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    A gargalhada de Akun ecoava pela cabine da nave.

    Ele segurava a própria barriga com suas mãos, o corpo levemente curvado para frente, se retorcendo ainda mais a cada gargalhar.

    — Hahahahaha! — limpou uma lágrima no canto do olho. — Ahhh… a tua cara foi incrível!

    Louie permanecia imóvel.

    Seus olhos arregalados.

    O coração ainda disparado demais para acompanhar o que estava acontecendo.

    — Sacrificium sei lá das quantas… — Akun repetiu, rindo de novo, agora mais baixo. — … Hahahahaha!

    Ele respirou fundo, tentando recuperar o fôlego.

    — Cara… — levantou o olhar para Louie, ainda sorrindo. — eu não faço a mínima ideia de quem são esses trouxas aí!

    O riso foi diminuindo aos poucos.

    Não desapareceu.

    Apenas perdeu o tom de piada.

    — Mas não precisa se preocupar — continuou, dando um passo calmo para o lado do garoto. — Nós não queremos te machucar. Hahaha.

    Louie engoliu em seco.

    — Espera… — sua voz saiu fraca, ainda tentando compreender a situação. — V-vocês… não são…?

    — Não. — Akun respondeu de imediato. — Não somos Sacrificium coisa nenhuma. Nem sei quem são esses aí.

    Antes que o assunto acabasse, uma voz surgiu da frente, vinda do volante, preenchendo a cabine.

    — Isso é porque tu vive dia e noite socado no quarto jogando videogame. — Vidar lançou um olhar rápido pelo espelho grudado no painel, visivelmente decepcionado. — A OPKM colocou o nome deles em alerta máximo para todas as cidades e Kaelums independentes do mundo. Eles estão sendo caçados globalmente.

    — Sérião!? — Akun se inclinou para a frente. — E por que diabos isso tudo!?

    Vidar demorou um instante antes de responder, os dedos apertando o volante.

    — Não consegui muitas informações. Só sei que eles entraram em confronto com Áurea dois meses atrás. — O semblante de Vidar endureceu por um instante. — E… esse garoto também estava envolvido nisso. Foi graças a isso, e ao sobrenome dele, que conseguimos rastrear sua localização tão rapidamente.

    — Faz sentido… — Akun levou os dedos ao queixo, pensativo. — Mas o que tem demais no sobrenome dele?

    Vidar lançou um olhar de lado, quase incrédulo.

    — Mesmo alguém que não acompanha nada e vive completamente isolado reconheceria o nome do primogênito desse garoto.

    — Quê? — Akun piscou, confuso. — É alguém tão importante assim?

    — Sem dúvidas. — Vidar respondeu sem hesitar. — Não existe um Kaelum neste mundo que não conheça o nome do pai desse menino.

    Akun engoliu em seco, lançando um o olhar curioso sobre Louie.

    — Caralho… então fala logo, quem é?!

    Vidar respirou fundo antes de soltar o nome.

    — O pai dele é… Daltro Kaede.

    — P-pera aí! — Akun recuou para trás, assustado com a informação. — Tu tá me dizendo que a gente acabou de sequestrar o filho do Daltro Kaede!? O Kaelum mais forte já registrado na história!?

    — Esse mesmo. — Vidar confirmou, sério.

    — E POR QUE TU NÃO ME FALOU ISSO ANTES!? — Akun passou a mão pelos cabelos, visivelmente em pânico.

    — Estava tudo no registro da missão que te enviei. — Vidar suspirou, já cansado. — Não tenho culpa se tu não leu.

    — Ahhhh… — Akun pressionou a mão contra a testa, andando em círculos no próprio lugar. — Essa parte chata eu sempre deixo pra ti. Afinal, tu é o meu assistente. Mas uma coisa importante dessas tu devia ter me falado!

    Vidar ergueu o olhar devagar, claramente perdido.

    — Como assim? Não é justamente o contrário, e você é o meu assistente?

    — Tá, tá… — Akun fez um gesto vago com a mão, interrompendo. — Agora não, Vidar. Eu tô ocupado tentando pensar numa forma de nós e toda Vallheim Vestrak sobreviver depois dessa missão suicida.

    Vidar piscou algumas vezes, ainda tentando acompanhar.

    — Que? — insistiu. — Eu realmente não entendi. Quem é o assistente afinal?

    Akun soltou uma risada curta de nervosismo.

    — Claro, claro… — apontou para ele em seguida. — Mas é óbvio que tu não entendeu! Isso foi sarcasmo, Vidar! Um mecanismo de defesa do meu cérebro pra não aceitar a cruel verdade de que a gente tá morto! Morto! Esse cara vai apagar nós e Vallheim Vestrak do mapa pra resgatar o filho!

    — Mas ele já tá desaparecido há dez anos… — Vidar rebateu, ainda mais confuso.

    — …Ah

    O silêncio caiu pesado sobre a cabine. Durando alguns bons segundos.

    Até que Akun quebrou ele.

    — É-é… sério mesmo?

    — Sim.

