele não a olhou de volta.
— Quatro mil — repetiu, segurando o dinheiro entre dois dedos. — E vocês me dizem para qual domo ele irá após a batalha.
O silêncio durou apenas um segundo.
O suficiente.
O segurança estendeu a mão, agarrando firme o dinheiro.
Trazendo para ele e fazendo-as desaparecer sob seu paletó elegante.
O homem se aproximou meio passo, baixando o tom da voz.
— Após a luta, ele provavelmente irá ao Domo Três.
Uma pausa.
— Área de descanso de combatentes e camarotes restritos. Se ele deseja uma nova dupla para a final, lá é o único lugar que ele pode conseguir uma.
Os olhos de Kael estreitaram-se levemente.
Domo Três.
Uma das cúpulas laterais, conectada por passarelas suspensas diretamente à ala superior da Hexacúpula.
— Agradeço.
Kael colocou a mão novamente sobre o ombro de Aya.
— Vamos assistir à luta.
Os portões metálicos começaram a se abrir lentamente.
O guarda lançou duas pulseiras de tom ciano, com a inscrição VIP gravada em suas superfícies metálicas.
E, quando os portões se abriram, o rugido da multidão avançou como uma onda, devorando o silêncio da Zona Norte.
Ao seguirem pela grande entrada, passaram por diversas passarelas e entradas, todas vigiadas por guardas e atendentes.
Assim foi o caminho até a zona VIP do Domo Três.
Ao chegarem, Aya se espantou com o lugar.
Era uma área luxuosa, com estofados amplos de couro escuro, mesas de vidro polido, esculturas metálicas que refletiam a luz fria do teto e um bar repleto de bebidas raras dispostas como troféus.
O chão reluzia sob os passos, abafando qualquer som.
Mas o luxo terminava ali.
Porque quem ocupava o ambiente não tinha nada de delicado.
A maioria eram homens e mulheres de corpos largos e musculosos, braços marcados por cicatrizes antigas, cortes mal curados, queimaduras e ferimentos que contavam histórias só por existir.
Alguns tinham próteses mecânicas, outros, olhares vazios demais para alguém vivo.
Porém, todos carregavam algo em comum.
A mesma expressão mortal.
Como se já tivessem encarado a morte tantas vezes que aprenderam a cumprimentá-la pelo nome.
Aya engoliu em seco.
— Eles não parecem… um público comum.
Kael manteve os olhos à frente, analisando o ambiente com calma.
— Porque não são. — respondeu, em tom baixo. — A maioria aí já lutou nessa arena. Ou ainda luta.
Aya voltou a observar, agora entendendo o peso que preenchia o ar.
— Ex-campeões. Veteranos. Sobreviventes. — Kael continuou. — Apostadores comuns não entram na zona VIP do Domo Três. E não é por falta de dinheiro ou por ser proibido… mas pelo medo de estar no mesmo ambiente que eles.
Sem esperar resposta, ele começou a andar
— Entendi… — ecoou atrasada a voz de Aya, enquanto seu corpo corria brevemente pra chegar ao lado do comandante.
Eles atravessaram o salão sob olhares avaliativos e seguiram até a ponta da arquibancada envidraçada.
Dali, a arena de luta se revelava por completo.
O coliseu vibrava abaixo deles.
O concreto reforçado estava marcado por sangue seco. Fendas profundas rasgavam o piso, e crateras ainda denunciavam a violência do combate anterior.
Funcionários limpavam tudo com pressa.
No centro, um homem ergueu as mãos.
O chão tremeu.
Fragmentos de concreto se moveram sozinhos, deslizando de volta às crateras. As fendas se fecharam como cicatrizes se recompondo. Em poucos instantes, o piso voltou a ficar liso, quase impecável.
— Mas, Kael… eu ainda não sei quem é esse Elian. A ajuda dele é tão importante assim?
Aya mantinha os olhos na arena, observando algumas pessoas limparem o sangue grudado no concreto e um outro cara usar um poder Kaelum para reconstruir as crateras e danos por toda arena, moldando o concreto.
