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    Sen To Ishi, a habilidade ofensiva de Izumi, quando alcançava os cem por cento na lâmina, fazia a energia negativa assumir tonalidade negra e pulsar de modo frenético em sua mão. 

    Quanto mais depressa ele lançasse essa força contra o inimigo, menor seria o dano que o corpo precisaria suportar. Em suma, expunha grande parte de sua própria energia para fora, sem exigir controle extremo, e aniquilava os adversários com o poder destrutivo que carregava.

    Sen To Ishi não era um golpe cortante, mas sim destrutivo; contudo, naquele instante, o mestiço não sentia que podia liberar o ataque mais poderoso e obliterar o inimigo. 

    Compreendeu o motivo com rapidez ou, antes, já o compreendia no confronto contra Camion. Quanto maior se tornava sua aura, mais a própria energia negativa recusava permitir o uso pleno de seu poder.

    Mas, dessa vez, as coisas estavam diferentes. Na luta contra Camion, o mestiço apenas conseguiu usar um por cento da capacidade total de seu ataque mais forte. No entanto, como muitos já sabiam… dez por cento. 

    O ataque estava mais poderoso do que antes, e os resquícios de energia negativa fluindo ao redor da espada eram mais perceptíveis do que antes.

    — Me diga de novo — disse ele, embainhando a espada com calma. — Eu… não sou digno?

    Izumi, com os lados totalmente cobertos por uma barreira que deixava o sangue escorrer pelo chão, viu ao longe a grande porta, partida em dois, desabar. Olhou para trás e percebeu Ui observá-lo com admiração, embora surpresa.

    O sangue espalhado pelo piso alcançou seus pés, e Izumi seguiu calmamente em direção à porta, enquanto o que escorria do corpo tornava o chão cada vez mais avermelhado.

    Todos seguiram pelo mesmo caminho, ainda que hesitantes, pois o demônio imenso bloqueava grande parte da passagem. Max, ao passar, tocou a carne cortada e ficou abismado: um ataque tão poderoso, que parecia limpo no golpe inicial, destruiu o corpo do inimigo, mesmo o deixando em apenas dois pedaços.

    Naquele instante, julgou que o corte foi limpo, mas parecia haver um segundo ataque que arruinou a precisão do golpe de seu irmão. Pensou ser o único a notar isso, sobretudo pelos vestígios de aura ainda presentes no corpo inerte no chão.

    Ao passar pelo portão, Izumi ficou surpreso com o que via adiante. Diferente da porta antiga, que era de ferro, aquela parecia mais frágil, pois um material de madeira não exigia grande esforço para ser destruído.

    Ele sacou a espada novamente; contudo, surpreendeu-se ao ver a porta de dois metros abrir por conta própria, movendo-se lentamente para o lado. 

    O mestiço atravessou a passagem. Quando, subitamente, todo o local se tornou luminoso, como se a própria parede brilhasse. Encontrou um homem ruivo, de cabelos espetados para cima, lembrava um afro, mas formado por tranças, 

    — Bem-vindos, vencedores! — disse o homem, abrindo os olhos e revelando o brilho amarelo-claro de suas íris.

    O destemido cruzou as pernas, e a sua calça saia preta balançou com o movimento. Max, enquanto observava ao redor, percebeu que os quartéis dos destemidos costumavam ser iguais: um trono, um relógio no topo e várias estátuas de pessoas ao redor. Porém, naquele, as estátuas estavam danificadas, e a maioria não tinha cabeça.

    Izumi levantou a bandana para observar melhor o inimigo e perguntou:

    — Quem é você?

    O destemido se apoiou no ombro da poltrona, levou a mão à boca e respondeu:

    — Essa é a primeira vez.

    — Hum? — perguntou, segurando firme suas espadas.

    — Os últimos desafiantes me chamavam de “destemido” ou “inimigo da humanidade”… mas isso é novo. — Um sorriso surgiu em seus lábios laranja-claro. — Ninguém nunca havia me perguntado sobre mim. Isso… me deixa feliz!

    Izumi sacou lentamente suas espadas. O destemido, percebendo a elevação de sua intenção assassina, descruzou as pernas, apoiou as duas mãos na poltrona, afastou as costas do encosto e perguntou, enquanto emanava energia negativa ao redor:

    — Tem certeza?

