Índice de Capítulo

    No campo de treinamento, cenário de suor e fracassos iminentes, os alunos da Turma 1F perfilaram-se em uma fileira novamente, repousando em descansar, um pesadelo para Akemi que mal ficava em pé após sua posição como último colocado ao lado de Nikko na corrida de baixa intensidade.

    O jovem Aburaya sentia o calor do sol queimando seu rosto pálido, suando por um esforço que claramente não fora preparado. Os colegas ao redor, todos firmes, eram o tipo de comparação que esmagava sua autoestima, mas não era como se existisse muita escolha no momento. Sua mente só pensava em continuar. 

    O Major Yura, um leão de sorriso frio em meio a cordeiros, caminhava de um lado para o outro. Repentinamente, ele ficou frente a frente dos jovens perfilados.

    Não era preciso muito para impor medo em alguns: um simples olhar bastava para que a quietude tomasse conta do campo; contudo, o objetivo não era silêncio — era energia.

    — PRÓXIMA ATIVIDADE! TODOS VÃO PRA BARRA FIXA! SE QUISEREM SOBREVIVER A ESTE CURSO, VÃO PRECISAR DE BRAÇOS QUE AGUENTEM O MÍNIMO! EEENTENDIDOOO!!!???

    SIM, SENHOR!!!

    “Tô ferrado…”


    – Quarto exercício: Barra –

    Próximos do conjunto de barras fixas de terra, alunos saltaram e se penduraram com facilidade, enquanto Akemi, olhando o topo de sua barra como quem encarava um adversário invencível, flexionou os joelhos, preparando-se para o salto. “Tudo bem, é só um pulo. Eu consigo! Só preciso pegar essa maldita barra!” Com a respiração melhorada, o momento era perfeito — o tipo de cena que desacelerava o tempo. “É só pular!”

    Então, saltou.

    Por uma fração de segundo, tudo parecia possível! A barra lá no alto… tão perto… tão…

    “Eu vou conseguir!”

    Akemi esticava os braços, as pontas dos seus dedos buscavam até o último momento, e…

    Na verdade, seus pés mal haviam saído do chão. O salto fora ridículo.

    — MUAHAHAHAAA! MINHA MÃE DE OUTRO SANGUE PULA MAIS ALTO QUE VOCÊ, ZERO UM! — zoou Major Yura — VÁ LOGO PARA A BARRA MENOR, SEU MONSTRO!

    Com o rosto pegando fogo de vergonha e um pingo de raiva, Akemi se arrastou até a barra menor, longe do instrutor.

    Lá, uma surpresa foi encontrada.

    Kyoko, com seus exatos 1 e 44 de pura fúria condensada, agarrava a barra de terra e se erguia como se estivesse arrancando uma porta das dobradiças. Seu corpo disparava para cima em vigorosamente, sem margem para erro. Os longos cabelos brancos estavam presos em um coque tão volumoso que rivalizava com a circunferência da cabeça. — Merda! — resmungava a baixinha, entre dentes — nunca tive um instrutor tão panaca! Por que ele mandou pra essa barra!? Eu faria facilmente nas maiores! Inferno!

    — É… Shimizu?

    — QUE FOI!? — gritou Kyoko, seguindo o exercício e assustando o próximo.

    — Ahm… Eu vou tentar nessa barra… Posso ir depois de você?

    Repentinamente, a garota pausou os movimentos, e pendurada, desacreditou do que ouviu. — Tá de brincadeira? — Ela encarou com seus afiados olhos prateados.

    — É que eu não consegui alcançar as outras…

    — Se não conseguir aqui, desista da vida — Kyoko desceu da barra e se afastou.

    As fortes palavras doeram, mas a irritação motivou.

    — Tá bom, já entendi! — Akemi suspirou e colocou as mãos na barra sem a necessidade de um pulo. “Nossa, realmente é baixa… Vamos lá, tenho que fazer!” Ele encheu o peito. “É só passar o queixo! Só isso!” Seus braços tremiam feito varas verdes, sua careta de esforço era como se estivesse levantando um piano com as sobrancelhas.

