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    Pelo caminho gelado do túnel escuro em que o Grupo Fênix mal se via, Nikko levava a dianteira. — Já posso sentir uma saída logo adiante.  

    — Pode sentir? — questionou Akemi, na retaguarda.  

    — Não me resumo somente em dobrar o ar ao redor. Também consigo perceber a trajetória do vento em distâncias muito além do alcance da minha dobra.  

    — Então diz aí o que nos espera lá na frente — sugeriu Minoru.  

    — Parece que há uma área bem aberta, deve ser a saída deste túnel.

    — Hm, uma saída não surgiria tão fácil assim. Inclusive, temos que ser rápidos. Nem quero imaginar o que pode acontecer se esse desafio durar até o anoitecer, o que é bem provável que aconteça.

    Mayumi acrescentou detalhes na colocação de Minoru. — Nosso objetivo principal é alcançar o topo do castelo, e quanto mais rápido o fizermos, melhor. Superar os próximos obstáculos sem desperdiçar tempo e corpo deve ser o essencial que a instrutora procura, afinal, estamos em uma missão de resgate, não só explorando terreno.  

    Akemi projetava as adversidades que talvez encontraria no caminho. — Vocês estão certos, mas não é possível que seja só subir. Por mais que já corremos de uma parede de espinhos, essa calmaria não vai durar por tanto te-  

    Ktiiiiinn! O barulho de algo pontiagudo cortando o ar travou todos pelo susto, ninguém mexia um músculo sequer. Quem tomava a maior cautela era Akemi, pois uma estaca de gelo em um formato tortuoso atravessava sua visão, bem próxima de sua cabeça.  

    Fincada na parede à direita, a longa estaca refletia olhos castanhos e assustados, um espelho que revelava todo o choque do desavisado que mais uma vez viu a vida passar por um triz.  

    — Ééé… gente, acho que encontrei alguma coisa.  

    Todos olharam para trás, mas foi Nikko a primeira que se pronunciou. — Hãn! Olha pros seus pés! — Ela apontou, boquiaberta.  

    A sola do tênis de Akemi mantinha uma placa gélida de pressão acionada flagrando-se a disparadora da estaca vinda do mistério à esquerda.  

    — Sabemos que está escuro e tudo mais, mas é sério que você não viu essa placa no chão? — caçoou Minoru.

    Nikko cruzou os braços. — Tenho que concordar, eu até levantei bem o pé pra deixar óbvio.  

    Quando Mayumi observou, uma alegria sutil mostrou que sua mente foi iluminada em meio a tanta escuridão. — Na verdade, garoto, você foi muito bem — ela caminhou em direção ao objeto fincado.  

    — O que você vai fazer, ruivinha?  

    Perto da estaca azulada, Mayumi deslizava um dedo pela superfície lustrosa, sentindo a estranheza de sua forma. Não era cilíndrica, nem cônica, era algo diferente.  

    Crusshh… Um pó gélido caiu quando a estaca foi puxada.  

    — Não é do modelo no qual sou acostumada, mas posso usá-la como uma lâmina — Mayumi brandiu lentamente o equipamento improvisado com a mão canhota.  

    Naquele momento, sob a posse daquela garota, a silhueta da estaca lembrava o gume largo de uma espada tortuosa. No entanto, o guarda-mão losangular era tão afiado quanto a lâmina, um alerta para quem planejava usá-la.

    Os rapazes se empolgaram.  

    — Wow! Isso é incrível!

    — Da hora, agora temos uma a mais no time!  

    — Olha como fala, Suzumura! Ela é útil para nós de qualquer jeito! Mas diz aí, ruivinha! Isso daí é mesmo útil pra você?

    A espada de gelo cabia perfeitamente; era leve, manuseável, e possivelmente letal, mas a eficiência só seria devidamente testada em um alvo à altura.  

    — É uma arma robusta, mas o fio de corte deixa a desejar um pouco. Terei de improvisar com ela — Mayumi abaixou a espada, e com um olhar confiante, caminhou para que depositasse uma mão nos ombros de Akemi. — Obrigada, garoto. Se não fosse por você, não sei se poderia ajudá-los o bastante. Agora, posso somar melhor para a equipe.

    — A-ah, hehe, fico feliz que tenha ajudado!

    Minoru cruzou os braços com seriedade. — Ei, não conte com a sorte o tempo todo. Pode ser que a próxima “placa” que você pisar não nos dê um resultado positivo.  

    Akemi prestou continência. — Prometo ter mais atenção de agora em diante!

    Mayumi e Minoru se convenceram da determinação do garoto. Talvez aquele grupo contasse até com uma sinergia involuntária.

    — Galera! Já posso ver uma luz no fim do túnel! — revelou Nikko, apontando euforicamente para o horizonte.

    — Vamos lá — disse a espadachim, partindo.

    Os jovens aceleraram o passo, a ânsia pela saída daquela escuridão era grande.  

    — Pessoal — chamou Akemi — aquela luz não tá meio estranha? O que de tão azul traria tanta iluminação num lugar aparentemente fechado como este?  

    — Só há uma maneira de saber! Apertando ainda mais o passo! — respondeu Nikko,  correndo em linha reta.  

    — Arg, Nikko, não vá assim! Lembre-se de que devemos ficar juntos!  

    — Sabe, cara, acompanhar o ritmo dela não parece ser o pior dos mundos. Quem ficar por último é um fracassado! — anunciou Minoru, deixando dois companheiros para trás. 

    — Ah, é!? — Akemi sentiu-se insultado, mas quando olhou para trás e viu que Mayumi não dava a mínima para aquela bobeira, resguardou sua dignidade. — Tsc, deixa pra lá.

    Do lado de fora do túnel, Nikko já vislumbrava o destino guardava. — Wooooohohoooo! — Ela contemplava os arredores com exclusividade para o topo, onde uma luz iluminava seus olhos verdes com um brilho azulado.  

    Quando atravessou o fim do túnel, Minoru aqueceu os braços enquanto olhava para o buraco escuro de onde veio. — Hehe! Cheguei em segundo mas não em último! Quem será o fracassado da vez? —  Mas no momento em que direcionou os rosto para frente, se surpreendeu. — E-eita!

    Uma imensa área circular recebia os jovens, fazendo-os sentirem formigas no centro do formigueiro.

    Dominada pelos mais belos tons índigos, o lugar contava com uma beleza única, onde cada detalhe do chão lembrava o mármore mais refinado.

    Tanto nas paredes como no chão, linhas e padrões formavam arabescos, como se um artista tivesse trabalhado em cada centímetro, criando uma obra de arte glacial.  

    Fechando o domo acima, incontáveis estalactites longas e reluzentes pendiam como cristais mágicos, entrelaçadas de uma forma que não deixava espaços vazios. Elas brilhavam intensamente, banhando todo o ambiente com partículas cristalinas que iluminavam todas as superfícies.  

    Posteriormente, os restantes saíram lado a lado do túnel, e as ambas reações foram de admiração à magnitude brilhante do domo.  

    — Caramba… Onde estamos?

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