Capítulo 188 de 09 – Bem, vamos continuar!
O grupo reuniu-se novamente, e Max ficou a par do que aconteceu enquanto estava inconsciente. Seguiram o caminho indicado pelo mapa, mesmo com dúvidas sobre o Destemido. Avançaram rápido, correram por algumas horas, até que Dam tornou a cansar-se e pediu que parassem. Izumi, relutante, aceitou.
Num canto de relvado elevado, deitou-se. A mestiça, sem perder tempo, aproximou-se e deitou-se sobre ele. Nesse instante, sentiu uma intenção assassina intensa partir dela, algo que lhe fez a pele estremecer. Porém, ao encarar o rosto puro, percebeu que não passava de mais um truque de sua condição atual.
— Agora entendo, Izumi.
— Hum?
— Desde que aquela lei entrou dentro de mim, mais eu entendo você — disse, levantando-se e sentando-se nele.
— O que queres dizer com isso? — perguntou, sem demonstrar muito interesse.
— Estou mais forte e também não sinto mais essa vontade de comer, e o meu corpo não parece ficar cansado como antes. — Ela abaixou a cabeça até a testa dele e continuou, com um sorriso. — Estou feliz!
Os olhos se fitaram por um instante. Ui observou os lábios dele levemente abertos e ouvia os dentes dele baterem uns nos outros; pensou que estivesse nervoso com a situação. Sem hesitar, aproximou-se devagar e tocou os lábios nos dele.
Nesse momento, a energia negativa e opressora que emanava dela tornou-se mais intensa e passou a sufocá-lo. Por instinto, ele usou a própria força para afastá-la. Não esperava, porém, agir com tanta intensidade: um simples gesto de cabeça a lançou pelos ares.
Ainda assim, sentiu um alívio no peito quando tudo cessou. Percebeu que precisava resolver aquele problema antes que piorasse, mas não sabia como fazer isso.
A mestiça, mesmo após o empurrão, não se entristeceu; ao contrário, ficou feliz, pois, diferente da última vez, o amado não demonstrou algum sentimento quando seus lábios foram tocados.
— Ui? — perguntou a peituda.
— Não se preocupe, estou bem — respondeu, levantando-se com um sorriso.
Ao olhar na direção de Izumi, ela não o avistou, mas, pelo cheiro, soube para onde ele foi. Sorriu de canto, como se se sentisse mais próxima do amado.
Enquanto isso, afastado, ele parou num local remoto, onde o relvado ultrapassava sua cabeça, e refletiu sobre a situação.
— O que faço, mãe? — perguntou, olhando para o céu.
Queria resolver aquele problema antes que magoasse Ui sem intenção, mas, enquanto segurava a espada e a apertava com mais força, nenhuma ideia surgia. Permaneceu assim por minutos, olhando o céu, até que a chuva começou a cair.
O rosto se molhou, e o cabelo mudou de forma, tornou-se mais fino, com os cachos colados à cabeça. Nesse instante, uma lembrança lhe veio à mente: brincava na chuva enquanto a mãe o observava, sentada na escada.
Na memória, a versão criança perguntava a si mesma qual seria o gosto da chuva.
Tomado pela curiosidade, Izumi passou a língua pelos lábios, enquanto, na lembrança, o menino fazia o mesmo, ao longe, sob os gritos da mãe para que não repetisse aquilo.
Com a testa franzida, declarou: — Salgado.
Naquele momento, decidiu confrontar a energia negativa que emanava de Ui e evitar ao máximo qualquer interação com ela. Ao chegar onde estavam os outros, percebeu um grande balde no chão. Fogos flutuantes, sob algo semelhante a guarda-chuvas, iluminavam o local de pouca luz.
Ao lado, Dam realizava seus experimentos com as pedras adquiridas anteriormente. Max, por sua vez, estava junto da amada, segurando-a pela bunda enquanto ambos observavam o grande balde que lhes passava da cintura.
