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    18 de maio de 2024, sábado. 

    De volta àquela mesa oval de onde ocorria a reunião, Victor e Aki continuavam nos mesmos assentos de antes. Na verdade, todos estavam presentes. 

    Quando Sophie iniciou a reunião, seguiu o roteiro planejado, com diálogos quase decorados em alguns momentos. Foi quando passou a oportunidade para os outros falarem. Da parte da “Mundiall”, tudo já estava acertado. Eles iriam presidir a reunião e já havia um acordo pré estabelecido com todos os outros representantes e empresas presentes. 

    Sophia Dubois, da Creative Décor Event Supplies, iniciou, quando Pierre, ao seu lado, lhe passou uma folha com algumas anotações: 

    — Os termos estabelecidos pela Elegance Affairs fazem jus aos nossos termos. Acho que está tudo de acordo e de bom tamanho. Estamos ansiosos para trabalharmos juntos. 

    Aquelas palavras foram como tirar uma carga de toneladas das costas de Victor, que sentia seu corpo tenso. Aki também se sentiu aliviada, ainda que não tivesse se envolvido na negociação antes. 

    David Lee, porém, ergueu a mão, quando começou a falar no intervalo silencioso que se sucedeu:

    — A GlobalReach Marketing está em desacordo com alguns critérios pré definidos da Elegance Affairs. 

    Aquela alegria calorosa que se espalhava pelo corpo de Victor logo se apagou, como se jogasse um banho de água fria. Todos os pontos haviam sido cuidadosamente criados em harmonia com as metas do chefe Akashi, com a ajuda de Koda, Aki e ele próprio. Não esperava que fosse ter alguma resistência. 

    Porém, não podia demonstrar essa fraqueza. Calmamente, com um sorriso profissional, ele perguntou: — O que há de errado, senhor David? 

    — Pensamos em ter uma participação maior na área de marketing da Elegance Affairs, para que possamos decidir. — Comentou, com um tom que sou um pouco arrogante. — Afinal, nossa empresa carrega um nome muito grande. 

    Victor engoliu em seco, pensando em como responder. Eram pouquíssimos segundos para decidir o que falar — e isso poderia custar todo o planejamento. Aki olhou para Victor, apreensiva, quando ergueu a mão.

    “Não posso falhar. O chefe Akashi me ajudou muito até aqui!” Pensou, antes de, finalmente, falar:

    — Nos desculpe, senhor David, senhora Marina, mas já concedemos uma parte essencialmente boa para a GlobalReach Marketing. — Ela comentou, com um sorriso gentil. — Nossas outras parceiras, que trabalhamos há muito tempo, inclusive o próprio setor interno de marketing, alcançamos resultados extremamente satisfatórios e lucrativos… — Aki ainda falava, quando foi interrompida por David. Seu olhar era sério e profissional. 

    — Então, por que esperam uma parceria com a GlobalReach Marketing, se já têm aliados tão bons? — Seu tom altivo deixou Victor, de certa forma, irritado. Soou quase uma ofensa para com Aki e ele lançou um olhar frio em David, que acabou não percebendo, pois encarava Aki, quando continuou: — Não acho que teremos um acordo se não podemos ter o destaque que merecemos. 

    O brasileiro sentiu o sangue ferver, coisa que não era comum. Talvez, se fosse com ele, não teria levado pro pessoal, mas ao ver como o estadunidense estava tratando sua namorada, a raiva foi inevitável, embora não quisesse deixar as emoções pessoais interferirem na negociação. Ele respirou fundo, se segurando. Aki havia dito antes que queria ter uma voz mais ativa na reunião e ele não queria a interromper. 

    — Isso é verdade. — Todos a olharam com diversidade. David e Marina estavam surpresos. — Embora nossos resultados regionais sejam excelentes, nosso objetivo é expandir para novos horizontes. E cremos que a GlobalReach Marketing seja a empresa certa para essa jornada internacional. 

