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    Abel achou a expressão irritada de k3305 um pouco engraçada. K3308 não usava máscara, e embora Abel não pudesse confirmar se ele era um mago de linhagem, a quantidade de itens mágicos que carregava sugeria uma origem poderosa. Ao se aproximar, notou que K3308 usava anéis em todos os dedos, todos emanando ondas de mana. Estava equipado da cabeça aos pés, inclusive com dois colares no pescoço. Era, possivelmente, o mago mais bem equipado que Abel já tinha visto.

    Mesmo percebendo a hostilidade de k3305 em relação a k3308, Abel apenas assentiu em cumprimento. Tinha curiosidade sobre a verdadeira identidade de K3308, mas o Espírito do Milagre estava onipresente na Cidade do Milagre; perguntar o nome verdadeiro de um mago resultaria em punição.

    Mesmo ao encontrar um conhecido na cidade, era obrigatório tratá-lo pelo número. Abel não compreendia o motivo exato, mas a Cidade do Milagre era rigorosa quanto a isso. O Mago de Elite Dunn já o havia alertado sobre essa regra.

    De qualquer forma, Abel não se importava muito com o equipamento de K3308. Ele possuía um cajado rúnico de folha, basicamente o melhor artefato para magos iniciantes e intermediários em todo o Continente Sagrado. Aquele cajado sozinho superava o valor de tudo que K3308 carregava combinado.

    Vinte minutos depois, o grupo de cem pessoas começou a se mover em direção à Muralha do Milagre.

    Os guerreiros, obedecendo aos dez Comandantes, formaram uma formação quadrada, deixando um espaço vazio no centro.

    “K3516, vamos!”, chamou k3305. Sabendo que era a primeira missão de Abel, sentia-se na obrigação de orientá-lo.

    Guiando Abel em seu cervo de montaria para o centro da formação de cavaleiros, instruiu: “Tente se comunicar com os cavaleiros durante a batalha e fique sempre atento à sua reserva de mana!”

    Abel assentiu. Embora tivesse mana suficiente para gastar sem preocupações, aceitou a gentileza de k3305.

    “K3305, você está guiando um novato?”, perguntou K3308, curioso.

    Ele falou alto o suficiente para ser ouvido pelos cavaleiros próximos, que reclamaram imediatamente. Não entendiam como um novato poderia participar de uma missão daquelas; seria um fardo enorme para o poder de fogo do grupo, já que os magos eram a principal força ofensiva.

    “K3308, este é o K3516. Ele é muito poderoso!”, defendeu k3305. Embora desconhecesse a força real de Abel, conhecia sua pontuação no treinamento e confiava que o Espírito do Milagre não cometeria erros.

    K3308 sabia da força de k3305 e deduziu que qualquer mago vivendo na Área A ao lado dele também deveria ser formidável.

    “Olá, K3516, ó poderoso e majestoso, cuide bem de mim!”, disse K3308 em tom amistoso.

    Os cavaleiros também relaxaram um pouco ao ouvir a confirmação de k3305 sobre a habilidade de Abel.

    O grupo logo chegou à Muralha do Milagre, onde havia um gigantesco círculo de teletransporte de curta distância, capaz de comportar cerca de mil pessoas. Ao se posicionar no centro, Abel sentiu a grandiosidade da estrutura.

    Um brilho branco começou a percorrer o padrão no chão. Embora fosse apenas um transporte de curta distância, a escala era tamanha que Abel sentiu como se estivesse usando um círculo de teletransporte gigante.

    Logo, o padrão se preencheu completamente e o grupo de cem pessoas desapareceu.

    Abel sentiu o súbito deslocamento dimensional. Quando a visão se estabilizou, ele, os outros magos e os cavaleiros já estavam fora da Muralha do Milagre.

    Uma estrada de luz branca, com cinquenta metros de largura, iluminava o chão sob seu cervo de montaria. Embora a luz ofuscasse tudo ao redor, Abel sentia um intenso Qi de morte. As manchas de sangue das batalhas daquele dia ainda não haviam secado.

    Com o calor de junho, os pedaços de cadáveres espalhados haviam escurecido devido às explosões, exalando um fedor horrível.