Ui, ao notar sua presença, gritou:
— Izumi voltou!
Correu até o amado, mas ele desapareceu e reapareceu em outro canto. Ui, ao observar a cena, refletiu por um instante e decidiu conceder-lhe um tempo para discernir os próprios sentimentos. Logo tapou a boca, esboçou um sorriso travesso e pensou consigo mesma:
A minha virgindade está em risco, hehe!
Ele desapareceu novamente e apareceu ao lado de Max, perguntando:
— O que significa isso?
— Bem, já faz tempo que repomos o nosso reservatório de água, então está no fim, e estamos aproveitando a chuva.
Izumi compreendeu aonde ele queria chegar, mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, a chuva cessou.
— Drooogaaaa!!! — gritou a peituda, frustrada. — E agora… como… como vou tomar banho?
O mestiço fitou Max, em dúvida. Ele aproximou-se do irmão e sussurrou:
— Ela esqueceu de repor na fortaleza, então estamos com pouca água.
Izumi entendeu, mas não se importou. Não precisava daquelas coisas, pois sua energia negativa não requeria regalias humanas. Também acreditava que logo encontraria algum lago para tomar banho.
Em suas aventuras, pelo menos uma ou duas vezes por semana, surgia algum lago, e ele acreditava que o próximo não estaria tão distante.
Seguiram viagem, e durante um mês inteiro nenhum lago surgiu ao redor. Izumi ficou preocupado, mas não se humilharia pedindo água aos outros. Max, entretanto, compreendeu suas preocupações e apareceu ao lado dele com um pano molhado que pingava levemente.
— Desculpe, mas água é importante… então não podemos gastar.
Izumi, relutante, aceitou e foi a um canto para limpar o corpo todo. Sentiu, porém, a aproximação de alguém. Não conseguiu distinguir quem era, mas suspeitou: podia ser Ui ou algum demônio. Pela poderosa intenção negativa, julgou ser a mestiça e correu o mais longe que pôde.
Ao notar que ela desistiu, voltou a limpar-se. Mas, por mais que o corpo ficasse limpo, suas roupas federiam demais. Mesmo que não suasse como os humanos, depois de mais de um mês usando a mesma roupa sem lavar, o odor era inevitável.
Com o corpo limpo, sentiu-se renovado. Ao perceber o cheiro podre da toalha, cogitou descartá-la. Lançou-a ao chão, vestiu as roupas fedidas e partiu. Porém, parou subitamente, olhou para a toalha e pensou em Ui. Imaginou que ela poderia pegar o pano e fazer algo estranho com ele.
Pegou então um ramo de madeira, embrulhou a toalha, ativou seu “Brute Force Iz” e lançou o pacote mais longe que pôde. Voltou satisfeito. Apesar do odor, sentiu-se melhor que antes e quis apressar o passo. Ao lembrar do lerdo do Dam no grupo, decepcionou-se e cogitou se livrar daquele empecilho.
Ao retornar ao grupo, Max perguntou o que fez com a toalha, mas Izumi ignorou e seguiu para outro canto. Ui, por sua vez, observava-o com dúvida.
Em um canto, Izumi ao sentir o cheiro dele mais aliviado, pensou consigo mesmo:
Tá melhor, mas o meu nariz não vai aguentar sentir esse cheiro ruim por muito tempo.
O líder olhou ao redor e declarou:
— Bem, vamos continuar!
Dam guardou suas coisas. A peituda, desanimada após trocar de roupa em uma cabine circular com tecido vermelho ao redor, saiu e esboçou outro vestido vermelho. Pelo visto, trocava de roupa toda semana. Ui observava com inveja, pois possuía apenas uma peça de roupa.
Max, desde a semana anterior, usava apenas um short para evitar o mau cheiro das roupas e, como o tempo estava quente, era conveniente. Izumi pensou nisso, mas não queria carregar suas roupas na mão e detestaria pedir para alguém guardá-las.
Seguiram viagem.

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