Capítulo 26 – O Herói e o Ceifador
O clangor das lâminas ecoava pelo campo aberto, acompanhando o rugido do vento e o farfalhar distante das árvores. Faíscas voavam a cada impacto, chamas e sombras se chocando em uma dança mortal.
Hiroshi girou sua espada em um arco largo, a lâmina reluzindo com um brilho escarlate. Seu oponente desviou com um movimento fluido, a foice negra raspando contra o solo antes de subir em um golpe ascendente. Hiroshi saltou para trás no último segundo, sentindo o ar cortante passar rente ao seu rosto.
Acima deles, o dragão circulava no céu, soltando um rugido profundo que fazia a terra tremer.
O guerreiro sorriu de canto.
— Vou deixar meu bichinho de estimação de fora disso — declarou, girando a foice com destreza. — Quero matar o Herói com minhas próprias mãos.
Hiroshi não respondeu. Ele apenas firmou os pés no solo e avançou.
A espada cortou o ar com velocidade, direcionada ao torso do inimigo. A foice interceptou o golpe, e o impacto entre as armas reverberou como um trovão. Num piscar de olhos, Hiroshi recuou e girou o corpo, executando um segundo ataque lateral. O guerreiro negro aparou com a haste da foice e tentou um contra-ataque, deslizando a lâmina curva em um movimento de varredura.
Hiroshi abaixou-se, sentindo o vento da foice roçar em seus cabelos. Antes que seu adversário pudesse recuperar a posição, ele estendeu a mão livre e murmurou uma palavra em uma língua antiga.
As chamas responderam.
Uma explosão ardente surgiu do solo, forçando o inimigo a recuar. Ele deslizou para trás.
— Magia de fogo… — murmurou, sacudindo a poeira e as cinzas do ombro. — Um truque previsível.
Ele ergueu a mão esquerda e, em resposta, uma escuridão viscosa começou a se expandir ao redor de seu corpo. Sombras tremeluziam como se tivessem vontade própria, subindo por sua armadura e se fundindo à lâmina de sua foice.
Hiroshi sentiu um calafrio.
Magia de escuridão… maldita e imprevisível.
O inimigo moveu-se primeiro desta vez. Ele desapareceu por um instante, dissolvendo-se na escuridão e ressurgindo atrás de Hiroshi.
O duque girou no mesmo momento, erguendo a espada para aparar o golpe. A foice deslizou pela lâmina incandescente, sombras e fogo se chocando em uma explosão de energia. A força do impacto fez Hiroshi recuar alguns passos, e o guerreiro negro aproveitou a abertura, avançando como uma sombra viva.
Hiroshi bloqueou outro golpe, depois outro. O som do aço ressoava a cada troca de golpes. O inimigo era rápido, tão rápido quanto ele. Cada movimento da foice era letal, cada estocada sua era desviada no último segundo.
Eles estavam empatados.
Chamas explodiram ao redor de Hiroshi, forçando seu adversário a pular para trás. O duque usou a brecha para perguntar:
— Quem diabos é você?
O inimigo parou, fitando-o por um breve momento.
Então, um sorriso arrogante surgiu em seus lábios.
— Você não vale o tempo de uma resposta, velho.
Hiroshi cerrou os dentes, o sangue fervendo de fúria.
O dragão rugiu mais uma vez no céu, circulando a batalha como um abutre esperando o momento certo para atacar.
Mas naquele instante, nada mais existia para Hiroshi além do homem à sua frente.
A luta ainda estava longe do fim.
O choque entre espada e foice ecoava pelo campo de batalha como o bater de trovões. O aço tilintava, faíscas dançavam no ar, e os dois guerreiros se moviam como sombras, rápidos e letais.
Hiroshi girou sua lâmina, desferindo um golpe descendente com ambas as mãos, mas o guerreiro negro desviou para o lado e contra-atacou. Sua foice subiu em um arco letal, rápida como uma víbora.
