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    Abel virou-se rapidamente para ver se alguém o observava. Então, depois de decidir que era seguro, ele tirou de seu bracelete de portal o martelo gigante de setecentas libras que o Mestre Morry tinha lhe dado. Sua melhor ferramenta era o Martelo Horádrico dourado sombrio, mas ele o tinha deixado no Mundo das Trevas. Depois de preparar suas ferramentas, ele começou a pegar a primeira arma que precisava consertar.

    Era a lança mágica de cavaleiro. Depois de tirá-la de sua bolsa de portal, ele verificou o ponto que tinha sido raspado. Inúmeros dados começaram a surgir em sua mente. O fragmento da Pedra do Mundo estava ajudando-o a inventar várias maneiras de consertar aquela arma.

    Depois de escolher o método ideal, ele decidiu jogar a lança dentro da fornalha primeiro. Se o assunto era consertar armas mágicas, a coisa mais importante a considerar era a intensidade do calor. Ele não podia aquecer a lança por muito tempo, porque isso destruiria o dispositivo de proteção de energia que estava instalado na runa.

    Ele precisava ser cuidadoso e preciso. Um movimento em falso e o padrão rúnico ficaria em um estado pior do que antes. No entanto, isso não era realmente um problema para ele. Em seus olhos, a mudança de temperatura acontecia muito lentamente. Antes que a lança estivesse prestes a brilhar em vermelho, ele foi rápido o bastante para tirá-la da fornalha.

    Então, ele começou a bater na lança com seu martelo. Ele estava batendo onde o pedaço que faltava deveria estar. Por causa da perfeição do ângulo de seu golpe, ele conseguiu selar a abertura com apenas uma pancada. Até as linhas rúnicas que estavam separadas foram reconectadas por causa disso.

    Um sorriso surgiu no rosto de Abel. Pelo que sabia, ele era o único que conseguia consertar armas mágicas dessa forma. Se tivesse cometido um erro ali, o procedimento de conserto teria sido muito mais complicado do que antes.

    Em vez de prestar qualquer atenção ao quão quente a lança estava, Abel a agarrou com uma de suas mãos. Ele não ia mergulhá-la em água fria porque a arma não era recém-forjada. No que lhe dizia respeito, a coisa mais importante era reativar a runa que tinha sido destruída.

    Sob a orientação do seu poder da vontade, a energia que estava dentro da gema de mana de fogo viajou em direção à runa. Então, sob um clarão de luz vermelha, um som suave saiu da lança.

    “Está feito”, Abel disse suavemente.

    Em uma sala próxima, o Mestre Bismuth estava martelando uma base bruta sozinho. Ele conseguiu ouvir o som da arma mágica que tinha sido consertada. Por mais suave que o som fosse, ele era experiente o bastante para notar o que era.

    Alguém estava consertando uma arma mágica! O Mestre Bismuth achou isso muito chocante. Além dele mesmo, havia apenas uma pessoa capaz de fazer isso, e essa pessoa não estava no Departamento dos Ferreiros no momento.

    Com isso em mente, ele começou a olhar ao seu redor. Ele não viu ninguém especial. Havia alguns magos familiares que estavam fazendo suas práticas. Fora isso, eram apenas os ferreiros comuns fazendo seus trabalhos.

    Espere, não. Havia também Abel. O Mestre Bismuth estava a quatro fornalhas de distância dele, mas ele soube na mesma hora. Abel estava segurando uma arma mágica na mão.

    Abel ainda estava observando a lança de cavaleiro que tinha consertado. Mesmo olhando mais de perto, ele não conseguiu encontrar nenhuma marca que indicasse que a arma tinha sido danificada antes. Provavelmente foi por causa de seu martelo gigante. O golpe dele foi tão poderoso que tinha afetado não apenas a parte externa da lança, mas também sua estrutura interna.

    98%, esse era o nível de reparo que Abel havia alcançado na lança mágica de cavaleiro. Na verdade, mesmo se a lança de cavaleiro nunca tivesse sido danificada, ainda manteria 98% de seu poder original. De qualquer forma, ele não era perfeccionista. Agora que tinha batido a cota, ele estava pronto para passar para sua próxima peça.