    Por um instante, o corpo reagiu, subindo míseros dois centímetros. — Grrr, vamo lááá! — A animação aumentava a cada milímetro erguido, tudo dava certo! A motivação era notável! 

    Só que…

    Crec!

    Como um raio, uma dor atravessou as costas de Akemi, que desabou deitado no chão com as mãos na coluna.

    — Ahhg! Minhas costas!

    — Sério, cara? — Kyoko cruzou os braços e balançou negativamente a cabeça — patético. 

    Enquanto Akemi se afundava na dor, Nikko se aproximou com um sorriso largo. — Oi genteee! O que tá acontecendo aqui, hein?

    — O pateta aí tava tentando fazer barra. Acabou f#dendo as costas.

    — Poxa, mas essa é feita pra crianças, não tem nem dois metros!

    Exatamente… — A carapuça serviu para Kyoko.

    De cabeça inclinada, Nikko entrou na visão do rapaz deitado, analizando-o de cima com um dedo de dúvida perto da boca. — Que foi agora? Deu defeito na lombar? Vem, levanta — ela estendeu a mão e deixou Akemi de pé.

    — Pelo jeito não sou a única passando vergonha. Duvido que esse aí consiga continuar mais tempo aqui.

    — Ah, não seja tão dura com ele! Esse garoto será tão forte quanto a gente! Não é mesmo, Akemi!? — Tap! O coitado recebeu um tapa nas costas.

    — Ahg!

    — Ah, para de ser frouxo, ô! Fique tranquilo porque nós vamos te ajudar! Kyoko, sirva de cavalinho pra ele abaixo da barra. 

    A baixinha encarou Nikko. — … Quê?

    — Você acha que não consegue erguê-lo?

    — Claro que eu consigo! Mas eu não vou passar um vexame desses pra “ajudar” esse palhaço a fazer exercícios em uma barra pra crianças!

    — Ownn, então você não consegue?


    No fim, convencer Kyoko não foi tão difícil.

    — Argh, isso é tão ridículo…

    “Como as coisas tinham ficado assim?”

    Com as mãos suadas agarradas à barra de terra, Akemi percebia que sua vida tinha tomado um rumo inusitado — e possivelmente sem volta.

    Atrás dele, Nikko o segurava pelas escápulas, enquanto Kyoko… bem, essa estava claramente irritada, o que nunca era um bom sinal.

    — Agora me expliquem uma coisa! Por que eu tenho que carregar esse saco de batatas nas costas?! Os pés dele estão quase no chão! Ele nem precisa pular pra alcançar a barra!

    — No três, Kyoko! — disse Nikko alegremente, ignorando o tom da baixinha.

    — Pessoal… eu não sei se a Shimizu realmente precisa fazer isso — argumentou Akemi.

    — Claro que precisa! Ela estava ali justamente para deixar o exercício mais divertido!

    — Divertido? — o rapaz piscou, confuso — o que você quer dizer com isso?

    — Você irá levantá-la junto de você!

    QUÊÊÊÊ!!!??? — gritaram os outros dois, com olhar de “isso só pode ser piada!”.

    — Comeu merda, garota!? — exclamou Kyoko — quer me fazer passar mais vergonha é só me colocar uma maquiagem de palhaça!

    — Olha, isso não seria má ideia — refletiu Nikko, visualizando a cena com um sorriso malicioso.

    Akemi não gostou da ideia. — Nikko! Eu mal consigo levantar o meu próprio peso, quem dirá o dela! Tem certeza de que isso é uma boa ideia? Se o instrutor nos ver…

    — Relaaaxa! Vai ser rapidinho! Além disso, a Kyoko é leve como uma pena.

    — Pena?! Eu vou arrancar essa língua, sua-

    — Certo, certo! Vamos nessa! Um… dois… três!

