Índice de Capítulo

    Universo das fantasias, onde cada ideia maluca que passava pela cabeça tinha chance de ganhar vida. Alguns mergulhavam em sonhos onde a ficha caía e percebiam que estavam no mundo dos devaneios, enquanto outros vagavam por paisagens oníricas sem conseguir desvendar completamente o enredo da sua própria história. 

    E havia também aqueles devaneios em que você era apenas um espectador, sem qualquer papel na trama.

    Uns eram como mestres dos próprios sonhos, moldando suas fantasias à vontade, como se fossem divindades; enquanto uma versão menos gloriosa incluía aqueles que, mesmo que de maneira limitada, conseguiam dar pitacos no enredo dos seus sonhos.

    Todos eles tinham suas características únicas, mas havia um grupo ainda mais peculiar: aqueles que, como peixes fora d’água, não percebiam que estavam imersos em um sonho até que a realidade os puxava de volta. Parecia estarem vivendo na realidade e colocava seus devaneios em prática. 

    Esses indivíduos, eles eram realmente únicos! Experimentavam uma montanha-russa de sentimentos, desde a euforia que faz o coração dançar e passava pela melancolia que pesa como pedra, até mesmo a dor que corta como faca na carne, como se estivessem vivendo no mundo real.

    Esses eram os verdadeiros especiais, contudo, havia aqueles que eram ainda mais especiais do que os próprios especiais. 

    Aqueles que tinham consciência de que se tratava de um sonho, vivenciavam os mesmos sentimentos como se estivessem no mundo real, e possuíam controle sobre suas ações naquele universo e podiam moldá-las da maneira que quisessem.

    Eram conhecidos como sonhadores. Naquele momento, um indivíduo, empunhando uma arma com o auxílio de um escudo, apontava sem perceber para um ser distante que travava uma batalha com dois jovens.

    — Onde estou?

    Os jovens gemiam a cada golpe, prostrados diante da força desmedida da anciã. A mulher, de corpo rígido e olhar cruel, parecia mover-se com a vitalidade de outrora, e cada investida sua trazia dor inevitável. Quando, por fim, subjugou ambos, voltou-se para Dam.

    Ele, ao perceber a ameaça que se aproximava, sentiu o coração apertar-se no pressentimento do perigo. Num gesto súbito, ergueu a Liana e disparou uma bala, como quem atirava não apenas por defesa, mas pelo desatino da própria sobrevivência.

    A idosa repentinamente fez uma pausa e estendeu a mão. Ela observava a bala com interesse, ao mesmo tempo que esboçou um sorriso. A bala girava até se tornar mais lenta, transformar-se em chamas e evaporar.

    Ele não desperdiçou tempo e disparou novamente. No entanto, a idosa desviou a bala para a lateral com a mão, avançou e atingiu o escudo com um forte chute, fazendo Dam recuar. Loi rapidamente se aproximou para atacar, contudo. Ela foi atingida por diversos ataques, e mesmo com sua defesa de vento, não conseguiu se defender.

    Era como se a velha atravessasse a barreira sem esforço e alcançava-a com golpes certeiros. O corpo da jovem sucumbia, estremecendo a cada impacto, e os gemidos ecoavam altos. Léo, que tentava erguer-se do chão, foi surpreendido por uma pedra atirada contra a testa e tombou inerte, apagado no mesmo instante.

    — Fracos demais. — Ele sorriu com desdém. — Sua técnica ainda não está completa. A regeneração do seu irmão é fraca, ele ainda não passa de um moleque.

    Atirou outra vez, mas a bala parou nas costas da velha e sumiu. Ele rapidamente pegou sua arma e atirou, mas não teve sucesso. Loi seguia levando muitos socos e soltava gemidos a cada pancada.

    Lai segurou a cabeça dela e apontou o dedo para Dam. Algo estava sendo feito naquele momento. Parecia que o ar estava se transformando em uma bola. Ele girava como um redemoinho e começava a parecer uma chama.

    A velha disparou. Dam ergueu o escudo a tempo, ou ao menos acreditou tê-lo feito. O projétil, contudo, rasgou o ferro como se fosse tecido frágil, abriu-lhe um buraco no centro e atravessou-lhe o corpo. O impacto atingiu os órgãos com violência, e ele tombou ao chão.

