O silêncio depois da fumaça era pior que a luta. 

    A poeira ainda caía lentamente do teto do corredor, misturando-se com o cheiro metálico deixado pelo ataque inimigo.

    A tocha caída no chão ainda soltava um fio de fumaça. A chama havia morrido, deixando apenas a escuridão fria do labirinto.

    Katsu apertou os dentes.

    — Yara também sumiu…

    Lance apoiou a mão na parede, ainda sentindo o impacto do golpe que havia bloqueado. Seus olhos analisavam o chão.

    — Não faz sentido capturar nessa prova… Eles apenas querem nos separar!

    O corredor se dividia em três caminhos.

    — Eles querem nos atrasar. — Rivna olha em volta das paredes. — Esse caminho tem alguns arranhões em volta.

    — Mas não sabemos se esse caminho nos levará até eles! — Katsu se aproxima.

    O coração de Lance acelerou.

    “Eu não vou falhar outra vez.”

    — Não podemos perder tempo! Vamos nos separar, cada um segue um caminho! — Lance caminha na direção do caminho à direita. — Eu vou por esse lado!

    — Espera, Lance, não sei se isso é uma boa ideia… Ele já foi. — Rivna tenta pará-lo, mas já era tarde.

    — Eu também não concordo com essa ideia, vamos seguir por esse caminho em frente, e torcer que seja o certo! — Katsu caminha no caminho que estava marcado com arranhões. — Até porque, sem minha espada, meu poder está limitado agora!

    “Lance está agindo estranho, por que será…” — Rivna pensa, apreensiva.

    Ele pegou a tocha caída, reacendendo-a com faíscas do próprio equipamento.

    A luz voltou fraca, tremida.

    As sombras do labirinto pareciam se mover com eles.

    O ar ficou mais frio.

    O chão mais úmido.

    Não era mais um corredor aberto, era um espaço maior à frente.

    Rivna ergueu a mão.

    — Espera.

    Katsu para confuso.

    Som de água pingando… repetido.

    — Acho que tem algo de errado…

    Assim que Katsu dá seu primeiro passo à frente, um piso é acionado, o chão desaba, e os dois caem.

    O som da queda ecoa em volta.

    Eles caem em uma armadilha da caverna.

    — Eu falei para você esperar! — Rivna bate no ombro de Katsu com uma cara enfurecida.

    — Desculpa…

    — E agora, como vamos sair daqui?

    Eles estavam em um buraco com mais de 5 metros de profundidade.

    As paredes eram lisas demais para escalar.

    Acima deles, o círculo de luz da tocha parecia distante.

    Rivna cruzou os braços, irritada.

    — Tudo poderia ser evitado se você tivesse escutado!

    — Eu já pedi desculpa! O que você quer que eu faça?

    — Acho que o óbvio, né… Tirar a gente do buraco que nos colocou!

    Quando eles começam a escutar passos se aproximando por cima.

    Katsu imediatamente ficou em posição de combate.

    — Outra emboscada?

    Sombras surgiram na borda do buraco.

    Três silhuetas.

    Uma delas se inclinou levemente, olhando para baixo.

    Cabelos claros, olhar confiante, um sorriso exageradamente tranquilo.

    — Olha só… — ele disse. — Que situação delicada.

    Rivna estreitou os olhos.

    — Quem são vocês?

    O rapaz levou a mão ao próprio peito, orgulhoso.

    — Somos os italianos da 9ª Divisão da Nexus!

    Ele fez uma pequena reverência teatral.

    — Eu me chamo d’Angelo Shin.

    Katsu ficou ainda mais atento.

    Esse nome era um dos milagres.

    Shin analisava a cena… mas seus olhos não estavam exatamente no buraco.

    Estavam em Rivna.

    Ele piscou lentamente.

    “Interessante…” — Ele pensa com um sorriso no rosto.

    Rivna arqueou uma sobrancelha.

    — Por acaso você está atrás de luta?

    Shin ignorou completamente a tensão.

    — Relaxa, princesa. Não viemos lutar.

    Ele chama um de seus companheiros.

    — Lorenzo, vamos ajudá-los! — Ele coloca a mão no ombro do companheiro.

    Ele acena com a cabeça.

    Ao pôr suas mãos no chão, ao lado do buraco, começou a se transformar.

    Como se estivesse sendo redesenhado.

    A rocha se expandiu em uma rampa sólida que descia até onde Katsu e Rivna estavam.

    — Considerem isso… um ato de cavalheirismo.

    Katsu franziu a testa.

    — Isso está muito estranho… Por que você está nos ajudando?

    Shin deu de ombros.

    — Porque eliminar vocês agora seria chato.

    Ele olhou novamente para Rivna.

    “Che bella donna!”

