CAPÍTULO 31 — Novo encontro
O silêncio depois da fumaça era pior que a luta.
A poeira ainda caía lentamente do teto do corredor, misturando-se com o cheiro metálico deixado pelo ataque inimigo.
A tocha caída no chão ainda soltava um fio de fumaça. A chama havia morrido, deixando apenas a escuridão fria do labirinto.
Katsu apertou os dentes.
— Yara também sumiu…
Lance apoiou a mão na parede, ainda sentindo o impacto do golpe que havia bloqueado. Seus olhos analisavam o chão.
— Não faz sentido capturar nessa prova… Eles apenas querem nos separar!
O corredor se dividia em três caminhos.
— Eles querem nos atrasar. — Rivna olha em volta das paredes. — Esse caminho tem alguns arranhões em volta.
— Mas não sabemos se esse caminho nos levará até eles! — Katsu se aproxima.
O coração de Lance acelerou.
“Eu não vou falhar outra vez.”
— Não podemos perder tempo! Vamos nos separar, cada um segue um caminho! — Lance caminha na direção do caminho à direita. — Eu vou por esse lado!
— Espera, Lance, não sei se isso é uma boa ideia… Ele já foi. — Rivna tenta pará-lo, mas já era tarde.
— Eu também não concordo com essa ideia, vamos seguir por esse caminho em frente, e torcer que seja o certo! — Katsu caminha no caminho que estava marcado com arranhões. — Até porque, sem minha espada, meu poder está limitado agora!
“Lance está agindo estranho, por que será…” — Rivna pensa, apreensiva.
Ele pegou a tocha caída, reacendendo-a com faíscas do próprio equipamento.
A luz voltou fraca, tremida.
As sombras do labirinto pareciam se mover com eles.
O ar ficou mais frio.
O chão mais úmido.
Não era mais um corredor aberto, era um espaço maior à frente.
Rivna ergueu a mão.
— Espera.
Katsu para confuso.
Som de água pingando… repetido.
— Acho que tem algo de errado…
Assim que Katsu dá seu primeiro passo à frente, um piso é acionado, o chão desaba, e os dois caem.
O som da queda ecoa em volta.
Eles caem em uma armadilha da caverna.
— Eu falei para você esperar! — Rivna bate no ombro de Katsu com uma cara enfurecida.
— Desculpa…
— E agora, como vamos sair daqui?
Eles estavam em um buraco com mais de 5 metros de profundidade.
As paredes eram lisas demais para escalar.
Acima deles, o círculo de luz da tocha parecia distante.
Rivna cruzou os braços, irritada.
— Tudo poderia ser evitado se você tivesse escutado!
— Eu já pedi desculpa! O que você quer que eu faça?
— Acho que o óbvio, né… Tirar a gente do buraco que nos colocou!
Quando eles começam a escutar passos se aproximando por cima.
Katsu imediatamente ficou em posição de combate.
— Outra emboscada?
Sombras surgiram na borda do buraco.
Três silhuetas.
Uma delas se inclinou levemente, olhando para baixo.
Cabelos claros, olhar confiante, um sorriso exageradamente tranquilo.
— Olha só… — ele disse. — Que situação delicada.
Rivna estreitou os olhos.
— Quem são vocês?
O rapaz levou a mão ao próprio peito, orgulhoso.
— Somos os italianos da 9ª Divisão da Nexus!
Ele fez uma pequena reverência teatral.
— Eu me chamo d’Angelo Shin.
Katsu ficou ainda mais atento.
Esse nome era um dos milagres.
Shin analisava a cena… mas seus olhos não estavam exatamente no buraco.
Estavam em Rivna.
Ele piscou lentamente.
“Interessante…” — Ele pensa com um sorriso no rosto.
Rivna arqueou uma sobrancelha.
— Por acaso você está atrás de luta?
Shin ignorou completamente a tensão.
— Relaxa, princesa. Não viemos lutar.
Ele chama um de seus companheiros.
— Lorenzo, vamos ajudá-los! — Ele coloca a mão no ombro do companheiro.
Ele acena com a cabeça.
Ao pôr suas mãos no chão, ao lado do buraco, começou a se transformar.
Como se estivesse sendo redesenhado.
A rocha se expandiu em uma rampa sólida que descia até onde Katsu e Rivna estavam.
— Considerem isso… um ato de cavalheirismo.
Katsu franziu a testa.
— Isso está muito estranho… Por que você está nos ajudando?
Shin deu de ombros.
— Porque eliminar vocês agora seria chato.
Ele olhou novamente para Rivna.
