CAPÍTULO 07 - FLORESTA (2)
Oliver encarou o cadáver de Talruk caindo no chão. ele olhou brevemente para o lobo que havia o matado. Ele era simplesmente fabuloso, um animal belíssimo e… mortal.
O lobo que apareceu era diferente de tudo. Para começar, pelo tamanho, era quase do tamanho de um carro. O pelo era de um preto tão abissal que parecia engolir a luz. Marcas douradas se espalhavam pelo corpo como linhas antigas, e os olhos vermelhos brilhavam com uma frieza inteligente. Não havia dúvida, era o líder.
Como se percebesse o olhar de Oliver, o lobo o encarou novamente. Oliver tinha certeza, se ele ficasse na árvore o destino dele seria o mesmo de Talruk, ele aproveitou a oportunidade para fugir, os outros 7 lobos já se debruçaram no cadáver de Talkruk, retirando pedaços de carne.
Oliver correu, o mais rápido que podia. Ele não entendia direito como isso aconteceu, eles ainda estavam na periferia da floresta, não haviam se aprofundado. Tecnicamente, deveria ser seguro, mas não foi.
Os lobos não pareceram correr atrás de Oliver, ele estava suado e ofegante, olhou para trás, mas não percebeu nenhum lobo o perseguindo. isso é, não imediatamente.
Como se fosse contrariar seus pensamentos, ele viu novamente, 8 pontos negros, eram as almas dos lobos, a cor preta indicava intenção assassina.
Oliver estava sendo caçado.
“Merda, merda, merda, como eu saio dessa?” murmurou baixinho, sua mente produzia pensamentos incessantemente, mas não importa quanto ele pensasse, não conseguia achar uma solução para a situação.
Os oito pontos negros se aproximaram novamente, Oliver percebeu, estava cercado, não havia fuga.
Naquele tipo de situação, tinha certeza de que estava morto.
“Eu não vou me dar por vencido, se for morrer, vai ser lutando! Eu não renasci pra morrer de novo!” pensou enquanto escalava uma árvore, essa árvore era mais alta que a que Talruk estava quando morreu.
“Só tenho que preocupar com aquele Lobo Negro, o resto realmente parece não saber escalar.” Oliver pensou enquanto olhava ao redor, procurando vestígios das almas.
“Merda, de novo… cadê o 8º?” Oliver estava tremendo.
A oitava alma sumiu de sua vista, ele sabia muito bem o que aconteceria se não a encontrasse.
Instintivamente ele escolheu olhar para trás. E lá estava, a oitava alma, seu brilho negro parecia absorver a luz, uma intenção assassina pura, animalesca.
Não demorou para que Oliver conseguisse o ver visualmente, ele saltou rapidamente de um arbusto e pisou no ar!
Não havia nada ali, mas ainda assim, ele pisou ali, subindo verticalmente na direção de Oliver.
Com um rápido giro, Oliver subiu ainda mais na árvore e em um movimento rápido pulou para outro galho mais longo, ele tentou desviar da investida do Lobo, diferente de Talruk, ele conseguiu ver o lobo se aproximando.
Mas ainda assim, foi insuficiente para escapar.
O lobo mordeu a perna de Oliver e puxou para baixo.
Os dois caíram no chão, o lobo entretanto pousou elegantemente, como se fosse feito de vento, não houve nem mesmo som.
Oliver pelo contrário, caiu com um baque.
Ele olhou para sua perna, o lobo apenas o mordeu para puxá-lo, mas sua perna estava num estado lastimável. Sua calça estava em farrapos, completamente rasgada, sangue escorrendo, ele sentia muita dor.
Tentou se levantar e correr, mas foi em vão, o Lobo Negro permaneceu no mesmo lugar quando outros lobos cinzentos se aproximaram, eles eram menores que seu líder, mas não podiam ser subestimados. Oliver era apenas uma criança de 7 anos, ele não poderia resistir fisicamente aos lobos.
Um lobo mordeu sua outra perna quando ele tentou se levantar, derrubando-o novamente no chão. O lobo não soltou, continuou mordendo, sacudindo a cabeça. Oliver pôde sentir os dentes cravando, fundo demais, como se chegassem ao osso, e viu o sangue jorrar, tingindo o focinho do animal.
“Aaaaaaaaaah!” Oliver gritou, desesperado.
