Índice de Capítulo

    [ Sala ⅙ da Turma 1F, Academia Shihai de Asahi, 6h ]

    Enquanto o instrutor Masaru Miyazaki se concentrava em um livro aberto sobre seu púlpito, os alunos aguardavam o início das instruções teóricas, contudo, outros ansiavam pelo fim daquela aula.

    “Era mesmo pra ela estar brava até agora?” Cabisbaixo na sua bancada, Akemi era afetado pelo comportamento gélido de Nikko, que sentada bem ao seu lado direito, ignorava a existência de todos.

    O silêncio dela machucava mais do que deveria.

    O garoto soltou um suspiro pesado, porém, seus olhos baixos não o afastaram de uma nova presença na bancada: Hiromi Miyazaki. Sua expressão? De quem não se importava com a situação.

    — Ei, até quando a Nikko vai continuar assim? É muito estranho estar aqui no meio de vocês enquanto ela nos ignora desse jeito, tem gente me julgando com os olhos!

    Miya não tirava o foco do extenso quadro negro. — Não esquenta com isso, daqui a pouco ela esquece. E quanto à sua outra colocação, você não é o único entre garotas.

    Akemi observou ao redor e percebeu como a sala estava completamente diferente. Não era apenas Miya que estava fora do lugar, tudo parecia bagunçado.

    Mapeamento da esquerda para a direita da sala.

    Bancada Inferior 1 =  02 Nikko Ichikawa, 01 Akemi Aburaya, 13 Hiromi Miyazaki.

    Bancada Inferior 2 = 08 Kyoko Shimizu,  05 Teruo Kenzo, 04 Rin Kurosawa.

    Bancada Inferior 3 = 15 Sho Yamamoto, 14 Aruni Yamamoto, 07 Mayumi Sanada.

    Bancada Superior 1 = 03 Kentaro Ozaki, 12 Nihara Miyazaki, 10 Minoru Suzumura.

    Bancada Superior 2 = 06 Hikaru Sasaki, 09 Kinyoku Shinkai, 11 Aya Hattori. 

    “Devem estar seguindo com os companheiros de dormitório”, Akemi olhou discretamente para a bancada superior atrás de si. “E sabe, esses três poderiam parar de ficar me encarando, né? Nem disfarçam!”

    Com ousadia no sorriso malicioso, Kentaro colocou o cotovelo na bancada, apoiou o queixo na mão, e se divertindo, preparou uma ironia com sua característica voz rouca suficientemente baixa para que não chamasse atenções indesejadas. — Olha só, estão vendo o mesmo que eu? Aquele esquisito tá cercado pelas duas garotas mais influentes da turma. Não é engraçado?

    Calado, Nihara escancarou que aquele caso não o agradava.

    Sem olheiras por conta da boa noite de sono, Minoru tinha premonições perante o fato que lhe dava risos. — Pode ser apenas sorte, mas nada descarta uma pura coincidência. Só não sei o que elas viram nele.

    Para a surpresa dos outros, o calado finalmente quebrou seu silêncio. — A verdade é que ele não é nem um pouco capacitado pra estar aqui.

    Vendo a irritação ao lado, Kentaro ampliou o sorriso. — Tem certeza? Essa cicatriz na cabeça parece dizer o contrário.

    — Como é, ô careca!? — Pupilas em chamas ameaçaram.

    — Que isso, fica calmo — de mãos erguidas, o sorridente seguiu confiante — sua luta não foi tão feia assim, eu me diverti bastante assistindo. Pelo menos você saiu vitorioso.

    Nihara ajeitou-se no assento novamente, sem trégua para sua fúria.

    — O nome dele é Akemi, certo? — perguntou-se Minoru — é estranho pensar como ele está aqui. Porém, não podemos descartar o fato daquela aura elétrica ser impressionante. Confesso que fiquei surpreso ao vê-lo lutar.

    — Ele não tava lutando — rebateu Nihara — só tava tentando sobreviver, talvez nem isso.

    — Pois é — refletiu Kentaro — se ele fracassou no teste físico de admissão, só há uma outra alternativa pra ele estar entre nós. Mas quem faria uma loucura dessas?

    — Hiromi o indicou — informou Nihara, seus olhos fechados e braços cruzados retratavam o desprezo ao fato, diferente dos outros dois garotos, surpreendidos pela revelação.

    — Sério? — indagou Minoru — bom, isso explica muita coisa.

    — Ah, para — esbravejou Kentaro — isso apenas deixa as coisas ainda mais confusas. Enfim, sabe nos dizer o que a sua prima viu naquele garoto, Nihara?

    — Não quero nem saber o que se passa na cabeça dela. Quem dera eu pudesse dizer algo para uma possível matriarca.

    — Haha, foi mal! Esqueci que as mulheres da sua família tratam os machos igual cachorro! Vocês são fogo!

