Capítulo 545 - Assuntos Pendentes
“Professor, o senhor pode discutir os detalhes com os demais. Desde que o senhor, a Maga Yveline e o Mago Murphy estejam de acordo, por mim está ótimo. Apenas garantam que as torres sejam erguidas na na parte externa do círculo mágicode 6 Estrelas. A regra se aplica a quaisquer outros magos que queiram se juntar a nós: no momento, a construção de torres é um privilégio restrito aos membros deste círculo.” Abel ponderou por um instante e concluiu com um sorriso.
Embora o Círculo Mágico de 6 Estrelas possuísse um poder formidável, Abel tinha consciência de que não era uma defesa onipotente.
A verdadeira segurança residia no Forte de Batalha que pairava acima deles. A capacidade de bloqueio dimensional da fortaleza estava camuflada com perfeição pela energia do círculo mágico. Na última batalha, o Mago Morton chegou a sentir a energia disparada por aquele bloqueio, mas não identificou sua origem.
Claro, isso não tornava o círculo inútil. Quando a quantidade de estruturas mágicas em seu interior atingisse um número crítico, elas poderiam suprimir quase completamente os movimentos de um Mago de Elite, tal como faziam as trinta e seis torres na Cidade de Liante.
Se o círculo de Abel contasse com trinta e seis torres, seria impossível para um Mago de Elite invadir utilizando o Movimento Instantâneo. A supressão seria tamanha que o invasor sequer conseguiria escapar, tornando-se um alvo fácil para ser abatido no local.
Por essa razão, Abel via com bons olhos a chegada de novos magos. Sua única preocupaçao era a confiança, motivo pelo qual delegava a aprovação aos seus aliados mais próximos.
Além disso, ele permitiria que Flora os examinasse, o que lhe trazia maior tranquilidade. O Espírito da Torre, Flora, possuía a autoridade para arrancar à força qualquer outro espírito de torre conectado ao Círculo de 6 Estrelas. Na prática, isso significava que Abel poderia invadir qualquer torre aliada se fosse necessário.
Era uma medida extrema que ele preferia nunca utilizar, mas servia como uma garantia final de segurança para seu domínio.
Após despedir-se de seu professor, Abel teletransportou-se diretamente para o salão do Castelo Harry e convocou o administrador.
“Jovem Mestre!” O Mordomo Lindsey aproximou-se apressado e fez uma reverência profunda.
“Como estão as sementes?” perguntou Abel em tom discreto.
Vinte dias haviam se passado desde a entrega das sementes, tempo suficiente para que os efeitos se manifestassem.
“Jovem Mestre, acabei de vistoriá-las!” O rosto de Lindsey iluminou-se com um fervor quase religioso. “As duas sementes comuns não parecem ter vingado; a estação não é propícia.”
“Foram aquelas que você regou com água comum, correto?”
“Exatamente. Mas as que reguei com a água fornecida pelo senhor… O crescimento é extraordinário. A diferença é visível dia após dia. Nesse ritmo, a colheita poderá ser feita em dez dias!” A voz do mordomo tremia de empolgação.
A sobrevivência da Cidade da Colheita dependia da agricultura. Embora houvesse uma mina próxima, recursos minerais eram finitos. Apenas um solo fértil garantia a prosperidade eterna. Com a água especial de Abel capaz de acelerar o ciclo de crescimento para um mês, o Domínio do Conde jamais sofreria com a escassez. Em tempos de crise, comida valia mais que ouro.
“Ótimo. Descarte as que não vingaram e compense os agricultores pelo trabalho perdido,” ordenou Abel. Aquele crescimento milagroso era mérito exclusivo da água da Fonte da Terceira Deusa; não era uma característica genética das sementes.
“Sim, Jovem Mestre!” Lindsey estava grato pela benevolência de Abel. O futuro daqueles camponeses dependia inteiramente da atitude do lorde.
“Jovem Mestre, quanto dessa água ainda temos disponível?” indagou Lindsey, com um tom de quem vislumbra um futuro grandioso.
As plantações consumiam muita água. Se o suprimento fosse abundante, não apenas o castelo, mas todas as terras da Cidade da Colheita poderiam se tornar produtivas em tempo recorde. A produção seria inimaginável.
“Conversarei com Bartoli após a colheita. Se tudo correr bem, expandiremos para a cidade,” respondeu Abel com um sorriso.
Ele não sabia ao certo a capacidade da Fonte da Terceira Deusa, mas notou que ela se reabastecia, desde que alimentada por gemas de alta qualidade. E gemas eram algo que não faltava a Abel.
Ainda assim, o custo de energia daquele método de cultivo secreto era uma incógnita. Exigia Gemas Perfeitas, um preço alto para a maioria, mas irrisório para ele.
“Cuidarei dessas plantações com minha vida, Mestre!” Lindsey estava emocionado, sentindo que testemunhava o alvorecer de uma nova era.
Resolvida a questão, Abel dirigiu-se aos três acres de terra protegidos pelo círculo de barreira. As três marionetes trabalhavam incansavelmente, mas, ao tocar o solo, Abel percebeu o problema. A terra estava árida, inadequada para o plantio, especialmente com o clima seco atual. Sem intervenção, aquele solo estaria perdido.
“Flora, pesquise métodos de fertilização de solo.” Abel precisava entender como os agricultores do Continente Sagrado lidavam com isso.
“Sim, Mestre. Aguarde um momento…” A voz de Flora ecoou da placa de identidade.
Um fluxo massivo de dados projetou-se diante dos olhos de Abel. Antigamente, aquilo lhe causaria vertigem, mas com seus atuais 240 pontos de Vontade e o auxílio da Pedra do Mundo, sua mente processava tudo instantaneamente. O que para outros magos seria um borrão veloz, para ele era como folhear um livro com calma, memorizando cada detalhe.
No entanto, conhecimento não era prática. Flora, sendo a fusão de um espírito de batalha e um de análise, conseguia apenas imitar os movimentos agrícolas, sem a capacidade de adaptação necessária para lidar com imprevistos.
“Flora, contate o Mago Morton.”
A conexão foi estabelecida rapidamente.
“Professor, tem um minuto?” perguntou Abel à placa.
“Sim, precisa de algo?”
“Poderia vir até aqui?” Abel olhou para a terra seca. Era mais fácil mostrar do que explicar.
“Claro.” Pouco depois, o brilho do teletransporte anunciou a chegada de Morton.
Ao entrar no círculo de barreira, o velho mago ficou atônito.
“Você está tentando plantar aqui dentro?”
“É um experimento. Estou cultivando um tipo de trigo que contém Qi de Combate. Achei que as marionetes dariam conta, mas elas não têm a delicadeza necessária. O senhor poderia enviar uma missão aos aprendizes de mago para cuidarem desta terra para mim?”
Embora aquele trigo fosse vital para cavaleiros, para os magos não passava de grão comum. Abel não via necessidade de manter segredo absoluto.

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