Hiroshi ergueu sua espada para bloquear e ouviu o estalo seco da lâmina se partindo.
O mundo pareceu desacelerar.
A espada que o acompanhara por décadas, que enfrentara monstros e guerras, estilhaçou-se como vidro frágil. Antes que pudesse reagir, a foice seguiu seu caminho, atingindo-o no peito com um impacto brutal.
Um estalo metálico ecoou pelo campo de batalha.
Hiroshi cambaleou para trás. Sua armadura cedeu, rachando, e um pedaço dela caiu no chão. Mas sob o aço quebrado, um brilho prateado reluziu sob a luz do sol: a cota de malha de astralite que usava por baixo.
O guerreiro negro estreitou os olhos.
— Astralite… — murmurou.
Se não fosse por aquele metal raro e quase indestrutível, Hiroshi estaria morto.
Ele olhou para sua espada quebrada, segurando a empunhadura com a lâmina fragmentada.
Um silêncio pesado pairou entre os dois.
Com um suspiro profundo, Hiroshi deslizou a lâmina partida de volta à bainha.
— Obrigado por tudo, companheira.
Soltou a bainha de sua cintura e a jogou no chão. Um adeus silencioso à arma que o acompanhara por tanto tempo.
Então, ergueu o olhar para seu inimigo.
— Você destruiu minha espada favorita. — Sua voz era fria, carregada de promessa. — Vai pagar por isso com a vida.
O guerreiro negro riu alto, a voz carregada de arrogância.
— E como pretende fazer isso? Com as mãos nuas?
Hiroshi apenas sorriu.
— Sim.
O inimigo parou de rir por um instante.
Então, como se aceitasse o desafio, ele ergueu a mão.
um portal negro se abriu ao seu lado, sombras ondulando como fumaça líquida.
Mas, ao invés de retirar algo de dentro, ele guardou sua foice na escuridão.
O portal se fechou.
— Então lutaremos como iguais.
A tensão no ar tornou-se densa, quase palpável.
Então, sem aviso, eles avançaram.
O primeiro soco de Hiroshi veio envolto em chamas. Seu punho incandesceu como uma estrela, e quando acertou o peito do guerreiro negro, uma explosão escarlate iluminou o campo de batalha.
O impacto lançou o inimigo metros para trás, mas ele se recuperou com agilidade sobre-humana. Com um movimento ágil, disparou de volta contra Hiroshi. Seu punho estava envolto em sombras pulsantes, uma escuridão viva que parecia devorar a própria luz ao redor.
O golpe atingiu Hiroshi no rosto, e um frio cortante se espalhou por sua pele, como se algo estivesse drenando sua energia.
Ele cuspiu sangue no chão e riu.
— Não é ruim.
O guerreiro negro sorriu.
O combate se tornou uma tempestade de golpes. Hiroshi usava sua magia das chamas para reforçar seus ataques: seus chutes incendiavam o ar, seus socos explodiam como brasas vivas.
Seu oponente, por outro lado, atacava com sombras. Cada golpe drenava a luz ao redor, tornando seus movimentos traiçoeiros e quase impossíveis de prever.
Punhos colidiam, fogo e trevas se chocando em um espetáculo de pura destruição. Cada impacto reverberava no chão, cada explosão iluminava o céu crepuscular.
Eles estavam imersos no combate.
E nenhum deles pretendia recuar.
O dragão rugia acima deles, suas asas imensas varrendo o ar, lançando sombras sobre o campo de batalha. Mas Hiroshi e o guerreiro negro não desviavam o olhar um do outro.
Hiroshi cuspiu um pouco de sangue no chão e limpou a boca com o dorso da mão. Seu corpo estava quente, não só pelo esforço, mas pela magia que queimava dentro dele. Seu oponente, por outro lado, exalava um frio opressor, a escuridão ao seu redor ondulando como uma tempestade prestes a desabar.
Então, Hiroshi avançou primeiro.
Seu punho direito envolveu-se em chamas douradas, o calor distorcendo o ar ao redor. Com um movimento ágil, ele socou o solo com força total.