    Agh! MINHAS COSTAS! — berrou Akemi, desesperado enquanto era içado como um bebê.

    — Para de drama! Baixinha, tira os pés do chão!

    É cada bizarrice — reclamou Kyoko, retraindo a perna com os joelhos dobrados.

    Pendurado, Akemi se agitava no ar como uma minhoca em desespero. “Por que eu me permito envolver nessas coisas? Eu preciso mesmo passar por isso!? Só tem maluco aqui!”

    — Para de tremer os braços, garoto! — auxiliou Nikko, tentando guiar a confusão — lembre-se da respiração!

    — Respiração? Não tem como… Agh! Parece que a Shimizu fica mais pesada a cada segundo!

    — Tá me chamando de gorda, moleque!?

    — Não! Claro que não! Até porque… é… isso seria… sem sentido pro seu corpo?

    — A-… — Kyoko travou, sem resposta.

    — Mais alto, Akemi! Vai, vai, vai!

    Akemi subia lentamente, contribuindo com o máximo que conseguia. — Eu tô tentando, mas tudo dói!

    — Vai! Agora é só passar o queixo!  — gritou Nikko, em uma empolgação ridiculamente fora de contexto.

    — Se você não passar esse queixo em cinco segundos, eu te derrubo! — ameaçou Kyoko, cheia de fúria.

    Num último esforço — ou melhor, com uma ajudinha nada discreta de Nikko — Akemi finalmente passou o queixo pela barra.

    EU CONSEGUIII!!! — Por alguns segundos gloriosos, o jovem sentia-se invencível. As nuvens pareciam ao alcance de suas mãos, o céu azul nunca tinha sido tão bonito. Seu universo estava em perfeita harmonia. “Agora sim, minha vida faz sentido…”

    — Alguém pode me dizer que p#rra é essa? — uma voz interrompeu o momento épico.

    Nikko soltou Akemi num piscar de olhos e deu meia-volta volver com um sorriso nervoso. — Ah! Major Yura! Hehe… — Ela prestou continência de imediato, ocultando o receio enquanto a poeira da chegada repentina ainda flutuava no ar.

    Mesmo trêmulo, Akemi, contemplando os céus como uma dádiva, mantinha-se pendurado com o pescoço acima da barra e Kyoko entre as pernas. No entanto, a baixinha não parecia confortável com a situação.

    — Já deu! — Ela soltou-se das pernas de Akemi e tentou se distanciar com passos apressados… porém…

    — Volte aqui, Zero Oito — chamou Yura, sua voz estranhamente aguda estava serena.

    — Preparada, senhor! — Kyoko retornou imediatamente e prestou continência ao lado de Nikko.

    — Vocês duas, trinta flexões. Agora.

    — Positivo, senhor! — responderam as duas, começando as flexões.

    Enquanto as outras se movimentavam no chão, Yura, em uma calmaria assustadora, avançou lentamente até Akemi na barra. — Que bagunça toda é essa, Zero Um?

    Apesar de tudo, o rapaz estava genuinamente feliz. — Eu consegui uma, senhor.

    — Desça daí.

    — Não consigo, senhor. Meus músculos… travaram.

    — Ah é? — Yura levantou uma sobrancelha. — Então, deixa que eu te dou uma mãozinha.

    Akemi sentiu o peso de uma grande mão se aproximando, parecia que finalmente uma boa ajuda seria bem-vinda. Só que… “Por que ele tá agarrando a gola atrás da minha nuc-?”

    Poff!

    O aluno foi jogado no chão, levantando poeira quando bateu as costas. Sua coluna já nem possuía mais estoques de dor.

    — NA PRÓXIMA VEZ EM QUE EU OS VER FAZENDO QUALQUER MACAQUICE! EU VOS ARRANCAREI AS PERNAS COM OS DEEENTEEES!!!

    “Ah… então é assim que termina de novo… comigo no chão…”

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