    — Ei, vocês aí! — Masaru chamou a atenção dos três — tratem de se manter em silêncio, ou serão mandados para fora! — Ao lado do púlpito, ele capturou a atenção de todos. — Pois bem, jovens, começaremos o dia indo direto ao ponto. Sei que já possuem a noção básica de como as auras surgiram, mas permitam-me refinar essa compreensão com um toque de ciência e um pouco de história — a entonação profissional trouxe o foco até dos mais distraídos.

    “Finalmente uma aula sobre auras! Sempre esperei por esse momento!”

    Com o dom das chamas, o instrutor pegou um giz branco e fez quatro círculos deformados no quadro negro, dois à esquerda e dois à direita. De costas para o quadro, ele apontou o giz nas figuras que mencionava. — Gamabunta, elemento: terra. Soragyu, elemento: ar. Suiten, elemento: água. Enjin, elemento: fogo. Esses são os quatro asteroides elementares que transformaram a nossa perspectiva de vida, trazendo consigo uma “benção”, não dos deuses, óbvio, mas de alterações genéticas que mudaram o nosso planeta para sempre.

    Miya ergueu o punho. — Com licença, poderia nos dizer o porquê da escolha dos nomes de cada asteroide?

    — Imaginei que gostaria de me ouvir sobre, Senhorita Miyazaki. Os nomes dos asteroides vêm de deuses mitológicos antigamente já associados aos elementos. Então a ciência, num raro momento de humor, decidiu batizá-los dessa forma como uma espécie de ironia à crença popular. É por isso que esses nomes podem variar de acordo com cada país. Contudo, com o avanço da ciência, a descoberta dos asteroides há décadas revelou algo surpreendente: propriedades mutagênicas capazes de alterar o DNA humano, e é exatamente sobre isso que vamos falar agora… Respondi a sua curiosidade?

    Embora a detalhada resposta, Miya não foi totalmente agradada. Talvez ela quisesse outras palavras. — Obrigada.

    — Continuando… Quando os asteroides colidiram com o planeta há milhares de anos, extinguindo espécies pré-históricas, cada impacto deu origem a vastas zonas de mutação, cobrindo quilômetros. Desde os tempos primitivos, os seres que passaram a habitar essas áreas tiveram seu DNA alterado, adquirindo habilidades únicas diretamente ligadas ao elemento do astro que atingiu a região. Entre todas as criaturas, os humanos se destacaram como a espécie mais predominante da história até os dias de hoje. Assim, ao longo das eras, essa habilidade extraordinária ficou conhecida como “aura”.

    “Parando pra pensar, pode ser que esses asteroides transformaram o mundo em algo muito mais perigoso do que deveria ser… Pera, o que ele tá fazendo?”

    Masaru voltou ao quadro, e abusando de suas mãos velozes, esbanjou toda sua habilidade desenhando o mapa-múndi. Dentro da grande esfera desenhada, alguns continentes foram traçados, preenchendo o interior do com a cor branca.

    “Como ele consegue fazer isso de forma tão exata? Só pode ter um dom diferenciado. Até os territórios do mundo todo estão sendo perfeitamente destacados!”

    Terminada a representação dos continentes, Masaru usou suas habilidades ígneas no primeiro país desenhado, destacando-o com linhas em chamas. — Asteroide Gamabunta. Terra. Caiu em Noğlu, no Sul. Definitivamente um país desértico bem peculiar controlado por um império inestimável.

    Ele não esperou por perguntas e rapidamente destacou o próximo país.

    — Asteroide Soragyu. Ar. Caiu em Dagorion, no leste do mapa, abaixo de nós. Vale lembrar que Dagorion, apesar de sua distinta e única idealização sobre o que é a aura, é um país de suma importância estratégica para Asahi, especialmente após a nossa recente assinatura de um tratado, com o objetivo de limitar a corrida armamentista naval e assegurar a estabilidade no Mar do Poente, um passo crucial para a paz e a cooperação entre certas potências navais.

    “Haviam muitos dagorianos na usina, eram extremamente formais e reservados. A nação deles deve ser muito orgulhosa. Só não entendo por que eles usam varetas pra manipular suas habilidades áuricas.”

    — Asteroide Suiten. Água. Caiu em Medved, a maior extensão territorial mundial localizada no noroeste. Uma região antes tropical que, após o impacto de Suiten, teve seu clima modificado drasticamente. Agora, embora ainda tenha desertos costeiros interessantes, o lugar é conhecido pelos seus mares congelados e montanhas de neve tempestuosa… — Masaru abaixou a cabeça para pensamentos intrusivos. — Se as pessoas de lá não fossem tão frias quanto a sua terra natal, tudo seria diferente…

    “Nossa, nunca poderia imaginar que Medved uma vez esteve livre do frio intenso.”

    — Asteroide Enjin. Fogo. Caiu em Meilí, a antiga aliada de Medved. Lá, o fogo não é apenas um elemento, e sim uma filosofia de vida, já que mais de oitenta por cento da população é composta por áuricos ígneos — Masaru levantou a cabeça, relembrando momentos inesquecíveis. — Meilí auxiliou Medved na guerra contra nós por muitos anos. Eram potências praticamente irmãs, quase imbatíveis quando unidas, Asahi não aguentaria por mais tempo… É inimaginável o que possa ter gerado uma desaliança, por mais que fosse amigável.

