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    『 Tradutor: Crimson 』


    Annie balançou a cabeça, rejeitando a sugestão de Caroline. Ela ergueu o olhar para o céu e disse: “Esses dois dragões são um problema. Diga aos mosqueteiros para pararem de atirar nos piratas e focarem nos dragões de fogo.”

    “Entendido!” O rosto de Caroline se enrijeceu enquanto ela se virava para sair.

    Milhares de mosqueteiros mudaram seus alvos para os dragões de fogo que circulavam acima. Isso os intimidou, impedindo qualquer movimento brusco. Afinal, mesmo que não morressem, um disparo certeiro ainda arrancaria um pedaço de carne.

    Se um ponto vital ou suas asas fossem atingidos, correriam o risco de cair no oceano.

    Domar dragões no jogo não era como nos filmes, onde todos tinham um como mascote. Cada dragão era tratado como um filho — além de ser uma arma estratégica.

    Sob o comando do domador, os dois dragões de fogo pararam de sobrevoar e cuspir chamas, dando à frota um breve alívio.

    “Apaguem o fogo, rápido!” A expressão de Annie era firme.

    Apesar de o Man o’ War ser um navio avançado, ainda era feito de madeira. Se as chamas se espalhassem, nem seria necessário que os vikings atacassem —seriam consumidos pelo fogo.

    “Rápido! Joguem água!”

    “Mais rápido!”

    Com o esforço dos marinheiros, os incêndios foram sendo controlados aos poucos. Como dominadores dos mares, esses navios não afundariam facilmente — nem mesmo sob fogo de canhão.

    Seu enorme peso os tornava incrivelmente resistentes.

    Todos que haviam seguido Annie para o mar, fossem soldados ou marinheiros, eram extremamente experientes.

    Após uma luta desesperada para estabilizar a situação, a esquadra finalmente recuperou o controle.

    No entanto, sem o fogo de supressão dos mosquetes, os navios-dragão vikings se tornaram destemidos. Eles avançaram rapidamente em direção aos encouraçados.

    Cada navio de guerra foi cercado por cinco ou seis embarcações vikings.

    Os soldados já conseguiam ver as barbas encaracoladas dos vikings. Cada pirata exibia dentes amarelados ao sorrir, com restos de carne presos entre eles.

    De um lado, dragões gigantes cuspindo fogo do céu. Do outro, piratas aterradores se aproximando.

    Os mosqueteiros foram colocados em uma situação difícil.

    O mar virou um completo caos. A formação da frota foi desfeita pelos navios-dragão, e os quinze encouraçados passaram a lutar isoladamente. Com a formação rompida, havia o risco de atingir aliados ao disparar os canhões.

    O combate corpo a corpo tornou-se inevitável.

    Pa! Pa! Pa! Tábuas pesadas foram lançadas dos navios vikings, conectando-os aos encouraçados.

    Seguindo a antiga tradição viking, os primeiros a avançar deveriam enfrentar o inimigo sozinhos.

    O destino de quem subia na tábua era simples: ou matava todos os inimigos… ou morria. Os que vinham atrás vingariam sua queda.

    Se alguém sentisse medo, poderia se jogar no mar. Ninguém perseguiria um desertor — mas ele seria considerado morto, e sua família o trataria como tal.

    Por isso, os primeiros a avançar eram sempre os mais fortes. Durante a batalha, pareciam possuídos, rugindo e se entregando à adrenalina. Sabiam que aquelas tábuas estavam encharcadas com o sangue de seus ancestrais — e que seus descendentes também pisariam ali um dia.

    Em combate, os piratas vikings eram extremamente ferozes e destemidos. Sua fúria os tornava ainda mais aterradores. Eram praticamente berserkers.

    Infelizmente para eles, o inimigo não eram simples mercadores, mas a Marinha Inglesa. A marinha prezava pela eficiência. Se fosse um combate um contra um, um mosqueteiro poderia eliminar facilmente todos os homens de um navio viking.

    As antigas tradições já não se aplicavam mais.

    “Fogo livre!”

    Uma chuva de balas caiu diretamente sobre os piratas.

    Os primeiros a avançar tombaram, seus corpos caindo no mar. Ainda assim, os que vinham atrás não demonstraram medo — avançaram através da chuva de projéteis, brandindo machados de guerra.

    Em instantes, as tábuas ficaram tingidas de vermelho. Para os vikings, aquilo era uma honra.

    Os guerreiros nos navios continuavam jogando lanças para cobrir seus companheiros. Sua precisão era impressionante.

    Com as defesas frágeis dos mosqueteiros, bastava uma lança bem jogada para matá-los instantaneamente.

    No terceiro ano de Gaia, as armas de fogo ainda estavam em desenvolvimento. Com o suporte dos sistemas de cultivo do jogo, em confrontos entre armas de fogo e armas brancas, as armas de fogo nem sempre levavam vantagem.

    Seja a energia primordial oriental ou a magia de batalha ocidental, nenhuma podia ser subestimada. Quando alguém alcançava um nível elevado de cultivo, armas de fogo comuns sequer conseguiam atingi-lo — o próprio Ouyang Shuo era um exemplo disso.

    Após enormes sacrifícios, os piratas finalmente atravessaram a tábua de menos de quatro metros.

    Os primeiros a avançar saltaram para o convés, como tigres ferozes invadindo a formação de mosqueteiros. Seus machados de guerra de duas lâminas, enormes e afiados, tinham um poder de destruição assustador.

    Em um instante, a formação dos mosqueteiros entrou em colapso.

    Uma vez que uma brecha era aberta, tornava-se impossível contê-la.

    “Avançar!”

