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    Com a chegada do rapaz, o Dr. Asakusa elogiou: — Impressionante! Para um iniciante, seu controle é notável.

    — Obrigado. Mas eu ainda não sei até onde posso ir com isso. Quais são os limites?

    — Isso é algo que você descobrirá com o tempo e treinamento — respondia Hasegawa — cada aura tem suas particularidades.

    — Exatamente — prosseguiu Asakusa — e baseado nos seus exames e relatos de seu acidente, acreditamos que você seja um áurico retrator.

    A informação desconcertou Akemi. “Retrator… Eu sou um áurico retrator!?”

    — Poderiam explicar melhor?

    — Por você ter recebido e sobrevivido a uma carga letal de eletricidade, acreditamos que você tenha a capacidade de absorver energia elétrica para usá-la depois. Como um capacitor humano.

    “Um capacitor humano… Genial! Entretanto, suspeito de uma coisa.”

    — Existe a possibilidade de eu sempre ter sido retrator?

    — Este é um mistério que não cabe a mim descobrir. Seus registros são claros em dizer que sempre fora um trivial, e não há tecnologia nem aura que prove o contrário por agora. Entretanto, nada é impossível.

    — Mas… se essa chance existe, então…

    Pensamentos puxaram Akemi para o passado, onde bancadas improvisadas, fios expostos e tomadas antigas já lhe deram diversos choques; porém, choques curtos, sempre iguais, oferecendo dores rápidas, espasmos, e uma breve acelerada no coração. E só. “Se fosse apenas eletricidade… eu já teria descoberto antes… ou será que a energia nunca era o bastante?”

    A lembrança do acidente, a carga absurda e o limite rompido destoavam de tudo. Hipóteses embaralhavam a mente. Talvez aquela aura jamais tivesse faltado e apenas estivesse esperando uma prova de que o corpo sobreviveria.

    — Garoto — interrompeu Hasegawa, percebendo o olhar distante do garoto. — Não tente correr antes de aprender a andar. Primeiro, você precisa dominar o básico: manifestação, controle de intensidade e canalização. Deixe suas preocupações do passado para depois.

    Akemi assentiu. “Ele tem razão, preciso ser paciente.”

    — Agora, quero que você tente algo diferente — continuou o major. — Ao invés de liberar a energia, tente mantê-la dentro do seu corpo. Circule-a internamente.

    — Circular internamente? Como assim?

    — Imagine a energia percorrendo seus braços, seu tórax, suas pernas, mas sem liberá-la. Mantenha-a fluindo dentro de você feito sangue nas veias.

    Akemi concentrou-se, e sentindo a energia pulsando, guiou-a de volta para dentro. “É difícil… é como segurar um rio com a mente.” Aos poucos, ele conseguiu. A eletricidade correndo pelo seu interior era estranha, mas não era dolorosa. Era estimulante.

    — Essa é a base do controle áurico — disse Hasegawa — manter a energia interna permite que você a utilize de forma mais eficiente e evita desperdícios.

    Akemi viu-se diferente. — Consigo sentir tudo agora… cada músculo e nervo. É como se meu corpo estivesse mais… vivo.

    — Está corretíssimo — concordou Asakusa — a aura não é apenas um poder externo, ela também fortalece seu corpo internamente. Com o tempo, você se tornará mais rápido, mais resistente, mais forte.

    Hasegawa aproximou um passo do garoto empolgado. — Mas lembre-se, você não é um brinquedo. A aura é uma ferramenta poderosa, e com poder vem responsabilidade. Você entende isso?

    Akemi assentiu ao major.

    — Outra coisa. A aura reflete emoções exageradas, sejam elas positivas ou negativas. Se você perder o controle, prejudicará quem estiver perto. Quando sentir que está perto de um cataclisma áurico, você deve primeiro de tudo acalmar a mente. Pense em algo que o deixe tranquilo e não permita que pensamentos eufóricos o invadam. Eu e Asakusa claramente vemos que você aprende rápido e fácil, então, tens um grande potencial. Aproveite-se disso.

    — Sou eternamente grato aos seus ensinamentos! — Akemi curvou-se. 

    Hasegawa reconheceu o esforço alheio. — Sabemos que você não teve a chance de aprender a dominar esse poder em uma instituição áurica. Mas você ainda pode se inscrever para as últimas vagas disponíveis na Academia Shihai de Asahi. Lá, você receberá treinamento especializado para dominar a sua aura e se tornar um shihai de classe alta, como aparenta almejar.

