O clima mudou.

    Olhar sério.

    — James… — murmurou Rivna, aliviada e assustada ao mesmo tempo.

    Pearl deu um passo para trás.

    — Então esse é o famoso vice-capitão… — disse ela. — Chegou tarde.

    James não respondeu.

    Seus olhos estavam em Lance.

    — Controle mental baseado em contato direto — disse. — Que coisa nojenta!

    Lance tentou atacá-lo.

    Ele ergueu a mão.

    Uma barreira invisível se formou em frente a Lance.

    A barreira o segurou.

    James apareceu atrás dele em um piscar de olhos e o golpeou na nuca com precisão cirúrgica, deixando-o inconsciente.

    Lance caiu de joelhos.

    Pearl rangeu os dentes.

    Silêncio absoluto.

    Pearl tentou fugir.

    James a encarou.

    — Aonde pensa que vai?

    A grama aos pés de James virou lâminas, que voam perfurando a perna de Pearl, fazendo-a cair.

    — Você vai responder muitas perguntas.

    O medo surge em seu rosto.

    Pearl se atira para tentar beijar James.

    Ao encostar em seus lábios, a mente de Pearl escuta vozes, gritos, algo que nunca viu antes.

    — O que é você? — Caí ao chão assustada, olhando para James.

    — Eu planejava me guardar para minha futura esposa, que droga. — Ele limpa a boca e caminha em sua direção.

    Uma barreira se fechou ao redor de Pearl.

    Ao fundo, sirenes da Nexus se aproximavam.

    Um helicóptero chega no céu, com luzes iluminando o lugar.

    Rivna correu até Lance, segurando-o com força.

    — Lance!! — Rivna o balança tentando o acordar.

    — Está tudo bem, Rivna, ele agora está salvo! — James chega, colocando a mão em seu ombro. — Todos vocês agora precisam de tratamento médico!

    Ao longe, Jasmim observava.

    — Esse show foi melhor do que eu esperava! — Ela sorri. — Aquele garoto dos raios também é muito interessante, seria ótimo trazê-lo para a Ordem! 

    Horas depois…

    A base improvisada da Nexus ainda cheirava a metal aquecido e antisséptico. Luzes brancas demais refletiam em paredes limpas demais para quem tinha acabado de sobreviver a algo que não deveria existir. Monitores apitavam em ritmos constantes, quase irritantes, como se tentassem convencer a todos de que tudo estava sob controle.

    Lance estava sentado na beira da maca, os braços estavam engessados, seus olhos lacrimejavam. Ele ainda lembrava da dor de uma batalha a qual não pôde escolher.

    A imagem voltava em fragmentos, não como um sonho, mas como uma lembrança quebrada: o corpo avançando sozinho, o impulso violento, a sensação de ser empurrado por dentro. Ele lembrava do alvo. Lembrava dos rostos.

    O estômago se contraiu.

    — Eu senti… — murmurou, para ninguém. — Eu senti a vontade. 

    A porta deslizou com um sussurro suave.

    Rivna entrou devagar.

    Ela parou a alguns passos dele. Não se aproximou. Não por medo consciente, ela sabia disso, mas porque o corpo lembrava antes da mente.

    Os olhos dela desceram para as mãos de Lance.

    — Ainda dói? — perguntou, num fio de voz.

    — Não é isso. — Ele respirou fundo, como se o ar estivesse pesado demais. — Eu… machuquei vocês.

    Silêncio.

    Rivna engoliu seco.

    — Mas você parou e lutou contra o controle.

    — Porque doeu. — Ele levantou o olhar, finalmente. — Porque meu corpo estava quebrando. Se não fosse isso…

    Rivna deu mais um passo. Depois, outro.

    — Quando você me pediu ajuda — disse ela — Eu congelei… você estava na minha frente, prestes a me atacar.

    — Rivna, me descu…

    — Eu sei. — Ela o interrompeu, a voz firme apesar do tremor. — Eu sei que não era você. Mas meu corpo não sabe.

    Ela fechou os olhos por um segundo.

    — Lance, você lembra da nossa conversa depois da nossa primeira missão em campo juntos?