    — Ahhhhhhhhh… — Akun soltou um suspiro exagerado, deixando o corpo cair sentado no chão. — Então tá tudo certo. Nós não estamos mortos!

    Louie, que até então permanecia em silêncio, abaixou o olhar por um instante.

    — Muito divertido o teatrinho de vocês… — disse ele, com a voz firme.

    Louie deu um passo curto a frente, pressionando firmemente seus punhos.

    — Mas, querendo ou não, fui sequestrado.

    Ele levantou seu olhar serio, fixando-o em Akun.

    — E ainda estou sendo obrigado a ouvir vocês falando do meu pai desaparecido.

    Louie avançou ainda mais um passo a frente.

    — Fora que, sinceramente, não tenho como ter certeza de que vocês não fazem parte da Sacrificium Sanguínis, só por causa de algumas palavras.

    Akun permaneceu sentado no chão, mas, no mesmo instante que viu o menino se aproximando, seus ombros endureceram ligeiramente.

    Seu sorriso de alívio cedeu lugar a um brilho frio nos olhos.

    O punho se fechou instintivamente, pronto para interceptar qualquer movimento impensado de Louie.

    — Entretanto, é inegável que, se vocês quisessem me matar ou me deixar inconsciente, têm poder pra isso.

    O ar pareceu ficar mais pesado dentro da cabine.

    — Por essa razão, não vou tentar nenhuma estupidez.

    O olhar dele se intensificou, atento a qualquer ação dos homens a sua frente.

    — Porém, se for possível… gostaria que ao menos me explicassem onde estamos indo. E por que fui sequestrado.

    Vidar deixou escapar um rápido sorriso.

    — Sem problemas, garoto. — Ele acelerou a nave em direção ao solo. — Afinal… já estamos chegando.

    A nave balançou com a investida inesperada.

    Louie quase perdeu o equilíbrio, mas firmou ambos os pés e se manteve em pé, os olhos fixos à frente.

    A nave avançava pelo gigantesco megacânion da Groelândia, cortando a névoa azulada que cobria o abismo.

    — Seja bem-vindo à segunda maior cidade Kaelum em extensão do mundo… — Seu olhar se voltou brevemente para trás, estampando um sorriso. — Vallheim Vestrak.

    À frente da nave, eles atravessaram uma camada espessa de névoa azulada.

    E então…

    Vallheim Vestrak se revelou.

    Uma cidade colossal, flutuando no vazio do megacânion, esculpida em gelo, cristal e aço, brilhando em tons de azul-claro e branco-neve.

    Suas torres translúcidas erguiam-se como lanças presas ao ar, conectadas por passarelas suspensas, enquanto luzes douradas pulsavam no interior das construções, refletindo nas paredes congeladas do abismo.

    No centro de tudo, elevado acima do restante da cidade, erguia-se um gigantesco templo.

    Os olhos de Louie brilharam diante da visão impossível à sua frente.

    Mesmo vendo com os próprios olhos, aquela cidade parecia uma afronta ainda maior que Áurea a tudo que ele conhecia.

    — E logo mais começará… seu julgamento.

    As palavras de Vidar ecoaram no ar, misturando-se ao novo barulho da imensa Vallheim Vestrak.


    Uma hora antesBase de Comando, Sala: Núcleo Neural de Áurea (NNÁ).

    A sala de processamento de dados, não muito distante da de Kael, dentro da Base de Comando, estava fria.

    Porém, a tensão que tinha ali dentro já não cabia nas paredes.

    Um único operador ocupava o grande painel central.

    Os dedos se moviam com precisão pelos teclados, enquanto seus olhos varriam múltiplas telas ao mesmo tempo.

    Sua respiração estava ofegante.

    Os hologramas ao redor piscavam em vermelho emergencial.

    Kael atravessou o salão com o olhar calmo.

    Pelo menos, na superfície.

    Mas cada passo parecia mais pesado que o anterior.

    Aya vinha logo atrás.

    O desespero estampado no rosto.

    E uma falha tentativa de não chorar.

    Aura permanecia alguns metros atrás deles.

    Silenciosa e observadora como sempre, ainda assim não escondia sua frustração.

    Seus olhos pairavam sobre Kael, agora parado diante do painel.

    — Verifique as câmeras da Cafeteria Brew da última hora e meia.

    A voz saiu baixa, porém tão firme quanto um decreto.

    O operador engoliu seco, os olhos fixando-se ainda mais nas telas.

    — S-sim, comandante.

    Diversas imagens cotidianas e normais apareciam, sendo passadas rapidamente.

    Até, enfim, chegou o momento desejado.

    A explosão.

    Mesas virando.

    Fumaça subindo.

    — S-senhor… — a voz do operador falhou.

    Os dedos congelaram sobre o teclado.

    — Eu… eu desacelerei quadro a quadro.

    A garganta dele parecia seca.

    — M-mesmo sendo o modelo obrigatório em Áurea, feito justamente para captar movimentos de Kaelums… e sendo o mais potente fisicamente possível, ainda assim ela tem um limite…

    Ele tocou no teclado, avançando por frames tão rápidos que mal existiam.