    A proposta surpreendeu Akemi. Incredulidade e pura emoção tomaram conta de seu rosto à medida que absorvia o momento. — Ca-calma! É sério? E-eu posso tentar!? Eu realmente não preciso de nenhuma formação áurica básica!?

    — Para a modalidade que te inscreverei, não é necessário nenhum certificado de FAB.

    “Certificado de FAB… então eles têm sigla e certificado para esse tipo de formação? Enfim, mesmo não tendo, eu finalmente tenho uma chance de entrar na ASA!” 

    Na beira de uma escolha que mudaria o resto de sua vida, o garoto lacrimejava de alegria. Aquilo era mais do que um simples convite, era a chave para um mundo que o jovem sempre desejou, mas nunca pensou que alcançaria.

    — Bom, sendo assim, é claro que aceito!

    — Então, preste atenção. No dia vinte e cinco, um veículo irá até a sua casa lhe buscar pela tarde, assim você terá um tempo para se preparar.

    — S-sério!? Assim, de repente? Preciso levar algo?

    Com dois tapas nas costas alheias, o militar deu confiança. — Só sua carcaça já serve! Ha haha! Te colocaremos nesse teste final de última hora. Todos os jovens áuricos devem ter uma oportunidade.

    — Concordo com a inscrição — posicionou-se Asakusa — após a última guerra contra Medved, sofremos muitas baixas, e os jovens agora hesitam em se alistar no exército de Asahi. Nossa média de voluntários diminuiu drasticamente… Enfim, senhores, acho que o caso está encerrado, tenho muitos pacientes para cuidar. garoto, você está liberado. — Dada a informação, o médico voltou ao interior do hospital.

    Hasegawa virou-se para Akemi. — Você provavelmente não conhece a saída. Venha comigo.


    Caminhando pelo corredor de saída, o garoto divertia-se com pequenas correntes elétricas saltando entre os dedos, animado e fascinado com seu novo poder. A manifestação visual de sua aura não aparecia.

    “Hehe, isso aqui é legal demais! Mas sabe, esse tal teste está me deixando curioso…”

    — Major, sobre a prova da ASA, poderia me explicar melhor?

    — Primeiramente, não brinque com a sua aura dentro de locais públicos, pode gerar problemas se causar outro acidente.

    Imediatamente, Akemi cessou a energia e recuou as mãos num susto. — Perdão!

    — Sobre a sua pergunta, eu até gostaria de responder por completo, mas qualquer explicação sairia pela metade. Meu papel aqui limitou-se a avaliar sua capacidade e suas intenções, e pelo que observei, você é um bom rapaz. Preciso partir o mais rápido possível agora, há muito a ser feito. Apenas saiba que muitas coisas podem acontecer. Esteja psicologicamente preparado para o que vier.

    “Psicologicamente preparado pra uma prova? Bom, o teste deve ser como os duradouros exames militares para triviais, só que eu não tenho a mínima ideia do que é cobrado em institutos áuricos.”

    — Posso ser prejudicado por não ter FAB?

    — Você pode ter uma certa desvantagem em alguns fundamentos. Mas não se preocupe, você tem chance.

    “Ele não vai me falar do que se trata!?”

    Na saída do hospital, eles se despediram e seguiram em direções contrárias.

    Akemi dirigiu-se a um ponto de bonde ao lado do hospital, onde pessoas esperavam sob um telhado plano.

    [ 3 minutos depois… ]

    O bonde leste se aproximava.

    “Nossa, chegou mais rápido do que imaginei!”

    Algumas pessoas ao redor se levantaram, inclusive o jovem Aburaya.

    Os bondes de Toryu adotavam um design icônico com sua pintura verde-água e detalhes dourados na madeira. Adentrando o transporte, observava-se assentos estofados, painéis de madeira e luminárias.

    Quando o veículo partiu, ficou claro o quão silencioso e eficiente era, proporcionando aos passageiros uma experiência de conforto e tranquilidade durante o trajeto.

    Sentado nos assentos de trás, Akemi refletia. A oportunidade repentina do teste para a ASA o deixava nervoso, mas confiante.

    [ 14 minutos depois… ]

    Largado no ponto mais próximo de sua casa, o garoto seguiu a pé por alguns minutos até o modesto bairro onde ficava seu lar.

    A residência era construída com madeira de pinheiro e possuía um telhado inclinado de telhas escuras eficazes contra temporais e neve.

    Diante da entrada e com a chave em mãos, Akemi preparou sua chegada. “Finalmente, nada melhor do que o meu doce lar…”

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