Ficar parado no beco por muito tempo era uma péssima ideia, mas simplesmente sair por aí andando sem um plano também não era uma das melhores opções, por isso Kely os ajudou a se vestir igual as pessoas que estavam assistindo a competição de funk que ocorria no meio da praça.

    Sem que ninguém notasse ela roubou os acessórios de pessoas que estavam claramente alteradas, alguns por conta de bebidas alcoólicas, já outras por causa de drogas ilícitas e muitas por causa da mistura de ambos, facilitando para que ela pegasse, sem muitas dificuldades, dois bonés, um par de óculos com lentes coloridas, um colar falsificado, pulseiras douradas falsificadas e até uma camiseta.

    Então, Noah, para não ser reconhecido por suas roupas que haviam sido marcadas pelos policiais, vestiu a camiseta por cima da que ele estava usando, colocou o boné, os óculos e o colar, já o restante das coisas usarem para disfarçar o Chefinho.

    Logo após se disfarçarem, Naoh pegou uma lata de cerveja qualquer que achou jogada na rua para complementar e depois começou a carregar o Chefinho no ombro, agindo como se estivesse bêbado e fingindo que o Chefinho havia apagado por conta de toda a bebida e droga que usaram. Enquanto isso Kelly se mantinha por perto, mas escondida para não chamar suspeitas, tendo se trocado sem que ninguém a visse para não ser reconhecida por ninguém.

    E apesar da atuação de Noah não ser das melhores, o fato dele não se lembrar com precisão o caminho que fizeram para fugir dos policiais colaborava para ele ser mais convincente, já que ficava andando por todos os cantos tentando se lembrar, assim conseguindo ser ignorado por um dos policiais quando passou do lado.

    — Ele vai ficar bem? — perguntou Noah, após deixar o Chefinho na cama da casa dele, depois do massacre em que os policiais simplesmente desapareceram e a imprensa surgiu.

    — Vai sim! — respondeu Kelly, terminando de aconchegá-lo na cama. — Eu só o deixei inconsciente. Daqui a pouco ele deve acordar.

    — Como você fez isso?

    — Atingi o nervo vago dele. É um que fica bem na nuca. Fazendo isso eu diminuí a sua pressão arterial e dos batimentos cardíacos, causando a perda da consciência.

    — Impressionante.

    — Obrigada. E então, está pronto para partir?

    — Antes de irmos, eu preciso fazer uma coisa — disse, ficando pensativo.

    — Eu sei…! Mas você tem que ser rápido — avisou.

    — Certo.

    — Vou arranjar um carro para nós irmos, vai ser uma longa viagem. Me espere dentro da padaria do posto de gasolina na avenida. E a qualquer sinal de perigo que tiver, fuja. Devo aparecer por lá dentro de uns dez a vinte minutos.

    — Entendi.

    — Ótimo.

    Enquanto a imprensa atraía a atenção de todos, falando sobre o ocorrido com os policiais, Kelly, sorrateiramente, se aproveitou de toda essa distração para se aproximar de um carro que fosse discreto, potente o bastante para o que precisavam e que não tivesse alarme de segurança.

    Ela manteve-se o tempo todo de capuz para evitar que as câmeras filmassem o seu rosto, e de cabeça baixa para que ninguém na rua pudesse reconhecê-la. E então, quando de frente à porta do carro que escolheu, ela discretamente perfurou profundamente o dedo com uma agulha e o aproximou da fechadura, a destrancado logo em seguida.

    Antes que ela sumisse com o veículo, se certificou, discretamente, enquanto entrava no carro, de que ninguém estava a observá-la, para só então ligar o automóvel da mesma forma que abriu a sua porta, mas dessa vez tendo que manter o sangue na ignição para o veículo não morrer conforme desaparecia gradualmente de vista como se nada tivesse acontecido.

    Ao chegar no posto de gasolina em que Noah estava, aproveitou para completar o tanque de combustível, tendo que abrir por conta própria a tampa do tanque, precisando agir como se a fechadura estivesse com problema para o frentista não desconfiar.

    Em seguida ela se juntou a Noah na padaria, onde compraram algumas coisas para comer e beber na viagem, mantendo sempre a atenção em tudo o que acontecia ao redor deles, e só então, quando estava tudo preparado para seguirem viagem, que foram para o hospital.

    Por sorte a rota era quase a mesma do trajeto que os levariam ao esconderijo, então quase nada iria mudar ao fazerem um pequeno desvio para que Noah pudesse se despedir.

    — Você parece inquieto — comentou Kelly, o vendo encostado na janela, olhando para a paisagem que mudava rapidamente.

    — É que eu ainda não consigo simplesmente olhar para a minha mãe por conta de tudo isso que vem acontecendo, por minha causa — explicou, cabisbaixo.

    — Não adianta você ficar se remoendo por isso. Não dava para você prever o futuro. E, me diga, se você não tivesse se envolvido nisso, sua mãe teria, milagrosamente, se livrado do câncer, o que de tão bom teria lhe acontecido se não tivesse se envolvido nisso tudo, para você ficar se envenenando tanto por dentro? A sua vida realmente teria sido melhor, ou a mesmíssima coisa que você presenciava todos os dias? Se não, pior… Pensa bem nisso.

    — Mesmo assim, depois de tudo, ter que vê-la naquele estado… Não sei, me causa um sentimento ruim, além do medo de perdê-la.

    — O que está sentindo é culpa pelos erros que cometeu no passado! E acho que isso é o mínimo que você deveria sentir depois de tudo o que fez a sua mãe passar — disse, dando-o um sermão —, mas as coisas mudam, sejam elas para melhores ou piores, e você se esforçou muito para melhorar, para dar uma vida melhor para sua mãe, para cuidar dela, por isso acredito que você não precisa ficar se envenenando assim… E eu acredito que ela também pense assim, mesmo que ela venha a falecer, é a sua mãe, ela te perdoou por tudo que já fez! Não acha que ter a vida boa que ela tanto te deseja e fazer o bem para os outros, já não é o suficiente?

    — Talvez esteja certa, espero — disse, respirando profundamente, tentando se acalmar.

    — Sorria quando estiver ao lado dela — sugeriu.

    — Irei — suspirou, incerto.

    No hospital, Noah, ao dizer o seu nome para a recepcionista e entregar a sua identidade, pegou os papéis que precisava assinar e, só depois disso, ainda tenso, foi até o quarto da sua mãe, acompanhado por Kelly.

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