    — E por que seria um desperdício deixar alguém tão bonita cair num buraco desses!

    Katsu virou lentamente o rosto para Rivna.

    Com a sobrancelha levantada e uma careta.

    Rivna ficou imóvel por dois segundos.

    — …Desculpa?

    Shin abriu um sorriso ainda maior.

    — É raro encontrar alguém que consiga manter uma beleza tão grande, mesmo caindo numa armadilha.

    Ele estendeu a mão.

    — Permita-me.

    Rivna subiu a rampa por conta própria, ignorando a mão oferecida.

    — Eu consigo andar sozinha.

    Shin manteve o sorriso.

    — Então você é das difíceis? Melhor ainda, gosto de desafios!

    Katsu saiu logo atrás.

    — Agradecemos pela ajuda, agora podemos seguir sozinhos!

    Os outros dois membros da 9ª Divisão permaneciam atrás, observando em silêncio.

    Um deles cochichou:

    — Você só está ajudando por causa dela.

    Shin respondeu sem desviar o olhar de Rivna:

    — Claro que não. Eu também sou estrategista.

    Ele cruzou os braços.

    — Alianças temporárias são úteis. Ainda mais quando o tempo está contra todos.

    Lorenzo se aproxima de Shin e fala próximo de seu ouvido.

    — Quarenta minutos restantes, não podemos perder tempo.

    Shin inclinou a cabeça.

    — Sugiro que caminhemos juntos até encontrarmos uma saída. Depois… cada um por si. — Ele estende a mão novamente a Rivna. — O tempo é curto, já sabemos onde é a saída!

    Rivna cruzou os braços.

    — E por que confiar em você?

    Shin sorriu de lado.

    — Porque se eu quisesse eliminar vocês, teriam virado cinzas e não subido uma escada!

    Silêncio.

    Katsu analisou os arredores.

    Depois olhou para Rivna.

    Ela desviou o olhar de Shin.

    — Aliança temporária — Katsu disse. — Só até a saída.

    Shin abriu os braços dramaticamente.

    — Perfeito.

    Eles começaram a caminhar.

    Shin manteve o passo ao lado de Rivna.

    — Que falta de educação a minha, não perguntei o seu nome?

    — Não é da sua conta.

    — Misteriosa também? Isso só melhora.

    Ela aumentou o ritmo.

    Ele acompanhou facilmente.

    — Sei bellissima!

    — O que é isso? — Rivna pergunta, confusa.

    Shin ri.

    — Quero dizer que você é linda, em italiano.

    Rivna desvia o olhar.

    — Sabe, como um dos milagres, eu deveria focar apenas na vitória… mas admitir que encontrei algo mais interessante já na primeira fase…

    Rivna parou abruptamente.

    — Escuta.

    O sorriso dele diminuiu só um pouco.

    Rivna é direta e fria.

    — Eu não estou interessada.

    Shin piscou e em seguida riu.

    — Isso não é problema, você vai ficar encantada quando me conhecer melhor! 

    Ele dá um grande sorriso.

    Ela revirou os olhos e voltou a andar, agora mantendo distância.

    Katsu observava a cena em silêncio.

    — Esse cara é mais chato que o Rays quando a gente se conheceu… que insuportável! — murmurou.

    — Concordo — Rivna respondeu baixo, enquanto se aproxima de Katsu.

    Shin ouviu mesmo assim.

    “Então eles são da 3ª divisão e eles fazem parte de um grupo com um dos milagres também…” — Shin mantém um sorriso confiante.

    Um ruído distante ecoou pelo túnel.

    Shin finalmente voltou o olhar para frente.

    O sorriso agora era mais sério.

    A 9ª Divisão assumiu a frente do grupo.

    Rivna caminhava um pouco atrás, visivelmente desconfortável.

    Enquanto isso, mais ao fundo da caverna, Yara e Rays retomam a consciência.

    — O que aconteceu? Onde estão os outros? — Yara olha para os lados, confusa.

    — Não sei, parece que emboscaram a gente para separar e atrasar o grupo… — Rays fala enquanto se levanta e analisa o espaço ao redor.

    — E agora, Rays? O que vamos fazer?

    — A essa altura, é melhor os três ficarem juntos e irem atrás da saída, assim como nós dois também devemos fazer!

    — Mas pelo visto estamos em um caminho sem saída… 

    Yara olha para as paredes ao redor com uma única passagem voltando, porém parece distante e escura.

    — Vai ser difícil, mas é melhor procurarmos logo a saída! — Rays estende a mão para Yara. — Não podemos perder tempo, já se passaram 30 minutos…

    Eles começam a correr em busca de saída.

    Quando chegam a um corredor, eles cruzam com Karasu e seu grupo.

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