Índice de Capítulo

    O ar estava pesado.

    Kaede Shizuma ainda mantinha a Kidou ativa.

    Mas já dava pra ver.

    O tremor.

    A sobrecarga.

    Do outro lado—

    Tsubasa Hayashi finalmente soltou parte do próprio Sen.

    Não era Senkai.

    Ainda não.

    Mas era outro nível.

    Genjiro Okabe avançou primeiro.

    Impacto frontal.

    Machado contra katana.

    O chão abriu.

    Kaede segurou.

    Por meio segundo.

    No segundo seguinte—

    Genjiro aumentou a pressão.

    O braço de Kaede afundou.

    O joelho dobrou.

    Explosão de dor subindo pelo ombro.

    Saka entrou lateral.

    Saka não fazia barulho.

    Ele só acertava.

    Um golpe direto nas costelas de Naki.

    Som seco.

    Ar sumindo.

    Outro no queixo.

    Cabeça girando.

    Naki tentou reagir.

    Errou o tempo.

    Tsubasa apareceu atrás dele.

    Corte fino nas costas.

    Não profundo.

    Mas calculado.

    Para enfraquecer.

    Para cansar.

    — Vocês ainda estão de pé? — Tsubasa comentou, quase entediado.

    Kaede tentou avançar.

    Genjiro interceptou.

    Machado no abdômen.

    Dessa vez atravessou a defesa.

    Sangue.

    Muito.

    Kidou absorveu parte do impacto.

    Mas não tudo.

    Kaede voou metros.

    Bateu no chão.

    Rolou.

    Levantou de novo.

    Respiração pesada.

    Olhos tremendo.

    Naki tentou cobrir.

    Saka o atingiu no joelho.

    Deslocamento parcial.

    Naki caiu de lado.

    Genjiro nem esperou.

    Pisou no peito dele.

    Pressão absurda.

    Rachaduras no chão.

    — Acaba logo — Genjiro murmurou.

    Kaede gritou e avançou.

    Mesmo torto.

    Mesmo sangrando.

    Socou Genjiro com tudo.

    Finalmente o fez recuar dois passos.

    Mas aí—

    Tsubasa entrou.

    Chute direto no rosto de Kaede.

    Impacto limpo.

    Kaede caiu.

    Naki levantou no impulso.

    Levou uma sequência de Saka.

    Estômago.

    Costela.

    Rosto.

    Ele caiu de joelhos.

    Cuspiu sangue.

    O campo inteiro mostrava a diferença.

    Eles não estavam dominando.

    Eles estavam sobrevivendo.

    E mal.

    Kaede tentou ativar mais Sen.

    A Kidou começou a rachar.

    Pequenas fissuras na aura.

    Sinal de limite.

    Tsubasa inclinou a cabeça.

    — Quanto tempo você aguenta?

    Genjiro girou o machado novamente.

    — Aposto que menos de dois minutos.

    Naki forçou o joelho deslocado a voltar para posição.

    Dor absurda.

    Mas ele levantou.

    Kaede também.

    Tremendo.

    Quase caindo.

    Mas levantou.

    Os dois lado a lado.

    Sem plano.

    Sem líder.

    Só decisão.

    Tsubasa observou.

    Por um segundo.

    E então sorriu.

    — Interessante.

    Saka ajustou a postura.

    Genjiro avançou de novo.

    E dessa vez—

    Eles não estavam segurando.

    Estavam tomando.

    Mais golpe.

    Mais impacto.

    Mais dor.

    Kaede levou um corte profundo na lateral do tronco.

    Naki foi lançado contra uma pilastra.

    O corpo quase não respondia mais.

    Mas nenhum dos dois caiu.

    Mesmo quando deviam.

    Mesmo quando era lógico.

    Eles levantavam.

    De novo.

    E de novo.

    O impacto foi seco.

    Kaede deslizou pelo chão, tossindo sangue.

    Genjiro estava em cima. Força bruta pura.
    Tsubasa controlava o ritmo da luta como um maestro.
    Saka fechava os ângulos de fuga.

    Era domínio completo.

    Naki levantou depois de receber um golpe direto no estômago.
    Respiração controlada.
    Olhar frio.

    — Vocês três funcionam bem juntos — ele murmurou.

    Genjiro avançou de novo.

    Soco direto.

    Naki cruzou os braços para defender.

    O impacto o lançou contra uma pedra.

    Kaede tentou intervir com velocidade, mas Saka já estava lá, bloqueando.