    Aki pegou o seu celular e, com uma breve pesquisa nos arquivos pessoais, abriu alguns gráficos de performance do marketing da Elegance Affairs. Ela entregou aos outros, e todos se surpreenderam com os dados divulgados. 

    — Como podem ver, os números são surpreendentes. Senhor David, senhora Marina, a GlobalReach Marketing conseguiria nos entregar números tão bons com eventos internacionais? 

    Victor sentiu como se sua alma saísse do corpo e voltasse. Quem era aquela Aki ali? Talvez ele não conhecesse esse lado tão ousado. Ele riu internamente, não querendo mostrar suas emoções, quando admirou profundamente a postura dela. 

    Até mesmo ele estava com receio de usar esse tipo de jogada naquela negociação. Talvez ela só não soubesse o quão arriscado era, ou simplesmente decidiu jogar com coragem. Mas o que importava ali, era que parecia ter algum efeito. 

    A expressão nos rostos dos estadunidenses era de choque. Aki os desafiou tão abertamente, com palavras salgadas. Sophie até pensou em intervir, quando foi interrompida por Choi, que falou: 

    — A Aki tem razão em dizer que o trabalho regional é surpreendente. Esses números são muito expressivos. Tenho certeza de que a GlobalReach Marketing pode até mesmo superá-los, certo? 

    Marina e David trocaram olhares, antes de falar: 

    — É claro, nosso trabalho pode ser muito mais expressivo. — David afirmou. 

    — Ótimo! — Aki mostrou um sorriso caloroso. — Então, negócio fechado? — Ela estendeu a mão e David apertou rapidamente, firmando o acordo. Logo, os dois norte-americanos assinaram o contrato. Isso levou talvez alguns minutos, mas a conversa foi fluída e, para quem visse de fora, percebeu que Aki estava controlando a situação facilmente. David havia caído na sua jogada. 

    Victor estava estupefato, sem saber como reagir. Aki usou uma estratégia de negócios ousada e acabou entrando na mente dos dois, fazendo-os assinar os termos sem muita burocracia. 

    Houve algum burburinho dos outros representantes presentes, mas não interferiram, sendo apenas espectadores da pequena “briga”. Alguns comentários como: “Jogada ousada!”, “Quanta confiança!”, entre outros parecidos, foram ditos, ainda que os envolvidos não tivessem os ouvindo.

    Depois disso, não houveram mais objeções e todos firmaram os acordos, conforme haviam estabelecido. Quando Sophie tomou a palavra, não pôde deixar de agradecer todos os presentes e repassar informações úteis. 

    David procurou por Aki após o término da reunião, onde os presentes ainda ficaram conversando. Ele, primeiramente, expressou a sua surpresa pela estratégia dela, afirmando que somente agora estava caindo a ficha do acordo negociado, mas que, no fim, ainda era um bom negócio. 

    Os dois conversaram, profissionalmente, por alguns momentos, até que David desviou um pouco o foco da conversa e dirigiu elogios pessoais para a japonesa. Ela agradeceu e tentou encerrar o assunto, mas o rapaz insistiu numa cantada original. 

    Foi quando a garota explicou, educadamente, que era comprometida e não queria atrapalhar as conquistas entre as empresas. David estalou a língua, quando percebeu um olhar fulminante em sua direção. Era Victor. 

    No mesmo instante, percebeu que ele era o companheiro da garota e se desculpou, e encerrando qualquer outro assunto, voltando para perto de sua dupla de negócios, Marina. 

    A japonesa caminhava em direção ao brasileiro, quando foi interceptada por Sophia Dubois. A jovem mulher de cabelos curtos disse, animadamente: 

    — Você foi incrível na negociação! Uma estratégia ousada. — Ela apertou a mão de Aki, quase forçadamente, balançando-a exageradamente. — Aquele David tem uma aura meio estranha, não acha? — Resmungou baixo. 

    Aki riu, mais de nervosismo do que dá situação em si, quando respondeu:

    — O importante é que tudo deu certo.