    O corpo dele jazia inerte no chão. Forçava-se a erguer-se, mas a carne já não lhe respondia; apenas os olhos, semicerrados, assistiam à cena que mais temia. O disparo corroía-lhe as forças, e a mente esmaecia, branca como véu que anuncia o fim. Por instantes, a consciência o abandonou. Quando despertou, o cenário havia mudado.

    Diante de seus olhos, ele observava alguém maltratar a sua irmã, que, feita um passarinho encurralado, pedia desesperadamente para que tudo aquilo cessasse ou que a levassem embora para nunca mais voltar. 

    Porém, a sua presa não dava descanso. Ao testemunhar aquele capeta despejando seu veneno na boca dela, algo dentro de Dam se desfez como açúcar em água quente. 

    Naquele instante, seu corpo simplesmente desapareceu. E Max, que havia descido a calcinha, chegando quase a tocar o bem mais valioso dela. Ele sentiu algo que se desenvolvia ao seu redor, mas quando se deu conta, foi atingido por uma cabeçada forte que o fez se distanciar.

    Os dois caíram ao chão. Max ergueu-se rapidamente, impassível, enquanto Dam permanecia imóvel, consumido pela dor. Por um esforço, reuniu forças e, com a voz de fúria, perguntou:

    — Quem é você?!

    — Que foi, Dam? Não me reconhece? Sou eu… Max.

    — Não… você não é ele. Essa aparência… essa energia negativa que emana… é como se fosse…

    — Izumi, não é? — completou, com um sorriso frio.

    — Sim… mas quem diabos é você?

    Max começou a dar voltas, os olhos grudados na joia rara de Loi, enquanto passava a língua nos lábios como quem esperasse um banquete.

    — Sou Max… mas também não sou. — Ele deu um leve sorriso, frio. — Diria que sou a parte que ele sempre negou mostrar aos outros… a sua verdadeira face.

    Ele se agachou diante do corpo desmaiado de Loi e segurou sua perna.

    — Por exemplo… ele nunca teria coragem de fazer algo assim.

    — Pare com isso! — gritou, a voz cheia de raiva e desespero.

    — Acalme-se. Vai acabar rápido — declarou ao aproximar sua língua entre as pernas de Loi.

    Dam implorava para que ele cessasse, mas Max parecia surdo aos apelos. Contudo, antes de conseguir encostar nela, seu corpo ficou travado como se fosse uma estátua.

    Ele percebeu que sua pele estava passando por uma transformação de cor e seu charme tinha desaparecido, retornando à sua coloração natural. Ele se ergueu e lançou um sorriso, comentando:

    — O tempo acabou? Que pena… — Ele fitou o rosto de Loi. — Mas ao menos a semente foi plantada. Aproveite bem, Max.

    — Hum? — Dam arregalou os olhos. — É você… Max? O verdadeiro?

    Ele ficou em silêncio e contemplou a bagunça que deixou pelo caminho. Ele observava tudo com um nó na garganta, mas, no fundo, não sentia aquele arrependimento sincero das escolhas que fez, visto que, na verdade, o autor de toda aquela confusão não era exatamente ele. 

    — Me desculpe… passei dos limites, não foi?

    — Sim. Muito. — O ódio nos olhos dele queimava.

    — Não me olhe assim. Não vai acontecer de novo… e, além disso, ela merecia sofrer.

    — Mas era mesmo necessário ultrapassar esse limite? — perguntou, a voz gravida de reprovação.

    Max fitou Dam por um instante, desviou o olhar para Loi e murmurou para si:

    — Limite… não é?

    Pôs os pés à frente, seguindo a trilha que levava ao corpo de Izumi, mas, num piscar de olhos, uma onda de hostilidade o acossou pelas costas. Ao se virar, um soco quente o lançou como um foguete, e ele perdeu a noção da gravidade por um instante. 

    Em um piscar de olhos, uma imensa torrente de fogo disparou na sua direção. Entrelaçando os músculos, ele se armou para reagir.

    Porém, o adversário não ficou por menos, subiu um pouco e desferiu outro golpe incandescente e invocou um cruzado de fogo que iluminou tudo ao redor.

    Com rapidez, Léo se aproximou, mesmo com Max imerso nas chamas. Ele acumulou fogo no punho e atingiu com força a cabeça do seu alvo, exclamando:

    — Punho de fogo!!!

    Max caiu no chão como um boneco de pano, sem controle. Léo descia devagar, com um sorriso de felicidade, e invocou sua foice como se fosse um maestro prestes a tocar uma música. Ele estava preparado para dar o golpe final em seu adversário.

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