    Tsubasa falou, calmo:

    — Vocês dois não têm potência suficiente para quebrar nossa formação.

    Silêncio.

    Naki limpou o sangue do canto da boca.

    Ciano começou a brilhar na ponta dos dedos.

    — Eu não preciso quebrar a formação.

    Branco se acendeu na outra mão.

    Preto subiu como fumaça pelo antebraço.

    Os três recuaram instintivamente.

    Genjiro franziu a testa.

    — Então explica. Que chama é essa?

    Naki respirou fundo.

    — Eu não uso fogo.

    Ele levantou o dedo indicador.

    Uma chama ciano surgiu, fina, quase elegante.

    — Essa queima o fluxo externo.

    Ele lançou uma faísca contra o punho reforçado de Genjiro.

    Não explodiu.

    Apenas envolveu.

    Genjiro sentiu imediatamente.

    — Meu reforço… tá falhando.

    A chama se apagou.

    Mas o Sen continuava vazando por alguns segundos.

    Naki continuou:

    — Mesmo depois que apaga, o Sen continua sendo consumido.

    Ele ergueu a outra mão.

    Chama branca.

    Mais intensa. Mais instável.

    — Essa queima controle.

    Ele lançou contra Tsubasa.

    Tsubasa desviou — mas a chama tocou de raspão o ombro.

    De repente, o fluxo de Sen dele ficou irregular.

    A técnica que estava preparando se desfez sozinha.

    — Concentração interrompida… — Tsubasa percebeu.

    Naki inclinou levemente a cabeça.

    — Quanto melhor o controle, mais dói perder ele.

    Por fim, o braço de Naki ficou envolto em chama preta.

    Diferente das outras.

    Pesada.

    — Essa é a mais simples.

    Ele avançou pela primeira vez.

    Genjiro tentou bloquear.

    O punho de Naki acertou o abdômen.

    A chama preta não explodiu.

    Ela afundou.

    Genjiro sentiu como se algo estivesse queimando por dentro.

    — Ela queima a reserva interna.

    Genjiro recuou dois passos.

    Respiração pesada.

    Saka olhou sério para Naki.

    — Então você desgasta. Não explode.

    Naki respondeu tranquilo:

    — Fogo que explode é espetáculo.
    — Fogo que consome é execução.

    Kaede levantou atrás dele, ainda ferida.

    — Então para de conversar e usa isso direito!

    Genjiro sorriu, apesar da dor.

    — Boa explicação.

    Ele liberou Sen bruto de novo.

    Saka avançou.

    Tsubasa estabilizou o fluxo com força de vontade.

    Eles esmagaram Naki e Kaede na sequência.

    Coordenação perfeita.

    Força superior.

    Naki foi lançado ao chão mais uma vez.

    Chamas ainda dançando nos dedos.

    Ele olhou para o teto do campo.

    Respiração pesada.

    Pensamento afiado.

    Eles são mais fortes.

    Mas agora eles sabem.

    E quando souberem demais…
    vai ser tarde demais.

    Kaede caiu ao lado dele.

    — A gente perdeu.

    Naki fechou os olhos por um segundo.

    Ciano.
    Branco.
    Preto.

    — Não.

    Ele murmurou baixo, quase para si mesmo.

    — A gente só ainda não fechou o espaço.

    Essa foi a primeira vez que os três viram as chamas.

    Mas ali…

    Nasceu uma ideia.

    E Genjiro, mesmo vencendo, sentiu uma coisa estranha no peito.

    Não era dor.

    Era pressentimento.

    O campo ainda tremia.

    Genjiro avançou primeiro.

    Não pensou.

    Atropelou.

    O punho desceu como um martelo.

    Naki bloqueou — tarde.

    O impacto o lançou a metros.

    O ar saiu dos pulmões.

    Antes de tocar o chão, Saka já estava atrás.

    Corte seco na lateral da perna.

    Tsubasa surgiu no ponto morto.

    Golpe direto no estômago.

    Naki caiu de joelhos.

    Kaede tentou se mover para ajudar —

    Genjiro o interceptou no ar.

    Machado no ombro.

    Kaede rodou e caiu pesado.

    Domínio absoluto.

    Respiração irregular.

    Sangue no chão.

    Naki levantou devagar.

    Os três avançavam sincronizados.

    Tanque.

    Estratégia.

    Controle.

    Saka estreitou os olhos.

    — Ele não tá reagindo.

    Tsubasa percebeu.

    — Ele tá marcando.

    Genjiro riu.

    — Então vamos esmagar antes que termine.

