Capítulo 593 - Insanidade
Abel balançou a cabeça. Os cavaleiros de lobo eram um bando determinado. Dois Comandantes-chefes tinham sido detidos, então os inimigos restantes podiam se concentrar totalmente em atacar os magos na rocha. No entanto, eles pareciam subestimar Abel. Ele também era um Comandante-chefe. Sem hesitar, o jovem começou a armar a arma mais uma vez. Aquele poderia ser seu último disparo. Os dois cavaleiros aliados já tinham dado tudo de si para criar aquela oportunidade.
A besta gigante estava apontada diretamente para a frente, e o olhar do mago estava fixo no worgen que dava todas as ordens. Embora o monstro pudesse ter algum objeto mágico para esconder seu cheiro, Abel ainda conseguia analisar claramente que se tratava de um comandante-chefe dos cavaleiros de lobo.
Aquele comandante tinha cerca de dez outros poderosos capitães protegendo-o, e estava constantemente mudando de lugar com seu lobo de montaria.
Contudo, tudo aquilo era risível para Abel. Aos seus olhos, o líder inimigo estava basicamente se movendo em câmera lenta.
Ele puxou o gatilho novamente, e a flecha perfura-armaduras voou. Desta vez, sacudiu a besta para a esquerda e para a direita, impressionando os dois guerreiros de elite atrás de si.
Embora quisessem aproveitar a chance para aprender a técnica, acharam que era demais. Com a velocidade do projétil, não havia como disparar com a mesma precisão que Abel sem possuir uma habilidade de análise visual.
Com aquele solavanco, a flecha perfura-armaduras fez um estranho redemoinho no ar. Ela desviou dos dois capitães na linha de frente e surgiu diretamente diante do líder.
Um clarão de luz branca emergiu do corpo do alvo. Era um escudo de luz. Ainda assim, aquela defesa era inútil contra a flecha. O escudo se despedaçou instantaneamente, e o projétil cravou direto no peito do capitão.
Um buraco do tamanho de uma tigela se abriu em seu tórax, e o brilho lentamente desapareceu de seus olhos. Depois disso, o capitão caiu morto no chão.
Um raio de fumaça de qi de combate disparou no campo de batalha, formando um pilar de luz cinza. Aquilo marcava a morte de um comandante-chefe dos cavaleiros de lobo.
Com o fim de seu comandante, os olhos de todos os orcs começaram a ficar vermelhos. Eles uivaram loucamente e avançaram em direção à rocha gigante com seus lobos de montaria.
Até mesmo os quatro homens-urso que lutavam contra os Comandantes-chefes começaram a enlouquecer. Já não se importavam com a defesa, atacando com seus machados de batalha com força total. Deixaram de tentar ganhar tempo como antes.
Naquele momento, Abel percebeu que talvez tivesse acabado de matar uma figura muito importante do clã. Não era da natureza dos Lobisomens agir com tanta imprudência.
Então, algumas flechas atingiram o círculo de proteção deles. Embora a barreira fosse sustentada por uma gema intermediária, era uma magia de nível inicial. Só conseguiria suportar um número limitado de ataques.
Havia muitos capitães naquele esquadrão. Àquela altura, K3305 e K3308 tinham começado suas ofensivas. Os orcs haviam entrado no alcance onde os magos conseguiam rastreá-los com seu poder da vontade. Um feiticeiro que pudesse conjurar magias com confiança era assustador.
Desde que tivessem tempo suficiente, conseguiam fixar o alvo mentalmente antes da execução do feitiço. Embora isso pudesse levar mais tempo, a morte era garantido.
No entanto, aqueles cavaleiros de lobo não temiam mais a morte.
Os dois guerreiros de elite também prepararam seus arcos e flechas, mas armas normais não podiam fazer muito ali. A menos que acertassem um ponto vital, não conseguiriam frear as feras.