    Menos de milésimos de segundo.

    E tudo que era visível… era a destruição.

    Nada entre um quadro e outro.

    — Entendi… afinal, não há imagem a ser revelada se a própria luz não chegou ao sensor. — disse Kael, recuando o tronco para longe da tela.

    — I-isso… — respondeu o operador.

    O silêncio pesou.

    — Era previsível. Se nem Aya nem Louie conseguiram reagir ao movimento, a câmera também não conseguiria. — afirmou o comandante.

    Sua respiração dele pesou por um segundo.

    — Parece que vamos ter que confiar cegamente no único resquício que Aya viu.

    Ele não desviou os olhos da tela.

    — Você está liberado.

    O operador soltou um suspiro de alívio que estava aprisionado desde o início da análise.

    Kael então virou o rosto lentamente.

    Os olhos encontraram os dele.

    Não havia elevação no tom de sua voz.

    Muito menos uma ameaça explícita.

    — E não comente sobre isso com absolutamente ninguém.

    Um segundo de silêncio se passou.

    Se essa informação sair desta salaeu vou saber.

    O operador sentiu o frio atravessar rapidamente sua espinha.

    E você não vai querer que eu saiba.

    Os olhos dele tremiam sem parar.

    — C-c-certo! — sua voz saiu falha, seu corpo inteiro suava e tremia. — I-isso nunca… n-n-nunca aconteceu!

    — Assim espero… — falou Kael calmamente.

    De forma desengonçada, o homem se levantou e curvou o tronco para frente.

    — V-vou me despedindo, s-senhor comandante… e-e senhora comandanta!

    — Certo. Obrigada pelo trabalho. — disse Aura, com um breve aceno.

    Ele se virou.

    E saiu quase correndo até a porta.

    — Certo… de acordo com o símbolo que você descreveu, Aya… só existe um responsável por isso. — Kael digitava com calma excessiva.

    Aura fixou seu olhar no comandante.

    — Kael, se realmente foram eles… o que os motivaria a fazer algo assim? Mesmo com a rivalidade entre as cidades, por que arriscariam a paz atual? E, principalmente… por que sequestrar justamente o Louie?

    Aya permanecia alguns passos atrás.

    O olhar alternando entre os dois.

    Perdida.

    — De… quem vocês estão falando…?

    Kael parou de digitar.

    A tela atrás dele mudou.

    Uma cidade colossal surgiu em holograma.

    Estruturas flutuantes.

    Torres suspensas no vazio.

    — Estamos nos referindo à concorrente direta de Áurea pelo posto de cidade Kaelum mais poderosa do mundo.

    Ele ampliou a imagem.

    — Vallheim Vestrak.

    — E-entendi…

    Aura respirou fundo.

    — Voltando ao assunto… a única explicação plausível é que eles estejam aliados à Sacrificium Sanguínis.

    Kael não respondeu de imediato.

    Os olhos continuavam presos na imagem congelada da explosão.

    Silêncio.

    — Ainda assim… há pontos que não fecham.

    Ele cruzou os braços.

    — Por que deixariam Aya para trás?

    O olhar desviou, breve, para a porta por onde o operador havia saído, como se confirmasse que estavam sozinhos.

    — E mais… — sua voz baixou um tom. — Como entraram em Áurea sem sermos alertados?

    Seu maxilar se contraiu.

    — Dois meses atrás, relevei a invasão de Sethros por causa do teletransporte.

    Kael cruzou os braços, os olhos fixos no holograma da explosão.

    — Mas Vallheim Vestrak não age assim.

    O reflexo vermelho da projeção tremulava em seus olhos.

    — Portanto… é improvável que tenham entrado aqui sem ajuda.

    O nome da cidade ainda pairava no ar.

    Aura franziu a testa.

    — Você está dizendo que…

    — Isso mesmo. — afirmou Kael, cortando a fala dela.

    O silêncio pareceu pesar ainda mais.

    — Acredito que… exista um traidor em algum cargo alto de Áurea.

    Aura ficou em silêncio por um segundo.

    — Isso é uma acusação grave… — murmurou, levando a mão ao queixo. — Mas… com base no que você disse… faz sentido.

    Kael desviou o olhar para os hologramas.

    — E é por isso que vamos manter nossa ida para Vallheim Vestrak em sigilo absoluto.

    Ele voltou os olhos para ela.

    Firmes.

    — Você é uma das únicas pessoas em quem confio completamente, Aura. Preciso que encubra minha saída e a de Aya. Vamos resgatar Louie.

    Aura assentiu devagar.

    — Certo… mas isso é algo perigoso até mesmo para você, Kael…

    Ela sustentou o olhar.

    — Por isso, tenho alguém de confiança para te acompanhar. Alguém que você conhece bem também. Ele será o suporte ideal nessa missão.

    Kael estreitou os olhos.

    — Quem?

    Aura não hesitou.

    Elian. Elian Moreau.

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