— Coluna do Inferno!
O impacto fez a terra estremecer. Do ponto de contato, uma rajada de fogo irrompeu para cima, como um pilar vulcânico, consumindo tudo em seu caminho.
O guerreiro negro saltou para trás, mas não era rápido o suficiente. As chamas o envolveram por um instante, o calor queimando sua armadura negra, mas então as sombras ao redor dele se contraíram.
— Manto da Noite! — murmurou.
A escuridão ao redor de seu corpo absorveu as chamas, drenando o calor e apagando o fogo como se nunca tivesse existido.
Hiroshi estreitou os olhos.
— Interessante…
Antes que pudesse reagir, o inimigo contra-atacou.
Ele ergueu a mão direita e abriu os dedos, como se agarrasse algo invisível no ar. A própria escuridão pareceu se solidificar ao redor de sua palma, assumindo a forma de uma lança negra, cujos contornos vibravam com energia pura.
— Dardo Sombrio!
Ele atirou a lança.
O projétil rasgou o ar como um relâmpago negro, cortando a distância entre eles em um instante.
Hiroshi mal teve tempo de reagir. Instintivamente, cruzou os braços na frente do corpo, canalizando sua magia.
— Escudo das Chamas!
Uma parede de fogo surgiu ao seu redor, o calor ondulando no ar como uma muralha viva.
A lança negra colidiu com as chamas e explodiu, a energia das trevas e do fogo se anulando em uma detonação violenta.
A poeira subiu.
Mas o guerreiro negro não esperou para ver o resultado. Ele já estava em movimento, avançando como uma sombra viva.
Hiroshi percebeu tarde demais.
— Caminho Sombrio!
O inimigo deslizou pelo chão como um vulto, movendo-se a uma velocidade impossível, surgindo atrás de Hiroshi em um piscar de olhos.
Antes que o duque pudesse reagir, um chute envolto em trevas atingiu suas costelas com força bruta.
Hiroshi foi lançado para o lado como um boneco de trapo.
Ele girou no ar e caiu de joelhos, sentindo o gosto metálico do sangue na boca. A armadura de astralite absorvera parte do impacto, mas a dor ainda pulsava em seu corpo.
O guerreiro negro sorriu.
— Achei que o “Herói das Chamas” fosse mais resistente…
Hiroshi cuspiu sangue e sorriu de volta.
— Estou apenas aquecendo moleque.
Ele fechou os punhos e as chamas começaram a envolvê-lo. Diferente do vermelho ardente de antes, essas chamas eram mais quentes, mais densas. O ar ao redor dele começou a vibrar com a intensidade do calor.
— Forja Solar!
O chão ao redor rachou, as pedras se partiram sob a pressão da magia.
Hiroshi desapareceu.
O guerreiro negro mal teve tempo de reagir antes de sentir um soco incandescente atingir seu rosto. O impacto o lançou para trás, mas Hiroshi não parou. Ele perseguiu o inimigo pelo ar, surgindo acima dele.
— Golpe do Sol Nascente!
Ele girou no ar e desceu com um chute em chamas, atingindo o peito do guerreiro negro com força devastadora.
A explosão de calor gerou uma onda de choque, e o inimigo foi enterrado no solo, abrindo uma cratera profunda ao redor dele.
O silêncio pairou no ar por um instante.
A poeira começou a baixar.
Então, uma risada sombria ecoou.
O guerreiro negro levantou-se lentamente, sombras saindo de seu corpo como uma fumaça viva. Seu rosto estava coberto de sangue, mas seu sorriso era ainda maior do que antes.
— Agora sim… — ele murmurou. — Isso está começando a ficar interessante.
Hiroshi franziu a testa.
A escuridão ao redor do inimigo crescia, pulsava como um coração batendo, alimentando-se da batalha.
O guerreiro negro ergueu a mão e o céu começou a escurecer.
— Vamos ver como você lida com isso, Herói.

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