Capítulo 169 de 20 – Acalme-se Dam, é somente uma mulher
Léo, que foi cortado, pensou imediatamente em escapar deste corpo. Ele tinha consciência de que, mesmo com a regeneração, seria inviável recuperar a totalidade da cabeça ou do corpo. No entanto, ao tentar se libertar do corpo, ele não conseguiu.
Droga, justo agora.
Ele considerou a hipótese de que, ao utilizar repetidamente a combinação de energia negativa a um corpo físico em um curto período, reduziu suas possibilidades de exercer total domínio sobre o corpo. Também, não estava seguro, mas talvez o corpo tenha sentido que poderia morrer se o demônio saísse.
Ainda vai me impedir, humano…
Com a aproximação crescente de Max, ele perdeu o controle de seu corpo, podendo controlar somente sua cabeça sem poder fazer nada. Quando o mestiço o levantou e questionou o que ocorreria se ele destruísse sua cabeça, o demônio, por um instante, considerou que ele poderia falecer.
Ao observar que, apesar de os ataques de aura não afetarem a energia negativa, o demônio percebeu que uma grande parte de sua energia negativa foi perdida no embate com o outro Max.
— Bem… vamos conversar… — O demônio havia desistido.
— Oh, como pensei… você desiste fácil quando as coisas apertam.
— …
Max se aninhou em uma das pedras, como um gato preguiçoso buscando energia, e, ao erguer a cabeça, soltou a pergunta:
— A sua outra parte… morreu?
— Não sei… perdi o controle.
— Entendo.
— Hum… pode segurar meu cabelo? Está desconfortável no pescoço.
Ele deu um sorriso e anuiu. Pegou seu cabelo e começou a balançar, mas o demônio não se incomodou, pois percebia que, ao contrário de Izumi, que o estava usando para alcançar o próximo destemido, Max não parecia muito preocupado com isso.
Se levantou e se aproximou do corpo do demônio.
— Qual é o seu nome?
— Léo.
— Não, o seu verdadeiro nome.
— Não temos um “verdadeiro” nome… mas antes eu era conhecido como Slother.
— Entendi.
Ele pegou o corpo do Léo que estava no chão e arrastou até perto de Idalme. Balançava a cabeça do demônio enquanto olhava para sua amada que estava no chão, sem consciência.
Mesmo assim, ela continua apetitosa.
Ele parou de balançar a cabeça do demônio, que já estava tonto, e perguntou:
— Não consegue curar ferimentos?
— Não, não no meu estado atual.
— Que inútil…
— …
— Então não tenho escolha.
Ele colocou a mão sobre a cabeça dela e lançou pequenas explosões imperceptíveis a olho nu em sua cabeça. A peituda despertou repentinamente, mas ao ver o seu amado segurando o demônio, começou a se tranquilizar.
— Max… — Lágrimas escorriam pelo seu rosto. — Você está bem?
— Sim. Muito bem, aliás.
Idalme, em um piscar de olhos, envolveu o mestiço em um abraço apertado, deixando as lágrimas escorrerem como se fossem uma cachoeira, enquanto se desculpava com fervor.
— Ui… ela… a Loi… a matou. O Izumi também… eu não consegui fazer nada… me desculpe…
Max a abraçou de volta, sussurrando que agora estava tudo bem.
— Idalme, eu sei que estás ferida, mas pode dar uma olhada no Izumi e no Ui?
— Hum? Sim…
O Slother, de olho nessa sem-vergonhice, se via mergulhado no abismo do tédio com essas quireras humanas.
Ele a transportou rumo a Izumi, mas, de repente, o corpo dela começou a se recuperar, mesmo sem que tivesse acionado o superpoder das cicatrizes.
— Isso é novo, não é?
— O quê?
— Seu corpo… está regenerando.
— Ham? Como assim? Não entendo…
Ela, consciente de que já não necessitava do suporte, iniciou movimentos independentes, e examinou cada parte do seu corpo. Rapidamente retirou uma faca do espaço e feriu sua mão, todavia, se curou.
— Eu fiquei mais forte?
— Idalme… o Izumi.
— Ah… sim.
Idalme tratou primeiro de Ui e, sem demora, voltou-se para Izumi. O semblante dela, gradualmente, transformou-se, revelando a preocupação que lhe pesava nos olhos. Max percebeu de imediato que não ouviria boas notícias daquela boca carnuda.
— Eu não consigo… os dois têm energia negativa demais… é impossível. Max? Eu… o que faço agora?
Nesse instante, ele experimentou um momento de paralisia mental. Em seguida, a ira aumentava nele, voltada para a pessoa que iniciou tudo. O seu semblante, anteriormente tranquilo, adquiriu uma expressão mais séria. Ele iniciou sua jornada em outra direção e solicitou que Idalme o acompanhasse.
— Cure o Dam.
— Sim.
Durante esse tempo, ele retornou ao local onde estava o corpo de Izumi para realizar a análise. Dam estava a caminho da recuperação, porém, subitamente, Idalme percebeu que Loi havia despertado e o seu desdém por ela se manifestou em seu semblante.
