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    A mulher em frente ao garoto, que o chamava de filho, apertava-o com tanta força que, por um segundo, parecia que seu corpo fosse se quebrar ali, esmagado por um abraço.

    — “Essa mulher… ela é bem forte…” — pensou o garoto, enquanto um pequeno sorriso involuntário surgia entre as lágrimas que escorriam de seu olho esquerdo.

    — “Eu ainda não entendo o que é esse sentimento, porém, de alguma forma… entendo a dor dessa mulher, mesmo sem lembrar dela…”

    O abraço dela era cheio de amor e carinho, mas tinha algo a mais…

    Um desespero, um medo de ver de novo algo escorrer por entre suas mãos sem conseguir fazer nada para mudar.

    Era como se ela estivesse tentando acorrentá-lo com os próprios braços, querendo proteger o garoto de algo que nem ela, e muito menos ele, conseguiam entender, mas que parecia querer levá-lo embora, como uma folha que se desgrudou de um galho e é levada pelo vento.

    Seus ombros tremiam. E, mesmo sem o garoto conseguir ver seu rosto, afundado no abraço, ele sentiu algo…

    — “Esse choro… não parece ser direcionado somente a mim…”

    Seu corpo, antes retraído em relação ao abraço, agora o aceitava por completo.

    E então ela falou, soluçando entre lágrimas:

    — M-meu filho… me desculpa… a culpa é minha… é toda minha…

    Ela puxou o ar com dificuldade, a voz falhando.

    — E-eu… eu não consegui… não consegui parar isso… o que persegue a gente…

    As palavras saíam entrecortadas, como se cada uma pesasse mais que a anterior.

    — Eu juro que tentei… tentei tantas vezes… pedi tanto… tudo o que eu queria era uma vida normal… pra mim e… pra vocês…

    A voz falhou de vez.

    — …mas não adiantou…

    Seus olhos vermelhos, inchados e encharcados de lágrimas, ergueram-se lentamente, fixando-se no menino.

    Naquele instante, o que o garoto viu no olhar daquela mulher não era nojo, nem repulsa. Muito longe disso.

    Era culpa. Uma culpa esmagadora, profunda demais para caber em palavras.

    — “Ela… tá sofrendo tanto assim por mim?”

    Aquela dor parecia ter criado raízes dentro do coração dela, como se todo o desastre, tudo o que havia acontecido com ele, estivesse agora condensado e descarregado diretamente sobre seus ombros.

    O olhar dela não buscava respostas.

    Não pedia perdão.

    Apenas carregava algo que vinha sendo suportado há tempo demais. E que, naquele instante, enfim quebrou.

    Entre lágrimas que pareciam não ter fim, ela continuou a falar:

    — Eu errei… eu deveria ter fugido para mais longe…

    As mãos dela tremiam, não só pelo choro.

    — “Parece que… ela vai desabar… o que… eu devo fazer…?”

    Era como se o próprio corpo dela estivesse lutando para não ceder por completo.

    — E-eu deveria ter imaginado que isso não acabaria só por nos afastarmos…

    As palavras saíam fracas, travadas, e cada uma parecia arrancar mais um pedaço dela.

    Algo apertou o peito do garoto.

    — “Eu não entendo… me desculpa, mas… eu não lembro…”

    Ele não compreendia aquelas palavras.

    — “Mas mesmo assim… i-isso dói tanto!”

    A dor crescia e se espalhava por seu corpo, apertando e sufocando o garoto.

    — “É tão estranho… eu não me sinto dono desse corpo… mas isso… esse sentimento… parece tão… tão verdadeiro…”

    Em meio a isso, uma sensação dominou o corpo do garoto.

    Era fraca, instável, talvez pouco confiável… mas insistia em permanecer.

    Ele não entendia de onde vinha. E, aos poucos, percebeu que talvez não precisasse entender agora.

    — “Eu tenho a impressão… que, se a soltar agora… ela vai desabar…”

    No fim, nem ele, e muito menos ela, se afastavam.

    Não porque decidiram ficar, mas porque soltar liberaria uma dor ainda maior.

    E, principalmente… naquele momento, ficar era melhor do que ir.

    O abraço continuou por mais algum tempo.

    Em meio àquele aperto silencioso, a pequena menina de olhos azuis se aproximou e se enfiou entre os dois, querendo fazer parte daquele abraço.

    E então, com a simplicidade de quem ainda não carrega o peso das palavras, ela falou:

    — Sanduíche de Nina!

    O grito ecoou no quarto, quebrando a tensão como um raio de sol atravessando nuvens pesadas.

    No mesmo instante, o aperto se afrouxou.

    E, naquele instante, algo quase impensável aconteceu.