Ele tentou golpear a cabeça do lobo com a mão nua, mas foi inútil. A fera era grande, forte, e parecia não se importar. Em resposta, mordeu ainda mais forte e o chacoalhou.
“Socorro! Alguém! Ajuda!” Oliver gritou, procurando qualquer voz humana no meio da mata.
Ninguém veio.
As lágrimas desceram sem que ele percebesse. Na sua mente, sobreviver era impossível… mesmo assim, ele tentou.
Havia uma pedra ao alcance. Parou de socar o ar e a pele do animal, agarrou a pedra e bateu com tudo na cabeça do lobo. Uma fina linha vermelha escorreu do ponto onde acertou, era sangue. Mas não foi o suficiente. O lobo manteve o aperto firme, como uma armadilha de aço.
Ele embuiu sua mão com mana.
Sua manipulação era simplesmente ridícula e fraca, mas ainda assim tentou.
imaginou elétrons percorrendo seu braço, se concentrando na ponta de seus dedos e escapando para a pedra em sua mão.
Em poucos instantes, a pedra estava eletrizada, Oliver desceu ela numa tentativa de desferir um golpe que assustasse o lobo, mas antes que pudesse finalizar o golpe, outro lobo se aproximou, mordendo sua mão dominante, que era a mesma que golpeava.
A dor explodiu. Oliver sentiu os ossos sendo esmagados sob a pressão da mordida. Era apenas uma criança de sete anos, seu braço era fino demais para resistir.
Naquele instante, algo dentro dele cedeu. O ímpeto morreu.
Ele aceitou.
Ele ia morrer.
Imagens começaram a atravessar sua mente em disparada, o sorriso da mãe, os poucos dias bons que ainda conseguira ter naquela vida, a tia Erina, com sua ironia afiada, sua inteligência, as risadas e provocações que trocavam. E, mais ao fundo, lembranças que Oliver se obrigou a enterrar… o pilar verde, a sensação de ser engolido, o fim da vida passada.
Oliver se lembrou dos pais, da irmã mais nova, da namorada, Kiara, e do grande, e improvável, amigo Kyle. Vieram também outros rostos, outras vozes, pessoas que, de algum jeito, tinham sido importantes na sua outra vida. As lembranças se misturaram, o mundo perdeu o foco e tudo começou a ficar borrado, como se ele estivesse se apagando. Então, de repente, ele sentiu que o aperto havia parado.
A visão começou a borrar.
Oliver não tentou revidar. Seu corpo não obedecia mais, e sua mente já tinha aceitado o destino. Só lamentou uma coisa, sua mãe talvez nem tivesse um corpo para enterrar. Talvez nunca soubesse o que, de fato, aconteceu com ele.
Ele fechou os olhos e esperou.
Mas a mordida que tiraria sua vida não veio.
Quando abriu os olhos, viu todos os lobos olhando ao redor, inquietos.
Pareciam… com medo.
Medo de algo mais forte do que eles, mais perigoso, mais mortal. Procuravam a ameaça, mas não a encontravam.
Antes que a localizassem, ela se revelou.
Uma figura se moveu em velocidade absurda, rápida demais para ser acompanhada, Oliver só viu um borrão cortando o ar em direção ao lobo de pelos escuros.
O lobo negro também reagiu. Disparou na mesma direção, galopando no ar. Por um segundo, pareceu que haveria colisão.
Não houve.
No último instante, a figura misteriosa desviou como uma sombra e desferiu um golpe preciso na jugular do lobo. O corpo colossal cambaleou, e caiu.
Houve Silêncio.
Morto! O Líder da alcatéia estava morto!
Ao ver o líder tombar, os demais lobos não hesitaram. Fugiram mata adentro, desaparecendo entre os troncos, cada vez mais fundo. A figura nem tentou persegui-los.
Ela ficou ali, parada diante de Oliver.
O garoto, tremendo, ergueu o olhar. A forma era alta, coberta por roupas escuras, detalhes demais se perdiam na sombra e na distância. Oliver olhou para a figura, procurando pela cor de sua alma.
E congelou.
Não havia cor alguma.
Ou… havia algo pior, um vazio que parecia sugar as cores ao redor, parecia que a própria luz tinha medo de se aproximar.
Oliver engoliu em seco.
“O-olá?” a voz saiu fraca, quebrada.
A figura inclinou a cabeça, avaliando-o.
“Você consegue ver… não consegue?” disse, em um tom baixo, impossível de identificar.

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