Capítulo 64 - O que esperar de um túnel de gelo?
Pelo caminho gelado do túnel escuro em que o Grupo Fênix mal se via, Nikko levava a dianteira. — Já posso sentir uma saída logo adiante.
— Pode sentir? — questionou Akemi, na retaguarda.
— Não me resumo somente em dobrar o ar ao redor. Também consigo perceber a trajetória do vento em distâncias muito além do alcance da minha dobra.
— Então diz aí o que nos espera lá na frente — sugeriu Minoru.
— Parece que há uma área bem aberta, deve ser a saída deste túnel.
— Hm, uma saída não surgiria tão fácil assim. Inclusive, temos que ser rápidos. Nem quero imaginar o que pode acontecer se esse desafio durar até o anoitecer, o que é bem provável que aconteça.
Mayumi acrescentou detalhes na colocação de Minoru. — Nosso objetivo principal é alcançar o topo do castelo, e quanto mais rápido o fizermos, melhor. Superar os próximos obstáculos sem desperdiçar tempo e corpo deve ser o essencial que a instrutora procura, afinal, estamos em uma missão de resgate, não só explorando terreno.
Akemi projetava as adversidades que talvez encontraria no caminho. — Vocês estão certos, mas não é possível que seja só subir. Por mais que já corremos de uma parede de espinhos, essa calmaria não vai durar por tanto te-
Ktiiiiinn! O barulho de algo pontiagudo cortando o ar travou todos pelo susto, ninguém mexia um músculo sequer. Quem tomava a maior cautela era Akemi, pois uma estaca de gelo em um formato tortuoso atravessava sua visão, bem próxima de sua cabeça.
Fincada na parede à direita, a longa estaca refletia olhos castanhos e assustados, um espelho que revelava todo o choque do desavisado que mais uma vez viu a vida passar por um triz.
— Ééé… gente, acho que encontrei alguma coisa.
Todos olharam para trás, mas foi Nikko a primeira que se pronunciou. — Hãn! Olha pros seus pés! — Ela apontou, boquiaberta.
A sola do tênis de Akemi mantinha uma placa gélida de pressão acionada flagrando-se a disparadora da estaca vinda do mistério à esquerda.
— Sabemos que está escuro e tudo mais, mas é sério que você não viu essa placa no chão? — caçoou Minoru.
Nikko cruzou os braços. — Tenho que concordar, eu até levantei bem o pé pra deixar óbvio.
Quando Mayumi observou, uma alegria sutil mostrou que sua mente foi iluminada em meio a tanta escuridão. — Na verdade, garoto, você foi muito bem — ela caminhou em direção ao objeto fincado.
— O que você vai fazer, ruivinha?
Perto da estaca azulada, Mayumi deslizava um dedo pela superfície lustrosa, sentindo a estranheza de sua forma. Não era cilíndrica, nem cônica, era algo diferente.
Crusshh… Um pó gélido caiu quando a estaca foi puxada.
— Não é do modelo no qual sou acostumada, mas posso usá-la como uma lâmina — Mayumi brandiu lentamente o equipamento improvisado com a mão canhota.
Naquele momento, sob a posse daquela garota, a silhueta da estaca lembrava o gume largo de uma espada tortuosa. No entanto, o guarda-mão losangular era tão afiado quanto a lâmina, um alerta para quem planejava usá-la.
Os rapazes se empolgaram.
— Wow! Isso é incrível!
— Da hora, agora temos uma a mais no time!
— Olha como fala, Suzumura! Ela é útil para nós de qualquer jeito! Mas diz aí, ruivinha! Isso daí é mesmo útil pra você?
A espada de gelo cabia perfeitamente; era leve, manuseável, e possivelmente letal, mas a eficiência só seria devidamente testada em um alvo à altura.
— É uma arma robusta, mas o fio de corte deixa a desejar um pouco. Terei de improvisar com ela — Mayumi abaixou a espada, e com um olhar confiante, caminhou para que depositasse uma mão nos ombros de Akemi. — Obrigada, garoto. Se não fosse por você, não sei se poderia ajudá-los o bastante. Agora, posso somar melhor para a equipe.
— A-ah, hehe, fico feliz que tenha ajudado!
Minoru cruzou os braços com seriedade. — Ei, não conte com a sorte o tempo todo. Pode ser que a próxima “placa” que você pisar não nos dê um resultado positivo.
Akemi prestou continência. — Prometo ter mais atenção de agora em diante!
Mayumi e Minoru se convenceram da determinação do garoto. Talvez aquele grupo contasse até com uma sinergia involuntária.
— Galera! Já posso ver uma luz no fim do túnel! — revelou Nikko, apontando euforicamente para o horizonte.
— Vamos lá — disse a espadachim, partindo.
Os jovens aceleraram o passo, a ânsia pela saída daquela escuridão era grande.
— Pessoal — chamou Akemi — aquela luz não tá meio estranha? O que de tão azul traria tanta iluminação num lugar aparentemente fechado como este?
— Só há uma maneira de saber! Apertando ainda mais o passo! — respondeu Nikko, correndo em linha reta.
— Arg, Nikko, não vá assim! Lembre-se de que devemos ficar juntos!
— Sabe, cara, acompanhar o ritmo dela não parece ser o pior dos mundos. Quem ficar por último é um fracassado! — anunciou Minoru, deixando dois companheiros para trás.
— Ah, é!? — Akemi sentiu-se insultado, mas quando olhou para trás e viu que Mayumi não dava a mínima para aquela bobeira, resguardou sua dignidade. — Tsc, deixa pra lá.
Do lado de fora do túnel, Nikko já vislumbrava o destino guardava. — Wooooohohoooo! — Ela contemplava os arredores com exclusividade para o topo, onde uma luz iluminava seus olhos verdes com um brilho azulado.
Quando atravessou o fim do túnel, Minoru aqueceu os braços enquanto olhava para o buraco escuro de onde veio. — Hehe! Cheguei em segundo mas não em último! Quem será o fracassado da vez? — Mas no momento em que direcionou os rosto para frente, se surpreendeu. — E-eita!
Uma imensa área circular recebia os jovens, fazendo-os sentirem formigas no centro do formigueiro.
Dominada pelos mais belos tons índigos, o lugar contava com uma beleza única, onde cada detalhe do chão lembrava o mármore mais refinado.
Tanto nas paredes como no chão, linhas e padrões formavam arabescos, como se um artista tivesse trabalhado em cada centímetro, criando uma obra de arte glacial.
Fechando o domo acima, incontáveis estalactites longas e reluzentes pendiam como cristais mágicos, entrelaçadas de uma forma que não deixava espaços vazios. Elas brilhavam intensamente, banhando todo o ambiente com partículas cristalinas que iluminavam todas as superfícies.
Posteriormente, os restantes saíram lado a lado do túnel, e as ambas reações foram de admiração à magnitude brilhante do domo.
— Caramba… Onde estamos?

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