    — Lembro sim, você estava muito mal com o que aconteceu.

    — Eu tive outra crise na hora, não conseguia pensar em nada claro… — ela aperta seus dedos. — Mas… ver você lutando contra si mesmo… trouxe minha consciência de volta.

    Lance baixou a cabeça.

    Rivna respirou fundo. Ela se aproximou de vez e se sentou ao lado dele.

    — Você virou a prova de que também posso lutar contra os meus medos e dores que me controlam, para que eu possa ser útil e ajudar os meus amigos!

    Ele a encarou, surpreso.

    — Não vai ser fácil, mas eu vou tentar! — Rivna dá um sorriso descontraído.

    — Não anula o fato de que eu quase te machuquei.

    — E não machucou. — Rivna pousou a mão sobre a dele, firme. — Porque, mesmo controlado, você escolheu parar, escolheu lutar e assumir o controle.

    Katsu e Yara chegam na sala.

    — Lance, meu amigo, desculpa por ter machucado você! — Katsu falava enquanto chorava.

    — Tá tudo bem, Katsu. Desculpa se também te machuquei. 

    — Isso não foi nada, você conseguiu resistir bastante ao controle. 

    Lance vê os braços e o corpo de Katsu enfaixados. 

    — O que aconteceu com seu corpo? Isso foi minha culpa?

    — Na verdade, isso foi mais culpa minha… — Katsu abaixa a cabeça e olha para seu corpo. — Meu corpo teve queimaduras de 2º grau, criadas pelo meu poder… 

    Todos na sala ficam surpresos ao ouvir.

    — Mas agora está tudo bem, e novamente me desculpa por tudo! — Ele se curva, pedindo perdão.

    Lance olha para Yara.

    — Me desculpe também, Yara, por ter machucado você.

    — Está tudo bem, Lance, o importante é que todos estamos bem! — fala, desviando o olhar para os lados.

    “Mesmo com a dor que esse poder me traz, fico feliz por conhecer todos vocês” — Lance pensa enquanto sorri.

    Yara olha para Rivna, sentada ao lado de Lance.

    Rivna percebe e olha para ela sentada ao lado de Lance, seu rosto fica vermelho e ela se levanta envergonhada.

    Lance estranha, mas permanece em silêncio.

    — O que vocês acham de assistirmos algo? Podemos ir ao cinema! — Katsuo fala empolgado.

    — É uma ótima ideia, também posso participar?

    Rays chega na sala, com uma muleta.

    — Claro, Rays, você também faz parte do grupo e é nosso amigo!

    Eles conversam e riem juntos, enquanto planejam seu passeio ao cinema.

    Ainda dentro da base da Nexus, em um andar subterrâneo.

    A cela era simples. Vidro reforçado, paredes nuas, luz constante.

    Pearl estava sentada no banco, as pernas cruzadas, o rosto limpo demais para alguém que tinha causado tanto estrago. Não havia algemas visíveis. Não havia pânico.

    Havia curiosidade.

    James entrou com passos medidos.

    — Confortável? — perguntou.

    — O suficiente — respondeu Pearl, sorrindo de leve. — Não é a primeira vez que fico presa a expectativas.

    James não reagiu.

    — Você sabe o que fez.

    — Sei. — Ela inclinou a cabeça. — E você sabe que eles fariam o mesmo se pudessem.

    — Não. — James se aproximou do vidro. — Eles não tirariam a escolha de alguém.

    Pearl levantou a cabeça encarando o vidro.

    — Aquele garoto — continuou Pearl. — O que resistiu. Lance, não é?

    James não respondeu.

    — Acho que entendi o porquê de ela o querer… — O sorriso dela se afinou. 

    James arregalou os olhos e entrou dentro da cela. Ele se aproximou de Pearl e a encarou nos olhos.

    — De quem você está falando?

    — Não vou falar!

    — Não precisa, já sei de tudo! — James se vira com um sorriso.

    — Sou só o começo. A Nexus vai cair!

    — Então terei que impedir! — Uma voz firme chega.

    — Há quanto tempo, Klaus! — fala James, surpreso.

    Surge um homem com a postura firme, olhar frio e duas espadas em suas costas.

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