Capítulo 72 de 6 - Bem-vindo ao meu mundo. Escuridão imensurável!
Depois que ele pronunciou aquilo, Idalme paralisou. A próxima flecha que ela retirava de seu espaço espacial voltou novamente a sua origem.
A cor dos cabelos verdes era diferente do seu irmão, e mesmo o rosto jovem não parecia em nada com ele. Mas o que a fez paralisar de repente? Mesmo negando, ela sabia que havia algo nele que lembrava seu irmão, e nem era a voz do demônio, mas sim seus olhos.
Os olhos vermelhos eram incrivelmente vermelhos, e ela, uma garota que sempre observava seu irmãozão, conseguiria distinguir esses olhos. E, juntando o fato de ele a chamar de irmãzinha, as coisas ficaram mais claras para ela.
Enquanto ela processava essa informação e não acreditava no que via, os olhos de Kappa começaram a brilhar em vermelho. Kata, que tinha sido superada antes, se aproximou, mas foi interrompida por demônios que novamente se levantavam e formavam um corpo de carne.
Ela ficou impossibilitada de se aproximar. Enquanto isso, Kappa colocou as mãos sobre os ombros de Idalme, e ela olhava fixamente nos olhos dele, ainda congelada pela possibilidade de seu irmão estar vivo.
— Morra!
— Quê?!
Ela acreditava firmemente que ele não poderia matá-la, mesmo que o mundo estivesse contra si. Mas, naquele momento, ela percebeu que aquele demônio não podia ser seu irmão. No entanto, era tarde demais; seu corpo, antes congelado, não tinha forças suficientes naquele momento para desviar.
— Nãooo! Arrgh!
Como um raio, atingiu em cheio o alvo. O ataque perfurou um dos pulmões da vítima, que caiu no chão e agonizava de dor. Enquanto isso, Idalme, que foi salva por uma garota que a empurrou antes da sua trágica morte, se aproximou rapidamente da sua salvadora.
— Não morra, vou te curar — disse, desesperada.
— Não, ela não. — Enquanto isso, o outro jovem chamado Roma, agonizando no chão com as pernas cortadas, lamentava-se.
Enquanto isso, Kappa observava a situação decepcionado e disse:
— Falhei é.
Kina, que a salvou, mesmo sem um dos braços, a resgatou daquela situação. Idalme sentiu que precisava retribuir e começou a curá-la, mas Kappa não a deixou terminar e a chutou.
— Sua idiota, como tens coragem de negar o amor do seu irmão.
— Não sei quem és — resmungou. — Mas não és o meu irmão! — gritou, olhando para seu inimigo.
Enquanto isso, os olhos dele começaram a arder intensamente e forçava-o a coçá-los vigorosamente enquanto agonizava de dor. Seu rosto contorcido e os gritos roucos ecoavam pelo ambiente. Idalme, sem entender exatamente o que acontecia, observava a cena atônita. No entanto, vendo uma oportunidade inesperada, aproveitou o momento de fraqueza do inimigo para salvar sua colega.
Com rapidez e precisão, ela se ajoelhou ao lado da sua salvadora, que ainda estava gravemente ferida. Suas mãos tremiam enquanto concentrava toda a sua energia na cura.
Não vai dar tempo de curar tudo, farei o mínimo.
Suas mãos brilhavam com uma luz curativa, enquanto ela canalizava toda sua energia para fechar os ferimentos mais graves. A respiração de Kina começou a se estabilizar, e a cor retornava lentamente ao seu rosto pálido.
Enquanto isso, Kappa, com um grito de dor e frustração, soltou um raio de fogo para o alto, iluminando o céu com chamas intensas. A dor em seus olhos era evidente, ele se contorcia e lutava contra a agonia que o consumia.
Depois de alguns momentos, os olhos dele voltaram ao normal, e um sorriso perturbador apareceu em seus lábios. Ele notou manchas de sangue em sua túnica, passou a mão nelas e, num gesto sinistro, lambeu o sangue e disse:
— Nojento.
Idalme, percebeu que ele havia se recuperado, preparou-se novamente. Com determinação renovada, ela pegou sua flecha e arco, posicionando-se firmemente. Seus olhos fixaram-se no inimigo enquanto ela puxava a corda do arco e tensionava-a até o limite.
— Isso, o seu sangue será melhor.
Flecha de fogo!
Com um leve raio de fogo, ele destruiu a flecha em pleno ar. Se aproximou rapidamente, e Idalme tentou acertá-lo com o arco em um golpe desesperado. No entanto, Kappa esquivou-se para baixo com agilidade e a desarmou facilmente.
Em um movimento rápido, ele a pegou e a jogou no chão com força, imobilizando-a ao segurar firmemente seus braços. Ela lutava para se libertar, mas a força era esmagadora e deixava-a vulnerável e à mercê do inimigo.
— Obrigado pela refeição.
Kappa aproximava seus dentes do pescoço de Idalme, que lutava desesperadamente para escapar, mas sem sucesso. Não havia ninguém por perto para salvá-la. E foi nesse momento de desespero que ela decidiu usar sua carta na manga.
