Capítulo 69 - Cercados, mas não derrotados
Pelas sombras entre as frestas dos bambus, os olhos brilhantes continuavam acompanhando cada movimento do Grupo Fênix, que atento à espreita do perigo, lentamente recuava em guarda.
Minoru estava tenso, mas não perdia a compostura. — Aí, galera, o que a gente faz agora?
— Precisamos de espaço aberto, fiquem longe dos bambus! — instruiu Mayumi, acelerando os passos rumo ao descampado diante do templo.
Contudo, o avanço foi bruscamente interrompido por uma chegada estrondosa.
Brrruuuummmm…
O som grave reverberou pelo solo, e todos se petrificaram quando viram uma nova estátua de gelo emergindo vagarosamente. A figura era formada por músculos largos e bem definidos, botas de couro robustas, e vestes de panos dilacerados mesclados a fragmentos de uma armadura estilhaçada.
Nos espaços em da pele visível, símbolos ancestrais reluziam, enquanto nas mãos firmes, duas katanas: uma de tamanho convencional, a outra, absurdamente longa. Na cintura, uma de três bainhas escondia parcialmente a terceira lâmina e revelava apenas a empunhadura enfaixada.
Sob um chapéu de palha de aparência ancestral e congelada, uma máscara oni ocultava expressões. Sob o cabelo preso num rabo de cavalo que balançava suavemente, não havia rosto visível, apenas um brilho frio que escapava pela frontal da aba.

— É ele — disse Mayumi, reconhecendo a silhueta completa.
— O homem da sua história? — O sarcasmo de Minoru foi evidente — como era o nome dele mesmo? Ah, Kenshi! Parece ser um cara fortinho.
— Temos mais problemas — interrompeu Akemi, encarando o grupo de kunoichis que caminhava lentamente em direção ao grupo.
O cerco estava fechado.
Nikko brincou com a situação: — He hii! Acho que temos muitas opções pra combater, não?
— Melhor nos separarmos — sugeriu Minoru — quem fica com quem?
Enquanto as kunoichis seguiam o avanço constante, a estátua de Kenshi analisava silenciosamente. Sem aviso, a katana mais longa foi apontada diretamente para Mayumi.
O duelo foi escolhido.
— Deixem-o comigo — declarou a espadachim, indo de encontro com a grande lâmina gélida que a desafiava.
Os embates se formaram: de um lado, Minoru, Nikko e Akemi contra mais de cem kunoichis; do outro, Mayumi frente a frente com a lenda simulada de Kenshi…
A aproximação das ninjas era silenciosa, mas suas intençẽos eram cortantes.
Os rapazes lado a lado arrastaram um pé para trás e mantiveram suas postura de batalha: Minoru portou-se como um pugilista marcial, e Akemi, utilizou de uma das posturas inicias aprendidas com Miya. Ambos ficaram prontos para qualquer ofensiva que viesse.
E Nikko? Bem, havia partido em disparada antes mesmo que alguém tivesse dado um comando. — Eu vou na frente! Protejam-se, meninos!
As kunoichis perceberam o primeiro avanço e velozmente avançaram para o ataque.
Mas o perigo não foi temido:
Impulsionando-se com rajadas de vento pelos pés, Nikko embrenhou-se no meio das inúmeras armas ninja.
As kunoichis reagiram no reflexo, girando lâminas afiadas para que cortassem. Porém, o alvo era mais rápido:
A jovem tocava o chão apenas o necessário para um novo impulsionamento, desviando como se brincasse de pique-pega entre os ataques.
Deslizes laterais. — Opa! — Giros. — He hiii! Isso é o máximo que conseguem? — E então, um chute ascendente com a perna. A primeira kunoichi tombou para trás e desintegrou-se em partículas. — Oh, então não é tão difícil derrubar vocês… bom, bom!
Outras ninjas cercaram.
— Nossa, quantos tipos de armas vocês tem? Será que não tem nada de interessante pra mim? — Nikko avançou e deslizou entre as pernas de uma shinobi, no movimento contínuo, agarrou os pés congelados e derrubou-a. O impacto ressoou, e o corpo de gelo se despedaçou.
Visivelmente, o baque das réplicas contra o chão de gelo era eficaz para as eliminações. Como compreendido antes, gelo eterno contra gelo eterno: destruição concedida.
