Índice de Capítulo

    Ele progrediu, encontrou pilares que sustentavam seu chão e alcançou novos patamares, como pessoa e como guerreiro. Por mais que as cicatrizes em seu corpo não fossem apagadas, ele impedia que outras pessoas também tivessem as mesmas, um homem que não lutava apenas por si mesmo.

    O Bibliotecário

    — Li!

    — Lisa? — estranhou Jihan. — Você estava ai há quanto tempo?

    — Ah… — Virando o rosto para o lado, ela respondeu. — Acabei de chegar.

    — Você é uma mentirosa terrível, mas eu prefiro assim.

    — Bem… sabe, eu estava precisando conversar com você…

    — Comigo? Do que precisa?

    — É que… é meio privado… poderíamos ir para outro comodo?

    Arqueando a sobrancelha, estranhou, mas, colocando a cabeça para dentro do quarto, Li viu Matheus estendendo o polegar, acatando o pedido silencioso.

    — Claro, vamos.

    Quando os dois saíram do quarto, Matheus também levantou;

    — É, acho que vou lá — e saiu.

    Já no quarto de Lisa, ela fechou a porta após ambos entrarem.

    — Estou no quarto com a senhorita Glória e a Selene, pedi para conversar com você a sós…

    — O que gostaria de falar?

    — Bem, na verdade… poderia virar de costas?

    Virando-se por um minuto, Li subitamente ouviu uma outra voz.

    — Por que essa criança pediu para você virar de costas? Não é como se fosse uma transformação grotesca ou algo do tipo.

    Quando ele olhou de volta, a menina parecia ter sido substituída por outra pessoa. Lisa estava mais alta, sua pele havia ficado com uma tonalidade ainda mais pálida, contrastando com lábios vermelhos e cheios, seus cabelos estavam lisos e castanho-escuro, além de seu corpo parecer ter avançado alguns anos no tempo.

    — O que está olhando? Até parece que nunca me viu antes.

    — Não é como se eu tivesse me acostumado com a sua presença.

    HUMPF

    — Pelo menos você manteve o nosso segredo.

    — Não fiz isso por você.

    — Fez por ela, mas como somos a mesma pessoa, então também fez por mim!

    — Touché — cedeu. — Bem, o que você quer?

    — Por que você fala com ela de um jeito fofo e comigo você fala assim!?

    Como resposta, ele apenas arqueou uma sobrancelha.

    — Ah, tá! — disse a succubus, virando a cara e fazendo beiço. — Eu estava querendo te ajudar, mas acho que você não merece!

    — Me ajudar?

    — Oh, quer dizer que você está interessado no que tenho a dizer? — falou, empinando o nariz. — Eu posso dizer, claro, posso te ajudar, se você pedir com jeitinho, pensarei no seu caso!

    — Pedir com jeitinho?

    — Se você disser “Oh, Senhorita Luna, por favor me ajude com seus dons maravilhosos!”

    — Como você pode ser mais velha do que a Lisa e ser mais infantil do que ela?

    — Cale a boca, temos a mesma idade!

    Jihan a olhou de cima a baixo.

    — Certo…

    Envergonhada, a succubus usou suas mãos para cobrir seu corpo.

    — Eu sabia, você é um tarado! — exclamou. — Sabia desde que você me amarrou daquela vez!

    Levando uma mão à cabeça, Jihan respirou fundo. Subitamente, Luna falou para o ar, direcionando-se a outra pessoa.

    — Eu sei que prometi ajudar, só estou o irritando um pouco… Ah, tá bom… eu sei…

    Vendo aquilo, Li imaginou o que ela estava fazendo, provavelmente ela conseguia se comunicar com Lisa.

    — Oh, senhorita Luna, poderia me ajudar com seus dons…

    A succubus avermelhou-se.

    — Não precisa dizer isso — interrompeu-o. — Eu estava só brincando…

    “Ela é bem tímida para uma succubus… mas se bem que ela falou que não funcionava da mesma forma que o imaginário popular pensa…”

    — Então…?