— Irmãozão! Isso seria incestuoso! — Com uma voz sensual e os lábios curvados em um sorriso provocante enquanto lambia a orelha do alvo, ela disse.
— Hum! — exclamou enquanto afastava a boca do pescoço. — Não se preocupe, eu não sou o seu irmão — declarou enquanto olhava nos olhos da presa, seu olhar carregado de uma mistura intrigante de desejo e malícia.
— Mas você…
— Calada, não vou ser vítima de seus jogos. Olhos repugnantes.
Ele não parou para escutar e aproximou novamente sua boca do pescoço, dando uma lambida no local onde ele pretendia morder.
— Ei?!
— Hum?
Antes mesmo de Kappa reagir, um chute certeiro atingiu seu pescoço e o jogou para longe. Ele rolou pelo chão, mas rapidamente se levantou, apesar de seu pescoço estar quebrado.
— Droga, você de novo — disse enquanto recolocava o pescoço, sua voz mantinha um tom sedutor.
— Idalme, se afaste do alcance!
— Sim, me desculpe.
Idalme entendeu o que a chefe quis dizer. Ela não pediu para se afastar por considerá-la um fardo. Ela sabia exatamente qual era a razão por trás daquele pedido. O restante do clã, que estava no chão, começou a se afastar e alguns arrastava-se pelo chão.
— O que é isso? — o inimigo perguntou em dúvida.
Kata correu na direção de Kappa. Ela esperava que ele lançasse um raio contra ela, mas isso não aconteceu, permitindo que ela se aproximasse mais e aplicasse uma voadora nele. Ele tentou defender com os braços, mas a força do golpe foi tão intensa que o lançou para longe.
Enquanto Kappa se levantava perto dos muros, Kata correu na direção dele. Com determinação nos olhos, ela disse com voz firme:
— Propagação do calor ardente!
Quando ela ativou sua habilidade, suas roupas de cima ficaram envoltas em chamas e deixava-a apenas com suas roupas de baixo. Ativada, essa propagação criava uma área em que qualquer um que estivesse ao seu alcance seria queimado vivo. E ela se tornava uma mulher completamente vermelha.
A batalha no quartel continuava acirrada. Enquanto Carmine segurava Karma, o outro comandante enfrentava suas próprias batalhas. Zefis, o sucessor de Zona, não fora escolhido por suas habilidades de combate nem por sua genialidade estratégica. Ele ascendera ao posto porque sua irmã assim o quisera.
Em termos de habilidade, Zefis era apenas um soldado comum que dominava o uso de sua aura. No entanto, ele possuía algo especial: sua aura estava despertada. Os demônios, guiados por instintos, reconheciam que ele era o centro das atenções e, por isso, se agrupavam ao seu redor. Apesar disso, o comandante permanecia ileso até então, sem sofrer nenhum dano durante toda a batalha.
— Argh! Essa doeu — Uma espada havia penetrado completamente.
Agonizando de dor, caiu no chão quando o inimigo retirou a espada de seu corpo. O demônio rugiu ao ver que havia matado o comandante, e todos os outros rugiram em resposta.
No entanto, nenhum dos soldados parecia triste com isso. A morte dele era irrelevante para todos naquela batalha, já que todos os soldados o conhecia. Os únicos que inicialmente ficaram abalados foram Ui e Mito, mas logo se acostumaram com a situação.
No chão, Zefis se levantou como se nada tivesse acontecido e deixava o inimigo perplexo ao ver sua presa se recuperar. Como a maioria dos demônios tinha intelecto muito baixo, eles não conseguiam entender o que estava acontecendo, mesmo que isso se repetisse várias vezes. O demônio, perdido em pensamentos, foi surpreendido e morto por um golpe de espada desferido pelo comandante.
A habilidade dele era simples: ele podia tomar o dano infligido a uma pessoa escolhida por ele. Além disso, podia transferir seu próprio dano para outro ser, desde que esse ser estivesse morto. E não havia alvos mais adequados para essa habilidade do que os demônios que possuíam corpos mortos.
— Realmente sou fraco. Já foram quantas vezes, cinco?
— Sete vezes, comandante.
— Foi mal, às vezes esqueço após sentir tanta dor.
Enquanto isso, a luta de Carmine continuava com Karma, o ser estratégico e frio que agora fervia em raiva. Ele não conseguia escapar dela e todas as artimanhas que tentava para burlar falhavam.
— Orgulho miserável!
— Já faz tempo que ficas tagarelando isso. Quem de fato é o orgulho?
— Não te interessa.
— Realmente.
As habilidades dela eram fáceis de entender. Ela podia simplesmente incendiar completamente seu corpo e imbuir essas chamas em suas espadas. Misteriosamente, Karma não conseguia se deslocar para outra dimensão quando essas chamas estavam por perto.
— Você não me dá escolhas.
Ele juntou as mãos e o mundo começou a escurecer. Tudo ao redor mergulhou em completa escuridão. Era um vazio de negrume tão profundo que não se podia discernir o fim do local.
Com um sorriso sinistro, Karma declarou:
— Bem-vindo ao meu mundo. Escuridão imensurável!
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