— Eu… eu tenho medo de a gente demorar demais e o Louie—
— Não precisa se preocupar. — Kael não ergueu a voz. Também não desviou os olhos da arena. — Essa organização, por algum motivo que ainda não entendemos, está atrás do Louie. Mas não demonstraram intenção de feri-lo. Muito menos de matar.
Por um instante, a imagem de Sethros atravessou sua mente. Ele estreitou levemente os olhos.
Aya respirou fundo antes de continuar.
— Antes do Louie ser levado… eu tive uma conversa com ele.
Kael inclinou um pouco a cabeça, atento.
— Conversa?
— A gente estava falando sobre a primeira missão que tu ia passar para nós. Eu mencionei aquela cela estranha… que talvez fosse algo envolvendo ela. — ela hesitou. — Mas a reação dele… foi diferente do que eu esperava.
O barulho distante da torcida ecoava abaixo deles.
— Diferente como?
— Ele disse que estava com medo.
Kael finalmente virou o rosto para ela, surpreso.
— Medo? O Louie?
Aya assentiu devagar.
— Não exatamente medo de lutar contra a Sacrificium Sanguínis. — O nome saiu quase como um sussurro. — Mas sim de se envolver de novo com essa organização… e colocar em risco todos os vínculos que ele criou até agora.
Kael soltou um suspiro discreto pela boca.
— Vínculos, é? — Um sorriso nostálgico surgiu em seu rosto, carregado de uma lembrança antiga. — Interessante ouvir isso vindo dele…
Aya franziu a testa.
— Como assim?
— Deixa pra lá. — Ele voltou os olhos para a arena. — Fico feliz que ele pense assim. Isso mostra o quanto amadureceu nesses dois meses.
Um breve silêncio se instalou entre eles, até ser quebrado por Kael:
— E é por isso que nós vamos resgatar ele. — O tom ficou mais firme. — Depois disso, eu vou colocar a merda de um rastreador nele. Ele parece um ímã pra sequestro.
Aya não conseguiu segurar um riso curto.
— Verdade… — murmurou, aliviando por um segundo a tensão que sentia apertar seu peito.
O silêncio voltou a dominar.
Quebrado apenas pela arena que vibrava abaixo deles.
— Mas pode ter certeza — continuou Kael, a voz mais baixa — o Elian vai ser muito útil no resgate dele. Ele pode estar em um lugar complicado. Com alguns vícios difíceis. Mas, ainda assim, é uma boa pessoa. Só acabou sendo muito afetado por traumas do passado…
Aya virou o corpo de vez para ele.
— Passado? O que aconteceu?
Kael demorou um segundo para responder.
Como se buscasse no fundo das memórias a mais sombria história.
— Elian era um militar promissor. Mesmo com apenas vinte anos, já era segundo-tenente de seu batalhão. Por terem se destacado bastante, foram convocados para a Missão de Paz no Haiti, em 2010.
Os olhos de Aya se arregalaram.
— Tão novo assim? Ele devia ser muito bom.
— Ele era.
A resposta veio rápido.
Aya apoiou o queixo na palma da mão, curiosa para ouvir o resto da história.
— Então… como ele veio parar em Áurea?
Kael apoiou os cotovelos no joelho, entrelaçando os dedos.
— Em uma dessas missões no Haiti… o batalhão dele foi enviado para conter um experimento estranho de um grupo criminoso. — Ele manteve os olhos fixos na arena. — Mas, infelizmente… a missão foi um fracasso.
Aya sentiu sua garganta apertar.
— F-fracasso? Por que?
— Todo o batalhão morreu. — A voz de Kael não falhou, embora carregasse um peso evidente. — Junto com dezenas de civis.
O ar pareceu ficar mais pesado.
— Apenas o Elian sobreviveu…
— Q-que horrível… mas… o que levou tantas pessoas a morrerem?
Kael permaneceu em silêncio por um segundo.
Quando falou, não havia emoção alguma em seu olhar.
— Quem matou eles… foi o próprio Elian Moreau.
O coração de Aya disparou.