    Entre Rin e Kyoko na bancada central, Teruo Kenzo levantou a mão. — Senhor, o que acha das informações sobre onde vieram estes astros?

    — Hm. Apenas posso dizer que esta é a pergunta que mais desafia a ciência…

    – CURIOSIDADES DO MUNDO ÁURICO –

    Ao longo da longa e turbulenta história da Terra, incontáveis guerras e batalhas ditaram o destino de nações inteiras, deixando uma marca inapagável nos livros de história. Entre todos esses conflitos, a “Guerra das Auras” permaneceu como a mais lembrada e reverenciada, um embate sanguinário travado por volta de 1800.

    Esse cataclismo global resultou na queda de mais de 50 países, restando apenas 11 nações sobreviventes, que se ergueram das cinzas da guerra com poderes militares imensuráveis.

    As 11 maiores potências, aquelas que protegiam suas terras com mãos de ferro, eram:

    Asahi

    Um país em expansão, focado em estratégia e inteligência. Contava com forças áuricas variadas e equilibradas. Suas artes marciais combinadas à diversidade áurica transformaram seus soldados em armas imprevisíveis que surpreenderam seus adversários até se tornarem intocáveis.


    Medved

    Apesar de possuir o maior território mundial, Medved passava por uma decadência interna. Dominada por usuários d’água, suas forças mostravam resiliência e adaptabilidade, mas sofriam com desorganização e tensões internas que enfraqueciam seu potencial.


    Meilí

    Renascida com vulcões poderosos, Meilí tornou-se a nação mais populosa do mundo. Dominada por áuricos de fogo, sua força bruta era inigualável, com 80% da população utilizando habilidades destrutivas e ofensivas inspiradas nas chamas.


    Dagorion

    Uma monarquia altamente respeitada. Com habilidades predominantemente voltadas à natureza, era conhecida por táticas superiores e uma força aérea áurica quase invencível. Contudo, toda a sua intrigante história estava voltada para o curioso modo com que conheciam e utilizavam a aura.


    Freedom

    Autointitulava-se “O Coração do Mundo”. A diversidade definia sua força, com poderes variados que refletiam seu espírito livre e sua capacidade de adaptação rápida, sempre buscando a originalidade.


    Reichsland

    O bastião da força física. Sua população era imbuída de coragem e disciplina militar, tornando-os especialistas em defesa e fortificações impenetráveis. Seus soldados eram conhecidos por sua determinação inabalável.


    Noğlu

    Dominado pelas areias do deserto, tornou-se uma potência em condições extremas, sustentada apenas pelo próprio Império Noğluniano.


    Valmont

    Um país de elegância, reconhecido por exportar seus produtos para todo o oeste. Seus áuricos eram mestres em habilidades refinadas para o mercado, mas não descartavam a força militar.


    Soverato

    A casa das habilidades criativas e destrutivas. Embora menor, sua força vinha da versatilidade e engenhosidade em batalha.


    Delamancha

    Reconhecida por combates que misturavam arte e força, com movimentos inspirados em danças tradicionais. Seus áuricos exerciam habilidades explosivas, porém cheias de graça, transformando cada passo em um golpe devastador.


    Seorim

    Embora seu território fosse pequeno e frequentemente explorado por potências maiores, Seorim mantinha sua resistência. A força mais fraca entre as nações defendia-se com determinação e táticas que a tornaram um símbolo da resiliência que se recusava a cair sem lutar.


    Tendo em mente que ainda podiam existir povos em regiões desconhecidas, essas nações, forjadas pela guerra, tornaram-se os novos titãs de um mundo devastado pela aura. Seus nomes estavam gravados para sempre na memória coletiva de uma Terra que jamais voltaria a ser a mesma de milênios atrás.

    Olá, aqui é o Andaz!

    Já peço desculpas pela demora. Às vezes a rotina universitária aperta e nem sempre consigo publicar no final de semana, mas prometo manter a média de um capítulo até NO MÁXIMO 10 dias. Espero que entendam essa correria! 😅

    No capítulo passado, comentei que o próximo teríamos mais detalhes envolvidos, e aqui estamos! Foi um capítulo especial, porque precisei me dedicar para garantir que eu tivesse CERTEZA do que estava fazendo.

    Gostaria muito de saber o que vocês acharam do capítulo, então não deixem de comentar e avaliar! E sobre as bandeiras e o mapa… Bem, admito que não sou nenhum geólogo ou designer de brasões, mas dei o meu melhor.

    E sobre as \”CURIOSIDADES DO MUNDO ÁURICO\”, podem esperar vê-las em mais capítulos daqui pra frente. Isso servirá para compartilhar algumas coisas que provavelmente não serão citadas diretamente no texto de algum capítulo, porém, estão no conhecimento de todos do mundo áurico.

    De qualquer forma! Muito obrigado por acompanharem até aqui! Nos vemos no próximo capítulo. 😊

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