“Che bella donna!”
— E por que seria um desperdício deixar alguém tão bonita cair num buraco desses!
Katsu virou lentamente o rosto para Rivna.
Com a sobrancelha levantada e uma careta.
Rivna ficou imóvel por dois segundos.
— …Desculpa?
Shin abriu um sorriso ainda maior.
— É raro encontrar alguém que consiga manter uma beleza tão grande, mesmo caindo numa armadilha.
Ele estendeu a mão.
— Permita-me.
Rivna subiu a rampa por conta própria, ignorando a mão oferecida.
— Eu consigo andar sozinha.
Shin manteve o sorriso.
— Então você é das difíceis? Melhor ainda, gosto de desafios!
Katsu saiu logo atrás.
— Agradecemos pela ajuda, agora podemos seguir sozinhos!
Os outros dois membros da 9ª Divisão permaneciam atrás, observando em silêncio.
Um deles cochichou:
— Você só está ajudando por causa dela.
Shin respondeu sem desviar o olhar de Rivna:
— Claro que não. Eu também sou estrategista.
Ele cruzou os braços.
— Alianças temporárias são úteis. Ainda mais quando o tempo está contra todos.
Lorenzo se aproxima de Shin e fala próximo de seu ouvido.
— Quarenta minutos restantes, não podemos perder tempo.
Shin inclinou a cabeça.
— Sugiro que caminhemos juntos até encontrarmos uma saída. Depois… cada um por si. — Ele estende a mão novamente a Rivna. — O tempo é curto, já sabemos onde é a saída!
Rivna cruzou os braços.
— E por que confiar em você?
Shin sorriu de lado.
— Porque se eu quisesse eliminar vocês, teriam virado cinzas e não subido uma escada!
Silêncio.
Katsu analisou os arredores.
Depois olhou para Rivna.
Ela desviou o olhar de Shin.
— Aliança temporária — Katsu disse. — Só até a saída.
Shin abriu os braços dramaticamente.
— Perfeito.
Eles começaram a caminhar.
Shin manteve o passo ao lado de Rivna.
— Que falta de educação a minha, não perguntei o seu nome?
— Não é da sua conta.
— Misteriosa também? Isso só melhora.
Ela aumentou o ritmo.
Ele acompanhou facilmente.
— Sei bellissima!
— O que é isso? — Rivna pergunta, confusa.
Shin ri.
— Quero dizer que você é linda, em italiano.
Rivna desvia o olhar.
— Sabe, como um dos milagres, eu deveria focar apenas na vitória… mas admitir que encontrei algo mais interessante já na primeira fase…
Rivna parou abruptamente.
— Escuta.
O sorriso dele diminuiu só um pouco.
Rivna é direta e fria.
— Eu não estou interessada.
Shin piscou e em seguida riu.
— Isso não é problema, você vai ficar encantada quando me conhecer melhor!
Ele dá um grande sorriso.
Ela revirou os olhos e voltou a andar, agora mantendo distância.
Katsu observava a cena em silêncio.
— Esse cara é mais chato que o Rays quando a gente se conheceu… que insuportável! — murmurou.
— Concordo — Rivna respondeu baixo, enquanto se aproxima de Katsu.
Shin ouviu mesmo assim.
“Então eles são da 3ª divisão e eles fazem parte de um grupo com um dos milagres também…” — Shin mantém um sorriso confiante.
Um ruído distante ecoou pelo túnel.
Shin finalmente voltou o olhar para frente.
O sorriso agora era mais sério.
A 9ª Divisão assumiu a frente do grupo.
Rivna caminhava um pouco atrás, visivelmente desconfortável.
Enquanto isso, mais ao fundo da caverna, Yara e Rays retomam a consciência.
— O que aconteceu? Onde estão os outros? — Yara olha para os lados, confusa.
— Não sei, parece que emboscaram a gente para separar e atrasar o grupo… — Rays fala enquanto se levanta e analisa o espaço ao redor.
— E agora, Rays? O que vamos fazer?
— A essa altura, é melhor os três ficarem juntos e irem atrás da saída, assim como nós dois também devemos fazer!
— Mas pelo visto estamos em um caminho sem saída…
Yara olha para as paredes ao redor com uma única passagem voltando, porém parece distante e escura.
— Vai ser difícil, mas é melhor procurarmos logo a saída! — Rays estende a mão para Yara. — Não podemos perder tempo, já se passaram 30 minutos…
Eles começam a correr em busca de saída.
Quando chegam a um corredor, eles cruzam com Karasu e seu grupo.

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