Abel guardou a besta de volta em sua Bolsa espiritual do rei orc. Ele sabia quanto tempo o círculo de proteção conseguiria se sustentar e tinha certeza de que o tempo era favorável.
Puxou uma espada longa de luz da bolsa com a mão direita e empunhou o cajado mágico folha com a esquerda. Em seguida, virou-se para os colegas na rocha e ordenou:
“Fiquem aqui!”
Logo depois, saltou. Naquele instante, já mantinha o olhar fixo em um lobo de montaria sem dono. Pelos seus cálculos, aterrissaria perfeitamente em suas costas.
Porém, como a criatura deixaria um humano montar nela, quando sequer permitia que outros orcs fizessem isso além de seu mestre original?
Contudo, bem quando o animal tentou derrubá-lo, uma leve fração de vigor draconiano emanou de Abel. Não era uma aura agressiva; apenas seres muito próximos a ele podiam senti-la.
Sendo o mais próximo, o lobo de montaria congelou imediatamente. Diante de um ser supremo, a fera não teve escolha a não ser obedecer. Era puramente um instinto de sobrevivência.
A capacidade de análise do jovem permitia que ele controlasse e liberasse sua aura draconiana com exatidão milimétrica.
Do alto da rocha, os outros apenas viram o companheiro pular nas costas da fera, que de repente ficou dócil e começou a seguir os comandos como um cavalo bem treinado.
K3305 não interrompeu seu feitiço, mas ficou estupefato. Não importava o quanto os humanos tentassem, apenas alguns sortudos conseguiam criar um lobo de montaria desde filhote, garantindo que a fera os reconhecesse como donos
Aquele era um lobo adulto e seu mestre tinha acabado de morrer. Deveria estar em seu ápice de fúria; como podia escutar um forasteiro?
K3305 estava completamente confuso sobre a identidade de K3516, mas tinha uma certeza: ele possuía um status alto, a julgar pelo tratamento especial concedido pelo Espírito do Milagre.
Por outro lado, os olhos de K3308 só enxergavam a fera. Se Abel conseguia domar um lobo com tanta facilidade, será que ele também conseguiria?
O lobo de montaria era a criatura mais cobiçada do Continente Sagrado. A montaria número um. Seu chocobo era basicamente sucata perto daquilo.
Os dois guerreiros de elite ficaram assustados. Se o Mago não tivesse saído da Cidade do Milagre com eles, jurariam que se tratava de um Lobisomem disfarçado.
Abel encantou a si mesmo com fogo usando o cajado. Evitaria ao máximo o qi de combate ou técnicas de cavaleiro, mesmo que as suspeitas sobre quem ele era já fossem inevitáveis.
Na verdade, não se importava mais com aquilo. Contanto que não se expusesse completamente, pouco lhe importava o que deduziriam.
Sabia que, caso sua real identidade vazasse na Cidade do Milagre, sua vida pacífica acabaria, e os riscos fora da Muralha do Milagre aumentariam de uma forma absurda.
Nunca confiaria na promessa de silêncio de magos e sacerdotes. Por uma recompensa atraente o bastante, como a morte do Grão-Mestre Ferreiro, todos quebrariam as regras num instante.
Para piorar, nutria uma forte inimizade com a Família Lobo. Se os anciãos soubessem de seu paradeiro, uma horda de Lobisomem furiosos caçaria sua Bolsa Espiritual do rei orc sem descanso.
Abel não tinha medo de demonstrar força, desde que isso não revelasse quem ele era de fato.
Após o encantamento de fogo, abandonou magias daquele elemento. Em vez disso, começou a lançar um feitiço elétrico de dano em área de nível baixo: Raio Ascendente.
Naquele ponto, a habilidade já havia alcançado o nível 15. Disparava dezessete ramificações elétricas, cada uma causando onze pontos de dano.
Esse valor não matava um capitão poderoso ou um sacerdote com facilidade, mas era suficiente para machucá-los e infligir leves paralisias.

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