Índice de Capítulo

    Quando Izumi saiu daquela sala e seguiu em direção ao exterior do quartel, ele parou de repente, surpreso com o que sentiu ao atravessar novamente o grande portão que havia cruzado antes.

    Ui, sem entender o motivo de seu amado parar subitamente, abraçou-o por trás e perguntou:

    — Estamos sozinhos, né, Izumi?

    Porém, ele a ignorou, focou em cheirar tudo ao redor e ficou ainda mais surpreso.

    — Nenhum vestígio…

    Ele aprofundou ainda mais o olfato, no entanto não sentiu nada daquele ser; era como se nunca tivesse existido naquele local.

    — Izumi?

    Ui, sem entender, olhou para frente, sem acreditar no que estava vendo, e perguntou:

    — Onde… onde está aquele demônio?

    — Não sei — respondeu. — Seja o que for, é mais um inimigo para eu matar.

    Quando o mestiço aprofundou o olfato, percebeu que Max havia caído no chão. Ele sacou as espadas com rapidez e ativou sua habilidade mais forte. Em um instante, voltou àquela sala e desferiu o corte veloz; no entanto, o destemido defendeu sem dificuldade.

    — O que você fez?

    — Esse rosto? Sentes raiva, mestiço? — perguntou Armon. — Interessante!

    — Responda! — gritou.

    Como a pergunta recebeu um sorriso, o mestiço girou a espada em um corte giratório e declarou:

    — Kotxi giratório!

    O destemido afastou-se para trás e disse:

    — Acalme-se, ele está bem.

    — Hum?

    Izumi se posicionou para desferir o próximo ataque, mesmo sabendo que não surtiria efeito algum. Todavia, o destemido desapareceu de sua vista e reapareceu no trono. O mestiço ficou incrédulo; aquilo não parecia apenas velocidade, era como se ele tivesse desaparecido e surgido naquele lugar.

    Ele olhou para trás e viu Idalme socorrendo-o, e perguntou:

    — Max está bem?

    — Sim — respondeu Idalme. — Parece estar apenas inconsciente.

    Izumi olhou ao redor e viu Dam cochichando com os irmãos. Lentamente, ele apontou para o atirador e disse:

    — Você, humano.

    Quando apontou, Loi tremeu de medo de morrer. No entanto, Dam perguntou:

    — Falou comigo? — disse, sério.

    — Sim, carregue Max.

    Ele olhou para o mestiço no chão e, com voz firme, declarou:

    — Eu me recuso!

    Naquele momento, todos acreditaram que Izumi iria liberar sua intenção assassina, mas não aconteceu; ele se manteve calmo. Todavia, seu corpo brilhou por um instante, e ouviu-se o tinido da espada.

    — Arrrrggggghhhhhhhh! Meu braço!!!!!

    Todos voltaram o olhar para a pessoa que gritava em agonia enquanto sangue se misturava à água. No entanto, Léo, que estava por perto, aproximou-se da irmã e queimou a ferida. Dam, mesmo preocupado, manteve os olhos fixos em Izumi.

    Como? Eu não pisquei o olho nem por um segundo, mas mesmo assim, não vi nada… 

    O mestiço sorriu de canto de boca e lançou sua intenção assassina diretamente sobre Dam, que caiu de joelhos no chão, agonizado. E, mais uma vez, perguntou:

    — Carregue Max ou quer que eu destrua esse braço?

    Ele apertava cada vez mais o braço de Loi, e o sangue jorrava em maior intensidade. Enquanto isso, o atirador relutava em cumprir tais ordens.

    — Dam!!! — gritou Léo. — Faz o que ele diz, por favor!

    O atirador cerrou os dentes e franziu a testa, dizendo:

    — Eu carrego…

    A intenção assassina cessou, e Dam começou a se recuperar aos poucos. Andou lentamente e, ao passar pelo mestiço, escutou:

    — Devia ter feito isso desde o início.

    O atirador sentiu imensa raiva, mas não podia fazer nada naquele momento. Quando o atirador colocou Max nas costas, Izumi lançou o braço cortado na direção de Loi e disse:

    — E vocês dois ficam. Não quero traidores no meu time.