    A próxima era uma espada pesada mágica de cavaleiro. A lâmina estava dividida ao meio, o que, sob circunstâncias normais, significaria que o item era inutilizável. Aqueles que a recuperaram não tinham conhecimento em forja, então apenas decidiram que podiam deixá-la dentro do armazém da Cidade do Milagre.

    Havia algo que Abel tinha deixado passar. Se ele não conseguisse consertar uma certa arma, ele era livre para trocar por qualquer outra que sentisse que conseguiria. Se ele soubesse consertar só espadas, poderia escolher dez espadas do armazém. Foi o que a maioria dos ferreiros escolheu fazer. Eles só aprenderiam a consertar um novo tipo de arma se já estivessem confiantes com outro.

    Essa era a parte complicada do trabalho. Dentro do armazém, havia todo tipo de armas que estavam danificadas em diferentes graus. Ainda assim, não importava em que condições estivessem, as recompensas eram todas as mesmas por consertá-las. Era por isso que havia menos pessoas aceitando esse trabalho. A essa altura, quase todas as armas que eram fáceis de consertar já tinham sido terminadas. As que ainda estavam no armazém eram todas muito difíceis de consertar. Ou, aqueles que conseguiam consertá-las não estavam tão confiantes.

    O Mestre Bismuth estava observando-o manusear aquilo. Ele balançou a cabeça ao ver Abel escolhendo aquela peça. Na verdade, tinha sido ele quem anunciou que era impossível consertá-la.

    Enquanto isso, Abel estava começando a sentir que alguém o observava. Ele não se importou muito com isso, no entanto. Mesmo se a pessoa pudesse ver as técnicas que ele estava usando, seria impossível imitá-lo.

    Primeiro, Abel jogou as duas partes quebradas na fornalha. Depois de fazer isso, ele começou a bombear mais ar para dentro da fornalha com a perna. Ele também estava amarrando as linhas rúnicas de volta com seu poder da vontade. Para diminuir a temperatura da parte onde a runa estava, ele decidiu injetar mana de gelo na fornalha. Desta forma, ele conseguia evitar que a runa superaquecesse.

    Quanto às duas partes quebradas da espada, ele precisava ter certeza de que o calor era suficiente para torná-las maleáveis. Ele estava usando tanto o frio quanto o calor ao mesmo tempo. Para a maioria das pessoas, seria impossível controlar os dois de uma vez, o que era a razão pela qual o Mestre Bismuth anunciou que era impossível consertar essa espada.

    Falando nisso, o Mestre Bismuth achou estranho que Abel sequer se desse ao trabalho de tentar. Mesmo que ele conseguisse reconectar a espada quebrada, sua durabilidade e força ainda teriam ficado muito piores do que antes. Esse seria o caso mesmo se a espada não fosse uma arma mágica.

    Depois que Abel terminou de aquecer as partes quebradas, ele as tirou da fornalha e as reconectou sobre uma bigorna. Então, pressionando para baixo com a mão esquerda, ele levantou seu martelo com a mão direita.

    Novamente, ele tirou total vantagem de sua precisão perfeita. Se fosse outra pessoa usando a mesma quantidade de força que ele, caso conseguissem possuir a mesma força que ele, teriam destruído a bigorna instantaneamente. Ainda assim, ele tinha um autocontrole excelente. Ao se concentrar apenas na parte danificada, conseguiu manter seu poder equilibrado.

    Tecnicamente, o que ele fez não foi algo que os ferreiros lhe ensinaram. Era um método que os cavaleiros usavam, e com a ajuda de seu fragmento da Pedra do Mundo, ele não estava mais limitado a usar técnicas específicas em certas situações. Se encontrasse algo útil, ele sempre poderia encontrar uma solução diferente.

    Clang.

    Clang.

    Clang.

    Após três golpes, Abel levantou a espada pesada de cavaleiro com a mão. O Mestre Bismuth estava chocado. Sem quase nenhum esforço, ele guiou a energia na gema de mana para onde a runa estava.

    E aquele som novamente. O som de uma arma mágica sendo reativada. Ao mesmo tempo, o Mestre Bismuth estava andando muito rápido na direção de Abel.

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