    Enquanto conversavam, a garota asiática começou a perceber algo: Sua posição ali. Como ela havia desejado mais cedo, ela conseguiu negociar naquele momento. 

    Seu peito se encheu de orgulho e felicidade, quando analisou de onde começou e como estava agora. Se no começo ela estava no sopé de uma montanha, sentia que agora estava quase no pico, quando fazia uma analogia com suas capacidades de comunicação. 

    Flashes de imagens de sua época de escola, sendo chamada de apelidos maldosos e destratada vinham, como se fossem espinhos querendo lhe sufocar. Porém, bastou olhar para Victor e perceber outra coisa, que foi como um vento primaveril e forte, trazendo alívio. 

    Sua visão era de que, graças ao chefe Akashi, que apostou no seu talento, estava naquela posição, e isso era verdade. Entretanto, havia mais uma coisa: Victor. Desde que começaram a conversar mais, depois daquele encontro na rua, tudo começou a melhorar. 

    Talvez fosse pelo profissionalismo dele, que acabou lhe arrastando e ela sempre pensou que era isso. Só que, agora, quando pensava em tudo de forma geral, começou a enxergar que era também seu próprio mérito, suas próprias qualidades. 

    Claro, o seu chefe e o seu namorado foram peças fundamentais para que ela se desenvolvesse, mas não só isso. Todo seu esforço estava sendo recompensado e valorizado. Era uma somatória dos fatos.

    Seu coração bateu mais forte, quando percebeu o quanto Victor e Akashi foram importantes, porém, que também era seu próprio valor. Sua autoestima, afetada pelos bullyings que sofreu na escola, não a deixava perceber isso. 

    Até pouco tempo atrás, alguns dias antes da viagem, Koda mandou uma mensagem para Victor com um link de uma reportagem de um site de fofocas do mundo dos negócios. Victor e Aki eram a manchete da vez. Por mais que não estivesse dizendo nada demais, eram palavras ambíguas e podiam levantar suspeitas. 

    Isso acabou afetando ainda mais a sua confiança, e dentre outros motivos, foi um fator que influenciou quando não disse nada na primeira reunião. Ao fim dela, com o acordo de Victor com Choi e Kim e a conversa com o seu namorado, acabou percebendo que podia tentar — e que deveria. 

    Ela segurou suas próprias mãos uma contra a outra, na tentativa de se autocontrolar e encerrou o assunto com a jovem francesa. Depois, foi até Victor, que havia pegado contato de todos os presentes ali. 

    Quando chegaram no quarto, Victor desabou na cama, resmungando do cansaço, mas ao virar a cabeça, percebeu uma Aki o encarando, mas com um sorriso alegre no rosto. 

    — O que foi? — Perguntou num tom curioso. — Qual o motivo dessa felicidade?

    — Bom, acabei percebendo algumas coisas. — Respondeu alegremente. 

    Victor arqueou uma sobrancelha, quando ela continuou: 

    — Eu acho que preciso te agradecer, Victor…

    — Oi? Do nada? — Ele riu. — Por que exatamente? 

    — Por estar comigo… — Respondeu, tímida, mas caminhando em direção a ele. Em seguida, se acomodou ao lado dele, lhe dando um beijo. 

    Seu coração batia tão forte que pareceu a sua primeira vez. Seu corpo estava sendo tomado por uma sensação quente.

    O brasileiro não entendeu muito bem o motivo, mas ficou imensamente feliz com suas palavras. Ele retribuiu o beijo, que foi demorado, terno e apaixonado. Enquanto seus lábios se tocavam, Aki sentia que precisava dizer muitas coisas para ele, mas talvez palavras não fossem suficientes. 

    Foi quando sua mão passou pelo colarinho da camisa, começando a desabotoar. Sentia que seu rosto estava vermelho como um tomate, mas não havia motivos para aquela vergonha toda. Era seu namorado e não era a sua primeira vez. 

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