Capítulo 163 de 14 – Seu idiota!
A bala explodiu outra vez, mas não bastou para vencer Loi. Entre a fumaça que se desfazia, carregou a próxima. Sentiu que era preciso encerrar logo aquele confronto.
Mais da metade de minha aura se foi… meu limite deve ser cinco.
Na penumbra da fumaça, um corpo imóvel tomou forma. Moveu-se com leve balanço, e o véu cinzento se desfez com maior rapidez ao redor. Num salto, avançou. Dam apenas sorriu diante da imprudência e disparou.
— Sua idiota, és alvo fácil!
Atirou outra vez e, como previu, a bala encontrou o alvo prestes a explodir. Loi, porém, foi ágil: fez o projétil girar em torno do corpo e o lançou pela mão contra seu alvo. Antes de alcançá-lo, a explosão rompeu o espaço entre ambos.
Ela protegeu-se com o vento; ele, com o escudo, mas foi arremessado para longe. No alto, a adversária avançava devagar, flutuando pelo céu.
— Não me diga…
— Sim, eu disse, suas balas não funcionarão mais!
Diante da cena, a mente de Dam não cessou os cálculos. Preparou a próxima bala e ergueu a arma na direção de Loi.
— Insistente, não vês que neutralizei sua melhor técnica?
— Cala boca, vadia! — declarou.
— Quê? Do que me chamou?
— Estou chegando na parte boa — respondeu ele, um sorriso cruel surgindo no canto da boca.
Passou a compreender com mais clareza a técnica de aquecimento e compressão. A cada cálculo, sentia poder reforçá-la. Mediu o calor e a pressão que deveria aplicar à bala. Antes, desconhecia se aquecia ou comprimia além do necessário; agora, começava a decifrar melhor os ensinamentos da mestra.
Entendo… não basta usar só minha aura para aquecer e comprimir. Preciso controlar a potência da aura por completo, não só a habilidade. Interessante…
— Vamos, desista. Eu não quero te matar. — Ela estendeu a mão, firme. — Junte-se a mim. Vamos caçar esses demônios superiores juntos!
— Idiota! — riu, debochado. — Com essa força meia boca sua, isso é impossível! Ah, é? Então, minhas balas não vão funcionar mais, não é?
Afastou-se pouco a pouco, sem desviar o olhar. Cravou a muralha de ferro no solo e mirou. Loi apenas o acompanhava com os olhos, sem demonstrar expectativa.
— Engula essa!
Acostumada àquele tipo de projétil, ergueu a mão para fazê-lo girar. Dam sorriu. No instante em que a bala começava a rodopiar em torno do corpo dela, prestes a ser arremessada, explodiu de súbito.
— Arrrrggghhhh!!!
— Esse gemido… exatamente o que eu queria ouvir — zombou Dam.
Loi caiu de joelhos, a mão em sangue e o rosto levemente queimado. Tentou erguer o membro ferido, mas este jazia inerte. Fitou seu irmão com desprezo, enquanto ele sorria e preparava o próximo disparo.
— Seu desgraçado!!!
Partiu em disparada, a mão inerte balançava ao lado do corpo. Dam, sem esperar tamanha velocidade, foi surpreendido, mas reagiu ao ouvir-lhe os passos e bloqueou o chute.
Ainda assim, não previu o golpe seguinte: Loi usou o escudo como apoio, ergueu-se no ar e girou numa armada. O impacto, pesado como martelo, lançou-o ao chão, soterrando-o.
— Defendeu?
Ao defender-se com a arma, iniciou a subida enquanto ela o fitava com desdém de cima. Ele rastejou para trás, mas logo recebeu um martelo no rosto, que o afastou ainda mais. Com sangue na boca, esforçava-se para erguer-se, apesar das feridas. Apontou a arma e disparou, porém, sua irmã, consciente do perigo, escolheu esquivar-se.
— Inútil!
— Hee!
— Arrrrrggggghhhhhh!!!!
Loi tombou ao chão, agonizando, sem entender o que ocorreu. Dam, com esforço, ergueu-se e sorria. Ela, mais uma vez ferida e queimada, teve o outro braço inutilizado, uma das pernas gravemente queimada e o corpo marcado por intensas queimaduras.
— Jogando sujo! — gritou ela, a voz cheia de ódio. — Você não é o Ham de verdade! Desgraçado! O que fez?