— Estou viva? — perguntou Loi, com a palavra trêmula.
— Vadia… — murmurou, a voz cheia de desprezo.
Quando percebeu a aproximação de Loi, a peituda manteve-se alerta, pronta para investir. De súbito, a mulher atirou-se sobre Dam, movendo-se com lascívia doentia, como fera dominada pelo cio. A visão daquela cena repulsiva arrancou dela uma fúria incontida; incapaz de suportar o deboche e os gemidos profanos, lançou-lhe um chute com toda a força.
— Não aguento mais… — Rangeu os dentes. — Sua puta!
Idalme retirou do espaço oculto o arco e a flecha, disparando contra Loi. No entanto, um instante de hesitação desviou-lhe a mira, e o tiro falhou.
Loi desabou no solo, numa dança de felicidade, e, despida como veio ao mundo, atingiu o céu em um êxtase que a levou a desmaiar ali mesmo. A peituda deu uma voltinha em seus pensamentos, tentando desvendar o mistério de seu estado lastimável, e foi nesse turbilhão que uma verdade surgiu.
— Max… — Ela o encarou, a voz tomada de raiva. — Max!
— Sim… — respondeu ele, calmo.
— Venha cá, agora!
O mestiço aproximou-se às pressas, intrigado com o que se passava. Contudo, ao ver Idalme apontar para o corpo de Loi estendido no chão, já pressentiu o sentido das palavras que ela estava prestes a pronunciar.
— Eu posso explicar — disse ele, levantando as mãos.
— Tudo tem uma explicação pra você… — Lágrimas escorriam de seus olhos. — Eu sou só uma boneca pra você?!
— Me desculpe…
— Não me toque! — Empurrou-o com força. — Dessa vez, não te perdoo!
— Acalmem-se… — murmurou Dam, tentando intervir.
Ambos voltaram os olhos para o atirador. Idalme enxugou as lágrimas e lançou Max um olhar torto, cheio de desconfiança.
— Vamos, Idalme… deixa eu explicar.
— Não! — gritou. — Não há explicação pra isso! Como você pôde? Ela… ela apunhalou o Ui… e você… vai e a come?! Eu te odeio!
— Eu… não foi bem assim…
Ignoravam Dam, deixado de lado como se não existisse. O atirador, ao observar a cena, percebeu que nada avançaria naquele estado. Então, ergueu a voz e disse:
— Max não tem culpa.
— Quê? Cala a boca! Isso não tem nada a ver contigo!
— Ele estava possuído…
— Possuído? — perguntou ela, incrédula.
Idalme, pouco a pouco, serenou o ânimo. Lançou um olhar a Max, que desviou o rosto para o lado, evitando-lhe a expressão. Em seguida, voltou-se para Dam e, com voz firme, perguntou:
— Como assim?
— Não sei explicar direito… mas ele estava parecido com o Izumi. Pele mais negra, cabelo branco e preto, dentes serrilhados.
— É verdade, Max?
— Sim… me desculpe.
A peituda deixou-se tomar pela responsabilidade das palavras proferidas. Sentou-se sobre uma das pedras próximas e, abatida, mergulhou na vergonha de si mesma, consciente das conclusões precipitadas que havia tirado.
Max, vendo como ela estava, se aproximou e a abraçou pela barriga.
— Ainda sou culpado. Achei que poderia ficar mais forte e deixei o demônio em mim me dominar. A culpa é minha.
— Mas… eu…
— Você tem razão sobre tudo. Sou uma pessoa horrível. Aquele demônio só revelou minha verdadeira natureza.
— Mas… você é humano, não é?
— Parece que não. Como sou irmão do Izumi, uma hora essa parte de mim ia despertar. Mesmo sendo o demônio que fez aquilo com Loi… no fundo, eu gostei. Por isso, pode me culpar. Sou uma pessoa podre que sente prazer com outras mulheres.
— Eu… preciso de tempo.
— Tudo bem.
Ele afastou-se, e o clima entre os dois tornou-se pesado. Enquanto isso, Dam dedicava-se a limpar a sujeira deixada por Loi.
Do espaço espacial, retirou algumas roupas masculinas — uma camisa e um short preto — e vestiu-se rapidamente. Ao notar o crescimento e o desenvolvimento da irmã, engoliu em seco e murmurou, ainda perturbado pelo que testemunhou.
— Acalme-se, Dam. É só uma mulher.
A indumentária do atirador a vestiu de tal maneira que ela se tornou uma verdadeira deusa do charme, mais encantadora do que de costume.
Ele notou que os seios dela eram mais volumosos do que aparentavam, como se ela tivesse colocado um cinto de segurança no decote para tirar um melhor desempenho nas batalhas. Mas agora, com uma blusa sobre os ombros e os seios fazendo uma dança de balança, mexia com a imaginação pura de Dam.
O short ressaltou que a sua traseira estava afiada como uma faca, em contraste com a calça antiga que parecia um balão desinflado. Com esse short, tudo parecia mais justo e, por ser vestuário do Dam, a situação ficou ainda mais interessante. Ele acabou deixando a mente vagar para terrenos bem safados com ela.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.