    Eles sorriram.

    Um sorriso frágil. Simples. Passageiro. Mas sincero.

    Lágrimas ainda escorriam, teimosas, marcando o rosto dela, mas já não doíam da mesma forma.

    Entre fracas risadas baixas e respirações dificultosas, a mulher falou, o sorriso ainda exposto no rosto:

    — Você está aqui… Isso é tudo que importa agora. Não importa o que tenha acontecido… nem o que você tenha perdido. Eu estou aqui. Sua irmã também. A gente vai te ajudar a lembrar… tudo vai voltar no tempo certo.

    Uma lágrima escapou de seu olho esquerdo ao ouvir as palavras dela, deslizando pelo rosto como uma fugitiva.

    — E mesmo caso não lembre… ou nada volte a ser como era antes. Nós continuaremos juntos, até o fim. E mesmo após ele.

    A mente do garoto ainda estava confusa, girando e vibrando sem cessar. Ainda assim, ele conseguiu falar.

    Aquelas foram as primeiras palavras que ele conseguiu direcionar a elas desde que acordara…

    — M-mãe… I-irmã… obrigado…

    Com aquelas palavras simples, algo finalmente se moveu dentro dele. Não era o suficiente para preencher o vazio, nem para reconstruir a parede que faltava em seu coração, mas era o começo.

    Como se o primeiro tijolo tivesse sido colocado, firme, diante de algo que antes parecia impossível de reconstruir.

    — Vou… contar com vocês então.

    — Obaaaa! Pode deixar comigo, maninho! — a menina de olhos azuis gritou, tomada pelo entusiasmo.

    — Então… d-desculpa perguntar isso… mas qual é o nome de vocês? — disse o garoto, ainda inseguro.

    As duas à sua frente se entreolharam e, no mesmo instante, começaram a gargalhar.

    — Q-que? Por que vocês tão rindo? — perguntou ele, confuso, sem entender o motivo do riso.

    — Não é nada, meu filho… só havíamos esquecido disso. — respondeu a mulher, com um sorriso desajeitado no rosto.

    — Eu! Eu! Eu primeiro! — gritou a menina ao seu lado. — Meu nome é Nina Kaede, e você é meu irmão, Louie Kaede!

    — Nina… entendi. É um nome lindo… — respondeu ele, deixando escapar um sorriso alegre.

    — Já o meu… é Emi. Emi Kaede. — Ela se aproximou e se sentou ao lado dele, na beirada da cama, naquela grande sala branca.

    O olhar dela era calmo, mas carregava uma força inexplicável, como o de alguém que já havia passado por muita coisa e, ainda assim, continuava de pé.

    — Louie… — continuou, com a voz baixa, porém firme. — A partir de agora, saiba que você não está mais sozinho. Tudo o que precisar, não importa o quão difícil seja ou o quão bobo pareça, promete que vai falar com a gente, tá?

    — Tá bom… mãe — respondeu ele, quase num sussurro.

    — Então vamo pra casa? Emmmm? — perguntou Nina, impaciente. — Tô ansiosa pra mostrar tudo pro maninho!

    — Calma, Nina, ele ainda não recebeu alta — respondeu Emi, tentando conter o entusiasmo da menina. — Já sei! Que tal comermos algo? Vamos ali no mercado pegar alguma coisa pro Louie. O que acha, Nina?

    — Vamooooos! Vamos comprar café—

    Antes que Nina pudesse terminar a frase, Emi rapidamente colocou a mão sobre a boca da menina.

    — Hmmhmmm! — Nina se debateu, tentando se soltar.

    — Melhor isso não, Nina, ou ele vai voltar a ser aquele viciado em café… — cochichou Emi, inclinando-se para perto dela.

    — Aconteceu algo? — perguntou o garoto, sem entender a troca repentina.

    — Não! Nadinha, filho. Não é mesmo, Nina? — respondeu Emi depressa, afastando a mão do rosto da menina.

    — Hehehe, nadinha! — confirmou Nina, abrindo um enorme sorriso

    E foi ali, naquele instante simples, que algo dentro do garoto começou a se encaixar.

    O vazio em seu peito ainda não havia desaparecido, mas, pouco a pouco, começava a ceder espaço para um sentimento novo. Algo quente, silencioso, que ele ainda não sabia nomear por completo.

    Mesmo que aquele amor fosse direcionado ao antigo Louie, à pessoa que ele havia sido antes, por um instante parecia alcançá-lo também.

    Mesmo sem memórias. Mesmo sem entender tudo.

    Naquele momento, ele percebeu que talvez, só talvez, no futuro, pudesse existir um lugar no mundo que fosse seu para chamar de lar.

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