    “K3516, você está bem?”, perguntou k3305, com voz preocupada.

    “Estou bem.” A voz de Abel soou calma sob a máscara. Ele parecia completamente inalterado pelo ambiente.

    “Impressionante. Estar no campo de batalha é diferente de assistir a uma luta. Achei que você seria afetado!”, elogiou k3305.

    Já K3308 parecia um pouco pálido. Não estava acostumado com o cheiro. Apertando o nariz, disse: “Vamos logo, rápido!”

    Um comandante olhou para K3308 com desprezo e ordenou: “Vamos!”

    “Eh, você já participou de várias missões, como ainda se deixa afetar?”, provocou k3305, olhando para K3308.

    “Nunca vou me acostumar com esse cheiro, nem no dia da minha morte!”, respondeu K3308, balançando a cabeça, impotente. Ele não estava de bom humor após ter sido desprezado pelo comandante.

    A estrada iluminada estendia-se por cerca de mil metros. Ao chegarem ao fim, o solo continuava podre, mas o Qi de morte desaparecera.

    “Aquele que falou agora foi Bodley. É um Comandante muito poderoso, o mais forte desta equipe!”, explicou k3305, apontando para o comandante que liderava a marcha. Após uma breve hesitação, acrescentou: “Mas depois do que você fez, talvez o mais forte seja você!”

    Abel riu ao ouvir aquilo. Embora a equipe fosse poderosa, ele pouco se importava. Só queria um lugar seguro para obter mérito de guerra.

    A formação quadrada dos cavaleiros mantinha-se perfeita. As montarias dos magos, muito bem treinadas, acompanhavam o ritmo livremente junto aos cavaleiros.

    Abel não pôde deixar de admirar a perícia daqueles noventa cavaleiros, que preservavam o distanciamento exato da formação mesmo ao fazer curvas ou saltar obstáculos.

    Dez milhas depois, a intuição de Comandante de Abel alertou que ele estava sendo observado. Ele havia entrado no campo de batalha de repente.

    Sua intuição normalmente só avisava em caso de ameaça, motivo pelo qual não o alertara quando o Comandante Layard armou uma cilada para ele, mas agora parecia haver um perigo real.

    Abel olhou na direção de onde vinha a observação. Era um falcão-gerifalte no céu. A ave parecia tentar confirmar a situação no solo e voava em direção ao grupo.

    Ele levou a mão à cintura, fingindo pegar algo na bolsa, mas na verdade retirou o Arco Harry de seu bracelete de portal e preparou uma flecha.

    O gerifalte, claramente treinado e de visão aguçada, percebeu o movimento de Abel e começou a fugir em velocidade máxima.

    Sob o olhar de Abel, a ave em aceleração parecia desacelerar enquanto estatísticas surgiam em sua mente:

    “Velocidade do vento: 18 metros por segundo.

    Distância: 132 metros.

    Velocidade do alvo: 33 metros por segundo.”

    Abel previu a trajetória do gerifalte num instante. Como praticamente dominava o uso do Arco Harry, aquele disparo seria fácil.

    Aos olhos dos outros cavaleiros e magos, Abel apenas sacou um arco estranho e atirou sem nem mesmo mirar. Não faziam ideia de quantos cálculos ele havia processado.

    O gerifalte voava em velocidade máxima. A velocidade era sua melhor defesa, tornando-o quase impossível de ser abatido por uma pessoa.

    Mas não desta vez. A flecha partiu. O instinto de sobrevivência da ave disparou imediatamente, mas o ataque foi rápido demais; a flecha de ferro perfurou seu crânio em cheio.

    “É um gerifalte orc!”, gritou o Comandante Bodley. Ele levantou a mão, sinalizando para a equipe parar.

    Em seguida, correu sozinho, recuperou a ave morta do chão e voltou para o time.

    “Mago K3516, Bodley pede desculpas a você. Suas habilidades são mais do que adequadas para esta missão!”, disse o Comandante Bodley, curvando-se para Abel.

    Todos os magos e cavaleiros ali eram veteranos de batalha, então conheciam bem os gerifaltes. Todos odiavam aquelas aves, pois sabiam que eram, basicamente, os olhos dos orcs.

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