— Engraçado… — respondeu ele, com um sorriso frio. — Sua versão demoníaca ficou assim quando a surpreendi com minhas balas.
— Não me compare com aquela aberração! — ela tentou se levantar, a raiva misturada com cansaço.
— Estamos acabados, os dois. Que tal uma conversa?
— Cala a boca! Não quero papo com você! — disse, tentando se erguer, mas fraquejava.
— Escuta, se quer mesmo matar todos os demônios, vai precisar da ajuda daqueles dois mestiços.
— Não quero saber! — tentou se levantar de novo, mas caiu.
— Eles são incríveis. Izumi então… esse é fora da linha. Loi, os tempos mudaram. Não dá mais pra vencer só com aura. Precisamos de algo a mais.
— Não! O despertar da aura pode nos igualar a eles — disse, ainda recuperando o fôlego.
— Despertar da aura? Você quer dizer aquelas habilidades especiais?
— Não, seu idiota. Habilidades especiais não chegam aos pés do despertar da aura. Com isso, vou matar todos os demônios.
— Entendi. Me conte mais.
— Não… não fale mais comigo. — Tentou se levantar, a força já quase acabando.
— Até você levantar, Izumi já vai estar curado. Isso aqui é perda de tempo.
— Ah, é? Que engano.
— Como assim?
— Demônios não morrem só porque arrancam seus corações. Mas enquanto ele tiver aquela lei dentro do corpo, não vai se levantar.
— O que quer dizer com isso?
— Hahaha! Quando o ataquei, ativei o mecanismo de defesa da lei. Ela vai matá-lo por dentro, devagarzinho. Ao sumir a parte demoníaca, o corpo dele morrerá junto.
— Não… não pode ser!
Dam, incrédulo, lutava para se erguer. As feridas causadas pelos golpes de Loi o deixavam gravemente debilitado, mas sabia que não podia ceder — aquelas leis não podiam permanecer dentro de Izumi e Ui. Com grande esforço, conseguiu ficar de pé, sem imaginar que sua inimiga também já se levantava.
Quando percebeu sua presença, era tarde demais. Mesmo com os dois braços inutilizados e a dor intensa, ela avançava em um gingado. Primeiro, lançou uma bênção que o derrubou ao chão. Lentamente, aproximava-se enquanto ele tentava se levantar. Ao girar o corpo, desferiu uma armada que atingiu Dam.
Droga, assim não vou conseguir…
— Vou te matar! — declarou Loi.
Ele rastejava tentando escapar, mas ela o alcançava e desferia mais um chute. No chão, ele sentiu algo estranho; os olhos começaram a fechar. Ela se aproximou de novo e o golpeou com vários chutes consecutivos.
Estranho… está doendo… mas… eu me sinto… talvez… eu…
Ergueu ambas as mãos, mas um chute de Loi fez uma delas cair. A outra, ainda firme, apontava para ela.
— Não vai desistir? — questionou curiosa.
O dedo indicador seguia firme. Surpresa, questionava-se sobre o que ele tramava.
Seria assim?
O dedo de Dam começou a brilhar em tom vermelho intensamente, crepitava sob o sopro do vento até o dedo sair de sua mão e começar a flutuar. Loi abalada, começou a se afastar, não acreditava no que estava vendo.
Transpirava intensamente à medida que concentrava sua energia. O dedo, que estava envolto em chamas vermelhas, começou a mudar de cor, escurecendo gradualmente, até que se tornou negra e formava uma esfera.
O suor escorria por seu rosto, mas, ao atingir o resultado desejado, sorriu. Fitou Loi sua frente, ergueu a esfera sombria e a lançou como um projétil. A esfera cortou o ar e perfurou uma das rochas com precisão.
A esfera, ao perfurar a rocha enorme, explodiu instantaneamente em uma onda de energia incandescente. Um misto de calor abrasador, vento ionizado e uma poderosa onda de choque se espalhou, fazendo desaparecer completamente a área onde a rocha havia sido atingida, como se jamais tivesse existido.
No centro da explosão, uma energia negra se concentrou, esvaziando-se lentamente até se tornar vermelha e desaparecia por completo, como se nunca tivesse estado ali.
Ao ver aquilo, Loi confirmou que a figura caída e sorridente no chão era, de fato, seu irmão mais novo. Sorriu de canto, enquanto a mente trazia à tona lembranças dos momentos compartilhados com Ham e a vovozinha, e de como ele alcançou seu próprio nível.
— Seu idiota!

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