Capítulo 181 de 02 – Não és digno!
O grupo enfim alcançou a porta do quartel. A muralha, alta demais para revelar o interior, mostrava sinais de desgaste, como se antigas invasões a tivessem marcado. Pelo olhar de Max, aquilo não lhe pareceu recente; lembrava algo ocorrido muitos anos antes.
— Vamos entrar, Izumi? — perguntou Max.
Ativou seu speed Iz, observou melhor o local e respondeu, sorrindo:
— Já não era hora!
Loi, que seguia logo atrás, invocou uma bandana com o símbolo de seu clã e a estendeu a Izumi. Ele, porém, lançou-lhe um olhar de desagrado, afastou-a com o dorso das mãos e afirmou:
— Não me dirija a palavra.
Peituda, que estava logo atrás, ficou incrédula com o que Loi acabou de fazer e perguntou:
— Como… como você fez isso?
— Hum? — respondeu, confuso.
— Também quero saber, Loi — disse Dam. — Como usaste sua habilidade de espaço sem precisar abrir o portal?
— Está… falando disso? — perguntou, ao fazer a bandana desaparecer.
Os dois se mostraram surpresos com o que ela fez e tornaram a perguntar sobre aquela habilidade. Foi então que ela explicou:
— Bem… não é tão difícil de explicar… mas, na prática… é complicado de fazer… — disse, invocando a bandana novamente. — É só imaginar… invocando o espaço… mas com mais detalhes… tens que ser mais específico no que queres invocar… Por exemplo… quando colocam a mão no vosso espaço… pensam no que querem pegar… ou só esperam que ele lhes entregue…?
— Cala a boca! — interrompeu o mestiço, cerrando os dentes… — A sua voz me irrita.
Ele sacou a espada com rapidez e desferiu um corte, mas Léo a puxou para trás a tempo de evitar a morte dela. Izumi, por sua vez, fitou a própria espada com hesitação.
Absorvi aura?
Calmamente, ele parou para pensar e percebeu, no instante, que aconteceu a absorção.
Aquela bandana…
Ele se aproximou do pedaço que estava no chão e colocou a espada sobre ele. Começou a sentir uma leve aura; embora pouca, algo fluía para a lâmina, mas Izumi sentiu-se estranho. Mesmo tendo consumido tudo com a espada, percebia que uma aura muito tênue ainda penetrava nela.
— Ei, você… explica essa coisa — disse, ao apertar o pedaço da bandana nas mãos.
Todos ao redor ficaram curiosos com a pergunta dele, pois não demonstrava tanto interesse pelas pessoas.
— Izumi, o que está acontecendo? — perguntou Ui, envolvendo-o num abraço por trás.
Naquele momento, ele sentiu uma energia opressora vindo dela, mais intensa que o comum. Sem pensar duas vezes, desapareceu e reapareceu ao lado de Loi, deixando-a ainda mais apavorada.
A mestiça, de longe, fez beicinho e desaprovou a atitude dele. Izumi, com o Speed Iz ativado desde o início, a observava surpreso. Ela parecia a mesma de sempre, mas, naquele instante, transmitia a impressão de querer matá-lo.
Essa sensação… não vai embora nunca… todos continuam sendo meus inimigos…
Loi, ao lado, com medo de morrer, começou a gaguejar:
— A… a bandana… consegue absorver o Ki da natureza… e transformar em aura…
Izumi olhou para ela, confuso:
— Ki? O que é isso?
— Ki é uma energia que todo mundo tem… é como a base de tudo neste mundo. Nós convertemos Ki em aura para usar nossas habilidades.
— Hum? — O mestiço olhou para o seu irmão, ainda cheio de dúvida.
Max levantou os ombros, mostrando que é tão leigo quanto ele.
— Esquece isso — disse, impaciente — explica de um jeito que eu consiga entender.
Léo surgiu à frente dele e escreveu:
— Resumindo… ela pode ajudar a curar teus olhos, absorvendo a aura da natureza.
— E? — perguntou Izumi.
— E? — repetiu, impassível.
Ele ficou estranho, encarando o corpo sem cabeça, e disse:
— Esquece… só me dá outra.
Léo fez como Loi e invocou uma bandana, mas, em vez de vermelha, era amarela.
— Cuida bem dela… não tem mais disso.
— Ok.
Colocou a bandana para tapar os olhos e sentiu a aura circulando por ela. Ao concentrar a própria aura, percebeu a cor: era amarela.
Enquanto isso, Max se aproximou dos dois por trás e perguntou:
— Léo, isso pode ser fabricado?
— Não sei… apenas os herdeiros das leis tinham acesso, e era passado de geração em geração.
— Sério? Mas… uma delas foi cortada.
— Não se preocupe… o corte foi tão bem feito que ainda é possível juntar as peças.
— Entendo.
Idalme voltou a perguntar sobre o método de usar a invocação, mas um barulho eclodiu à sua frente. A grande porta de ferro foi cortada em pedaços, e vários destroços se acumularam no chão. Izumi começou a entrar, e Ui correu até ele. Enquanto isso, Léo disse que explicaria depois, e Slother, como sempre, permaneceu calado.
O mestiço entrou no quartel, e vários destroços se espalhavam ao redor: armaduras, espadas e corpos humanos reduzidos a ossos jaziam inertes no chão. Ainda assim, o mestiço não se importou e continuou avançando.
— Izumi… isso parece perigoso — disse Ui, com desgosto.
Na sua frente tinha uma outra porta enorme, de uns cinco metros, e ao lado estendia-se uma muralha. Ao sacar sua espada, rapidamente afastou-se para trás ao segurar Ui. E aquela porta enorme foi subitamente aberta abruptamente por dentro.
Os que viam atrás ficaram surpresos com o que presenciavam; a aberração que saía da porta ficava cada vez maior. Izumi, no entanto, olhava para baixo, sorrindo, e lembrou que já havia lutado com algo bem maior que aquilo.
A figura lembrava a de um humano corpulento, mas gigantesco, com a pele completamente negra, e emanava uma energia negativa que parecia sufocar o ambiente. Sua altura aproximava-se de oito metros, mas começou a diminuir até cerca de seis metros.
— Parou de crescer? — perguntou o mestiço. — Assim perde a graça! — gritou, sacando a espada.
O colossal, com um gesto firme, fechou a porta atrás de si e declarou, com voz cheia de autoridade:
— Somente aquele que for digno de me derrotar poderá passar! — bradou o colosso.
— Oh… a besta sabe falar — respondeu Izumi, com desdém.
O gigante inclinou a cabeça, observando a “formiga” abaixo de si, e perguntou:
— Considera-se digno, pequeno ser? Então me derrote.
Franziu o cenho, a veia pulsava no pescoço.
— Pequeno? — repetiu, entre dentes. — Vou te mostrar o que é pequeno! — gritou, avançando.
Ele rapidamente saltou e desferiu vários cortes no corpo do demônio, mas só conseguiu coçar o corpo corpulento do inimigo. O colossal, então, soprou a mosca que zumbia ao seu redor e o fez cair no chão com força.
— Só isso? — questionou com dúvida. — Não és digno!

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