— O-o q-que?! Mas por que ele mataria os próprios companheiros—
Antes que pudesse terminar, o som grave do microfone do apresentador explodiu por toda a Hexacúpula.
⧙ OOOOOOLA HEXACÚPULA! COMO VOCÊS ESTÃO?! ⧘
A multidão rugiu.
E a arena voltou a exigir atenção.
⧙ E É CLARO… QUE VOCÊS NÃO VIERAM AQUI PARA OUVIR MINHA LINDA VOZ! ⧘
A multidão respondeu com vaias e risadas.
⧙ VOCÊS VIERAM POR SANGUE! ⧘
O rugido foi ensurdecedor.
As luzes da Hexacúpula diminuíram, convergindo para um dos portões laterais da arena.
⧙ SABENDO DISSO, ELES VIERAM DIRETAMENTE DA ZONA OESTE… OS IRMÃOS QUE TRANSFORMARAM O SUBMUNDO EM UM MATADOURO PARTICULAR… ⧘
Os portões se ergueram com um estrondo metálico.
⧙ A DUPLA QUE É VICE CAMPEÃ A SEGUIDA A MAIS DE QUATRO ANOS... ⧘
Duas silhuetas avançaram juntas.
Uma alta e larga como um muro.
A outra ágil, girando duas lâminas curtas nas mãos.
⧙ KRAUSS, O CACHORRO LOUCO! ⧘
Krauss era um amontoado de músculos e cicatrizes.
A cabeça raspada e o rosto marcado por cortes antigos.
No peito, uma cicatriz grossa cruzava na diagonal.
Os braços pareciam couro remendado de tantas batalhas.
Ele ergueu os braços, absorvendo os gritos da torcida.
⧙ E LYSANDRA, A SERPENTE RUBRA! ⧘
Lysandra tinha o corpo bem definido, porém magro.
Seus cabelos vermelhos, presos, balançavam como fogo, e seus olhos frios pareciam matar só com o olhar.
Girava duas lâminas curvas entre os dedos, como extensões naturais das mãos.
Fez uma breve reverência enquanto sorria.
O público gritava os nomes em uníssono.
O apresentador deixou o barulho crescer… e então riu.
⧙ ELES SÃO OS CAÇADORES DA SELVA!!! ⧘
A arena inteira tremeu perante só grito descontrolado da plateia.
⧙ MAAAAS… ⧘
A palavra ecoou alta.
⧙ HOJE… TEMOS UMA PEQUENA MUDANÇA NOS PLANOS! ⧘
Murmúrios se espalharam.
A voz do narrador surgiu, mais sóbria, cortando a euforia.
⧙ Seu parceiro teve problemas que tornaram impossível sua participação esta noite. ⧘
As telas gigantes exibiram rapidamente uma maca sendo retirada horas antes.
⧙ Entretanto, mesmo sem tempo suficiente para encontrar um substituto para sua dupla… escolheu manter o combate. ⧘
O apresentador voltou, saboreando cada sílaba.
⧙ É ISSO MESMO, HEXACÚPULA… ⧘
As luzes se apagaram quase por completo.
Restou apenas o foco no portão oposto.
⧙ ELE LUTARÁ SOZINHO!!! ⧘
A multidão explodiu, metade em delírio, a outra em descrença.
O narrador continuou:
⧙ Ele tem um total de dezenove combates oficiais... ⧘
Uma batida seca ecoou pelo sistema de som.
⧙ DEZENOVE VITÓRIAS... ⧘
Outra batida.
⧙ ZERO DERROTAS... ⧘
O portão começou a se erguer lentamente.
A luz por trás projetou apenas uma forma escura contra o brilho.
Imóvel.
⧙ O INVICTO... ⧘
A silhueta deu o primeiro passo.
Sozinha.
Contra dois.
O apresentador então berrou, quase perdendo a própria voz:
⧙ O TEMPESTADE BRANCA... ⧘
A sombra avançou mais um passo, firme.
O rugido da multidão cresceu, quase histérico.
E, por fim:
⧙ ELIAN MOREAU!!! ⧘

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