    Léo abriu a boca para dizer algo, mas parou quando Loi o segurou pelo braço e abanou a cabeça em negação. Dam, por sua vez, refletiu consigo mesmo:

    Eu estava sendo testado?

    — Vamos! — ordenou o mestiço.

    — Esperem! — disse Armon, em seu trono. — Levem isto. — Jogou algo na direção de Izumi.

    O mestiço pegou o papel, abriu-o e franziu a testa ao ver o conteúdo.

    Um mapa?

    — No mapa estão colocados os próximos locais a que precisam ir — disse o destemido. — Os marcados em vermelho são os locais onde há outros como eu.

    — Como você? — perguntou, segurando a espada.

    Armon sorriu de canto e respondeu:

    — Vá!

    Izumi quis perguntar mais alguma coisa, mas hesitou. Embrulhou o mapa, lançou-o na direção de Idalme e ordenou novamente.

    — Vamos!

    Ao andar em direção à saída do quartel, Ui, que permanecia calada, o seguiu, e o resto do bando foi atrás. Naquele momento, todos, mesmo alguns relutantes, viam o mestiço como líder.

    Ao chegar à parte onde deveria haver um demônio morto, Idalme ficou surpresa e perguntou:

    — Onde está aquela coisa?

    — Amiga, também não sabemos — respondeu Ui. — Eu e Izumi ficamos surpresos quando vimos, até o cheiro sumiu, como se ele nunca tivesse existido. Não é, Izumi?

    — Ignorem isso — respondeu. — Vamos sair deste local o mais rápido possível.

    A mestiça, surpresa, perguntou:

    — O que isso quer dizer?

    — Aquele demônio era forte demais. Precisamos ficar mais fortes para quando voltarmos.

    — Quê?! — A peituda perguntou, surpresa. — Tem certeza disso?

    — Sim, eu ainda posso ficar muito mais forte! — declarou Izumi.

    Ui, vendo a declaração dele, pulou em suas costas e gritou:

    — Vamos ficar fortes juntos!

    No entanto, de repente, ela ficou parada no ar até perceber que seu amado havia desaparecido, em seguida, tombou no chão. Enquanto isso, a peituda refletiu consigo mesma.

    Como ele planeja ficar mais forte do que já é?

    Continuaram avançando e seguiram o mapa com a orientação de Idalme e Dam, já que nem a peituda entendia bem sobre mapas. Não demorou para Max acordar e provocar todo aquele problema.

    Quando Max estava prestes a explodir, seu irmão ativou sua habilidade mais forte e chutou o queixo dele, fazendo-o voar até o céu e explodir como fogos de artifício.

    O corpo do irmão começou a cair rapidamente; Izumi, ao perceber que Max estava inconsciente, o agarrou e o colocou no chão. Idalme, preocupada, aproximou-se.

    Ui, ao lado, perguntou:

    — O que é isso de viado que o fez ficar tão irritado?

    Naquele momento, todos olharam para Dam e esperavam uma resposta. Ele, constrangido, respondeu hesitante:

    — Viado é… quem gosta de homem.

    — Quê! Eu sou viado!!! — gritou Ui, em pânico.

    — Então todas as mulheres são viados? Coisa estranha — disse Idalme, pensativa.

    — Não é isso — negou o atirador. — Viado é usado apenas para denominar um homem que gosta de outro homem.

    — Outro homem? — perguntou a mestiça.

    — O Max? — questionou Idalme.

    As duas se olharam em dúvida e começaram a rir alto. Izumi, ao lado, virou-se de costas e riu baixo também; nem ele acreditava que alguém poderia chamar o irmão daquilo, principalmente quando descobrisse o significado.

    — Por isso ele ficou irritado? — murmurou Izumi, com um sorriso.

    Após rirem bastante, as coisas se acalmaram, e a peitos imensos olhou para Dam, dizendo:

    — Dam, isso foi engraçado, mas é melhor não dizer isso de novo.

    — Concordo — disse a mestiça.

    Ele hesitou, mas concordou com a cabeça, e Ui aproximou-se dele com um sorriso; negando com a mão e sorrindo, disse:

    — Não o chame de viado, tá?

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