    Erro.

    Naki uniu as mãos.

    Os dedos se fecharam num selo firme.

    Não teatral.

    Preciso.

    O ar ficou pesado.

    Não explodiu.

    Afundou.

    — Área de Convergência.

    O chão escureceu sob os pés deles.

    Linhas ciano surgiram — não brilhantes.

    Profundas.

    Como rachaduras vivas.

    — Catedral das Cinzas Silenciosas.

    O mundo fechou.

    Uma cúpula opaca engoliu o campo.

    O céu sumiu.

    O ar ficou denso.

    Respirar exigia esforço.

    Genjiro liberou aura.

    Ela saiu — mas instável.

    Pequenas faíscas pretas corroeram o fluxo.

    Tsubasa sentiu primeiro.

    O controle não estava fluindo liso.

    Estava pesado.

    Como nadar em lama.

    Saka se moveu lateralmente.

    Ataque invisível.

    Ele nem viu a origem.

    Uma linha branca rasgou seu flanco.

    Não viajou.

    Nasceu.

    Saka caiu de joelho por um segundo.

    Fluxo falhando.

    Genjiro rugiu e avançou.

    Punho concentrado.

    Força bruta máxima.

    Naki não desviou.

    Ele tocou o chão.

    As linhas sob Genjiro acenderam.

    Uma coluna de chama comprimida subiu.

    Genjiro atravessou.

    Na marra.

    O impacto arrancou a pele.

    Mas ele atravessou.

    E acertou.

    O soco pegou no ombro de Naki.

    O osso estalou.

    Naki foi arremessado contra a parede da cúpula.

    Sangue na boca.

    A área tremeu.

    Não era invencível.

    Ela reagia ao dano no criador.

    Tsubasa viu.

    — Ataquem ele. Não o espaço.

    Saka avançou.

    Rápido.

    Cirúrgico.

    Mas o pé dele tocou uma das marcas invisíveis deixadas antes da ativação.

    Preto explodiu sob a sola.

    Não fogo alto.

    Fogo interno.

    O Sen dele falhou por três segundos.

    Três segundos suficientes.

    Naki levantou cambaleando.

    As marcas que eles haviam acumulado durante toda a luta começaram a surgir.

    No ombro de Tsubasa.

    Na lateral do abdômen de Genjiro.

    Na perna de Saka.

    Genjiro sentiu primeiro.

    O fluxo vazando mesmo parado.

    — Ele armou isso antes…

    Tsubasa tentou reduzir o uso de Sen.

    Controlar a respiração.

    Economizar.

    Mas já era tarde.

    As marcas estavam gravadas.

    Naki caminhou devagar.

    Mas dava pra ver.

    A visão dele tremia.

    Veias ciano subindo pelo pescoço.

    A Área estava drenando.

    Muito.

    Três esferas começaram a girar ao redor de Genjiro.

    Ciano.

    Branco.

    Preto.

    Genjiro avançou mesmo assim.

    Brutal.

    Determinando atravessar tudo.

    Ele acertou Naki no rosto.

    Direto.

    Naki quase caiu.

    Mas fechou a mão.

    — Decreto da Extinção.

    As três chamas colidiram no peito de Genjiro.

    Não foi explosão.

    Foi uma implosão.

    O ar puxou para dentro.

    O chão rachou.

    Genjiro foi lançado contra a parede da cúpula.

    Mas ele não apagou.

    Ele ficou de pé.

    Joelho dobrado.

    Respiração irregular.

    Sangue escorrendo.

    Mas ainda de pé.

    Saka se levantou.

    Ferido.

    Tsubasa estabilizou o fluxo à força.

    Os três ainda estavam vivos.

    E perigosos.

    A cúpula começou a rachar.

    Naki caiu em um joelho.

    O selo se quebrou.

    A Área se estilhaçou como vidro queimado.

    O campo voltou.

    Silêncio pesado.

    Naki respirava com dificuldade.

    O ombro deslocado.

    Fluxo drenado.

    A Área tinha durado segundos.

    Mas custou quase tudo.

    Tsubasa olhou para ele.

    Não com medo da força.

    Mas com reconhecimento.

    — Você quase virou isso.

    Genjiro cuspiu sangue.

    Sorriu torto.

    — Quase.

    Naki ficou de pé com dificuldade.

    As chamas ainda dançavam fracas nos dedos.

    — Ainda não acabou.

    Mas estava claro:

    Se ele ativasse de novo…

    não sobraria energia nem pra ficar em pé.

    Continua…

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