    Milhares de piratas vikings subiram aos conveses dos encouraçados.

    O caos havia começado.

    Esse tipo de combate era a especialidade dos vikings. A era de glória que lhes pertencia finalmente havia chegado.

    Ao mesmo tempo, sem a supressão dos mosqueteiros, os dois dragões gigantes mergulharam do céu. Sob o comando de seus domadores, voltaram a cuspir chamas.

    As velas dos encouraçados pegaram fogo novamente.

    Para navios movidos a vento, destruir as velas era como arrancar as pernas de um gigante ou as asas de um pássaro. Seus enormes corpos tornavam-se pesados e inúteis.

    A situação ficava cada vez mais desfavorável para a marinha.

    Nesse ponto, recuar já era praticamente impossível.

    Annie continuava firme. Sacando a espada longa presa à cintura, ela gritou:

    “Guardas Damas de Ferro, venham comigo eliminar o inimigo!”

    A moral disparou imediatamente.

    Sob a luz do sol, ela parecia um anjo de guerra — deslumbrante e imponente. Nem mesmo o caos do campo de batalha diminuía seu brilho; seus soldados estariam dispostos a morrer por ela.

    “Sim!”

    Um coro de vozes firmes e uníssonas respondeu.

    No convés do Annie, três mil Guardas Damas de Ferro estavam prontas, totalmente equipadas. Todas eram mulheres — jogadoras de elite.

    Seu equipamento era excelente, e seu treinamento impecável.

    Eram as Damas de Ferro, a unidade mais singular da Inglaterra.

    Embora fossem mulheres, eram verdadeiras heroínas.

    “Matem!”

    Annie brandiu sua espada, cuja lâmina prateada reluzia enquanto enfrentava os piratas.

    “Matem!”

    As Damas de Ferro avançaram, ainda mais brutais e violentas que os próprios vikings. Diante desse ataque feroz, os piratas foram forçados a recuar, apesar de seu alto moral.

    Com o apoio das Damas de Ferro, Annie parecia uma deusa da guerra, eliminando inimigos sem parar.

    De repente, a moral dos soldados da marinha disparou.

    “Um bando de demônios!”

    Em um navio-dragão distante, o líder pirata Tuffnutt murmurou.

    “Chefe, o que fazemos?” perguntou um homem corpulento ao lado dele.

    “Ignorem a Annie. Foquem nos outros navios primeiro, depois lidamos com elas.”

    Tuffnutt era pequeno, diferente dos líderes vikings típicos. Seu enorme capacete com chifres contrastava com seu corpo, e seus dentes amarelados tornavam difícil encará-lo.

    “Entendido!” respondeu o gordo, rindo com astúcia.

    Assim, sem que Annie percebesse, a estratégia dos piratas mudou.

    As chamas da guerra ardiam, e o sangue fervia.

    Sangue fresco e honra se entrelaçavam no campo de batalha.

    ……

    “Senhora, não está bom! Os outros navios não estão aguentando!”

    Caroline, coberta de sangue, correu até ela. Várias marcas de sangue seco escorriam por seu rosto, fazendo-a parecer uma rosa florescendo em meio à batalha.

    Até mesmo os vikings lançavam olhares cobiçosos para seu corpo.

    “Humph!”

    Annie brandiu sua espada, decapitando um pirata viking.

    Ela olhou ao redor. Com as Damas de Ferro defendendo o Annie, estavam seguras e até em vantagem. Porém, nos outros navios, os gritos de vitória dos vikings cresciam cada vez mais.

    Para essa viagem, Annie havia levado apenas cinco encouraçados. Três já haviam sido afundados, e os outros treze pertenciam à marinha do território, enviados por William.

    A marinha se destacava em batalhas organizadas, não em combates caóticos. Sob o ataque coordenado dos vikings, os soldados estavam sendo esmagados, e corpos se acumulavam pelo convés.

    Pela primeira vez, arrependimento surgiu nos olhos teimosos de Annie.

    Ela havia sido impulsiva ao partir para o mar — e acabou caindo em uma emboscada.

    Na verdade, não era a primeira vez que enfrentava piratas. Porém, nas duas ocasiões anteriores, havia lidado apenas com grupos pequenos, facilmente derrotados.

    Isso alimentou sua determinação de exterminar os vikings.

    Ela não sabia que os piratas já estavam de olho nela. Na terceira vez que saiu ao mar, caiu diretamente em sua armadilha.

    E pior — ainda arrastou consigo a esquadra de escolta que seu irmão havia preparado.

    “Senhora, enquanto os outros navios ainda estão lutando, vamos recuar!” Caroline insistiu, desesperada.

    “Não!” Annie balançou a cabeça, obstinada. “Eu não sou uma desertora!”

    “Senhora!” Caroline estava sem saída; sua voz tornou-se mais firme. “Se isso continuar e você for capturada, a morte deles não terá sido em vão?”

    “Isso também não pode acontecer. No máximo, morreremos lutando.” Annie cortou qualquer tentativa de persuasão. “Não diga mais nada.”

    Cada guerreiro tinha um caminho que se recusava a abandonar.

    O dela era nunca ceder. No pior dos casos, morreria em combate.

    No Annie, uma aura resoluta surgiu — uma determinação de lutar até a morte.

    As Damas de Ferro não se abalaram com sua teimosia. Pelo contrário, era justamente esse espírito que as fazia segui-la.

    “Lutar até a morte! Lutar até a morte!”

    Sua aura assassina parecia alcançar os céus.

    Nesse momento, ao longe, no horizonte do oceano, uma grande esquadra avançava lentamente em formação de andorinha.

    A bandeira de dragão dourado tremulando sobre os navios chamava imediatamente a atenção.

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