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    Num único instante, o peso do mundo parece desabar sobre ele. A consciência se dissolve, a dor o domina, e um feixe negro atravessa o ar, buscando rasgar sua carne.

    Ele se joga para o lado, em um movimento desesperado, mas a fraqueza se torna esmagadora. Seu corpo inteiro dói, e ele mal consegue manter os olhos abertos.

    “Morrerei?”

    Mas, ainda assim, o ser o observa, uma presença ameaçadora e implacável refletindo em seus olhos. 

    “Não morrerei! Não para esse garoto!”

    Ambos, apesar do sofrimento, compreendem o que está em jogo: qualquer erro agora será fatal.

    Ferido e à beira do colapso, o garoto sente o medo consumir sua mente. Mas, em meio ao terror, uma chama de resistência desperta dentro dele.

    “O que faço?”

    A pergunta ecoa em sua mente, mas a resposta não vem. A machadinha, sua única esperança, repousa ao seu lado, quase ao alcance. O ser das trevas, com frieza imperturbável, ergue a mão, pronta para disparar outro feixe mortal.

    A precisão será letal, mas ele sabe que não pode esperar.

    A lógica já não serve, apenas a instintiva necessidade de sobreviver.

    “Chega de muletas!”

    Ele se lança para a direita, os movimentos fluindo como um reflexo. O feixe negro corta o espaço, mas, para surpresa de ambos, atinge a machadinha, liberando uma explosão de energia. Ele não entende o que ocorreu, mas a chance foi dada. Sua voz, carregada de dor, ressoou:

    — Expande energiam: Zona Zoantropliae!

    Ele expande sua energia, sua última jogada, sendo sua habilidade inata, enfim, revelada…

    A terra treme e tudo ao seu redor se transforma. O ambiente se torna sombrio e denso, e ele se vê transportado para uma paisagem irreconhecível. Um horizonte vasto de árvores imensas, a Aurora ao topo, dourada, iluminando o pico de montanhas distantes… O mundo ao seu redor parece encolher, e, no centro, ele está perdido. Seus olhos se fecham momentaneamente, mas ao abri-los, a realidade se distorce.

    A dor é insuportável, veias estourando sob sua pele. Ele vomita sangue, um sinal de que seu corpo não aguenta mais.

    “Merda… meu fluxo está uma merda… também…”

    Ele geme, mas não há tempo para fraqueza. A entidade, agora mais furiosa, desaparece e reaparece diante dele, como uma sombra mortal. Suas garras apertam seu pescoço, e a pressão faz com que o ar se esgote. O garoto, no entanto, não se entrega. Sua aura começa a se expandir, em tons claros como o branco, uma energia visceral que toma conta de tudo ao redor.

    “Essa sensação…”

    De repente, ele é arremessado contra uma parede de pedras, o impacto o deixando tonto, mas, ao mesmo tempo, centrado. O ser se aproxima enquanto a poeira ao redor lentamente cai, e, em um último esforço, sente a verdadeira natureza de seu poder… Sua aura toma a forma de uma águia completa, fazendo seus pés flutuarem do chão como se estivesse controlando tudo pelo interior, uma energia pura e imbatível, densa o suficiente para ser uma segunda pele, sua técnica inata ativa, a Zoantropia do rei.

    Ele observa o mundo com uma vista ultravioleta.

    “Essa barata maldita não perece? Caralho!”

    Enquanto a entidade, agora com ódio explícito, prepara-se para um ataque final. Suas garras cortam o ar com fúria, energizadas com trevas, rasgando tudo em seu caminho com o poder do breu demoníaco.

    O impacto das lâminas dilacerantes faz com que árvores se estilhacem, mas o garoto, de alguma forma, sobrevive. A aura se transforma, assumindo uma tonalidade marrom, tornando-se o espírito selvagem de um javali, feroz e indomável. Ele sente a conexão com a terra, com a selvageria que o rodeia, e o poder cresce.

    As garras tremulam, da entidade, enquanto seus pés são arrastados contra o solo. A energia em expansão parecia explodir enquanto o rapaz sangrava pelos olhos, nariz e lábios.

    “Isso é tão difícil de controlar…”

    Quase gruta, e com um impulso, ele voa, subindo como uma tempestade, ultrapassando as copas das árvores.

    Sua aura transita do marrom, novamente ao branco, mas ela parece brilhar, como se estivesse colapsando.

    “Caramba… essa merda é tão bela…”

    Seus olhos brilham com uma intensidade sobrenatural, encarando a paisagem, como se estivesse vendo o mundo por uma perspectiva além de sua compreensão.

    Enquanto a entidade, atônita, observa sua ascensão, sem entender o que está acontecendo.

    — Mas que diabos…

    “Mas agora me lembro por que de não ver mais vezes…”

    A frustração e a impotência se refletem em suas palavras. O garoto sente, então, a pressão do vazio dentro de si. O chão abaixo dele desaparece, e ele despenca. Sua aura muda de novo, tornando-se azul-escura antes que bata no solo, assumindo a forma de um macaco-aranha gigante. Ele se agarra aos galhos, seu corpo balança.

    “Não tenho quase nenhuma vontade aqui! É o domínio que me controla!”

    Sua mente começa a se desfazer, os pensamentos se desintegrando na vastidão da escuridão que se estende como um abismo. O breu o devora, e ele sente a luta se tornar cada vez mais instintiva, um reflexo de sua própria desolação. Esse era o maior de seus dilemas: em meio à técnica inata que possuía, cada segundo se tornava um novo fragmento de selvageria, um pedaço da essência das entidades antigas que se enraizavam em suas veias. A cada metamorfose, sua alma era corroída, como se a própria técnica buscasse submeter seu corpo, enfraquecendo-o gradualmente.

    Quando a selvageria atinge seu auge, ele sente o vazio dentro de si ser preenchido por algo primordial, algo insuportável. Nesse instante, sua aura, em sua tentativa desesperada de se libertar, tenta usurpar seus movimentos.

    O peso do poder se torna quase insuportável…

    — Grr…

    “Ela quer… me dilacerar… se eu… não permitir…”

    A voz em sua mente se arrasta, carregada de uma dor visceral.

    Sua aura começa a mudar, assumindo as cores das forças opostas. A calidez das chamas se mistura à frieza do gelo, tornando-se um espectro de cores pulsantes e instáveis, um arco-íris de emoções em guerra.

    A entidade que o vigia vê a brecha — a chance que esperava.

    “Eu ainda tenho uma bala no pente…”

    Ele pisa com força no chão, sentindo a aura negra envolvê-lo em um manto escuro, denso como breu. Seus lábios se abrem lentamente, e, num suspiro de desespero, uma onda sonora de pura destruição explode de sua boca, tão intensa e implacável que sua própria carne parece gritar de dor.

    O som corta o ar como lâminas afiadas, arrastando consigo sua carne e os próprios limites do corpo.

    As asas, os chifres e até um dos seus braços são arrancados instantaneamente pela força esmagadora da pressão. O impacto é brutal, sem piedade.

    A onda avança, implacável, sem hesitar, acertando o garoto com a ferocidade de um vendaval. Ele não tem tempo para reagir. O mundo à sua volta se desintegra e tudo o que ele pode fazer é ser consumido pela violência…

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