O corredor era estreito demais para erro.

    Yara parou primeiro.

    — Rays…

    Penas negras começaram a sobrevoar ao redor.

    Rays ergueu o olhar lentamente.

    No alto da parede irregular da caverna, alguém estava de pé como se a gravidade fosse opcional.

    Cabelos escuros.

    Olhar frio.

    Silencioso.

    Karasu observava fixamente.

    — Interessante… — Karasu murmurou. — Você não parece assustado.

    Rays não respondeu.

    A eletricidade começou a estalar em volta de seus dedos.

    — E você parece perdido.

    O ar ficou pesado.

    Karasu inclinou levemente a cabeça.

    360 graus. Dez metros ao seu redor. Nenhum ponto cego.

    Corvos surgiram das sombras.

    Cinco, depois oito, dezenas.

    — Tente algo rápido — Karasu continuou. — Quero confirmar uma hipótese.

    Rays desapareceu.

    Um clarão azul cortou o corredor.

    Ele surgiu atrás de Karasu.

    Punho carregado, mas antes de atingir.

    As penas explodiram ao redor.

    Karasu já havia girado o corpo no ar.

    — Você acelera antes de atacar — disse ele calmamente. — A corrente elétrica altera a pressão do ar.

    Ele pousa ao chão.

    Rays reapareceu no chão, deslizando para trás.

    Karasu instantaneamente reage.

    Mas um golpe que ele não pode nem sequer ver o atinge no rosto.

    Jogando-o contra o chão.

    Um pequeno corte apareceu em sua bochecha.

    Ele tocou o sangue.

    Karasu franziu levemente a sobrancelha.

    “De onde veio esse ataque? Como eu não vi?” — Karasu entra em choque, tentando entender a situação.

    — Ele nem se moveu…

    — O que aconteceu, passarinho? Não viu meu ataque? — Rays provoca enquanto estala o pescoço.

    O grupo de Karasu se assusta, pois é a primeira vez que vê Karasu sobre o chão após um ataque.

    Rays se aproxima pela frente.

    Corvos surgem, limitando a distância.

    É quando os corvos explodem, criando uma brecha na direção de Karasu.

    Ele usa sua visão 360. Ele vê todos os lados e aberturas de seu próprio corpo.

    Uma explosão invisível o atingiu lateralmente.

    O chão rachou. 

    Karasu pousou de joelhos no chão, penas amortecendo o impacto.

    Ele ergue lentamente a cabeça para Rays e sorri.

    — Ataques invisíveis… então é isso.

    Mais corvos surgiram.

    Eles começaram a circular Rays.

    Cada um em uma altura diferente.

    — Se eu não posso ver o ataque — disse Karasu — então eu amplio o campo de leitura.

    Os olhos dele ficaram mais atentos.

    Os corvos começaram a repetir micro movimentos do ambiente.

    Rays estalou a língua.

    “Ele está usando os corvos como sensores, qualquer movimento os corvos irão sentir antes de chegar nele…”

    Yara e o grupo de Karasu assistiam de longe, atentamente.

    Eles perceberam que aqueles dois estavam em um nível diferente, qualquer intromissão iria atrapalhar mais do que ajudar.

    Karasu ergueu a mão.

    As penas se transformaram em lâminas finas.

    — Você é forte, mas vamos encerrar isso.

    As lâminas dispararam de todos os ângulos.

    O corpo de Rays é coberto de raios azuis.

    Rays acelerou. 

    Ele se moveu entre os projéteis como um raio, quebrando a noite.

    Mas um arranhão surgiu em seu ombro.

    Karasu acompanhava e calculava todos os seus movimentos atuais e possíveis ainda realizados.

    — Não há como escapar da minha visão. — disse Karasu, pousando atrás dele. 

    Rays tenta se afastar, mas cortes em sua perna aparecem, fazendo-o tropeçar.

    Ele sai rolando contra o chão, mas rapidamente salta se prostrando em pé.

    Rays virou o rosto lentamente.

    Um leve sorriso apareceu.

    — Você se orgulha muito desses seus olhos, não é? Você vê todos os ângulos, não é? Mas pode reagir a eles?

    Ele bateu o pé no chão.

    Raios começam a se espalhar pelo ambiente.

    Os corvos se dissiparam em faíscas.

    Karasu saltou para trás. 

    — Você é forte, só não é mais forte do que eu! — Rays dá um sorriso enquanto os raios aumentam. — Flash zone. 

    Rays começa a saltar entre as paredes e o chão em uma velocidade descomunal, as paredes e o chão se racham, um estalo de raios ensurdecedor é gerado.

    Saltos em zigue-zague, em todas as direções e ângulos.

    Karasu invoca mais penas que o cercam.

    Com sua visão, ele tenta acompanhar Rays, mas a velocidade é muito grande.

    Pela primeira vez, Karasu, com sua visão absoluta de que tanto se orgulha há anos…

    Ele vê alguém que está presente nos 10 metros de sua visão simultaneamente… 

    — Difícil acompanhar? — Rays aparece nas costas de Karasu.

    Ele tenta virar-se, mas é lançado ao teto com um chute invisível.

    Rays se afasta após o ataque.

    Respiração ofegante.

    Coração acelerado.

    — Impressionante… Contra você posso lutar de forma livre. — Karasu se levanta com penas sobrevoando ao seu redor.

    Os dois ficaram frente a frente.

    Ao longe, um som ecoou pelo labirinto.

    Uma estrutura se movendo.

    Karasu olhou para o teto.

    Rays também ouviu.

    — É verdade, só restam apenas 30 minutos…

    Eles se encaram.

    Ambos entenderam ao mesmo tempo.

    Se continuassem…

    Os dois perderiam tempo, e talvez não conseguissem completar a fase.

    Karasu foi o primeiro a abaixar a guarda.

    — Você é forte demais para ser eliminado agora, que tal uma trégua?

    Rays cruzou os braços lentamente e relaxou os ombros.

    A eletricidade desapareceu.

    — Você está certo! É melhor resolver isso depois de sair desse labirinto.

    — Minha visão cobre dez metros. Posso identificar armadilhas e emboscadas antes que se ativem, e com meus corvos posso cobrir vários caminhos.

    Rays completou:

    — Eu posso atravessar trechos longos rapidamente e testar rotas sem ser atingido.

    — Que tal unirmos forças por enquanto para depois terminar nosso duelo? — Karasu perguntou enquanto estendia a mão.

    — É uma ótima ideia. — Rays respondeu, apertando sua mão.

    Yara soltou o ar que nem percebeu que estava segurando.

    Karasu virou-se.

    — Sigam-me. Estou sentindo movimentação a leste do corredor. A saída está naquela direção.

    Rays caminhou ao lado dele.

    E os dois seguiram juntos.

    O labirinto agora não tinha apenas sobreviventes.

    Tinha dois predadores caminhando lado a lado.

    Do lado de fora, fogos e gritos ecoavam.

    Os primeiros a completar a fase 1 e saírem do labirinto foram…

    Os membros da 4ª Divisão.

    Que cruzavam a saída com suas cabeças erguidas e um olhar confiante.

    Todos estavam ilesos.

     — Que prova fácil. — Fubuki caminhava sobre a saída enquanto bocejava.

     — Poderia ter sido mais rápido se você não ficasse levando a gente para corredores sem saídas. Por que você não usou seus poderes para atravessar tudo?

     — Aí não teria graça nenhuma. Estou tão entediado.

    O grupo é aplaudido de pé por toda a plateia.

    Agora faltavam apenas 30 minutos para o fim da 1ª fase. 

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