    Todos, naquele instante, sentiram algo abismal, fora do comum. Quem já teve contato com a intenção assassina provavelmente pensou e percebeu a mesma coisa: aquele inimigo estava fora de qualquer padrão, e em suas mentes surgia a pergunta — seria aquela a força de uma das sete energias negativas?

    — Que querem fazer isso?

    A voz dele impunha ordem aos corpos; respirar, algo comum e automático, tornava-se uma obrigação imposta por si mesmos. Questionavam-se sobre o real controle que tinham sobre o próprio corpo. Faziam-no de maneira tão intensa que parecia que todos na presença do destemido se tornavam asmáticos.

    Izumi, único a agir de forma diferente, permanecia de pé sem sofrer efeitos físicos, mas seu psicológico foi abalado diante daquela realidade. Naquele instante, pensou:

    Três? Não… talvez cinco. Caralho, não para de subir! Dez? Não pode ser… é energia demais. Ele tem dez vezes mais energia negativa que eu?

    No entanto, isso não impediu o mestiço de atacar o inimigo à sua frente. Olhou para trás e percebeu o sofrimento dos demais, e a intensa energia negativa que emanava de Max e Ui deixou de ser sentida, fazendo-o duvidar do que realmente acontecia.

    Mas isso não foi suficiente para fazê-lo fracassar. Sacou suas espadas e ativou sua habilidade mais poderosa.

    — Ohhh! Interessante! — disse ele, sorrindo enquanto abanava a mão na direção de Izumi. — Venha.

    — Não me subestime!!! — berrou, liberando seu ataque mais poderoso.

    Ele ficou surpreso por conseguir ativar seu ataque mais poderoso. Incrivelmente, parecia ainda mais forte do que antes. Concentrou a força nos pés e, ao avançar, o chão partiu-se em pedaços.

    Naquele instante, o mestiço percebeu que aquele seria o ataque mais potente que já realizara em sua vida. Com o Sen To Ishi na espada esquerda, desferiu o golpe no pescoço do inimigo e gritou:

    — Morra!!!

    Izumi, naquele instante, ficou surpreso com seu ataque. Era tão destrutivo, mas desapareceu antes mesmo de brilhar por completo. O sangue escorria do inimigo cortado, pingando sobre o trono e sobre a camisa de manga longa da mesma cor das calças, mas isso não impediu o destemido de pronunciar suas palavras:

    — Poderoso, no entanto…

    Atacou rapidamente com a outra espada para finalizar. A lâmina atravessou o inimigo, e o mestiço ficou surpreso ao ver um corte tão limpo que nem parecia ter sido feito pelo destemido.

    — Não foi concentrado! — continuou.

    Ele ficou surpreso ao ouvir o inimigo falar depois de ter o rosto cortado em dois. No entanto, ao olhar para a própria mão, percebeu que a espada não estava mais ali e que a mão estava quebrada. Naquele instante, Izumi pensou:

     Não pode ser… ele segurou meu ataque mais poderoso com dois dedos… e destruiu minha outra mão?

    No entanto, não desistiu. Girou o corpo para desferir aquela cabeçada mais forte do mundo, mas o pescoço foi segurado antes que pudesse completar o movimento.

    — Ousado, mas simples demais…

    Cuspiu sangue, incrédulo com o que acontecia; nem ele podia acreditar no que sentia. A mão destruída não se curava, e o peito foi perfurado como se fosse uma lâmina.

    Estou morrendo?

    — Aprovado! — declarou, olhando para os olhos mortos do mestiço e um sorriso frio se formando em seu rosto.

    Izumi sentia-se estranho. O corpo permanecia dormente, a visão ameaçava se fechar, e ele compreendia, a cada instante, que aquele seria o seu fim. A imagem de sua mãe surgiu em sua mente no momento da morte dela.

    Sentia raiva e desejava continuar, mas as mãos não se levantavam. O mestiço não queria aceitar que, naquele momento, foi mais fraco.

    — Como era mesmo… a sua frase de efeito?

    Naquele instante, quando o inimigo falou sobre sua frase de efeito, Izumi sentiu algo profundo, mas recusou-se a aceitar. Ainda assim, a frase pairou em sua mente.

    Eu realmente fui humilhado?

    — Você Foi Humilhado! — declarou o inimigo.

    Os olhos do mestiço fechavam-se aos poucos, e a morte aproximava-se. Antes que percebesse, a imagem de Ui em sua mente desapareceu gradualmente, até que tudo ficou totalmente escuro. Sim, ele morreu de forma humilhante, de um modo que jamais esperava.

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