— Arg, elas não acabam! — Nikko corria e derrubava as oponentes com golpes plásticos; seu vento manipulado, pouco efetivo nos ataques diretos, fortalecia os deslocamentos e dava fluidez às esquivas. “Preciso de uma arma, se eu continuar assim, não vou durar por muito tempo… Ah, ali!”
Rodeada por estilhaços cintilantes, uma peça cilíndrica e alongada de gelo refletiu a luz do ambiente.
Sem que pensasse duas vezes, Nikko rolou para frente e pegou o material. “Agora sim”, a sensação foi imediata: seu corpo inteiro pareceu mais leve, mais rápido, e mais forte. “Não é perfeita como a minha, mas serve de alguma coisa.”
A aura de vento conectou-se à extensão natural de um corpo acostumado a tipos semelhantes àquela arma, que no primeiro giro, densificou a dobra dos ares à níveis exorbitantes.
As ninjas entraram em alerta máximo diante do sorriso largo da jovem recém-armada…
Ao longe, viam-se impactos seguidos por explosões de ar isolando corpos azuis para longe. Rastros de poeira eram deixados no chão por onde redemoinhos guiados por movimentos bailarinísticos passavam.
Enquanto mechas duplas e bicolores balançavam ao vento, o bastão girava e atacava como uma extensão altamente treinada, potencializando os contatos e espalhando furacões de tamanho reduzido.
“He hii hihihiii! Quanto tempo que eu não sentia isso! Agora essas inconvenientes sentirão a verdadeira força de uma Ichikawa!” Nikko agia com puro prazer diante do número de kunoichis que estava longe do fim…
Minoru contemplava a companheira que agia como se o perigo fosse apenas um detalhe minúsculo na equação. — Parece que alguém tá se divertindo — mas a admiração durou pouco: duas kunoichis avançaram contra ele em um ataque coordenado, buscando os pontos de pressão do corpo humano.
A kunai da primeira teve seu corte evitado por um meio-giro lateral; e o nunchaku da segunda foi bloqueado pelo antebraço erguido.
As duas ninjas recuaram, recalibraram a estratégia e atacaram novamente.
Sem o uso da aura, tudo dependeria de uma técnica impressionante — e a de Minoru, era impecável:
Em guarda, punhos voltados para frente ergueram-se à altura dos ombros, o canhoto à dianteira; o destro, recuado um pouco, ambos expostos como armas do próprio corpo prontos para leitura e resposta imediata.
Sob os joelhos levemente flexionados, o pé esquerdo avançado com o calcanhar inquieto suspenso protegeria o tronco encurvado, e o direito mantinha a base no chão enquanto aguardava o instante exato do contra-ataque poderoso.
A postura alertava sentença de morte às duas kunoichis — elas só não sabiam ainda.
A primeira atacou com a kunai em arco horizontal. Minoru protegeu a costela com a coxa no antebraço armado e desferiu uma solada no umbigo da oponente, cambaleando-a para trás.
A segunda aproveitou a abertura lateral e girou o nunchaku na direção da têmpora de Minoru, que de volta à guarda inicial, abaixou o corpo e deixou o bastão passar raspando no topo da cabeça; depois, desferiu um direto ascendente no queixo e um empurrão, transformando a ninja no instante da queda em poeira azul.
A segunda, atordoada, tentou fuga; mas Minoru não deixou barato, e após dois passos largos, clinchou-a para uma joelhada no centro do rosto.
Mais uma se desfez em pó.
E então, um chamado alto e repartido:
— É-éhm, alguém dá uma ajudinha!?
Minoru virou o rosto e viu Akemi se protegendo de cinco kunoichis.
Faíscas amarelas fugiam de lâminas e bastões, redirecionando os punhos e pernas das oponentes quando o mínimo intervalo de tempo permitia. Em cada defesa, os conhecidos movimentos marciais instruídos pela chama remetiam o comportamento dos animais de melhor conexão com o elétrico: Serpente, Pantera, e Dragão.
Entretanto, mesmo que os bonecos de madeira do Salão de Fogo lhe dessem uma base, Akemi demonstrava dificuldade naquela situação inovadora apesar da concentração maximizada. “Lutar contra mais de um oponente é mais difícil do que eu pensava. Posso desviar, mas toda vez que penso em executar um golpe, minha aura alerta outro às minhas costas. Não consigo ter brechas pra contra-ataques…”

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.