CAPÍTULO 32 — Blue ou Black?
O corredor era estreito demais para erro.
Yara parou primeiro.
— Rays…
Penas negras começaram a sobrevoar ao redor.
Rays ergueu o olhar lentamente.
No alto da parede irregular da caverna, alguém estava de pé como se a gravidade fosse opcional.
Cabelos escuros.
Olhar frio.
Silencioso.
Karasu observava fixamente.
— Interessante… — Karasu murmurou. — Você não parece assustado.
Rays não respondeu.
A eletricidade começou a estalar em volta de seus dedos.
— E você parece perdido.
O ar ficou pesado.
Karasu inclinou levemente a cabeça.
360 graus. Dez metros ao seu redor. Nenhum ponto cego.
Corvos surgiram das sombras.
Cinco, depois oito, dezenas.
— Tente algo rápido — Karasu continuou. — Quero confirmar uma hipótese.
Rays desapareceu.
Um clarão azul cortou o corredor.
Ele surgiu atrás de Karasu.
Punho carregado, mas antes de atingir.
As penas explodiram ao redor.
Karasu já havia girado o corpo no ar.
— Você acelera antes de atacar — disse ele calmamente. — A corrente elétrica altera a pressão do ar.
Ele pousa ao chão.
Rays reapareceu no chão, deslizando para trás.
Karasu instantaneamente reage.
Mas um golpe que ele não pode nem sequer ver o atinge no rosto.
Jogando-o contra o chão.
Um pequeno corte apareceu em sua bochecha.
Ele tocou o sangue.
Karasu franziu levemente a sobrancelha.
“De onde veio esse ataque? Como eu não vi?” — Karasu entra em choque, tentando entender a situação.
— Ele nem se moveu…
— O que aconteceu, passarinho? Não viu meu ataque? — Rays provoca enquanto estala o pescoço.
O grupo de Karasu se assusta, pois é a primeira vez que vê Karasu sobre o chão após um ataque.
Rays se aproxima pela frente.
Corvos surgem, limitando a distância.
É quando os corvos explodem, criando uma brecha na direção de Karasu.
Ele usa sua visão 360. Ele vê todos os lados e aberturas de seu próprio corpo.
Uma explosão invisível o atingiu lateralmente.
O chão rachou.
Karasu pousou de joelhos no chão, penas amortecendo o impacto.
Ele ergue lentamente a cabeça para Rays e sorri.
— Ataques invisíveis… então é isso.
Mais corvos surgiram.
Eles começaram a circular Rays.
Cada um em uma altura diferente.
— Se eu não posso ver o ataque — disse Karasu — então eu amplio o campo de leitura.
Os olhos dele ficaram mais atentos.
Os corvos começaram a repetir micro movimentos do ambiente.
Rays estalou a língua.
“Ele está usando os corvos como sensores, qualquer movimento os corvos irão sentir antes de chegar nele…”
Yara e o grupo de Karasu assistiam de longe, atentamente.
Eles perceberam que aqueles dois estavam em um nível diferente, qualquer intromissão iria atrapalhar mais do que ajudar.
Karasu ergueu a mão.
As penas se transformaram em lâminas finas.
— Você é forte, mas vamos encerrar isso.
As lâminas dispararam de todos os ângulos.
O corpo de Rays é coberto de raios azuis.
Rays acelerou.
Ele se moveu entre os projéteis como um raio, quebrando a noite.
Mas um arranhão surgiu em seu ombro.
Karasu acompanhava e calculava todos os seus movimentos atuais e possíveis ainda realizados.
— Não há como escapar da minha visão. — disse Karasu, pousando atrás dele.
Rays tenta se afastar, mas cortes em sua perna aparecem, fazendo-o tropeçar.
Ele sai rolando contra o chão, mas rapidamente salta se prostrando em pé.
Rays virou o rosto lentamente.
Um leve sorriso apareceu.
— Você se orgulha muito desses seus olhos, não é? Você vê todos os ângulos, não é? Mas pode reagir a eles?
Ele bateu o pé no chão.
Raios começam a se espalhar pelo ambiente.
Os corvos se dissiparam em faíscas.
Karasu saltou para trás.
— Você é forte, só não é mais forte do que eu! — Rays dá um sorriso enquanto os raios aumentam. — Flash zone.
Rays começa a saltar entre as paredes e o chão em uma velocidade descomunal, as paredes e o chão se racham, um estalo de raios ensurdecedor é gerado.
Saltos em zigue-zague, em todas as direções e ângulos.
Karasu invoca mais penas que o cercam.
Com sua visão, ele tenta acompanhar Rays, mas a velocidade é muito grande.
Pela primeira vez, Karasu, com sua visão absoluta de que tanto se orgulha há anos…
Ele vê alguém que está presente nos 10 metros de sua visão simultaneamente…
— Difícil acompanhar? — Rays aparece nas costas de Karasu.
Ele tenta virar-se, mas é lançado ao teto com um chute invisível.
Rays se afasta após o ataque.
Respiração ofegante.
Coração acelerado.
— Impressionante… Contra você posso lutar de forma livre. — Karasu se levanta com penas sobrevoando ao seu redor.
Os dois ficaram frente a frente.
Ao longe, um som ecoou pelo labirinto.
Uma estrutura se movendo.
Karasu olhou para o teto.
Rays também ouviu.
— É verdade, só restam apenas 30 minutos…
Eles se encaram.
Ambos entenderam ao mesmo tempo.
Se continuassem…
Os dois perderiam tempo, e talvez não conseguissem completar a fase.
Karasu foi o primeiro a abaixar a guarda.
— Você é forte demais para ser eliminado agora, que tal uma trégua?
Rays cruzou os braços lentamente e relaxou os ombros.
A eletricidade desapareceu.
— Você está certo! É melhor resolver isso depois de sair desse labirinto.
— Minha visão cobre dez metros. Posso identificar armadilhas e emboscadas antes que se ativem, e com meus corvos posso cobrir vários caminhos.
Rays completou:
— Eu posso atravessar trechos longos rapidamente e testar rotas sem ser atingido.
— Que tal unirmos forças por enquanto para depois terminar nosso duelo? — Karasu perguntou enquanto estendia a mão.
— É uma ótima ideia. — Rays respondeu, apertando sua mão.
Yara soltou o ar que nem percebeu que estava segurando.
Karasu virou-se.
— Sigam-me. Estou sentindo movimentação a leste do corredor. A saída está naquela direção.
Rays caminhou ao lado dele.
E os dois seguiram juntos.
O labirinto agora não tinha apenas sobreviventes.
Tinha dois predadores caminhando lado a lado.
Do lado de fora, fogos e gritos ecoavam.
Os primeiros a completar a fase 1 e saírem do labirinto foram…
Os membros da 4ª Divisão.
Que cruzavam a saída com suas cabeças erguidas e um olhar confiante.
Todos estavam ilesos.
— Que prova fácil. — Fubuki caminhava sobre a saída enquanto bocejava.
— Poderia ter sido mais rápido se você não ficasse levando a gente para corredores sem saídas. Por que você não usou seus poderes para atravessar tudo?
— Aí não teria graça nenhuma. Estou tão entediado.
O grupo é aplaudido de pé por toda a plateia.
Agora faltavam apenas 30 minutos para o fim da 1ª fase.

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