    — Bem… lembra daquela vez em que invadi sua mente… — disse timidamente, como um cachorro pego no flagra de uma bagunça.

    — Sim, me lembro bem, daquela vez você me disse que eu era um prato cheio.

    — Ah… você lembra disso também — riu nervosamente. — Bom, na verdade, era exatamente isso que eu queria falar sobre.

    Li pausou por um instante, depois de muito tempo ele já conseguia imaginar do que se tratava. Luna mudou sua expressão e ficou séria, apontando o dedo para ele, perguntou.

    — Eu vou direto ao ponto… Li… o que exatamente é você?


    — Um pouco rude perguntar isso, não acha?

    — Talvez… mas você não parece entender o motivo da minha pergunta.

    — Não entendo.

    — Nós, succubus, somos capazes de sentir a essência da pessoa, como vocês humanos sentem cheiro do que comem, nós sentimos a essência… mas a sua… é estranha!

    Enquanto falava, Li percebeu e incomodou-se com um pequeno rastro de medo no rosto da succubus.

    — Me desculpe…

    O súbito pedido de desculpa de Li chocou a Succubus.

    — Por que você está pedindo desculpas?

    — Parecia o certo a se fazer.

    Percebendo que deixou transparecer certa ansiedade, Luna se acalmou.

    — Tenho uma ideia do que você está falando, mas infelizmente não consigo te explicar exatamente o que é…

    — Eu posso… tentar te ajudar.

    — Sério?

    — Sim… é o mínimo que posso fazer pelo tanto que você ajudou a Lisa… e me ajudou.

    Jihan entendeu. Por mais que Lisa tenha sofrido, para Luna deve ter sido ainda pior, afinal, ela estava vivendo sob o constante medo de ser descoberta e imediatamente morta, caso fosse, também levaria a sacerdotisa junto, que definitivamente seria acusada de ajudar um demônio.

    — Obrigado!

    — Não fique muito animado, eu disse que iria tentar!

    — Se me explicar um pouco que seja, já vai me ajudar bastante!

    — Certo, vamos começar por isso… o motivo da pergunta que fiz antes, normalmente humanos tem uma essência em seu corpo, basicamente poderia ser algo como uma alma… mas você, Li… tem três…

    — Três?

    — Talvez mais, mas tem algo sinistro em uma delas, não consigo nem olhar diretamente para o fundo dessa essência… ela é escura como um eclipse.

    — Você não as viu da última vez?

    — Mais ou menos? — perguntou retoricamente, de forma confusa. — Eu acho que sim, mas se elas são iguais às que eu vi, tem um problema.

    — Problema?

    — Inicialmente, as 3 estavam coexistindo, com a sinistra um pouco menor que as outras, mas nesse tempo que fiquei sem te ver, a obscura cresceu desenfreadamente, isso está causando um desequilíbrio nas outras essências.

    — Isso é ruim?

    — Li, as succubus se alimentam da essência humana, no momento em que ela acaba… você morre.

    — Isso… não soa bem…

    — Você parece não entender a gravidade do que estou te falando.

    — Não, eu entendo — afirmou, confiante. — Mas, você vai me ajudar, então não estou preocupado.

    — Ora! — exclamou. — Já te disse que vou tentar!

    — É o suficiente — retrucou. — Se a Lisa confia em você, então eu também confio.

    Luna se espantou com a tranquilidade com que ele afirmou tal coisa.

    — Então, por onde começamos? — perguntou.

    — Isso é o X da questão… não tenho muitas formas, mas tem uma que acho que pode funcionar…

    — Que seria?

    — Eu posso… consumi-la para mantê-la sob controle… — disse a succubus sem graça.

    — Só isso?

    — Ei, isso é uma grande coisa!

    — Não é como se você já não tivesse tentado antes.

    — Aquilo foi outro momento!

    — Então, quando começamos?

    Enquanto os dois discutiam, Matheus encontrou Glória mais uma vez na varanda da casa.

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