Capítulo 546 - A Força do Universo
“Abel, aprendizes de mago não costumam ser bons com trabalho braçal, mas alguns vieram de famílias camponesas. Talvez tenham a experiência necessária,” disse Morton, compreendendo de imediato o valor estratégico de grãos com Qi de Combate.
A espinha dorsal da defesa de qualquer domínio eram os cavaleiros. Embora Abel tivesse uma força de elite composta por magos, faltavam-lhe cavaleiros com treinamento nobre. Com esse alimento, ele poderia acelerar o desenvolvimento de seus soldados, garantindo uma lealdade inabalável.
“Não se preocupe com o esforço físico, Professor. As marionetes farão o trabalho pesado. O problema é a técnica; o solo vai morrer se não for tratado corretamente,” explicou Abel.
Ele sabia que corpos de aprendizes, ainda não adaptados à corrosão da mana, eram frágeis demais para a enxada. Além disso, camponeses comuns não suportariam a densidade de mana dentro do Círculo de 6 Estrelas. Os aprendizes eram a única opção.
“Tem razão. Vou organizar a missão agora mesmo.” Morton, embora leigo em agricultura, reconhecia a precariedade daquele solo.
“Se precisarem de recursos, peçam a Bartoli. Tenho crédito suficiente na Cidade de Liante para sustentar a todos. Organize como achar melhor.”
“Deixe comigo.” Morton sentiu uma pontada de inveja da sorte daqueles aprendizes. Além de acomodações e mana abundantes, ainda tinham seus recursos subsidiados pelo próprio Abel.
Liante detinha os melhores recursos do continente, e o fato de Abel confiar a administração de seus bens a Bartoli, uma maga intermediária, intrigava Morton. Mas ele era sábio o suficiente para não questionar.
À noite, Abel levou a Chama Voadora para o Mundo das Trevas.
Assim que cruzou os portões do Acampamento, sentiu a mudança. A fenda em sua testa se abriu, e a Pedra do Mundo despertou, devolvendo-lhe a sensação de onisciência sobre aquele universo.
Lembrando-se do mapa de Lut Gholein, montou na Chama Voadora e partiu. Voar com um dragão era uma experiência de conforto absoluto; o controle atmosférico da besta eliminava qualquer turbulência, permitindo uma viagem suave e direta, ignorando os obstáculos geográficos abaixo.
Abel olhou para a paisagem. A sensação de poder dada pela Pedra do Mundo era inebriante, quase o fazendo acreditar que voava por meios próprios. Uma ilusão perigosa. Apenas aquele fragmento, que ele estimava ser um quinto do total, já transformara seu corpo e mente. Onde estariam os outros quatro pedaços? Provavelmente com os Males Supremos dos outros atos.
Ele soltou uma risada amarga. O ataque mais fraco de Andariel quase dizimou seu grupo. O que esperar dos demônios seguintes?
Mergulhado em pensamentos, Abel só percebeu a mudança na paisagem quando saíram da zona do Acampamento. O deserto que o mapa indicava não existia.
Havia apenas o vazio.
Do céu, a visão era aterrorizante: uma falha geológica colossal, como se uma divindade tivesse recortado e removido o deserto que ligava Lut Gholein ao Acampamento.
“A Força do Universo…” sussurrou Abel, atordoado.
As bordas irregulares do abismo emanavam uma energia residual antiga e avassaladora. Quem teria causado aquilo? Anjos? Demônios? Fosse quem fosse, o custo de tal golpe devia ter sido astronômico.
Ao sobrevoar o vazio, a Pedra do Mundo silenciou-se, submergindo em sua consciência tal como fazia no Continente Sagrado.
“Chama Voadora, dê meia volta!” gritou Abel.
O dragão girou no ar e retornou. Assim que cruzaram a fronteira imaginária do Acampamento, a Pedra reacendeu. A influência do artefato parecia restrita àquela zona.
“Certo. Vire de novo. Vamos para o leste!”
O dragão obedeceu, mas ao adentrar novamente a área do abismo, sua velocidade despencou.
Abel sentiu sua alma ser esmagada por uma pressão invisível que emanava das profundezas. Graças ao elo espiritual, ele podia sentir o pavor da Chama Voadora. Aquele abismo funcionava como uma barreira natural intransponível. Se estivesse em uma montaria terrestre ou um dragão menor, já teriam despencado para a morte certa no oceano abaixo.
Abel, apesar de seus 240 pontos de Vontade, das Poções da Alma e do fortalecimento pelo núcleo de dragão, sentia-se insignificante. Era a diferença brutal entre as raças; ele ainda era apenas um humano tentando resistir a forças que faziam dragões tremerem.
A alma de Abel começou a vacilar. Ele precisava aguentar. Se o elo com a Chama Voadora se rompesse, ele teria que suportar aquela pressão sozinho.

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